Capítulo 2

— Belle, pode pegar a mesa oito para mim? Preciso comer

alguma coisa, estou passando mal aqui!

Minha gerente pediu, e eu só assenti. Como já tinha acabado

de almoçar – só um sanduíche de frango, aliás –, não teria problema

nenhum rendê-la. Claro que eu tinha direito a mais minutos de

almoço, e queria ligar para casa para saber de Aurora, que estava

um pouquinho febril quando eu saí, mas isso poderia esperar um

pouco.

Não era como se eu não precisasse desesperadamente do

meu emprego.

Ajeitando meus cabelos castanhos para dentro do rabo de

cavalo, coloquei de volta o avental, peguei o bloquinho, um lápis e

passei do balcão em direção à mesa oito.

Claramente não eram os clientes usuais. Eram duas pessoas:

um homem de meia idade e uma mulher de uns trinta anos, ambos

muito elegantes.

Definitivamente, o restaurante onde eu trabalhava não era do

tipo que recebia pessoas como eles.

Claro que Nova Iorque era diversificada o suficiente para que

houvesse mil explicações plausíveis para o fato, mas eles realmente

pareciam dois peixes fora d’água.

Eu me aproximei, com cautela, e ouvi parte da conversa, sem

querer.

— Não é possível que ele não tenha gostado de nenhuma

delas. Eu escolhi a dedo! — a mulher exclamou, um pouco

indignada. Eles já estavam com suas bebidas, provavelmente

servidas pela gerente.

Nós estávamos com redução de funcionários, porque Amy,

uma das garçonetes e minha melhor amiga, havia encontrado outro

emprego e se afastado há alguns dias, e nenhum outro funcionário

fora contratado. Sendo assim, a gerente estava se virando como

podia.

— Richard tenta fingir que é governado pela razão, mas

ainda usa muito o coração. Essa é a melhor alternativa que temos,

mas ele ainda está relutante. Logo vai entender que sem isso,

adeus Casa Branca.

Preocupada com o que eu poderia estar ouvindo e não

querendo receber nenhuma informação que pudesse me

comprometer, coloquei um sorriso no rosto e me aproximei.

— Boa tarde, senhores. Meu nome é Isabelle e vou atendêlos hoje.

O homem se remexeu na cadeira, buscando uma posição, e

eu quase me encolhi com o olhar malicioso que me lançou.

— Olha só se não é uma coisinha bem mais interessante do

que a outra que começou nos servindo antes. — Retesei-me

imediatamente, um pouco incomodada, tanto que não lhe respondi.

— Seu rostinho me é familiar. Será que já nos conhecemos antes?

Dei um sorriso sem graça, irritada por precisar fingir simpatia.

— Não sei, senhor. Talvez seja daqui mesmo.

— Duvido muito. É minha primeira vez aqui. Só escolhemos

este lugar porque queremos conversar sobre coisas confidenciais.

Trabalhamos para um político importante, sabe? Queremos

privacidade, e imaginamos que não haveria nenhum paparazzo a

nos caçar por aqui.

Será que ele tinha me visto ouvindo a conversa? Nem fora

por mal, mas aquele tipo de gente interpretava o que queria e

poderia me prejudicar só por esporte.

Sobre ele conhecer o meu rosto... nunca tinha acontecido

antes, mas eu imaginava que algum dia alguém surgiria que me

conhecesse.

Não era como se o meu sobrenome fosse só mais um no

meio da multidão. Eu era filha de Anson Waverly. Filha bastarda, é

claro, mas fui adotada pela família aos dezessete, três anos antes.

Desde então, eu deixei de ser uma total desconhecida para alguém

que tinha algum tipo de relevância para a mídia.

Antes de tudo desandar na minha vida, eu era a garota de

ouro, com notas excelentes, com possibilidades de ir para a

faculdade que escolhesse, de acordo com meus professores.

Participava de ações filantrópicas com o colégio, criei um projeto

social desde que descobri o problema cardíaco da minha irmãzinha

e consegui muita visibilidade.

Só que minha mãe e meu padrasto – que sempre foi um pai

para mim – morreram em um acidente, e eu precisei morar com meu

pai biológico e sua esposa, que simplesmente me odiava. Acabei

parando tudo o que construí para cuidar de Aurora. Ela era a razão

de tudo, e eu não me arrependia de nada.

Tanto que eu tinha decidido me esconder naquele fim de

mundo, em um emprego medíocre, porque temia que as pessoas

acabassem me reconhecendo.

Tarde demais.

O cara fixou os olhos na plaquinha presa ao meu avental,

com meu nome.

— Isabelle Waverly! — ele exclamou, surpreso. — Claro,

claro! A filha bastarda de Anson!

Abaixei a cabeça, soltando um suspiro. Não que o fato de ser

uma bastarda me envergonhasse ou me fizesse mal, mas eu já

tinha ouvido tantas vezes aquela palavra que ela passara a ter um

peso muito desagradável. Parecia que ela moldava a minha vida

inteira. Desde quem eu era até quem poderia ser.

Tanto que fora por causa dela, usada da forma mais

desdenhosa possível pela minha madrasta, que o meu futuro fora

todo destruído.

Eu era fruto de uma traição e meu pai se envergonhava tanto

disso, que eu era um constante lembrete. Sem contar o quanto a

Sra. Waverly usava isso como uma arma; como manipulava o meu

pai ao seu bel-prazer, jogando a infidelidade na cara o tempo todo.

— Senhor, eu... — Tinha pretensão de lhe pedir que não

contasse a ninguém, e já ia começar a me justificar, usando a

desculpa que sempre estava pronta, na ponta da língua caso me

descobrissem ali, sobre querer ter novas experiências e me

aproximar de pessoas diferentes, como a herdeira desocupada que

eu deveria ser, mas o cara soltou uma gargalhada que eu não

esperava.

— Eu não acredito. Se isso não é destino, não faço ideia do

que mais pode ser.

Fiquei completamente perdida, olhando para ele e

percebendo que a moça que o acompanhava também não entendia

nada.

— Senhor, me perdoa... eu não...

Fiquei surpresa quando sua mão foi parar sobre a minha, em

cima da mesa.

— Não se preocupe, menina. Só faça seu trabalho. Eu e

minha amiga vamos fazer o pedido, tudo bem?

Hesitei um pouco antes de assentir, mas não tinha outro jeito.

Era, de fato, o meu trabalho.

Cada um dos dois fez o seu pedido, e eu me afastei o mais

rápido possível, retornando à cozinha para deixar o papel com o

cozinheiro.

Aproveitei esses breves segundos para me recuperar e

decidir que o homem, fosse quem fosse, só poderia ser um pouco

louco. Não merecia a minha atenção. O fato de ter reconhecido

quem eu era, de ter até me chamado de bastarda, não poderia

prejudicar meu dia de trabalho.

E eu tinha muita coisa a fazer.

Tive que voltar à mesa deles algum tempo depois, para servir

os pratos, e depois para a sobremesa. Eu sentia os olhos do cara

em mim o tempo todo, com o sorriso malicioso, e não pude deixar

de perceber que passara boa parte da refeição no celular, tanto

digitando ferozmente quanto falando com alguém.

Queria desviar minha atenção, focar em outras coisas, mas

eu estava com a sensação de que toda aquela comoção tinha a ver

comigo.

Esse pensamento se tornou real pouco antes de eles irem

embora.

Eu estava recolhendo o pagamento na mesa, e quando lhe

entreguei o comprovante de pagamento, o homem segurou a minha

mão de um jeito tão súbito que cheguei a me sobressaltar.

— Posso conversar um minuto com você? Em um local mais

privado?

Que tipo de proposta era aquela?

— Senhor, me desculpa, mas não. Eu nem te conheço.

— Não seja por isso, meu nome é Kenneth Bridges. — Ele

balançou a mão que ainda segurava a minha, com firmeza. Meio

atordoada, cumprimentei-o de volta. — Não tem nenhum local aqui

dentro mesmo do restaurante que possamos usar? Minha amiga,

Daisy, estará presente o tempo todo. — Ele apontou para a mulher,

como se isso pudesse ser uma segurança para mim.

Não era. Eu também nem a conhecia.

— Senhor, eu realmente não posso...

— Por favor, Isabelle. Eu tenho uma proposta para você.

Uma proposta que pode ajudá-la a cuidar da sua irmã.

Ao ouvir a menção a Aurora, soltei a minha mão da dele,

dando um pulo para trás.

— O que você sabe sobre ela? — quase rosnei. Para

defender a minha irmãzinha eu era capaz de tudo.

E eu nem sabia que esse seria o meu maior problema.

— O suficiente para saber que você precisa

desesperadamente de dinheiro, que seu pai não está assim tão bem

das pernas e que a proposta que eu tenho para te fazer pode te

beneficiar e muito.

— Não! — respondi em um sobressalto, mais alto do que

deveria.

Dei uma olhada ao redor, e as pessoas estavam nos

encarando, como se não entendessem o meu comportamento com

um cliente.

— Não quero ouvir proposta nenhuma, a não ser que seja de

um trabalho honesto — reafirmei.

Ele abriu um sorriso malicioso.

— Não seria nada comigo, querida, mas também não poderia

dizer que é algo honesto. Só que foi bom você negar. Acho que

tenho uma maneira melhor de resolver isso.

Ele pegou as coisas que tinha deixado em cima da mesa e

começou a se afastar. Corri atrás, porque um calafrio percorreu

minha espinha. Algo me dizia que aquele homem ainda se tornaria

uma pedra no meu sapato, se eu permitisse.

— O que o senhor quer comigo? Por que eu?

Ele ergueu uma sobrancelha, por cima da armação dos

óculos, ainda com aquela expressão debochada.

— Porque ele vai gostar de você, eu tenho certeza.

Novamente o homem começou a se afastar, enquanto eu

ficava com a pergunta na cabeça: quem é ele?

Capítulo 3

A televisão proporcionava um som ambiente, dentro do meu

gabinete. Ela só estava ligada, porque eu gostava de ficar a par das

notícias, mas não tinha muito tempo para ler jornais.

Ainda assim, era de manhã, e sem dúvidas o telejornal

matinal não era a melhor fonte, mas o dia estava repleto de reuniões

e eu ainda precisaria viajar para Washington para uma Comissão de

Parlamento, da qual eu precisaria participar.

— E não se fala de outra coisa no momento! — a voz

animada da âncora exclamou. Não importava que tivesse acabado

de conversar com um correspondente que anunciara um assalto a

um banco no Brooklyn, seu humor mudava conforme o tom da

notícia. Naquele momento, eles iam entrar na rodada de fofocas

sem relevância.

Comecei a procurar o controle remoto, mas o nome falado

me impediu.

— A bela Tiana Hilton, ex-senhora Walker, como vocês bem

sabem, está compartilhando cada detalhe da preparação de seu

casamento. Nós estamos encantados com o bom gosto, não

estamos, Werner?

Ela jogou a deixa para seu companheiro de tela.

— Sim, mas uma mulher de bom gosto nunca iria nos

decepcionar, é claro. Ficamos um pouco curiosos, porque ontem o

Senador Walker foi bem ríspido com alguns jornalistas em uma

breve abordagem em frente ao prédio do gabinete. Será que ainda

tem uma dor de cotovelo em meio àquela figura fria e pragmática?

Fechei a mão em punho ao mesmo tempo que ouvia a porta

se abrindo. Já sabia quem era. Só uma única pessoa tinha

autorização – e audácia – para entrar no meu gabinete daquela

forma.

Assim que passou pela porta, ele ia falar alguma coisa, mas

parou diante da TV, prestando atenção no mesmo que eu.

— Não sabemos, meu amigo. Até porque desde então

Richard Walker nunca mais foi visto com outra mulher. E, não vamos

ser hipócritas, ele é um cara lindo e sexy, deve haver uma fila de

garotas ansiosas para...

A mulher mal terminou de falar e Ken simplesmente desligou

a televisão, pegando o controle em cima da minha mesa.

— Por que você insiste em ver esse tipo de bosta? — Ele

jogou o controle de volta na mesa e se apoiou nela, cruzando os

braços.

— O meu nome estava sendo mencionado. É um pouco difícil

fingir que nada está acontecendo.

— Ao menos te chamaram de lindo e sexy. — Foi uma

tentativa de piada, é claro, mas eu só revirei os olhos. — Relaxa um

pouco, Rick. Fofocas são fofocas. Na pior das hipóteses o seu nome

permanece na boca do povo.

— Quero que fique, mas por uma boa gestão. Que as

pessoas queiram votar em mim pelo meu trabalho — quase rosnei,

mas Ken balançou a cabeça, como se eu fosse uma criança que

não sabe nada da vida.

— Você quer que as pessoas votem em você. Ponto. Não

importa o motivo. Depois que chegar lá, você prova o seu valor.

— Se fosse assim, eu estaria usando o meu pai na

campanha inteira.

— Deveria ter usado, mas é orgulhoso demais para isso.

Não era só uma questão de orgulho. O problema era que eu

e meu pai não tínhamos uma relação muito boa. Para a mídia,

éramos unidos e um complementava o trabalho do outro, mas nos

bastidores a verdade era outra.

Não gostava da forma como meu pai seguiu com sua vida na

política. Não gostava de como se aliou a pessoas perigosas, nem

durante a candidatura e nem depois. Tornara-se amigo de famílias

da máfia, como os Ungaretti e os Caccini – coisa que ninguém

sonhava em saber –, e eu podia jurar que ainda lhes devia favores.

Volta e meia eu recebia propostas muito discretas para

reuniões com os atuais chefes da Cosa Nostra, mas sempre

recusei. Por muito tempo achei que isso iria me prejudicar, mas eles

não insistiram e não me colocaram em sua lista de inimigos.

Ao menos não que eu soubesse.

— Seja como for, você sabe que quando anunciar o

casamento, essas fofocas vão diminuir, não sabe? — ele continuou

falando, e eu me recostei na cadeira, levando os dedos às

têmporas.

— Tenho minhas dúvidas.

— Confia em mim, garoto. Quantas vezes te decepcionei?

O problema era esse: eu confiava demais. Mesmo quando

chamava um homem de trinta e cinco anos de garoto. Mesmo

quando, no fundo, eu pensava que era perigoso estar tão nas mãos

de alguém.

Eu gostava de ter o controle, de manter minha vida nas

pontas dos meus dedos, mas às vezes tudo isso desandava. As

questões com Tiana foram como um balde de água fria, que me

deixaram um pouco desorientado, mas consegui me reerguer.

Mesmo que me sentindo, eventualmente, na corda bamba, como no

dia do anúncio do casamento dela e depois daquela maldita menção

no telejornal.

— Eu tenho uma solução para os seus problemas.

Ken jogou outra pasta parecida com a do dia anterior sobre a

mesa à minha frente, e eu respirei fundo, meio sem paciência.

— Não estou a fim de ficar selecionando mulheres em um

cardápio, Ken. Ontem já foi o suficiente. Você me trouxe seis

garotas que eram a cara de Tiana. Todas elas completamente

parecidas em personalidade. Não sei o que te deu, mas eu não

tenho um tipo. Não é porque me apaixonei por ela que tenho algum

tipo de preferência.

— Só olha, Rick. Dá uma olhada. Essa garota é diferente.

Mesmo a contragosto, abri a merda da pasta e logo me

deparei com uma foto impressa. Parecia um print de uma postagem

de instagram.

Tratava-se de uma garota muito, muito bonita.

Não, eu estava sendo econômico. A garota era mais do que

isso. Ela era... linda de um jeito que chegava a incomodar.

Os olhos eram de um azul-turquesa que poderia ser

confundido com um tom mais acinzentado. Os lábios eram cheios,

sendo o inferior pouca coisa mais fino do que o superior – e este

tinha um formato marcado, com uma curva acentuada. Os cabelos

eram castanhos, quase mel, e caíam muito lisos sobre seus ombros.

De acordo com a ficha que Ken preparara, ela tinha vinte

anos. Uma menina.

Havia mais folhas com informações, mas eu não estava com

muita paciência para ler. E nem tempo.

— O que tem essa garota?

— Sem contar o fato de que ela é linda?

— Todas as outras também eram. — Eu estava sendo

hipócrita. As outras eram muito bonitas, sem dúvidas, mas aquela ali

era diferente, de fato.

De um jeito inocente, puro.

— Mas todas as outras eram bonequinhas e filhinhas de

papai.

Dei uma olhada no nome da garota e o reconheci.

— Isabelle Waverly? Filha de Anson Waverly? Não é como se

ela fosse uma pobretona.

— Ah, mas é aí que a história fica mais interessante... — Ken

deu a volta e se sentou em uma das cadeiras à frente da minha. —

Ela é bastarda e precisou morar com o pai, levando uma irmãzinha

pequena, que tem uma condição cardíaca. Pelo que apurei, ela não

se deu muito bem com a nova família, e eles não a tratam muito

bem. Tanto que a encontrei em um restaurante de péssima

qualidade, trabalhando como garçonete.

— Garçonete? Uma Waverly?

— Foi o que chamou a minha atenção também. Minhas

pesquisas me levaram a esse cenário: ela precisa de dinheiro para

largar a família, conseguir a tutela legal da irmã e se libertar. Um

casamento com um homem influente como você viria em boa hora.

Ao menos seria uma causa nobre. Isso me fez ao menos

hesitar.

— E o que eu ganharia?

Claro que Kenneth abriu um sorriso. Ele sabia que estava

começando a ganhar aquela breve batalha.

— Além de uma esposa jovem e linda? — Ele se inclinou e

folheou algumas páginas da pasta. Havia uma parte destacada com

um amarelo forte, como se fosse mesmo um dossiê. — Uma

ativista, engajada em causas sociais. Uma garota inteligente, que

não teve oportunidade de estudar. Uma entusiasta de Ciências

Políticas. Sem contar uma garota que precisa de ajuda e que pode

topar essa loucura que estamos criando, por estar desesperada o

suficiente para isso.

— Então nós vamos usar o desespero da moça? É isso?

— E ela vai usar você também. Seu dinheiro, seu prestígio,

sua posição. Não vai ser uma exploração de uma garota inocente,

Richard. Desde o início deixaremos tudo muito claro. Ela vai entrar

no acordo por livre e espontânea vontade e vai usufruir disso. Não

só para proteger a irmã, mas também para se tornar esposa do

Senador Walker e, quem sabe, primeira-dama.

Dei mais uma olhada para a foto dela, ainda um pouco

relutante.

Não era a garota em si. Com certeza de todas as opções que

me foram apresentadas, ela era disparada a que mais me atraía. O

problema era que tudo aquilo me parecia muito absurdo, muito

louco.

— Mas e então, Ken? Por quanto tempo vamos ter que

manter essa farsa?

— Até você chegar à presidência. Depois disso, eles terão

que te engolir por quatro anos.

— E então vai tudo se repetir. Eu serei eleito e vou me

divorciar logo depois.

— Faremos de um jeito que seja convincente. Na pior das

hipóteses, se vocês se tornarem ao menos amigos, ela fica até o fim

do mandado. Podemos avaliar a situação.

— Mas teremos que colocar isso em contrato. Dois anos,

pelo menos. Sigilo total.

— Confia em mim, Rick. Vai dar tudo certo. É a melhor

escolha, acredite.

Até poderia ser, mas eu ainda sentia como se estivesse

entrando em uma enorme cilada.

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