Capítulo 2

Helena Soares POV:

Meus dedos voaram pela tela, um borrão desesperado de movimento. Digitei uma única e crua mensagem para Caio. *Você vai se arrepender disso. Mais do que qualquer coisa.* Então apertei enviar, meu polegar pressionando com uma força que ameaçava quebrar a tela. Meu corpo inteiro vibrava com um tremor frio e violento. Não era apenas raiva. Era algo muito mais profundo, uma mudança sísmica em meu próprio ser.

Bianca, ainda sorrindo de orelha a orelha, finalmente notou o tremor selvagem em minhas mãos. Seu sorriso triunfante vacilou, substituído por um escárnio. "Qual é o problema, Helena? Finalmente percebeu que perdeu? Patética."

Ela jogou um pedaço de papel amassado aos meus pés. Era um panfleto do casamento de Gabriela, com uma foto de um Caio e uma Gabriela sorridentes estampada nele. "Toma", ela zombou. "Uma pequena lembrança de como é um casamento de verdade. Diferente do seu 'casamento' secreto patético que ninguém nem sabia."

"Ah, espere", Bianca continuou, a voz pingando sarcasmo. "Você nem teve um casamento, teve? Só um acordo silencioso no cartório, se tanto. Caio ao menos se deu ao trabalho de fazer de você uma esposa? Ou você era apenas um rostinho bonito conveniente que ele mantinha escondido?"

Ela cruzou os braços, uma expressão presunçosa no rosto, claramente esperando que eu caísse em prantos ou explodisse. Mas meu olhar estava fixo. Não nela, não no panfleto amassado. Estava neles.

Meus olhos, queimando com lágrimas não derramadas, varreram a cena. Caio, meu marido, estava lá. E Gabriela. Em um vestido de noiva. Era real. Isso estava realmente acontecendo. Minha mente lutava para acompanhar a realidade brutal que se desenrolava diante de mim.

Ele estava fazendo um grande gesto, algo que nunca havia feito por mim. Ele girava Gabriela, um sorriso largo e deslumbrante no rosto. Ele a segurou perto, sussurrando algo em seu ouvido, e ela riu, encostando a cabeça em seu ombro. Um momento terno e íntimo que parecia uma faca se revirando em meu estômago.

"Eu te amo, Gabriela", ele disse, sua voz chegando claramente na brisa leve. "Minha linda noiva."

Minha visão embaçou novamente. Ele a amava? As palavras me atingiram com mais força do que qualquer golpe físico. Ele nunca havia dito isso para mim, não em público, não assim. Não com uma alegria tão crua e pura. Uma alegria que ele nunca me mostrou.

"Caio!", eu gritei, minha voz rouca, um grito engasgado que rasgou minha garganta.

Mas meu grito desesperado foi engolido pelos aplausos de comemoração dos convidados, pelo rugido contínuo das hélices do helicóptero. Eu era invisível. Minha dor, inexistente.

Enxuguei as lágrimas com as costas da mão, uma determinação fria endurecendo minhas feições. Eu precisava me mover. Eu precisava agir.

A mão de Bianca disparou, agarrando meu braço, seu aperto surpreendentemente forte. "Onde você pensa que vai?", ela sibilou. "Não se atreva a tentar estragar o grande dia da minha irmã, sua bruxa invejosa!"

"Me solta!", eu rosnei, tentando me afastar.

"Ah, então agora você quer fazer uma cena?", ela zombou, apertando mais forte. "Quer fingir que realmente conhece o Caio? Todo mundo aqui sabe que a Gabriela é quem está se casando com ele. Você é só uma stalker maluca tentando invadir o casamento dela!"

Ela começou a me arrastar para trás, suas unhas cravando na minha pele. "Socorro! Alguém! Essa louca está tentando me atacar! Ela está com inveja da Gabriela!"

Minha fúria explodiu. Com uma onda de adrenalina, arranquei meu braço, empurrando-a com toda a minha força. Bianca cambaleou para trás, gritando ao cair com força no chão.

"Sua vadia!", ela gritou, levantando-se desajeitadamente, o rosto contorcido de fúria. "Como você ousa! Vou chamar a segurança! Você vai se arrepender disso!"

Ela se virou para Caio, que agora olhava em nossa direção, uma carranca confusa no rosto. "Caio! Querido! Essa louca me atacou! Ela está tentando estragar nosso casamento!"

Todos os olhos estavam em nós. A conversa festiva cessou. Os convidados murmuravam, apontando, seus rostos uma mistura de choque e curiosidade.

Os olhos de Caio encontraram os meus através da pequena distância. Por uma fração de segundo, eu vi – um flash de puro e absoluto terror em seus olhos. Um reconhecimento que ele não conseguiu esconder.

"Caio", eu engasguei, minha voz trêmula, "O que significa isso? Me diga. Por favor."

Bianca, ainda esfregando o cotovelo, olhou do meu rosto manchado de lágrimas para o rosto assustado de Caio. "Espere, vocês dois... se conhecem?", ela perguntou, um toque de confusão genuína em sua voz.

Ela se virou de volta para Caio, seu tom de repente exigente. "Caio, querido, você conhece essa mulher? Ela está claramente desequilibrada."

Meu coração batia forte, um tambor desesperado contra minhas costelas. Olhei para Caio, implorando. *Por favor, apenas diga a eles. Diga que sou sua esposa. Diga que isso é um erro. Me dê algo.*

Seu olhar, frio e insensível, varreu-me. Ele endireitou os ombros, o maxilar tenso. "Eu não conheço essa mulher", ele declarou, sua voz clara e ressonante, amplificada pelo silêncio repentino da multidão. "Ela deve estar enganada."

As palavras me atingiram como um golpe físico, arrancando cada último resquício de esperança. Três anos. Três anos de nosso casamento secreto. Três anos construindo seu império com meus fundos ocultos. Três anos amando-o, esperando por ele, acreditando nele. E agora, ele me negava publicamente. Ele me apagou.

Ele havia ignorado minhas ligações enquanto minha mãe estava morrendo. Ele havia escolhido isso, essa farsa elaborada, em vez do último desejo dela. E ele teve a audácia de compartilhar meu segredo mais profundo e traumático – o abuso – com Gabriela, a mulher com quem estava se casando, como mera "fofoca". Foi uma traição tão profunda, tão absolutamente esmagadora, que desafiava a compreensão.

Uma risada amarga e histérica borbulhou da minha garganta, sufocada por um soluço. Era tudo mentira. Nossa vida inteira juntos. Uma piada. Minha mãe estava morrendo, e ele tinha feito isso.

Minha mão voou para o meu celular novamente, meus dedos tremendo com uma nova e aterrorizante determinação. Isso não era mais sobre a verdade. Era sobre vingança.

*Jonathan*, digitei, minha visão turva. *Acabe com tudo. Cada pedaço. Não deixe nada de pé. Eu quero ele arruinado. Tudo.*

Capítulo 3

Helena Soares POV:

Caio, alheio à tempestade que se formava ao seu redor, continuou sua performance. Ele se virou de volta para Gabriela, exibindo um sorriso deslumbrante, como se meu coração partido e minha mãe moribunda fossem apenas ruído de fundo. Ele pegou a mão dela, apertou-a e sussurrou algo. Ele interpretou o papel do noivo apaixonado perfeitamente, um papel que ele nunca havia realmente desempenhado para mim.

Meu celular, ainda em minha mão, vibrou com a resposta quase imediata de Jonathan: *Feito. Considere resolvido, Helena.*

Agarrei o celular, meu olhar inabalável. Meus olhos não estavam mais cheios de lágrimas, mas de um fogo frio e duro. A Helena desesperada e suplicante se fora. Uma nova Helena, forjada na traição e no luto, estava tomando seu lugar.

Abaixei o celular e cerrei o maxilar. Meus olhos varreram as decorações de casamento bregas. Fitas de seda branca, flores falsas, laços dourados. Símbolos de uma mentira.

Estendi a mão, meus dedos se fechando em torno de uma faixa grossa de tule branco que cobria um arco de jardim. Com um rosnado gutural, eu a arranquei. O tecido rasgou com um som satisfatório.

Bianca gritou. "O que você está fazendo, sua maníaca?! Pare com isso!" Sua voz era estridente, cheia de incredulidade. Ela bateu o pé, uma demonstração infantil de impotência. "Ela está com inveja! Está tentando estragar tudo! Não deixe, Caio!"

Eu a ignorei, ignorei a todos. Meu foco era absoluto. Arranquei outro fio de luzes, depois um buquê de lírios. Cada rasgo, cada estrondo, uma pequena liberação da fúria que se acumulava dentro de mim.

A multidão, que havia começado a murmurar e apontar, agora caiu em um silêncio inquieto.

Caio, finalmente notando a comoção, franziu a testa, um lampejo de irritação cruzando seu rosto. "Helena, pare com isso agora!", ele ordenou, sua voz tensa com raiva mal contida. "Você está fazendo um espetáculo."

Mas eu continuei me movendo, uma força da natureza impulsionada por uma raiva que ele não conseguia compreender. Caminhei direto para o altar, espalhando decorações rasgadas em meu rastro. Os convidados se afastaram, seus rostos uma mistura de medo e confusão.

Caio e Gabriela eram uma imagem de felicidade doentia. Ele tinha um braço em volta da cintura dela, puxando-a para perto. Ela riu, os olhos baixos, um rubor nas bochechas. Ele nunca fora tímido comigo, nunca demonstrara aquele afeto terno, quase tímido. Era um novo rosto, uma performance para o público, para ela.

Os convidados aplaudiram, gritando: "Beija! Beija! Beija!"

Meu estômago despencou. O ar ficou denso com a expectativa deles, a alegria deles um contraste gritante com o vazio em meu peito. Minha mente repassou cada momento em que ele me negou, cada vez que se recusou a tornar nosso casamento público. E agora, isso. Essa exibição descarada de afeto por outra mulher.

Um grito cru e primitivo rasgou minha mente. Isso era demais.

Com uma última e desesperada onda de força, arremessei o punhado de decorações rasgadas que ainda segurava. Elas voaram pelo ar, atingindo Caio em cheio no peito. Pétalas brancas choveram ao seu redor como confetes zombeteiros.

"O que é isso, Caio?!", eu gritei, minha voz falhando, cortando o silêncio repentino. "Que palhaçada é essa?! E quem é ela?!" Meu dedo, trêmulo, apontou para Gabriela. "Quem é a mulher com quem você está se casando enquanto a mãe da sua verdadeira esposa está morrendo?!"

A testa de Caio se franziu. Seus lábios se afinaram, um sinal familiar de sua raiva iminente. Ele estava prestes a explodir. Mas então seus olhos, embora ainda nublados pela irritação, encontraram os meus. Eles se arregalaram ligeiramente, absorvendo meus olhos vermelhos e inchados, as marcas de lágrimas em minhas bochechas. A raiva pareceu vacilar, substituída por um lampejo fugaz, quase imperceptível, de outra coisa.

Ele parou, congelado, a mão ainda na cintura de Gabriela. Um sussurro de arrependimento? Um toque de pena? Meu coração, apesar de tudo, deu um solavanco. Aquela pequena, quase invisível, mudança em sua expressão.

Respirei fundo, trêmula, meus punhos, que estavam tão cerrados que minhas unhas cravavam em minhas palmas, relaxaram lentamente. Engoli o nó amargo na garganta. *Apenas me diga. Apenas diga que é tudo um mal-entendido. Me dê uma última razão para ter esperança.*

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