Capítulo 2

Luma Ferreira:

Já era noite; meus pais foram bem cedo para a festa de noivado do Arthur. Eu estava em frente ao espelho, me olhando enquanto esperava o carro de aplicativo que havia pedido.

Eu estava usando o vestido que minha mãe havia comprado para mim. O lindo vestido tinha um corpete ajustado com painéis transparentes e elementos estruturados, além de delicadas alças finas. A saia de tule cheia e fluída, com fendas altas, adicionava um toque dramático.

Me apaixonei pelo vestido assim que o vi, e combinou muito bem com a máscara. Os dois eram como um conjunto perfeito; enquanto o vestido, com seus detalhes transparentes, revelava partes do meu corpo, deixando um estilo mais sexy, a máscara me deixava misteriosa. Misteriosa e sexy: uma combinação fatal.

Ouço a notificação do meu celular avisando que o carro já estava em frente à minha casa me esperando. Peguei minha bolsa de mão, onde coloquei meu celular, e saí.

Eu estava animada para aquela noite. Minha primeira noite com meus pais depois de muitos anos, e eu estava certa de que aquela noite seria inesquecível.

[...]

Eu estava presa no trânsito; mesmo que o local da festa fosse apenas a alguns metros, eu queria chegar de carro. Mas parecia que aquilo não iria acontecer.

- Спасибо, digo... obrigada. Desculpe. Eu estava morando fora e ainda é difícil voltar ao meu idioma após tantos anos – falo um pouco envergonhada.

- Нет проблем. Я русский и приехал в Бразилию, я очень хорошо понимаю проблемы с языками (Não tem problema. Sou russo e vim para o Brasil, eu entendo muito bem os problemas com idiomas) - diz ele. - Desculpe por não conseguir deixá-la exatamente no local marcado.

- Não tem problema. Aqui está ótimo. Muito obrigada - falo para ele. Como eu já havia feito o pagamento, saí do carro, e no mesmo instante começaram a cair algumas gotas de chuva.

Corri pela calçada rapidamente; pelo menos tenho prática com saltos e posso correr perfeitamente sem cair. O semáforo estava fechado para os carros e, por sorte, consegui passar correndo.

Assim que parei de correr como uma doida pelo meio da rua e parei embaixo da fachada do local da festa, vejo apenas um homem entrar rapidamente por lá. Foi tão rápido que nem deu para ver quem era. Ele deve pensar que sou doida de verdade.

- дерьмо (merda) – falo, arrumando minhas roupas e tentando, na verdade, fazendo o impossível para deixar meu cabelo como antes.

Suspiro um pouco cansada e entro no local, mas me surpreendo ao ver que a festa seria no terraço. Ando em direção aos elevadores e um deles acabara de fechar.

Corro novamente e consigo colocar a mão entre as portas, fazendo-as parar de fechar. O homem que estava dentro olha para mim, e não dou a mínima. Apenas entro e fico de costas para ele.

Após apertar o botão do terraço, fico batendo o pé no chão, um pouco impaciente. Eu estava cansada, molhada e com fome. Espero pelo menos poder comer bastante nesta festa.

Ouço um pequeno ruído atrás de mim e olho para trás. O homem que, por sinal, era bem bonito, estava de terno preto e máscara também; ele mexia no celular como se não estivesse nem um pouco apressado.

Mas, de repente, ele olhou para mim, me pegando em flagrante observando-o.

Rapidamente olho para a frente, envergonhada. Porém, o meu constrangimento não dura muito, pois o elevador começa a fazer uns barulhos estranhos e logo tudo fica escuro.

Eu, como uma pessoa que morre de medo do escuro, de lugares apertados e de altura, presa em um elevador com todas essas características, só penso em uma coisa: me jogo no homem, tentando de alguma maneira me sentir segura.

Ele pode pensar o que quiser de mim, mas o que importa é que eu esteja segurando alguém para eu não me sentir sozinha. Odeio o escuro e estar com outra pessoa pode diminuir a minha fobia.

O homem segura minha cintura quando me jogo sobre ele; eu não queria saber de nada naquele momento. Porém, a cena era realmente inusitada. Eu, abraçada a um estranho, com meus braços em volta do seu pescoço enquanto o apertava forte. Acho que até estava deixando-o sufocado.

Alguns segundos depois, a luz de emergência acaba acendendo. Um pouco receosa, me afasto do homem que ainda segurava minha cintura fortemente. Nossos olhos se encontraram e acabei ficando sem fôlego devido aos seus olhos incrivelmente azuis. Ele também me olhava, olhando nos meus olhos. Nossos rostos cobertos, apenas nossos olhos à mostra. Aquele momento tenso e misterioso, mas ao mesmo tempo sexy, estava me deixando animada.

Ele me encarava, na verdade, encarava meus olhos. Mas o que ele estava vendo? Meus olhos tão comuns em comparação aos dele...

Sinto seu aperto na minha cintura e suspiro; logo me afasto.

- извините(desculpe) – falo e nem faço questão de corrigir. Me viro para a frente e fico em silêncio. Porém, sinto seu olhar queimando sobre minhas costas, mas em nenhum momento faço menção de virar ou olhar para trás.

Ainda bem que não demora muito e logo as luzes voltam, fazendo o elevador voltar a subir. Suspiro aliviada.

Chegando ao terraço, saio rapidamente daquele elevador e me misturo com as pessoas, na intenção de não ver mais aquele homem pelo resto da noite.

Enquanto ando desesperada pelo local espaçoso e com muitas mesas com comidas e bebidas, garçons andavam pelo local oferecendo alguns aperitivos. O tema da festa pode ser até brega, porém a decoração e o buffet estão de parabéns.

- Luma, minha filha! – ouço minha mãe me chamar e olho ao redor até vê-la ao lado de algumas amigas dela bebendo champanhe.

- Oi, mãe. Desculpe pela demora. Peguei um pequeno trânsito – falo, me aproximando dela. – Boa noite, estão lindas.

Elogio as amigas da minha mãe, que nem em outra vida seriam bonitas, mas não podemos falar o que pensamos.

- Sua filha é muito educada, Eduarda. Ela já é casada? – diz uma senhora branca de cabelos escuros, com certeza ela passa tinta naqueles cabelos para parecer mais jovem.

- Não. Ela acabou de voltar da Rússia. Estava estudando relações internacionais – diz minha mãe. – Sendo filha de quem é, lógico que ela iria gostar das mesmas coisas do pai dela.

Minha mãe fala enquanto se gaba para as amigas. Reviro os olhos e pego uma taça de champanhe quando um garçom passa, para me distrair e retirar aquele maldito homem que não sai dos meus pensamentos.

Capítulo 3

Arthur Almeida:

Os últimos dias foram uma correria. Tive que ir a uma prova de doces e bebidas para a festa com minha noiva, o que só me gerou estresse. Nada! Absolutamente nada estava bom para ela.

Meu casamento foi totalmente arranjado pelo meu pai e seu amigo de longa data. Eles acharam que, como eram amigos, além de prefeito e vice-prefeito, os filhos deles dariam um casal perfeito e maravilhoso. Que merda de conto de fadas era esse?

Porém, é tudo de fachada para demonstrar uma família perfeita e muito bem estruturada, mas que mentira. Tudo uma grande ilusão. Primeiramente, não gosto da minha noiva, brigo com meu pai diariamente e não suporto meu sogro.

A mãe da minha noiva é uma socialite famosa na internet que já até tentou me tocar, que nojo. Aquela família é totalmente desequilibrada. Vamos às verdades. Meu sogro tem um caso com a secretária, a esposa sabe e não faz nada porque vive à custa do seu dinheiro e fama, ja que antes deles se casarem ela tinha uma fama péssima. Já a minha noiva, Rebeca, é uma filhinha do papai. Tem tudo o que quer, na hora que quer, mas ela não sabe das traições do pai; ele se faz de bom samaritano, dando presentes e viagens luxuosas, tanto para a mulher quanto para a filha. É claro que a mídia o coloca em um pedestal e o faz ser um bom exemplo de homem e pai de família. Quando vejo isso, não aguento e sempre caio na gargalhada lendo todas as matérias e reportagens em sites de fofocas ou notícias.

E vamos à minha família, que também não é digna de tamanha fama. Minha mãe é advogada que aceita subornos de bandidos e meu pai, o prefeito, que é corrupto. O casal perfeito, ironia, não?

Eu nunca fui a favor disso! Sempre me mantive longe de tudo relacionado a eles e fiz minha própria fama, uma fama limpa. Sempre tive um QI muito alto e acabei desenvolvendo diversos aplicativos, vendi alguns por uma boa grana e abri minha própria loja de eletrônicos e aplicativos.

Porém, ser filho de político sempre vem com o fardo de que as pessoas acham que irei seguir os passos do meu pai. Que engano elas cometem ao pensar isso. Odeio política; porém, está no sangue, e de um jeito ou de outro, sempre vou estar envolvido nas atrocidades que as pessoas ao meu redor fazem. Inclusive, esse casamento que eu já não aguento mais.

Brigamos o caminho todo de volta para casa. Rebeca ainda falava que não gostava do que foi escolhido e que deveríamos ir a outros lugares procurar opções melhores. Eu estava farto daquilo.

Então, eu deixei ela na casa dos pais dela e segui para meu apartamento, tomei um banho e passei o dia me preparando para a longa e terrível noite que eu teria. Só de imaginar uma festa com máscaras me causa pavor. Deveríamos nem fazer festa e dizer em nossas redes sociais que foi apenas um momento íntimo entre nós. Mas não, minha sogra fez a cabeça da Rebeca, dizendo que deveríamos fazer uma festa. Claro que minha mãe foi uma das primeiras a dizer que seria perfeito. Mas foi aí que veio o pior: a maldita ideia de ter uma festa onde todos deveriam vir mascarados. Muito brega.

Mas, fazer o quê? Aqui estou eu, olhando para meu terno sobre minha cama, com a máscara ao lado e me perguntando se eu pulasse por essa janela e quebrasse alguns ossos, seria suficiente para acabar com essa palhaçada. Mas, sabendo como todos são, é capaz de me levarem de cadeira de rodas todo quebrado para essa festa sem nenhum atendimento médico.

Suspiro, droga.

[...]

Já era noivo e eu estava no meu carro parado em frente ao local da festa. Nenhuma, nenhuma sequer parte de mim queria descer daquele carro, porém a obrigação e o dever de cumprir com minha maldita palavra me forçaram a descer.

Assim que saí do carro, andei em direção à porta de entrada, porém parei e olhei ao redor. Quem eu estava querendo enganar? Eu estava procurando uma forma de fugir daquele local.

Foi quando eu vi ela...

Uma mulher morena, de beleza estonteante, corria pela calçada sob a suave chuva, e eu não pude deixar de ser cativado. Seus cabelos, soltos e ao vento, dançavam como se tivessem vida própria, enquanto seus trajes escuros moldavam sua silhueta de uma forma que era ao mesmo tempo sedutora e envolta em mistério, graças à máscara que adornava seu rosto.

Ela atravessava a faixa de pedestres com uma graça que parecia transcender a realidade, e a luz dos carros que passavam iluminava seu caminho, transformando cada gota de chuva em um espetáculo de estrelas. Era como se o mundo ao meu redor tivesse desaparecido e aquele momento se tornasse um show privado, criado apenas para mim.

Meus olhos estavam fixos nela, completamente embriagados pela sua presença mágica, enquanto a chuva caía como um manto de encantamento que a destacava ainda mais. Era uma visão tão deslumbrante que, por um breve instante, eu me senti como parte de um sonho do qual desejava nunca acordar.

Porém, o que é bom dura pouco e ela atravessou aquela faixa de pedestres. Ela parou embaixo da marquise do prédio enquanto falava algo baixinho e tentava arrumar seu cabelo. Naquele momento percebi que era hora de ir; entrei rapidamente e já andei em direção ao elevador.

Assim que entrei e apertei o botão que dava para o terraço, olhei para meu relógio de pulso checando as horas. Eu estava um pouco atrasado, mas ninguém se importava; naquele momento, o centro das atenções seria Rebeca. Eu iria passar o restante da noite bebendo ou comendo algo enquanto ela mostrava o maldito anel que minha mãe comprou e me fez dar para ela.

Saí dos meus pensamentos quando vi uma mão na porta, fazendo-a parar e abrir novamente. Era a mulher que vi correndo pela rua. Ela nem sequer me olhou direito, entrou apertando o botão do terraço enquanto ficava de costas para mim.

Olhei para ela, de cima a baixo. Seu cheiro passou por mim quando as portas se fecharam, e fechei meus olhos sentindo aquele doce aroma. Quem é ela? E o que ela está fazendo indo em direção à minha festa de noivado?

Continue lendo
Apoie o autor e inspire mais histórias incríveis Moboreader
Desbloquear todos
Capítulo
Personalizar
Próximo Capítulo
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED