CAPÍTULO 02:
DOMINICK
...
Ela se debatia no banco traseiro, xingando, chutando, cuspindo fogo como uma gata selvagem.
Um sorriso puxa o canto da minha boca.
Que diabinho infernal.
Eu esperava resistência, mas essa garota... ela é feita de brasa e veneno.
- Me solta, seu desgraçado! - A voz dela rasga o silêncio do carro, tão autoritária quanto um desafio.
Tão mimada. Tão acostumada a ter o mundo a seus pés.
Pobrezinha.
Ela não sabe que, agora, sou eu quem manda.
Acelero o carro pelas ruas escuras, mantendo uma das mãos firmes no volante. A outra descansa casualmente sobre minha perna, mas estou alerta.
Ela pode tentar algo idiota, e se tentar, eu estarei pronto.
- Você é surdo? Eu mandei me soltar!
- Você é insuportável, sabia? - Provoco, apenas para vê-la inflar o peito em indignação.
- E você é um merda covarde que precisa sequestrar mulheres para se sentir homem!
Ah, ela está me testando.
Rio, baixo, sentindo o peso da tensão crescer dentro do carro.
- Se eu fosse um merda, você já estaria morta, amor.
Ela se cala por um instante. Talvez percebendo que as coisas podem ficar piores do que imagina.
Mas não, ela não se cala por medo.
Essa garotinha tem mais coragem do que juízo.
- Você é um filho da puta doente. E meu pai vai acabar com você quando descobrir isso.
Freio o carro bruscamente. O corpo dela é jogado para frente e depois para trás no banco.
- Ah!!
Ela engole em seco.
Ótimo. Finalmente um pouco de silêncio.
Viro-me para encará-la.
Os lábios dela estão inchados de tanto gritar. O cabelo bagunçado, uma mecha caindo sobre os olhos faiscantes.
Ela está ofegante. O peito sobe e desce rápido, mas não de medo. De raiva.
De provocação.
- Seu pai, Princesa? - Inclino a cabeça, a voz baixa e letal. - O mesmo homem que já sacrificou dezenas de pessoas sem piscar? O mesmo que entrega aliados ao inimigo para salvar a própria pele? Esse é o homem que vai vir atrás de você?
Ela cerra os dentes, mas eu vejo nos olhos dela. A dúvida. Ela sabe que estou certo.
Maco Salvatore nunca se importou com ninguém além de si mesmo. Ela é um nome na árvore genealógica, um ornamento para um casamento arranjado, um peão no jogo dele, talvez até uma réplica pra continuar seu legado de maldade, construído sob sangue inocente.
Mas agora...
Agora ela é minha, pra atingir como quiser aquele crápula.
Afasto-me, voltando a dirigir. Meus dedos tamborilam no volante, a mente funcionando rápido.
Ela será um problema. Mas, que inferno... que problema delicioso.
Ela não é uma vítima comum, Ela me desafia.
Ela me seduz sem nem perceber, Porque eu gostava do jeito atrevido que ela me respondia.
Em outra situação, não deixaria passar.
Mas eu não sou um homem conhecido por minha paciência ela era curta e se esgotava muito rápido.
Chegamos ao cativeiro que, sinceramente, é um termo exagerado. O quarto onde ela ficará é melhor do que qualquer suíte de hotel onde já dormi.
Sequestro? Sim. Mas sou um homem de classe.
Caminho até a porta traseira, abro-a e estendo a mão.
- Hora de sair, princesa.
Ela cospe no chão ao lado do meu pé.
A garota tem coragem.
Perigosa, impulsiva, ardente.
Faz tempo que não sinto meu sangue esquentar por algo além de vingança.
- Vai se foder.
Solto uma risada baixa.
- Já está me convidando?
Ela me fuzila com os olhos. Ah, eu quero ver esse olhar quando estiver gemendo sob mim.
Antes que tente outro showzinho, agarro seu pulso e a puxo para fora do carro.
Ela tropeça, cai contra meu peito.
Pequena. Macia. Quente.
Droga!
Ela me faz pensar em coisas que não deveria.
Afasto-a rápido, segurando-a pelo braço enquanto a levo para dentro da casa. Ela resiste, mas não faz diferença. Eu sou um maldito muro de concreto, e ela é só uma faísca.
Uma faísca que, se continuar provocando, pode incendiar tudo ao meu redor.
Quando entramos no quarto, ela se vira para mim, a respiração acelerada.
- Isso aqui parece um hotel de luxo, não um cativeiro.
Cruzo os braços, encostando-me na porta.
- O que esperava? um lugar sujo com ratos e aranhas, se quiser eu te proporciono isso, vai ser até mais econômico.
Os olhos dela brilham de pura fúria.
- O que é isso han? algum tipo de fetiche? você é doente!?
Sorrio de canto.
- Você se acha, não acha? Que complexo é esse de que tudo gira ao seu redor garota? Mimadinha de merda!
Ela arregala os olhos, chocada com minha audácia.
Ela negou, me olhando com perversão, seus olhos deslizaram por meu corpo.
- Você mente muito mal. - provocou.
- Acho que quem tem fetiche é você! precisa tratar essa cabecinha princesa.
disse batendo o polegar na cabeça com cinismo.
Ela me olhou, Mas não é nojo que vejo ali.
Não é só raiva.
Ela gostou.
Ah, diabinha...
Mal sabe que entrou numa jaula da qual nunca mais vai sair. E eu vou me divertir muito quebrando essa garota birrenta e atrevida.
Eu não vou me contentar somente com a dor daquele miserável, eu vou garantir que sua descendência seja destruída! Fudida até não restar uma gota desse egocentrismo e complexo de poder sobre os outros.
Eu vou foder com essa maldita garota, até não restar nada dela.
- Vê se fica quieta!
me afastei pra porta, tenho coisas mais importantes do que escutar uma garota sem noção que não faz ideia da gravidade da situação.
- Ei!! espera...
abrir a porta passando por ela.
- Agh, babaca! me desamarra... Agh!!
fechei a porta com um sorriso ladino, perverso adorando aquela maldita situação.
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Ela passou a noite acordada, tentando soltar as amarras. A mimadinha achava que poderia fugir.
Agora, está jogada na cama, exausta, os cabelos caindo em ondas bagunçadas pelo rosto.
- Tá bonitinha assim, sabia? - Provoco, encostado no batente da porta.
Ela me encara com ódio.
- Vai se foder.
Solto uma gargalhada, caminhando até ela. Pego seu queixo com força, obrigando-a a olhar para mim.
- Se continuar me desafiando assim, vou acabar te fodendo de verdade.
Ela arfa, os olhos se arregalando.
Ah, diabinha... Finalmente entendeu o perigo?
Seus lábios se entreabrem, e ela engole em seco. Pela primeira vez, Jade não tem resposta.
Solto seu queixo com um empurrão leve.
- Agora, senta e come.
Ela me encara, hesitante.
- Tá com medo, princesa? - Provoco, um sorriso cruel nos lábios.
Ela pisca rápido, recuperando-se.
- De você? Nunca.
Ela ainda tem fogo, Ótimo.
Eu gosto de queimar.
CAPITULO 03
Ela está ali, deitada no colchão imundo, o rosto virado para o lado, os cabelos espalhados pelo rosto. Ainda amarrada. Ainda desafiadora.
Fico parado diante dela, observando. O corpo pequeno, os pulsos vermelhos por causa das cordas, o peito subindo e descendo rápido. Não sei se de medo ou de raiva.
Talvez os dois.
Me abaixo, pego os pulsos dela e começo a desfazer os nós. Ela não luta. Só me encara com aqueles olhos cheios de fogo, esperando a próxima jogada.
- Anda, come essa merda - digo, sem paciência, apontando para o prato de comida sobre a mesa.
Ela vira o rosto, e por um segundo acho que vai me ignorar. Mas então ela cospe no chão.
Lenta. Deliberada.
Levanto uma sobrancelha.
- Tô cansando disso! - a voz dela sai firme, cheia de desafio.
Um sorriso surge no canto dos meus lábios. Desdém puro.
- Ah, é?
Ela senta na cama, os pulsos livres agora, mas ainda vermelhos da pressão da corda. Me olha como se quisesse me matar.
- Fala de uma vez o que você quer comigo!
Cruzo os braços, me divertindo com a impaciência dela.
- Com você? Nada.
Os olhos dela se arregalam. A indignação está estampada no rosto.
- Já com seu pai...
Ela aperta os lábios, me analisando. Então franze o nariz, como se finalmente tivesse entendido.
- Eu sabia! Você quer dinheiro, né? É isso!? Sempre o maldito dinheiro!
Reviro os olhos.
- Por que não liga logo e pede o resgate? Vamos, acaba logo com isso!
Ela quer me apressar, quer que isso acabe. Só que não vai acabar. Não tão cedo.
Solto uma risada baixa, seca.
- Tá rindo de quê!? O que tem de tão engraçado!?
Cruzo os braços, sem tirar os olhos dela.
- Você.
Ela se debate, ainda sentada, os punhos fechados como se quisesse socar alguma coisa.
- Você acha que é por dinheiro?
Ela para. O silêncio pesa entre nós.
Aproveito a hesitação dela para dar mais um passo. Meu tom se torna mais sombrio.
- Seu pai acabou com a minha vida.
O fogo nos olhos dela vacila.
Meu maxilar trava, a raiva sobe queimando.
- E eu vou acabar com a dele.
Ela se afasta instintivamente quando me aproximo mais. Mas é inútil. Seguro seus pulsos de novo, puxo suas mãos e começo a desfazer os nós. Meus dedos apertam um pouco mais do que deveriam.
- Agora, anda! Come essa merda!
Me afasto. Ela olha para as cordas caídas no chão e então para mim. Então, do nada, se levanta e corre.
Idiota.
Ela não dá nem três passos antes que eu a pegue pela cintura e a tire do chão.
- Agggh!!! Me larga!!
Ela se debate, mas não tem força suficiente pra escapar. Em dois segundos, a jogo de volta na cama.
- Fica aí!
Ela cai com força, os cabelos bagunçados cobrindo parte do rosto. A cama range. Ela me olha com puro ódio, e isso deveria me irritar. Mas não irrita.
- Não adianta tentar fugir! E se não quiser comer, não come, caralho!
O silêncio entre nós é cortante. Ela tira os cabelos do rosto, ainda furiosa.
- Pode tentar resistir, mas você não vai chegar a lugar nenhum.
Não espero resposta. Viro de costas, saio do quarto e bato a porta com força, trancando-a atrás de mim.
Ela pode gritar, se debater, me odiar o quanto quiser.
Isso aqui tá só começando.
.....
Saí do quarto puto. A mão foi direto pra gravata, puxando-a com força enquanto afrouxava o nó. O tecido arranhou minha pele, mas eu nem liguei.
Cada músculo do meu corpo estava tenso. Andei até a sala e me joguei no sofá, furioso. Passei a mão pelos cabelos, tentando controlar a onda de raiva que subia dentro de mim. Os botões da camisa foram os próximos a serem abertos, um por um, rápido e bruto. O peito subia e descia pesado.
Suspirei, soltando o ar devagar, tentando colocar os pensamentos no lugar.
Isso não era o que eu tinha imaginado.
Achei que ela fosse entrar em choque. Que fosse chorar, se vitimizar, implorar. Mas não. Jade era atrevida, teimosa e estava conseguindo me tirar do sério de um jeito que eu não esperava.
A maldita cuspiu no chão, me desafiou na minha cara. Tentou fugir bem na minha frente.
Idiota.
Passei a mão pelo rosto, tentando calcular o que fazer a seguir. Eu não tinha me preparado pra tanta resistência. Não dela.
Mas se ela achava que podia me desafiar assim, estava muito enganada.
....
A ideia veio no meio da raiva. Ela queria ser teimosa? Tudo bem. Mas eu não ia dar mais nenhuma chance pra que tentasse fugir de novo.
Peguei o celular e fiz a ligação. Meu contato atendeu no segundo toque.
- Preciso de um rastreador. Pequeno. Discreto. - Minha voz saiu firme, sem espaço pra discussão.
- Consigo pra você. Encontro daqui a duas horas no mesmo lugar de sempre.
Desliguei sem dizer mais nada.
A noite passou enquanto eu dirigia pra encontrar o cara. Peguei o rastreador, testei, garanti que funcionava perfeitamente. No caminho de volta, o sol já estava nascendo, tingindo o céu de laranja e dourado.
Quando entrei no quarto, ela estava acordada, sentada na cama, os joelhos dobrados contra o peito. A bandeja de comida ainda estava no mesmo lugar, intocada.
Jade me viu e instantaneamente se afastou, os olhos cheios de alerta.
- Não chega perto de mim! - A voz dela era cortante, mas eu só sorri.
Caminhei até ela devagar, predador.
- Só quero conversar.
- Conversar uma ova! - Ela se arrastou pra mais longe, encostando as costas na parede.
Suspirei, parando ao lado da cama.
- Tudo isso deveria ser mais fácil. Mas você não tá cooperando.
- Não quero saber! - Ela cruzou os braços, o olhar queimando.
Meu maxilar travou.
- Mas vai saber. Porque tudo isso é culpa do seu pai.
Ela não respondeu, mas eu vi a hesitação em seu olhar. Mesmo tentando parecer indiferente, aquela informação fez algo dentro dela vacilar.
Aproveitei a brecha e avancei. Ela tentou se afastar de novo.
- Você não vai fugir mais!
Antes que ela pudesse reagir, agarrei seu pulso e puxei. Ela se debateu, mas não tinha chance contra minha força.
- Não! Sai... Sai!!!
Ignorei os protestos, girando seu corpo pequeno e prendendo-a contra mim. Ela se contorcia, mas eu era maior, mais forte. Meus braços a imobilizaram, e antes que ela pudesse gritar mais, puxei o pano embebido em álcool e pressionei contra o nariz dela.
- Shhh... vai ser rápido, princesa.
Ela lutou, tentou me arranhar, mas em segundos os movimentos ficaram mais fracos. A respiração desacelerou e o corpo amoleceu contra o meu.
Eu a deitei com cuidado na cama, afastando os cabelos do rosto dela.
Tão bonita. Mas tão atrevida.
Peguei o rastreador e o inserir atrás da nuca dela, pressionando suavemente, ela jamais saberá pois era tão pequeno quanto um grau de arroz.
Agora ela estava presa a mim.
Mesmo que não quisesse.