Capa do Romance Refém de um traficante

Refém de um traficante

8.8 / 10.0
Vítima de abusos e desprezada pela mãe, Helena vive o pesadelo de morar com seu agressor. Marcada por traumas profundos, ela vê sua rotina de dor mudar ao cruzar o caminho de um perigoso e temido líder do crime. Ele é implacável e envolto em violência; ela busca apenas uma chance de sobreviver. Em meio ao caos e perigos iminentes, nasce uma conexão inesperada. Helena aprenderá que, em mundos sombrios, os amores proibidos são os mais inevitáveis e intensos.

Refém de um traficante Capítulo 1

CORINGA

A melodia suave ecoava ao fundo, como se saísse de um rádio antigo esquecido no tempo. Eu sabia o que estava por vir. Aquele cenário já era familiar demais. Campo aberto, mato alto balançando com o vento, céu cinzento.

E então... ela apareceu.

Babi.

A minha Babi. Como num filme que eu não consigo parar de assistir, lá vinha ela, com aquele vestido de cetim que grudava no corpo, marcando cada curva que um dia já foi minha. O cabelo preso de um jeito simples, a pele macia que eu sabia o cheiro de cor.

ㅡ Oi, amor... - ela sorriu e me deu um beijo demorado. Os lábios ainda tinham gosto de saudade. - Eu tava te esperando. Por que demorou tanto dessa vez?

Antes que eu respondesse, ela começou a se afastar. Cada passo dela parecia mais longe que o anterior. Corri atrás, chamei, gritei o nome dela, mas minha voz não saía.

ㅡ Babi! Espera! Porra... não faz isso comigo!

O mato engolia meus passos. Me perdi por segundos... até sentir aquelas mãos.

Duas mãos me envolveram por trás. As unhas cravaram no meu abdômen e eu gelei. Era ela.

ㅡ Você sentiu saudade de mim, amor? - sussurrou no meu ouvido, sua respiração quente no meu pescoço. Eu podia sentir os seios dela pressionados contra minhas costas. - Porque eu estava louca por você...

Ela se virou, os olhos brilhando, aquele cheiro de rosas suaves que sempre me deixava tonto. Levou os dedos até minha boca e traçou meu lábio inferior devagar.

Senti falta das suas mãos em mim... do seu corpo... - guiou minhas mãos até sua cintura e colou nossos corpos. Me beijou fundo, com pressa, com fome.

ㅡ Diz que sentiu minha falta, Luan... diz... - sussurrou com a boca no meu pescoço. - Me beija.

E eu beijei. Beijei como se ela fosse sumir de novo.

Mas ela parou. Segurou minha mão.

ㅡ Vem comigo!

Ela saiu correndo e eu fui atrás. Paramos diante de um rio turvo. Ela se virou.

ㅡ Por que você fez isso comigo, Luan?

Olhei pra baixo. A blusa dela estava vermelha. Sangue escorria pelas mãos, manchava o vestido.

ㅡ Eu te amava... por que não acreditou em mim?

Ela caiu no chão. Me ajoelhei, tentei segurar, estancar o sangue, mas não adiantava.

ㅡ Me desculpa! Por favor, não me deixa! Eu não queria... eu tava com raiva, eu errei! Mas eu te amei. Ainda amo... porra, ainda amo!

Ela sorriu fraco, os olhos ficando pesados.

ㅡ Eu te amo, Luan... mas não posso ficar.

E então... silêncio.

A mão dela escorregou da minha. Os olhos fecharam.

ㅡ NÃO! - gritei.

Abracei o corpo dela, a cabeça encostada no peito. Sem batida. Sem som. Só desespero.

E tudo escureceu.

Acordei num pulo, suado, tremendo. O quarto abafado, o ventilador girando devagar. Levei a mão ao rosto. Ofegante.

ㅡ Puta que pariu... - sussurrei. ㅡ Foi só um pesadelo... foi só um sonho...

Mas não era. Era um lembrete. Toda noite ela vem. Toda noite ela morre de novo nos meus braços.

Me levantei e fui até a janela. Lá embaixo, o morro acordava devagar. E então eu vi.

Ela.

A garota da camisa da estadual.

Sempre no mesmo horário. Sempre com os livros apertados no peito. Sempre com aquele rosto de boneca. E por um segundo... por um mísero segundo... eu vi a Babi ali de novo.

E isso... me destruiu.

Ou me deixou mais vivo do que nunca.

Sentei no beiral do barraco, cigarro entre os dedos, vendo a fumaça se dissolver no ar seco da manhã. O Petra falava merda do meu lado, como sempre, mas eu não escutava porra nenhuma. Minha atenção estava lá... nela.

Todo dia, no mesmo horário, a santinha desce o morro com os livros agarrados no peito, como se isso fosse escudo contra o mundo. A porra da menina parece flutuar, leve demais pra esse lugar fodido.

Hoje, eu vi ela passar de novo. Cabelão solto, blusa folgada, mas não adianta esconder. A pureza dela grita. E essa porra mexe comigo.

"Babi..."

Meu peito aperta. É inevitável. A imagem da Helena se mistura com a da minha Babi, como um delírio constante. E isso me deixa cego. Eu nem percebi que levantei, mas quando vi, já tava andando atrás dela.

Narrativa interna

"Só quero ver onde essa garota mora. Só isso. Nada demais. Só pra saber..."

Desci uns becos, disfarçado, pisando leve. Ela não viu. Nunca vê. Mas eu vejo tudo. Sei até o horário que ela passa na padaria. Vi ela comprar bala uma vez. Uma porra de bala. E ainda teve a coragem de sorrir pra atendente. Aquele sorriso... igualzinho o da Babi.

Ela virou na esquina e sumiu da minha vista. Parei. Coração acelerado, palma da mão suando.

Narrativa interna

"Que merda é essa, Luan? Que porra você tá fazendo?"

Voltei pro ponto. Petra me olhou de canto de olho, desconfiado.

ㅡ Foi seguir a baranga, foi? ㅡ ele riu.

Fiquei quieto. Peguei a arma que tava em cima da bancada da boca, limpei devagar, fingindo não ouvir.

Mas eu ouvi. E fiquei puto.

Porque nem eu sei explicar o que é isso. Eu não gosto de ninguém. Eu uso. Eu mando. Eu fodo. Mas com ela... eu só observo. Só imagino. Só fico ali, tentando entender o que essa menina tem que me deixa assim.

Naquela noite, não consegui dormir. Fiquei encarando o teto, com o ventilador quebrado fazendo aquele barulho irritante. E aí ela veio. Não a Helena. A Babi.

Veio no meu sonho de novo. Dessa vez, ela gritava. Pedia ajuda. E eu não conseguia me mexer. Acordei gritando, suado, coração disparado. Levantei e enfiei o punho na parede.

Narrativa interna

"Eu matei ela. Eu deixei ela morrer. E agora tô vendo o rosto dela numa menina que nem sabe que eu existo. Que porra tá acontecendo comigo?"

Joguei água no rosto, respirei fundo e encarei meu reflexo.

ㅡ Não é amor. É só saudade... - murmurei, mas nem eu acreditava.

No fundo, eu sabia. Helena era um problema. Um vício novo. E quanto mais eu tentasse evitar... mais eu ia querer. E quando eu quero, eu pego.

Nem que seja à força.

Continuar lendo

Refém de um traficante de Conteúdo

Ch. 1 Ch. 2 Ch. 3
Ch. 4
Ch. 5
Ch. 6
Ch. 7
Ch. 8
Ch. 9
Ch. 10
Ch. 11
all

Você pode gostar

Novos lançamentos de romances

Capa do Romance A Herdeira Oculta
9.8
Sofia vê sua vida ruir quando Pedro, seu noivo, revela que engravidou a chefe para subir na carreira. Humilhada e expulsa de casa pela amante, a jovem assistente é acusada injustamente de traição profissional. No entanto, o que ninguém desconfia é que a órfã simples é, na verdade, a herdeira do poderoso império Luxus Group. Disposta a deixar a ingenuidade para trás, Sofia decide assumir sua identidade real como uma Vasconcelos e buscar justiça contra quem a subestimou.
Capa do Romance A Obsessão do Magnata
8.8
Morgana Ávila é uma bioquímica dedicada que luta para custear o caro tratamento do filho de seis anos nos EUA. Ao representar sua empresa em um congresso, um acidente a coloca no caminho de Theodoro Ventura, o arrogante CEO da CyberCore. Marcado por traições passadas, ele fica obcecado pela coragem dela. Determinado a possuí-la, o magnata investiga sua vida e propõe um acordo perturbador: uma noite de prazer em troca do recurso que salvará a vida da criança.
Capa do Romance A tentação inesperada do magnata frio
9.5
Conhecido pela frieza e rigidez, Andres vê seu mundo mudar ao cruzar o caminho de Corinna. Após sobreviver a uma tentativa de assassinato arquitetada pelo próprio pai e pela madrasta, a jovem salva o herdeiro da linhagem mais poderosa de Driyver. O que começa como uma aliança estratégica para enfrentar inimigos comuns logo evolui para uma paixão avassaladora. O magnetismo entre os dois surpreende a todos, transformando o implacável magnata em um homem rendido ao amor.
Capa do Romance Amor antes do pôr do sol
9.2
Após três anos fora, ela retorna e acaba nos braços de Chi Yan, que não a reconhece em uma noite intensa. Embora ele se encante pela sua nova face, ele a rejeita cruelmente por mensagem, alegando que a promessa de casamento fora apenas para acalmá-la durante um tratamento médico e que a vê apenas como irmã. Desolada, ela decide partir, mas no momento da despedida, ele se desespera. Ajoelhado, Chi Yan implora para que ela fique, mas agora é ela quem o rejeita.
Capa do Romance O motorista da CEO arrogante
9.1
A vida de Pablo tornou-se uma sucessão de tragédias insuportáveis. Após sofrer perdas dolorosas de entes queridos, ele se vê desempregado e enfrentando uma miséria absoluta, sem qualquer recurso financeiro para sobreviver. Diante do desespero e da falta de alternativas, ele encontra uma única oportunidade de recomeço: aceitar o cargo de motorista particular de uma CEO prepotente. Agora, ele precisará lidar com a arrogância da patroa para tentar reconstruir seu destino.
Capa do Romance Quando o Amor Vira Armadilha: A Virada da Destino
8.3
Traída por Pedro, seu marido, Eva é confrontada em sua própria empresa com papéis de divórcio que exigem a entrega total de sua herança. Sob a influência de Sofia, ele toma o controle e ameaça tirar a guarda do pequeno Leo. No fundo do poço e com a mãe em estado crítico no hospital, Eva enfrenta uma escolha cruel: assinar a renúncia de seus bens para salvar a vida da mãe ou lutar pelo filho. Expulsa e sem recursos, ela jura recuperar sua dignidade e o legado de seu pai.

Dramas Curtos Populares

Capítulos
Leia agora
Compartilhar
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED