Me olhei mais uma vez no espelho e passei a mão nos cabelos tentando ajeitá-los, eu realmente não me importava muito com esse negócio de aparência, me considero um cara comum, nada demais. Peguei o celular, carteira e chaves do carro antes de sair do quarto.
Desci a escada de dois em dois degraus e vi minha mãe sentada no sofá com o tablet na mão.
— Tô saindo. — falei passando direto não querendo me estressar.
— Vai pra onde filho?
— Tchau mãe.
Saí sem olhar pra trás ouvindo ela reclamar. Minha mãe sempre foi superprotetora em relação a mim e a minha irmã, mas ultimamente ela tem passado dos limites comigo e isso vem causando discussões feias entre nós dois, com meu pai e Isabela entrando no meio as vezes.
Eu já tenho dezenove anos, acabei de tirar minha carteira de motorista, tenho minha independência financeira com o meu trabalho, estou sempre os ajudando, e eu só quero li-berdade pra curtir minha vida do jeito que eu quiser e sem dar satisfações a ninguém.
Eu amo minha mãe demais, mas ela está me sufocando agindo desse jeito e me afastando dela. Dona Carmen não sabe o que é respeitar limites. Eu tô pensando seriamente em aceitar a proposta que Miguel e Dante me fizeram de ir morar junto com eles na cobertura que os dois alugaram. Além de ter minha liberdade, vou ficar mais perto do El Camp Nostre e do centro de treinamento.
Eu e minha família nos mudamos de Cádiz onde eu nasci quando entrei no Catalunha ainda criança, mas sempre íamos pra lá em alguns finais de semana e feriados rever a família e os amigos. A casa de lá tá fechada e meu pai conversou comigo sobre a possibilidade de ele e minha mãe voltarem pra lá, ficar perto dos meus avós, agora que eu já sou adulto.
Eu imagino que ela vai surtar já que eu vou ficar aqui e com certeza Isabela também, já que ela trabalha como modelo e quer começar a faculdade de Fotografia, além claro do fato de seu namorado estar aqui em Barcelona. Até pensei de a gente alugar um apê juntos, mas ela vive grudada naquele namorado dela. Eu gosto do cara, mas me dá nos nervos os dois juntos, é tanto chamego que me deixa enjoado.
Entrei na garagem e fui até o meu bebê, o primeiro de muitos.
Desativei o alarme e o Aston Martin DB9 branco piscou os faróis.
Entrei colocando o cinto de segurança e manobrei pra fora da garagem, o portão eletrônico se fechando logo depois que passei. O trânsito de Barcelona estava tranquilo, o que chegava a ser raro esse horário e em dia de semana.
O semáforo fechou e liguei o rádio conectando com minha playlist de músicas no Spotify. 2step do Ed Sheeran começou a tocar e bati os dedos no volante seguindo a batida da música.
O sinal abriu e peguei a faixa da direita dando seta que iria virar na próxima saída.
Meu celular começou a tocar e atendi pausando a música. Era Miguel.
— E aí.
— Tá onde Javi?
— Indo pra casa do Ben, vocês já saíram?
— Já sim, Dante vai passar na casa da Vega antes pra pegá-la, daqui a pouco a gente tá lá.
— Falou, té mais.
— Beleza.
A ligação foi encerrada e a música voltou a tocar.
Eu espero que já tenha alguém lá quando eu chegar, não gosto de chegar sozinho em lugares que eu não conheço. Ben é gente boa demais, mas é a primeira vez que ele chama a galera pra ir à casa dele.
Alguns não puderam ir por já ter compromissos, eu até pensei em não ir também e descansar, Isco tá arrancando nosso couro nos treinos. Mas distrair a mente é sempre bom.
O condomínio onde Ben mora não é longe e assim que eu dobrei a próxima esquina, um carro emparelhou comigo e buzinou. Olhei e vi a Ferrari preta de Tito.
Ele acelerou e eu abaixei o vidro acenando também. Ele passou na minha frente e buzinou de novo, eu buzinei em resposta e o segui.
Dois minutos depois paramos na entrada de visitantes do condomínio. O porteiro liberou nossa entrada e indicou o estacionamento para visitantes.
Estacionamos lado a lado e desci indo até ele.
— Qual é a casa mesmo? — Tito perguntou me olhando e dei risada balançando a cabeça.
Esse é distraído por natureza. Ben disse pra gente e ele não deu a mínima atenção.
— A segunda do lado direito. — respondi enquanto guardava a chave do carro no bolso da minha calça jeans.
Chequei meu celular enquanto a gente andava e já tinha um monte de mensagem da minha mãe. Não respondi e coloquei no modo silencioso antes de guardá-lo no meu bolso.
Subi na frente e toquei a campainha. Cinco segundos depois a porta abriu e uma loira estonteante apareceu sorridente.
— Javi Alvarez e Tito Issa, certo? — ela perguntou divertida e a gente só balançou a cabeça assentindo. — Eu sou a Mikaela, esposa do Ben. Entrem e fiquem à vontade.
Ela cumprimentou nós dois com apertos de mãos e deu licença pra gente passar. Bonita e cheirosa pra caramba!
— Porra! Que gata! — Tito murmurou e dei uma cotovelada nele antes de olhar pra trás e me certificar que Mikaela não tinha ouvido.
— Deixa de ser sem noção.
— Só tô falando, ela é bem gata mesmo. Preciso ir no Brasil conhecer a mulherada de lá.
Dei risada balançando a cabeça enquanto ia falando com a galera. Romero como sempre fazia algumas de suas gracinhas.
Ben veio falar com a gente e ofereceu bebidas, mas eu recusei por estar dirigindo. Tito pegou uma Budweiser e disse que ficaria somente naquela, coisa que eu duvido muito.
Aos poucos outros jogadores foram chegando, alguns traziam esposas e namoradas. A galera da comissão técnica também foi convidada, mas poucos vieram.
Vinte minutos depois que a gente chegou, Vega, Dante e Miguel chegaram, este último tava com uma cara feia e emburrado.
— O que aconteceu? — perguntei quando eles chegaram até mim.
— Ele tá com raiva porque eu fiz ele descer e ir no banco de trás. — Vega explicou divertida e Miguel a encarou com cara de poucos amigos.
Eu e Tito demos risada e ele ficou furioso.
— Eles ficaram quase dez minutos discutindo pra ver quem vinha na frente, por isso a gente demorou. — Dante explicou fazendo a gente rir ainda mais.
— Se você tivesse aceitado minha carona, não teria vindo no banco de trás. — falei antes de dar um gole na minha garrafinha de H2O limão.
— Vou me lembrar disso na próxima vez. — Miguel murmurou ainda fuzilando Vega com o olhar e ela deu de ombros pra ele ainda rindo.
— Alguém viu a Mika? Eu queria falar com ela. — a garota perguntou e olhamos pra ela.
— Quem? — Tito perguntou antes que eu abrisse a boca.
— A esposa do Ben, eu a conheci no CT e gostei muito dela.
Entendemos que Mika é o apelido da Mikaela.
— Ela tá na cozinha. — Tito explicou apontando para trás com o polegar.
— Eu vou até lá. Amor segura minha bolsa.
Vega beijou o namorado antes de se afastar e entregou a bolsa pra ele. Dante pegou o objeto preto e passou a alça pelo pescoço pendurando ela de modo transversal no corpo. Eu confesso que não entendo por que as mulheres saem de bolsa e fazem os namorados carregarem, minha irmã faz a mesma coisa com o namorado dela. Isso não vai rolar comigo não.
— Até que veio muita gente. — Miguel comentou olhando ao redor e fiz o mesmo.
Romero chamou Tito na rodinha que alguns jogadores estavam.
Tinha um sofá ao lado da escada e fomos sentar lá. Miguel e Dante se sentaram nos dois lugares disponíveis e eu me sentei no braço ao lado de Miguel.
— Aí Javi, cê sabe da última fofoca que tá rolando lá no CT? — Miguel perguntou rindo e olhei pra ele balançando a cabeça.
— Eu não, o que foi?
Ele e Dante deram risada e eu acabei rindo também, mas sem nem saber do que. Com a gente era assim. Desde quando os conheci, os dois se tornaram meus melhores amigos dentro e fora do clube. Era só um olhar pro outro e sabia que tinha coisa errada.
— Para de rir caralho e conta logo! — falei o empurrando de leve e ele deu mais risada ain-da.
— Parece que tem um jogador casado traindo a mulher e a amante tá grávida. — Miguel revelou em voz baixa e a gente riu de novo.
— Eita porra!
— Começou pelo Óscar e tem gente dando continuidade. — Dante comentou entre risos e dei risada bebendo mais um gole da minha H2O.
Eu não concordava com esse negócio de traição. Uma tia minha, irmã do meu pai foi traída pelo ex-marido e sofreu pra porra com isso, até depressão ela teve. Eu tinha uns doze anos na época e fiquei super mal vendo ela daquele jeito. Jurei a mim mesmo que eu não faria aquilo com ninguém, prefiro terminar antes do que fazer esse tipo de coisa.
Por enquanto eu não queria saber de relacionamento sério, minha vida pessoal já era especulada o bastante pela mídia. Ano passado inventaram que eu e a princesa Lucía, her-deira ao trono, estávamos juntos, o que era uma baita mentira. Nunca conheci a garota e nem pretendo, sei mais ou menos como funcionam as coisas na realeza e não quero isso pra mim. Se ela tem um caderno com fotos minhas e é a fim de mim, eu fico lisonjeado, mas não posso fazer nada e nem quero.
E teve também a parada com a Lola, uma antiga amiga minha lá de Sevilha. A gente ficou algumas vezes, nada além disso, mas algumas fãs minhas começaram a persegui-la no Instagram e eu resolvi colocar um ponto final e ela estava de acordo, já que não queria essa exposição toda. A gente se fala as vezes, mas não vai rolar mais nada.
Miguel e Dante estavam tentando descobrir quem era o jogador casado que estava tendo um caso e foquei na conversa, dando minha opinião também.
Vega veio da cozinha e se sentou no colo do namorado.
— Gente eu adoro a Mika, sério, ela é maravilhosa.
Sou obrigado a concordar. Pensei comigo mesmo.
— Já me sinto amiga íntima dela. Amor ela chamou a gente pra ir pro Brasil nas férias, eu já quero.
— Você que manda. — Dante disse parecendo um bobo e eu e Miguel olhamos pra ele. Pa-recia que eu tava vendo uma cópia de Isabela e o namorado.
Voltamos ao assunto da traição.
— Quem são os jogadores casados mesmo? — Vega perguntou decidida a nos ajudar na investigação.
— Mike não é. — Miguel opinou. — Ele é doido pela mulher.
— Também acho que não é ele. — concordei com ele. — Tem o Weber.
— López também é casado. — Dante disse pensativo. — Rima.
— São muitas opções. — Vega comentou olhando pra nós três. — Vocês têm que ficar de olhos e ouvidos bem abertos pra descobrir quem é.
Pronto, viramos repórteres procurando a próxima notícia bombástica.
Eles continuaram conversando e dando risada até que meu olhar foi atraído para uma garota que tinha acabado de chegar.
Ela entrou devagar e olhava ao redor como se estivesse procurando alguém. Vasculhei minha mente a procura de alguma lembrança com ela, mas não veio nada. Eu com certeza nunca a vi, se tivesse visto, jamais esqueceria.
Meu olhar varreu cada centímetro dela, percebendo seus dedos torcerem levemente o boné branco em uma atitude nervosa, era óbvio que ela estava tensa.
Aos poucos, todo mundo foi percebendo a sua presença e isso com certeza a deixou sem graça.
— Quem é? — Miguel perguntou e ouvi vagamente Vega responder alguma coisa, mas não dei atenção.
Meu olhar caiu em seus longos cabelos negros e lisos, decididamente eu tinha um fraco por morenas. Ela era absurdamente linda e a calça legging que usava detalhava perfeitamente seu corpo, e que corpo. Nem mesmo o moletom que cobria seu tronco até os quadris conseguia disfarçar.
Então de repente ela abriu um sorriso para o nosso anfitrião e se jogou em seus braços. Ben a abraçou de volta nos deixando ainda mais curiosos.
Ouvi ele perguntar alguma coisa, mas não entendi, acho que eles estavam falando em português.
Ben parecia nervoso e Mikaela se aproximou tocando no ombro da garota que também a abraçou.
As expressões do nosso colega de time e da mulher dele deixavam claro que nenhum dos dois esperava por essa visita.
O olhar da garota cruzou com o meu por um instante e eu não consegui desviar. Eles me pareciam castanhos claros, mas foi tão rápido que não dá pra ter certeza.
Eles conversaram mais um pouco o que me parecia ser ainda em português e Ben a abraçou antes de conversar algo com a esposa. Ele veio em nossa direção e acenou para nós com a cabeça antes de subir as escadas abraçado a garota morena.
Era óbvio o clima de curiosidade presente na sala e Mikaela escapuliu para a cozinha antes de alguém perguntar alguma coisa. Vega se levantou e foi atrás dela.
— O que será que aconteceu? — Miguel perguntou levemente surpreso, acho que todos nós estávamos assim.
Dante deu de ombros, seu olhar focado na porta de ligação com a cozinha, para onde Vega tinha ido.
— O que cê acha que aconteceu? — Miguel perguntou novamente me empurrando com ombro e olhei para ele.
— Sei lá. — respondi dando de ombros. — Tu é curioso Miguel, parece aquelas velhas fofo-queiras.
Ele me encarou fazendo uma expressão de ultraje.
— Eu não sou fofoqueiro, eu só gosto de saber das coisas.
— E qual é a diferença? — indaguei tentando não dar risada.
— A diferença é que eu não saio por aí espalhando o que eu sei. — Miguel explicou como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Romero se aproximou de nós enquanto bebia sua cerveja Heineken.
— Rapaz sei nem quem é, mas apaixonei. Tremenda gata.
A gente não aguentou e começou a dar risada.
— Cara, tu não pode ver um rabo de saia que já vai atrás. — Miguel o provocou ainda rindo.
— O que eu posso fazer se eu sou irresistível? — perguntou fazendo a gente rir novamente.
Ele se achava demais, essa era a verdade.
— Você sai atirando pra todo lado, isso sim. — Dante apontou o dedo indicador pra ele. —
Deu em cima até da minha namorada.
— Em minha defesa, eu não sabia que vocês estavam namorando. — Romero se defendeu levando a mão ao peito fazendo eu e Miguel cair na gargalhada.
Dante balançou a cabeça em negação olhando pra ele e tentando não dar risada também.
Mikaela e Vega vieram juntas da cozinha, a loira subiu a escada levando uma xícara e Vega se sentou novamente no colo do namorado.
— Conta tudo! — Romero pediu tentando sentar no sofá de dois lugares apertando Miguel que reclamou.
— Ai caralho! Você é cego porra?! Tá vendo que só cabem duas pessoas aqui!
Romero fez um gesto de mão como se estivesse o dispensando e Miguel o empurrou fazendo com que ele esbarrasse em Vega e Dante que o empurraram de volta para Miguel, que quase esbarrou em mim também, mas meu reflexo foi rápido e me inclinei pra trás a tempo.
— Gente para! — Vega pediu séria. — Tá todo mundo olhando pra cá!
— Sair com esse povo dá nisso! — Dante comentou enquanto acariciava as costas da na-morada.
Miguel e Romero se olharam e viraram a cara um para o outro, parecendo duas crianças birrentas.
— E aí, quem é a garota? — o paraguaio perguntou e Miguel olhou também, pois estava interessado na fofoca. Eu também tava, porém jamais admitiria isso.
— O nome dela é Olívia e ela é irmã do Ben. — Vega revelou baixinho nos deixando surpre-sos.
Então o nome dela é Olívia.
— Mas ele não tem irmã, só um irmão mais novo. — Dante comentou a encarando.
— Na verdade amor, essa garota é prima dele, mas é como se fosse uma irmã caçula. — Vega explicou e assentimos entendendo. — Mika disse que ele a protege e defende de tudo.
— Por que ela tava chorando? — Miguel indagou e eu também queria saber o motivo da sua expressão tristonha.
— Isso eu não sei. — Vega respondeu. — E acho que nem a Mika e nem o Ben sabem, já que eles não tinham ideia de que ela tava vindo pra Barcelona. Ela disse que elas se falam todo dia e estranhou o fato de a Liv, como ela é carinhosamente chamada, não ter respondi-do hoje de manhã.
— Porque ela tava no avião vindo pra cá. — Romero concluiu e Vega assentiu.
— Isso mesmo.
— Será que não é melhor a gente ir embora? — Dante perguntou encarando a gente e a namorada. — Vai que eles tão conversando alguma parada séria e a gente aqui atrapalhan-do.
— Mika disse que a gente podia ficar à vontade. — Vega disse dando de ombros. — Vamos esperar um pouco pra ver.
Eles concordaram e eu fiquei quieto. Continuaram o assunto sobre a misteriosa "irmã" do Ben.
Tito se aproximou parando ao meu lado.
— E aí moleque, tu vai pra onde depois daqui? — ele me perguntou baixinho.
— Acho que pra casa, amanhã tem treino. — respondi no mesmo tom de voz. — Por quê?
— Bora dar um pulo na casa de uma conhecida minha? Tá rolando uma festinha lá, aniver-sário de uma amiga dela.
Um sorriso surgiu em meu rosto. Essas saídas com o Tito até que tão rendendo, sempre tinha alguma gata gostosa disponível. Eu realmente tava precisando daquilo, os treinos estão puxados. Isco está querendo arrancar o nosso couro, isso sem contar minha mãe enchendo minha paciência.
— Bora. Daqui a pouco a gente sai.
— Fechou. — Tito concordou e fizemos um toque. — Vou avisar pra ela que a gente vai.
Tito se afastou digitando algo no celular e eu voltei minha atenção para os malucos ao meu lado.
— Sai caralho! — Miguel gritou empurrando Romero e quase o derrubando do sofá fazendo todo mundo dar risada. Esses dois não tem jeito.
Eu me levantei para ir ao banheiro e quando voltei Ben estava conversando com meus amigos.
— Mas ela tá bem? — ouvi Miguel perguntar quando ia me aproximando e olhei para o brasi-leiro esperando sua resposta.
— Tá sim, foi só um susto. — ele respondeu sorrindo.
Pelo modo como ela chegou aqui eu tinha certeza de que não foi somente um susto, tem mais nessa história.
— Fiquem à vontade e se precisar de qualquer coisa falem comigo ou com a Mika. — Ben continuou. — Eu vou até a portaria pegar as malas da Liv, ela deixou lá com o porteiro.
— Aí cara quer ajuda? — Romero se ofereceu e Miguel olhou para ele.
— Na verdade, eu vou querer sim, se você não se importar é claro. Não sei quanto bagagem ela trouxe, esqueci de perguntar.
— Imagina, bora lá.
— Também vou ajudar. — Miguel também se ofereceu, percebi Dante e Vega tentando se-gurar a risada e fiz o mesmo.
Fiz um sinal para Tito avisando que já estava na hora. Iria aproveitar que Ben tava saindo e já ia embora. Meu amigo entendeu e se aproximou.
— Ben eu já tô indo cara, eu tenho umas coisas pra fazer hoje ainda. Valeu pelo convite.
Miguel e Dante me encararam com curiosidade e nem dei atenção aqueles dois fofoqueiros.
— Imagina cara, eu agradeço por ter vindo. — Ben disse e trocamos um abraço rápido. Tito também agradeceu a ele pelo convite e se despediu.
Saímos todos juntos da mansão e esfreguei meus braços sentindo frio. A temperatura estava caindo bastante a noite. Ainda bem que eu sempre deixava um casaco no carro. Eu e Tito fomos para o estacionamento, Ben, Miguel e Romero foram em direção a portaria.
Me aproximei do meu carro e destravei entrando rapidamente por causa do frio.
Peguei o casaco que estava no banco de trás e vesti. Me olhei no espelho retrovisor ajeitando meu cabelo e abri o porta-luvas, peguei minha carteira e conferi se tinha camisinha, ainda tinha três pacotinhos.
A verdade é que não faz tanto tempo assim que eu perdi a virgindade, mas meus amigos jamais poderiam saber disso, ou eu seria zoado para o resto da minha vida. Ainda tô aprendendo, mas acho que até agora eu me saí bem, ninguém reclamou. Descobri que ten-tar aprender com vídeos pornôs é uma péssima ideia, a vida real é bem diferente. Eu nunca fui muito fã daquilo, assistia alguns só pra ter uma noção mesmo, mas não foi legal.
Guardei as camisinhas no meu bolso e coloquei a carteira de volta onde estava.
Enquanto esperava Tito, conferi meu celular e minha mãe já tinha mandado quase umas trinta mensagens.
Rolei os olhos irritado e decidi gravar um áudio em resposta.
— Só vou chegar mais tarde mãe, e por favor, não fica ligando ou mandando mensagem.
Sabendo que provavelmente ela faria exatamente o contrário do que eu pedi, guardei o celular junto com carteira. Eu realmente tô de saco cheio disso.
A Ferrari de Tito acendeu os faróis e passou ao meu lado buzinando. Buzinei de volta e liguei meu carro enquanto colocava o cinto de segurança.
Manobramos pra fora do condomínio e segui meu amigo pelas ruas de Barcelona.