— É que você, já me mostrou tanto, que eu quero retribuir.
— Você está louco?
Não sei se foi, a minha cara de susto, ou se foi a pergunta, ele parou na hora, e veio em minha direção, colocando às duas mãos, no meu rosto, ele me disse:
— Calma, só estava brincando, eu nunca faria nada, que você não quisesse.
Ele tinha um cheiro inebriante, não era uma colônia cara, nem nada do tipo, era de sua pele. Eu nunca havia sentindo, algo tão excitante, como o toque dele, junto ao seu perfume.
Ao fundo, meu celular tocou na pia, do banheiro.
— Com licença, eu tenho que atender.
— Sim, claro.
Fui para o meu quarto, e me vestir, eu sabia, que ele estaria na cozinha, me esperando. Por isso, me sentir ansiosa. Quando cheguei na cozinha, ele já estava lá, vestindo uma calça, de moletom preta, e uma camisa, branca. Uau! Como ele, era lindo!
— Com fome?
— Sim, faminta.
— Pode se sentar, eu já vou te servir.
— Obrigada!
— Miguel?
— Sim.
— Você trabalha, com o quê?
— Sou piloto, de avião.
— Nossa, que legal!
— Na verdade, eu não tenho, do que reclamar.
— Posso imaginar, viagens, e mulheres.
— Viagens sim, mulheres nem tanto.
— Supus que, todos os pilotos, viviam rodeado por mulheres.
— Alguns sim.
— Por que, você não?
— Curiosa você em. Por hoje, chega de perguntas sobre mim, agora quero saber de você.
— Pode mandar, minha vida, é um livro aberto.
— Você tem namorado?
— Não.
— Interessante, mas você tinha?
— Sim. Terminamos, antes de eu me mudar, para cá.
— Por que, terminou?
— Eu peguei ele na cama, com uma de suas, "amiguinhas".
— Eu sinto muito.
— Não sinta. Penso que, foi melhor assim. Sendo sincera, no fundo, nem eu senti.
— Okay, me desculpe, mas eu não tive a intenção de tocar em assuntos dolorosos.
— Está tudo bem, eu já superei.
— Miguel, você dormiu em casa ontem?
— Não, eu estava em viagem, cheguei bem cedo, e fui treinar.
— Entendo, nossa isso aqui está uma delícia.
— Obrigado! Quando eu estou em casa, eu sempre cozinho para a Lu, ela manda muito mal na cozinha.
— Risos, algumas coisas nunca mudam.
— Já outras mudam tanto, que até nos surpreende.
Disse ele, olhando no fundo dos meus olhos. Me senti tão nua, quanto quando estávamos no banheiro.
— O tempo além de curar, também refina.
— Só alguns, outros não têm cura.
Em seus olhos, havia uma sombra.
— Miguel algum problema?
— Não, nenhum.
— O que costuma fazer, em suas folgas?
— Eu treino, muay thai, e boxe.
— Que legal, eu sempre quis prática alguma categoria de luta, mas sou muito descoordenada.
— Se quiser, eu te dou algumas aulas, a Lu, sempre quando pode treina comigo.
— Eu vou adorar.
— É bom até para defesa pessoal. Você o que gosta de fazer?
— Bem, eu geralmente corro, por uma hora e meia, e em casa eu gosto de ler.
— Deixe me adivinha, suspense?
— Risos, não romance, eu amo.
— Você é uma dessas fãs, de 50 tons de cinza?
— Sim. Risos, e quem não é?
— Então gosta, de ser amarrada?
— Risos, depende.
— Do quê?
— Acredito que, no sexo, tem que haver confiança.
— Concordo, mas você, já foi amarrada?
Eu não estava esperando a pergunta, por isso acabei me sufocando, com a comida.
— Está tudo bem?
— Sim, me desculpe é que a pergunta, foi inesperada.
— Bebi um pouco do suco, que estava em meu copo.
— Você ainda, não me respondeu.
— Não, nunca fui amarrada.
— Quanto tempo durou, seu último relacionamento?
— Cinco anos. Julguei que, me casaria com ele, que teria filhos, sabe um lar. Na verdade, ele nunca foi da categoria, de cara, que as mães gostam, mais sim, que as filhas gostam, sabe como é né?
— E qual é esse tipo?
— Sexy de mais, atraente de mais, que não foge de uma briga, que ao invés disso ele a procura.
— Você gosta, de problemas?
— Não é que eu goste de problemas, entretanto, depois que vocês se foram, não me restou muita coisa, sabe como é?
— Sim, eu posso imaginar.
— Agora me diga você Miguel, já amarrou, ou foi amarrado?
— Digamos que já fiz, de tudo um pouco, mas algumas coisas, são melhores, quando são feitas, com alguém, que você realmente gosta.
— E você, tem namorada?
— Não.
— Mas já teve?
— Sim, mas nada sério ou durável, não gosto de ficar criando expectativas.
Quando já estávamos, terminando o nosso café, eu peguei as louças, e fui lavar.
— Não precisa, pode deixar que eu lavo.
— Não nada disso, você cozinhou, eu lavo a louça.
— Okay, mas eu enxugo.
Ele me observava, enquanto eu lavava a louça.
— O que foi?
— Risos. Nada, só estou me lembrando de você, e a Lu, quando pequenas.
— Você, vivia me zoando.
— Claro, você era muito marrenta.
— Não. Eu não era, você que era muito mal sabia?
— Eu não era mal, vocês que viviam xeretando meu quarto.
— Só queríamos, passar mais tempo com você.
— Às duas menininhas magrelas, que adoravam, encher o meu quarto, com coisas de mulherzinha.
— Sabia que a Lu, era apaixonada por um dos seus amigos?
— Não, vocês eram crianças.
— Sim, e românticas. Você não sabia, mas eu era completamente apaixonada por você.
— Risos, não?
— Sim, eu era, você era o irmão mais velho, e gostosão, da minha melhor amiga.
— Risos. Então, você me achava gostosão?
Sacudi minha mão molhada para o lado dele, respingando um pouco de água em seu rosto.
— Risos, não seja bobo.
— E nesse momento, o que acha de mim?
Se eu tivesse sido sincera, eu diria que, ele nunca esteve, tão sexy, e interessante, como agora. Ao invés disso, como uma covarde que sou, fugi da pergunta, com uma meia verdade:
— Bem, você continua sendo o irmão, da minha melhor amiga.
Se aproximando, e olhando nos meus olhos. Ele voltou a perguntar:
— Não seja tímida, me responda, o que acha de mim agora, no que está pensando?
— Você continua bem gato.
— Nada de gostosão?
— Não zoa, eu era nova, e estava apaixonada, você foi meu primeiro amor.
Ele passou a mão no meu rosto, tirando um cacho do meu cabelo, e colocando atrás, da minha orelha.
— Fico muito feliz, em ter você aqui. Você se lembra, passávamos tanto tempo juntos, que as pessoas pensavam que, éramos irmãos. Essa é uma parte do passado, que me traz lembranças boas.
— Também estou feliz, em estar com você, quer dizer vocês.
Assim que acabamos de lavar a louça, ele me perguntou:
— O que vai fazer agora?
— Na verdade, não sei, agora que a sua irmã, ficou me devendo tour, pela cidade, eu acredito que, terei o dia todo livre.
— Então te faço companhia.
— Não precisa Miguel, você deve estar cansado, nem dormiu em casa.
— Façamos assim, vamos para a sala, e você escolhe uma série, na hora do almoço, te levo em um restaurante, aqui perto.
— Okay, então eu topo.
Colocamos uma série, e Miguel, se sentou ao meu lado. Não estava nem na metade, do primeiro capítulo da série, e ele já estava dormindo.
Me afastei, dando um pouco mais de espaço, para ele, não demorou muito, e sua cabeça descansava em meu colo.
Ele se espreguiçou virando-se para cima, sua camisa subiu um pouco, deixando exposto um pequeno pedaço de pele sugestivo, sua calça de moletom revelava seu membro semi-ereto, ele era a luxúria em pessoa.
Faltavam uns quinze minutos, para as treze horas, e eu me deixei levar acariciando, sua cabeça, enrolando os meus dedos em seus cabelos.
— Ummm que delícia, não sei quanto tempo faz, que eu não recebo cafuné, e o seu cheiro nossa ele é muito bom sabia?
Eu me senti tão envergonhada.
— Me desculpe, eu não queria te acordado, é que eu acabei me deixando levar.
— Se eu for recebido assim, todas às vezes, que eu voltar de viagem, vou acabar me escalando para todos os voos.
— Risos. Bobo, se prepare porque eu tenho cinco, episódios da série, para te contar.
— Me desculpe, eu estava mesmo cansado.
— Tudo bem! Eu sabia que você, estava cansado, mas se você não tiver nada para fazer, durante o dia, eu posso te contar.
— Okay! Eu vou adorar, mas agora venha que eu vou te levar para almoçar.
Ele me pegou pela mão, e com aquele simples toque eu havia me sentido tão protegida.