Capítulo 2

lembro-me de poucas coisas quando era pequena,minha avó sempre disse que ela era linda com seus cabelos loiros e grandes olhos azuis,- mas o destino a levou!deixando somente você de presente para mim!- dizia vovó.

Era a noite do meu 18 aniversário quando minha avó abriu o velho baú que pertencia a minha mãe e Me presenteou com um lindo vestido de seda vermelha,era uma peça muito fina e ainda conservada em bom estado, amei-o ainda mas por saber que pertenceu a minha mãe. - Seu pai deu a sua mãe de presente!não e lindo?- minha avó falou com a voz embargada pela emoção das lembranças,por mas que eu insistisse em saber quem era meu pai nunca recebi uma resposta concreta da parte de minha avó,a única coisa que ela sempre me dizia era:.

-Seu pai...um bom homem,apesar das adversidades da vida amou muito a sua mãe.

-- porque não o conheci?

- O destino e quem da as cartas,sua mãe quis que fosse assim.você o conhecera quando chegar a hora,não fique aflita,somente o que posso dizer e que ele era um nobre,o restante o tempo se encarregara.

Essa velha explicação não foi o suficiente,mas uma novidade havia.eu era filha de um nobre,mas a pergunta que nunca saiu da minha cabeça era:o que aconteceu com ele e com minha mae?o vestido que ganhei estava com alguns dos botões perdidos e resolvi ir caminhando ate a loja do outro lado da cidade compra-los com meus ultimos centavos antes do anoitecer,ponho o vestido uma velha sacola de pano e saio de casa,para quem já esta acostumado a andar a longas distâncias não e dificil ir a pe,o sol ainda está iluminando o céu quando saio mas já posso sentir o frio da noite em minha pele.

Quando chego a distante loja de botões as portas ainda estão abertas,apresso o passo e entro,mostro ao atendente o tipo de botão que preciso,e pequeno e dourado em formato de rosa,o homem avalia e diz que esse tipo de botão e de ouro e parece ter sido encomendado exlusivamente pos nunca viu botões como aqueles,ele despõe de uma seleção de botões mas baratos mas que nenhum se compara aos que restaram no lindo vestido.passo um bom tempo escolhendo-os e tentando encontrar pelo menos um que seja parecido,que não vejo o sol se por lá fora,acabo por escolher um pequeno em formato de flor que apesar de baratos só consigo comprar dois,o suficiente para o concerto.

Saio da loja e vejo que esta começando a chover,saio correndo em meio a fina chuva meus pulmões estão queimando pelo esforço de correr a longa distância sem parar e quando estou atravessando a rua a que me levará a minha humilde casa algo acontece rápido mas,e a ultima coisa que consigo ver vindo em minha direção e uma carruagem vindo em alta velocidade.o impacto,escuridão e mas nada.

Não sei como consigo levantar,tenho arranhões por todo o corpo e sangue escorre lentamente de um corte feio na minha cabeça,alem de uma dor insuportável nas costelas tento andar assim mesmo,não lembro quem sou ou de onde vim e muito menos o que aconteceu.apanho a sacola ensopada e suja que estava perto de mim no chão,e vou me arrastando sem direção a dor insuportáveis no abdômen estam me matando.devo ter quebrado alguma costela,estou com fome e frio,sigo andando em qualquer direção ate que a visto uma imponente mansão a minha frente,sei que não e o melhor lugar para pedir ajuda mas o cheiro da comida boa que vem no ar me leva ate lá,atravesso o jardim em um tempo que parece uma eternidade,a casa parece ter pouco movimento mas esta inclinada isso me leva a crer que certamente existe pessoas lá, escolho a direção reservada aos criados e Bato em uma porta de madeira que parece ser a ala de serviço,Bato uma,duas,três vezes já sem forças para ficar de pé,a porta abre com um rangido quando na minha frente surge uma mulher ruiva e rechonchuda com uma colher de pau na mão,ela me olha com seu olhar gentil e amoroso quando peço a ela ajuda e um pouco de comida.ela me leva para dentro do lugar me sentar em uma cadeira,solto um gemido quando ela toca em minhas costelas quebradas.

- Ho me Deus!você esta muito machucada.- diz ela.

Não tenho mas forças para nada,ate minha fome passou,a última coisa que vejo e um garoto alto e ruivo igual a mulher gentil com a colher na mão,ele me ergue nos braços antes de eu apagar e só restar escuridão.

- E é assim que tudo começa!

Depois dos pensamentos que tive  a saudade de minha avó me apertou o peito de uma forma dolorosa,a ultima vez que a vi foi depois de seis meses após o acidente com a carruagem a um ano atraz.quando me recuperei das costelas quebradas e de uma perca de memória,foi procura-la em nossa pequena casa e não encontrei,perguntei a algumas pessoas que a conheciam e a noticia que recebi deixou-me em desespero,a noite do acidente ela tinha saido em meio a chuva a minha procura,apos esse dia ficou resfriada e doente,não mas teve forças para se reerguer,e faleceu a cinco meses depois.

            Lágrimas molham meu rosto,as enxugo com as mãos e vou ate meu quartinho no final do corredor reservado aos criados,abro a porta e entro sentando assim em minha pequena cama,o quarto e simples,com paredes nuas,despidas de qualquer decoração com uma pequena e velha cômoda onde guardo os poucos objetos que possuo,nada de valor material mas de inestimável valor sentimental.uma poída e velha colcha de retalhos que pertencia a minha avó,e o vestido de minha mãe que continua lindo e brilhante como se estivesse novo.coloco o vestido em minha frente olhando em um pequeno espelho e vejo que agora ficaria bem em mim,muito melhor do a a um ano atraz quando eu estava muito magra e desidratada,graças a excelente comida de molly recuperei minhas forças.

— Como gostaria de poder um dia usa-lo!— penso olhando minha imagem.

Capítulo 3

— Como gostaria de poder um dia usa-lo!— penso olhando minha imagem refletida no espelho,pele branca,olhos grandes e muito azuis em contraste com os cabelos loiros levemente ondulados.— minha avo sempre dizia que tinha a beleza de minha mae,a mesma estrutura os mesmos olhos azuis e o cabelo loiro guardo o vestido desistindo de imaginar coisas impossíveis,nunca terei a oportunidade de ir a um baile.não indo a um baile não terei a oportunidade de usar o lindo vestido de minha mãe,guardo tudo em seu devido lugar e volto ao meu pequeno mundo de serviços onde roupas sujas,louças e etc...me esperam.

          Vou andando com os braços cheios de roupas que pertencem a Alexandre Griffiths o duque,seu cheiro em suas peças de roupa e divino e não posso evitar que meus pensamentos me levem a uma direção perigosa e impossível.como diz molly,começo a lava-las com todo o cuidado pos são roupas de tecido fino e muito caro,termino de lavar as peças e as estendo ao sol para seca-las.quando termino meus afazeres já e quase noite,aproveito e vou tomar um bom banho para me limpar da sujeira do trabalho do dia,carrego água de fora para dentro de meu quartinho,dou varias voltas indo e vindo,na última volta com o balde cheio eu o vejo na sacada acima,esta deslumbrante como sempre,camisa branca desabotoada ate a metade dos botões de um jeito pecaminoso para meus olhos que não conseguem parar de adimira-lo,seu olhar parece perdido no horizonte,ate uma mulher bem vestida em um vestido verde musgo surge de dentro da casa,vindo por traz ela o abraça aproveitando para enfiar a mão por dentro de sua camisa tocando-o intimamente,meu coração aperta e sei que devo parar de olha-los,mas simplesmente não consigo desviar o olhar.ele sorri para ela beijando-a nos lábios logo em seguida para então leva-la para dentro,ela solta gritinhos animados quando ele sussurra algo em seu ouvido,ela e uma das muitas mulheres que se dizem pertencer a alta sociedade londrina e que visitam frequentemente mansão londrina do duque.

             Meu coração mucha com a cena que se desenrola a minha frente,e retorno com o balde cheio de agua para dentro de meu quarto despejando tudo com forca de mas dentro da banheira,retiro a roupa suja e solto os cabelos que descem em camadas pelas minhas costas,e entro na agua fria que cobre meu corpo nu como um lençol de seda.fico submersa na agua por alguns instantes tentando esquecer o que vi,não posso negar que desejava ardentemente esta no lugar desta mulher que esta com ele neste momento,sentir suas mãos fortes envolverem meu corpo como fez quando cai em seus braços,não sou tão ingênua para não saber o que acontece entre um homem e uma mulher,vi varias vezes como os animais fazem,o que em meu ver parece ser doloroso e nada prazeroso para a fêmea,— Nunca entendi porque as mulheres fazem isso se e tao doloroso!— penso.lavo meus cabelos e meu corpo e saio da agua com a mente trabalhando a mil e uma pequena dorzinha no abdômen que não sei distinguir de onde surgiu.

              Saio de traz de meu velho biombo,e me visto com minha camisola poída e fina devido a velhice,penteia os cabelos e deito sobre a cama desfrutando da sensação de descansar os músculos cansados de um dia inteiro de trabalho,mas o sono tão esperado não vem,me vejo mudando de posição constantemente.— tenho que me esforçar para esquece-lo,não há futuro feliz para nos!—aliás não há futuro algum para nos.ele nem sabe que eu existo,ou se souber me descreverá como uma das muitas pessoas de sua longa lista de criados.pos e o que sou,!alem de ser uma garota que ainda não percebeu que contos de fadas não existem e que nobres não se casam com plebéias, como molly diz.ele com certeza ira se casar com uma linda moça rica de seu  ciclo social que lhe dará lindos filhindos de cabelos negros e brilhantes olhos verdes,além de alimentar falsas esperanças com uma vida feliz ao lado de um duque,estou começando a ficar louca.não consigo parar de pensar durante o dia e a noite já não tenho sono e minha mente vaga novamente na direção errada mesmo que eu nao queira,luto para pensar em outras coisas mas e totalmente impossível.

             Quando consigo pegar no sono,sonho com um lindo baile de máscaras,onde um elegante cavalheiro vestido de preto vem em minha direção e me tira para dançar,ele também usa máscara negra que cobre parte de seu rosto que parece esta sempre nas sombras dificultando assim seu reconhecimento,levanto a cabeça lentamente para olha-lo mas uma vez e levo um susto ao ver olhos verdes como esmeralda que me fitam de volta de uma maneira penetrante,esses olhos....eu poderia reconhece-los em qualquer lugar.

Acordo sobressaltada,o calor me sufocando,o cabelo colado ao rosto de uma maneira desconfortável sem falar da inebriante sensação de que olhos muito verdes que me seguem onde quer que eu vá,retiro alguns fios de cabelos que ainda permanecem grudados em meu rosto e levanto de minha cama,tomo um copo de água e passo um pouco de água em meu rosto,o enxugo com uma pequena toalha branca e volto a me deitar olhando no velho relógio que tenho guardado vejo que são exatamente 12:30,suspiro alto levantando um dos abraços coloco-o por cima dos olhos.ainda posso ouvir o som da orquestra tocando a valsa na qual eu estava dançando com o misterioso cavalheiro vestido de preto com incríveis olhos verdes por traz da máscara.

    — Meu Deus!não acredito que vou perder o sono por causa de um sonho!— digo em voz alta!tento dormi mas não consigo,olho no relógio mas uma vez e já passa das 1:15 da manhã,fico fitando o teto por muito tempo ate consegui pegar no sono novamente,agora sem sonhos,quando acordo antes das cinco tenho bastante trabalho a fazer,meu corpo protesta ao me levantar da cama que hoje parece mas convidativa do que nunca,me esforço o bastante e consigo arrastar meu corpo sonolento para fora do quarto.me arrumo,coloco o vestido preto e o avental branco,saio em direção a cozinha.

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