Capítulo 2

Já é tarde, e enquanto sirvo-me de mais uma dose de uísque penso na idiotice que havia feito ao prometer ao meu pai em seu leito de morte, algo de que eu certamente me arrependeria para o resto de minha vida. Era claro, tanto para os Villani, quanto para os Cavalieri que aquela desavença já havia durado tempo demais, e que talvez esse acordo funcionasse, e se as famílias não pudessem deixar no passado tudo o que havia acontecido, pelo menos que o embate cessasse, o que poderia gerar até mesmo alguma colaboração entre todos os envolvidos.

Ela é jovem demais. E insolente demais. Encarou-me como se estivesse acima do bem e do mal, e não vamos nos entender se me contrariar somente porque acha que está certa. Sei que Giulia deve agir assim por inúmeros motivos, toda a vida nas mãos de Donatella, que não pensava em nada a não ser em si mesma, guiando-a por uma infância e adolescência conturbada, sempre fugindo, escondendo-se. Porém, era a oportunidade que ela teria de viver em segurança, confortavelmente, e contanto que conseguisse manter aquela linda boquinha fechada, talvez haja uma chance de fazer isso dar certo.

Giulia em roupas caras e saltos deve fazer bem o papel de esposa jovem, e por mais que Carolyn me satisfaça, a ideia de que ela era intocada não me desagradava. Imagino que vivendo em uma região pacata sob a responsabilidade das freiras, sua criação fosse extremamente rígida, mas por experiência própria, sei que garotas assim costumam surpreender depois de alguns avanços. E se não fosse o caso, nada que uma amante não resolvesse.

Mal acabo de tomar meu drinque, vejo minha irmã, Linda, voltando, já em trajes de dormir, sob o robe azul marinho. Ela senta-se na poltrona próxima a minha.

– Ela dormiu – diz Linda, pensativa – pobre menina.

– Hum – eu sei que ela está me preparando um sermão, mas não estou disposto a ouvir. Giulia nasceu em um mundo onde não existem pobres meninas. E ela mesma podia falar sobre isso depois de ter me dado um tapa, que certamente não esquecerei.

– Foi duro com ela, irmão – Linda continua depois de uma pausa – Giulia está assustada, eu mesma me lembro de quando estava chegando a maioridade, nosso pai teve que usar de muita diplomacia para recusar propostas de casamento que me foram feitas.

– Ele foi sensato, com você – falei afrouxando a gravata – já para mim, deixou o fardo de um casamento arranjado.

– Acha que mamãe foi um fardo para ele? – ela pergunta, e eu mesmo já havia pensado a respeito.

– Nossa mãe foi um arranjo as pressas, como se isso pudesse fazer todos esquecerem o que havia acontecido. Não foi a primeira opção, e papai nunca a amou, porém, ele foi um bom marido.

Era verdade, ele tinha sido um bom pai, presente na medida do possível, se não havia amor entre eles, pelo menos eram companheiros, e o respeito era mútuo.

– Achou Giulia bonita? – olho de canto para Linda, que riu maliciosa.

– O que eu achei não faz diferença, depois de acertados alguns detalhes devemos oficializar assim que ela completar a maioridade – esperei que essa resposta fosse suficiente, mas ela se aprumou na poltrona.

– Quero lembrá-lo que não pode se aproveitar da situação enquanto ela estiver sob nosso teto – disse ela como se eu não soubesse.

– Não se preocupe, não tenho a mínima intenção de deitar-me com ela – levanto-me já sonolento – vou dormir, partiremos cedo.

Apesar das poucas horas de sono, acordo bem disposto depois de uma noite sem sonhos. Depois de uma ducha rápida, me visto sem pressa, e saindo do meu quarto ouço a voz de Linda, animada no final do corredor, certamente falando com Giulia. Confesso que fico curioso a respeito do assunto entre as duas, mas decido descer para uma xícara de café, enquanto leio o jornal. Já havia me entretido com as notícias do dia quando ouço novamente a voz de minha irmã, e quando olho em direção as duas, sou pego de surpresa.

Giulia está ao lado dela, e pela expressão mais tranquila, estou certo de que mesmo com a ajuda de um remédio para dormir, sua noite deve ter sido reparadora. Os cabelos loiros estão soltos, e ela usa um vestido azul escuro, justo, um pouco mais curto do que seria aceitável para quem iria se tornar minha esposa. Não deixo de reparar no que estava escondido pelos trapos religiosos da noite anterior, o corpo esguio, curvas nos lugares certos, um belo par de seios pesando dentro do decote, sem exageros. Me mantenho olhando para ela por mais tempo, pensando que Giulia Cavalieri não era o tipo de garota que eu me sentiria atraído, mas era bonita demais para ser ignorada.

Ela evita olhar em minha direção, como uma criança birrenta. Dobro o jornal e continuo olhando em sua direção enquanto ela ouve Linda falando sem parar sobre compras.

– Parece que os Cavalieri não costumam dizer bom dia – provoco, recebendo um olhar de desaprovação de Linda. As bochechas de Giulia assumem um tom rosado sob as sardas, e ela olha para mim, não havia reparado que seus olhos são verdes.

– Bom dia – disse, e logo depois recusou o café, preferindo chá.

– Eu estava falando com Giulia que é uma pena que tenhamos que partir tão rápido – Linda disse – ela está sem roupas!

– Para mim ela parece perfeitamente vestida – volto minha atenção ao jornal novamente.

– Sim, porque sou uma mulher prevenida e fui as compras ontem a tarde – ela continuou – serviram perfeitamente – ela pigarreou, tentando me fazer falar – Mike!

– Meu Deus, Linda, o que foi agora? – olho por cima do jornal, e em seguida para o relógio em meu pulso – se não se importa, não temos muito tempo, tome seu café, sim?

– Não acha que o vestido ficou perfeito? – as vezes acho que Linda não saiu do colegial, ela queria que eu falasse que Giulia estava bonita, e eu quero apenas que ela coma a maldita torrada porque tenho mais o que fazer.

Olho para Giulia cuidadosamente, chegando mais perto, ela é aquele tipo de mulher, que não importa quantas vezes você olhe, parece cada vez mais bela. Ela faz um beicinho contrariado, porque estou a poucos passos dela.

– Ficou – falo e termino de beber meu café, deixando a xícara ao lado da de Giulia – não se demore.

Deixamos a Itália em um voo particular, e mesmo depois de horas dentro de um avião, Giulia e eu não nos falamos, e isso persiste enquanto já nos Estados Unidos, Linda tenta intermediar algum tipo de conversa entre nós, ainda no aeroporto falo rapidamente com minha irmã sobre estar indo para um de nossos clubes, e a instruo para que mantenha sob vigilância constante, pelo menos até que eu e Joe Cavalieri acertemos os termos.

– Me mantenha atualizada, por favor – disse ela, enquanto olhamos a garota entrar no carro que as levará a casa de Linda.

– Receio que terá notícias minhas hoje – desconfio que Cavalieri já deve estar a minha espera, querendo levar a sobrinha para Chicago, e não tenho a intenção de entregá-la. Não até que ele me garanta o controle de parte dos cassinos, e do tráfico, e ainda assim, a garota ficará aos cuidados dos Villani, para que ele não mude de ideia e a ajude a sumir pelo mundo, como Tony fez com Donatella.

Dentro do carro, Levi está comigo, e acaba de ser comunicado que Joe Cavaliere está no Saint's, como eu já esperava, já que o local, antes de meu pai assumir, era da família dele, e talvez ele quisesse negociar isso também, o que eu jamais faria. Esperava ter um pouco mais de tempo, para alguns acertos rápidos com meus capitães, e uma palavrinha com Chris Villani, meu consieglieri, e tenho que adiar.

Quando o carro para a frente do Saint's, é imediatamente cercado, reconheço nossos soldados, e assim que saio do veículo, vejo Joe Cavalieri, postado na escadaria, com cara de poucos amigos, o chapéu fedora pendendo para o lado direito. Percebo seu homens próximos também e concluo que Fabian deve ter chegado sem maiores problemas a casa de Linda, Cavalieri provavelmente achava que Giulia estaria comigo.

– Onde está ela? – perguntou assim que ofereci minha mão para cumprimentá-lo, apertando-a, esquecendo-se que eu poderia dominá-lo, derrubando-o ali mesmo.

– Em um local seguro – falo baixo, e em seguida passo por ele, que me segue. Olho em volta calmamente e então o encaro – mande-os embora – ele ri, cínico – não entrará aqui se não o fizer.

Percebo a irritação de Joe Cavalieri, e sei muito bem que ele não é o tipo que lida bem com ordens, ainda mais vindo de alguém considerado muito jovem para ter o mesmo título que ele. Cavaliere chama discretamente um deles, que acena positivamente com a cabeça, e em seguida os homens se retiram. Aponto para a porta de vidro a nossa frente e entramos no clube, no hall vazio, apenas o som de nossos passos em direção do elevador.

Quando a porta do elevador se abre no quinto e ultimo andar do antigo prédio, onde desde que meu pai havia assumido os negócios, costumava se reunir, fosse com aliados, parceiros, sócios, e até mesmo resolver algum impasse com cartéis, gangues e outras facções. Além do primeiro e principal andar, onde há shows e as mesas de jogos mais concorridas pelos frequentadores, há um andar inteiro de jogos "executivos", onde acontecem as maiores apostas, e apenas jogadores convidados podem participar.

– Fez um belo trabalho aqui – disse ele, olhando para o escritório, e ele tinha razão, aquele prédio era uma espelunca, e meu pai o havia transformado em um dos clubes mais luxuosos do país, e ali mesmo, onde a vista de Nova Iorque em um belo anoitecer, discutiremos o destino de Villanis e Cavalieris.

– Nada comparado com o que era antes do Villani – disse, e em seguida servi doses de uísque para nós.

– Mesmo achando de péssimo tom esse seu comentário sou obrigado a concordar – Cavalieri sentou-se a cadeira confortável e eu em meu lugar, atrás da mesa, ambos bebemos em silêncio e logo depois ele continua – agora vamos ao que interessa, Villani – seu rosto assumiu uma expressão sombria – onde está Giulia?

– Está segura, como já lhe disse – falo, descontraído.

– Vai me entregar a menina, Villani, ou teremos problemas – a voz era de quem não aceitaria qualquer recusa, certamente faria muitos levariam isso em consideração, não eu.

– De jeito nenhum.

– Vamos, garoto, não seja tolo como seu pai foi – ele parecia não ter noção do perigo que corria falando de Erico Villani – vou localizar minha sobrinha, e vocês pagarão um preço altíssimo se algo acontecer a ela.

– O que acha que fiz com ela? Além de salvá-la das mãos dos russos e trazê-la de volta em segurança – relaxo, e bebo mais um gole – você poderá vê-la, assim que chegarmos a um acordo – faço uma pausa – mas não vai levá-la a lugar nenhum.

Capítulo 3

Chegando a bela residência onde vive Linda Villani, logo noto a presença de segurança por toda a parte, como na mansão em Província di Roma, o lugar é imenso. Fabian abre a porta do carro para mim, enquanto Linda sai pela outra porta falando com alguém ao celular. Fabian Schiavo é minha escolta pessoal, e pela maneira que vem se comportando desde que saímos da Itália, Michael deve tê-lo ameaçado de morte por ter me jogado no banco do carro enquanto deixávamos o convento. O homem está me tratando como se eu fosse feita de cristal, abrindo portas, cuidando até mesmo se subo ou desço alguma escada, e apesar de ter achado divertido nas primeiras vezes, está começando a me irritar.

Linda me trata com muita gentileza, apesar de não confiar nem mesmo em minha sombra depois de tudo, me sinto bem na presença dela. Ela sorri calorosamente enquanto entramos na casa, passando por um pequeno hall e indo em seguinte para uma sala confortável de onde posso ver outros ambientes. Em um deles uma garotinha vestida em seu pijama de unicórnio nota nossa presença e em seguida corre para minha anfitriã.

– Mamãe! – diz ela, genuinamente feliz em ver Linda, que a pega no colo quase chorando – você voltou!

– Eu não disse a você que seria rápido? – ela olhava para a menina como se não a visse a semanas – Senti tanto a sua falta, minha princesa!

– Eu também – ela abraçou a mãe com força, beijando seu rosto em seguida – trouxe presentes?

Aprecio a conversa delas, como Linda me disse, Morgan é esperta e fala o tempo todo, um raio de sol! Então a menina se vira para mim, e me olha como se estivesse decidindo se gosta ou não da minha presença.

– Quem é ela, mamãe?

– Essa moça bonita é Giulia, uma amiga da mamãe – disse Linda encorajando a menina a chegar mais perto de mim – ela ficará uns dias conosco.

– Olá, Morgan – me abaixo para ficar da mesma altura dela, e ela sorri – sua mãe me mostrou fotos suas, mas você é ainda mais linda pessoalmente!

– Obrigada! – ela diz, e olha para Linda – Podemos ficar com ela?

– Morgan! – Linda a repreende, mas eu acabo rindo da pergunta – desculpa, Giulia!

– Ela é linda, mamãe, e você e a vovó sempre dizem que tio Michael precisa de uma namorada – Morgan fala, e sinto que meus rosto fica vermelho.

– Seu tio Michael, hum... – Linda tenta mudar de assunto – querida, o que quer pedir para o jantar?

– Qualquer coisa? – a menina perguntou sorrindo – Pizza!

– Ótimo! – ela concorda – Você vai escolhendo os sabores com a Tina – ela indicou a babá da menina que estava perto – enquanto eu acomodo Giulia no quarto de hóspedes!

Depois de prometer a menina que não demoraria, subimos para o andar superior, enquanto Linda me fala sobre aquela casa ter sido ocupada por seu irmão antes de se tornar capo, e que o quarto dele seria o meu nos próximos dias.

– Hum, ele não vai se incomodar com isso?

– Não se preocupe, ele é um irmão desnaturado, quase não vem aqui – ela ri – e essa não é mais a casa dele. Sabe, eu me mudei para cá por insistência dele, depois que Freddy morreu – ela havia me contado sobre a morte do marido durante a viagem – Michael ainda morava aqui.

– Vocês parecem se dar muito bem – digo, enquanto entramos no quarto, tons mais escuros predominam.

– Sim – ela fala, enquanto abre a porta do closet e indica a do banheiro – pode ficar à vontade – tanto ela quanto eu ouvimos a voz de Morgan pelo corredor, procurando pela mãe.

– Linda, eu não quero atrapalhar, posso me virar por aqui – disse, pois a menina precisa da mãe – vou tomar uma ducha e desço em seguida.

Depois que ela sai, fecho a porta, respiro profundamente e pela primeira vez no dia sinto meu corpo relaxando, meus ombros doem, meus pés estão me matando nesse salto, e silêncio e ao menos alguns minutos sem notar que alguém está me vigiando é tudo o que eu mais desejo! Tiro os saltos, e uma sensação de alívio percorre meus pés, tornozelos e panturrilhas, não eram tão altos quanto os que Linda havia sugerido que eu deveria usar, mas para mim eram altos o suficiente para considerá-los uma tortura.

Vou até o closet e reparo que há algumas peças de roupas lá, poucas, mas que devem servir até que como disse Linda, fossemos autorizadas a sair de casa. A anfitriã está animada para me levar as compras, e eu não tenho dúvidas que fará disso um evento. Além das minhas roupas, reparo que alguns ternos, sapatos, acessórios masculinos ocupam uma pequena parte do closet enquanto estou me despindo e paro imediatamente. Aquele quarto todo parecia ter a presença de Michael Villani, como se ele estivesse bem aqui, me olhando com aqueles olhos impiedosos. Termino de me despir no banheiro amplo e claro, ansiosa por uma boa ducha, enquanto os acontecimentos desde que fui levada pelos Villani.

Foi tudo tão rápido que chego a me perguntar se é real, ou se é apenas um sonho ruim do qual não consigo acordar, mas sou trazida a realidade quando sinto que minha mão ainda dói depois do tapa em Michael. Respiro fundo, sentindo meus olhos lacrimejando ao lembrar da maneira grosseira como ele falou de minha mãe. Pensar que as palavras dele era exatamente o que as pessoas falam a respeito de Donatella aperta meu coração, e mais ainda o fato de que naquele momento ele e meu tio devem estar decidindo meu futuro e me negociando.

Não foi por isso que minha mãe fugiu, afinal? Para poder viver sua própria vida, sem que a máfia decidisse por ela, e aqui estou eu, prestes a vivenciar tudo do que ela havia fugido a vida inteira. Gostaria de falar com meu tio, ele é um homem poderoso e temido, tanto ou mais que Michael Villani, e minha mãe sempre confiou nele, não quero acreditar que ele me entregará a um casamento arranjado com um homem como aquele.

Quando volto para o quarto, não sinto fome, mas a vida com Donatella ensinou-me que quando estamos em desvantagem, criar problemas não é uma boa estratégia, e estou certa de que tenho tempo para pensar em uma forma de escapar daquele acordo. Coloco um vestido simples e um tênis branco, e logo, desço para o jantar.

Morgan é uma garotinha adorável, e faz questão de se sentar ao meu lado, contando-me sobre a escola, suas bonecas com quem ela pretende organizar um chá no dia seguinte, para o qual eu e Linda seremos convidadas. A risada da menina é contagiante e sua companhia me faz esquecer por um momento do real motivo de estar em sua casa. Depois do jantar, Linda deixa que a filha assista ao desenho que ela tanto gosta por mais alguns minutos enquanto me oferece uma taça de espumante.

– Não contarei a ninguém – ela diz, piscando para mim e servindo-me uma taça.

A bebida é suave e falamos sobre Joe Cavalieri, meu tio. Linda aparentemente não tem queixas a seu respeito, e me revela que no dia seguinte ele virá, em companhia de Michael para me ver. Fico feliz com a notícia, mas o fato de que Michael também virá frustra meus planos de conversar a sós com meu tio, e tentar convencê-lo a não aceitar aquele arranjo. Eu preciso de tempo, para pensar em uma forma de escapar daquela casa, e da vigilância constante que me foi imposta.

Logo, Morgan dorme no colo da mãe que sobe para colocá-la na cama enquanto eu permaneço ainda por um tempo, bebendo o que Linda disse ser chamado pelo irmão de "bebida para mulheres". Não posso evitar um revirar do olhos, assim como já havia percebido que as roupas escolhidas para mim, eram para agradá-lo, e que parecia que não importava a opinião alheia, a dele sempre permanecia.

Volto para o quarto sonolenta, o que é bom, pois ao menos posso ignorar a sensação de que aquele quarto me parece uma extensão do controle de Michael Villani. Tomo um analgésico pois a dor de cabeça constante que estou sentindo desde cedo parece ter ficado mais forte, e logo vou para a cama.

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