Capítulo 2

A surpresa não estava apenas estampada no meu rosto, mas também no rosto dele, que me olhou de cima a baixo como se estivesse desaprovando a forma como estava vestida. "As... as bebidas." Gaguejo, desviando o olhar dele e indo em direção à mesa.

Enquanto coloco as garrafas sobre a mesa, ouço o homem do lado esquerdo falar comigo. "É a primeira vez que trabalha aqui?" Perguntou ele, com seus olhos sobre minhas pernas.

"Sim!" Respondo, tirando a atenção do que estava fazendo e quase derrubando a garrafa da minha mão.

“Cuidado!” Disse o homem, segurando na minha mão.

“Desculpa!” Puxei minha mão da dele e comecei a servir os copos que estavam vazios. Ao terminar de servir, me virei em direção à saída, mas fui parada pelo mesmo homem que antes segurou a minha mão, mas dessa vez sua mão estava sobre o meu braço.

“Para onde você vai? Vamos nos divertir um pouco." Ele me jogou no sofá e se sentou do meu lado.

“Eu preciso voltar ao meu trabalho." Insisti, tentando me levantar.

“Não se preocupe, pode trabalhar aqui... eu pago bem!”

O homem colocou sua mão sobre minha perna, e em um movimento involuntário, peguei a garrafa e o acertei.

"Você está louca, vagabunda!" Ele gritou, levantando sua mão para me acertar, mas foi impedido por Lohan, que até o momento havia permanecido sem fazer nada.

"Se acalme! Você procurou por isso!" Ele disse de forma séria, seu olhar parecia perdido e profundo, totalmente diferente de quando ele estava dando aula.

"Como vou me acalmar quando ela me acertou com uma garrafa?" Indagou o homem.

"Ela é apenas uma garçonete, não uma prostituta como essas que você trouxe!" Ele soltou a mão do homem e virou os olhos para mim.

“Agora vá embora!” Ao ouvi-lo, apenas me retirei daquela sala, e ao chegar em frente àquela enorme escada, senti como se tudo estivesse girando e me apoiei na parede.

“É por isso que chega atrasada na sala de aula?” Lohan disse, se aproximando. Olhei para ele e o vi com sua mão direita no bolso da sua calça, enquanto com a esquerda afrouxava a sua gravata.

“Não enche!” Mesmo tonta, tentei descer as escadas, mas meu pé pisou em falso, e quando achei que iria me quebrar toda naquela queda, senti quando Lohan me puxou pelo braço, fazendo-me bater contra seu peito.

Naquele momento, vi tudo escurecer, mas antes de desmaiar, senti quando a mão dele me segurou pela cintura.

“Minha cabeça vai explodir!” Reclamo, levando minhas mãos às minhas têmporas.

Ao abrir os meus olhos, percebi que estava dentro de um carro. Nesse momento, sinto meu coração acelerar e olho para as minhas roupas com medo de que alguém tenha feito algo comigo.

“Não se preocupe, não costumo tocar em nenhuma mulher sem a permissão dela, e muito menos em alunas.” Disse Lohan, olhando fixamente para mim.

“O que eu estou fazendo aqui?”

“Queria que eu tivesse deixado-a naquela boate depois do que fez e ainda desacordada?” Seus olhos se desviaram de mim e se puseram sobre a janela do carro, enquanto seu motorista nos levava para algum lugar que não me era conhecido.

“Para onde está me levando?” Pergunto, receosa, mas de certa forma aliviada, pois sei que pelo menos ao lado dele estou segura.

“A minha casa! Mas não se preocupe, assim que ele me deixar em casa, vai deixá-la na sua.” Ele respondeu sem olhar para mim.

Percorremos todo o caminho em silêncio, e só percebi que havíamos chegado quando o carro parou em frente a um luxuoso hotel.

“Pensei que tivesse dito que iria para casa.” Comentei novamente, achando que tinha sussurrado, mas ele ouviu.

“Para mim, é uma casa!” Seus olhos se encontraram com os meus, deixando-me sem jeito.

“Não era para você ter ouvido…” Tentei me explicar.

“Eu sei!” Disse ele sorrindo. Pela primeira vez naquela noite, o semblante sombrio desapareceu do seu rosto, dando lugar ao mesmo sorriso que ele me deu na sala de aula.

Ele abriu a porta do carro para sair, mas antes de sair, perguntou:

“O que fazia naquele tipo de boate?”

“Precisava do dinheiro, digo, preciso do dinheiro, mas em minha defesa, achava que era como os outros trabalhos de garçonete que que costumo prestar para os restaurantes.”

“Entendi!” Sem sequer olhar para mim, ele abriu a porta do carro e se aproximou do motorista. Depois de alguns segundos, ele retornou, tirou sua carteira do bolso e me deu algumas notas de dinheiro.

“Aqui! É bem mais do que você receberia naquele lugar.”

“Eu não quero o seu dinheiro!” Recusei, me senti ofendida e lhe entreguei o dinheiro, mas ele insistiu.

“Disse que estava precisando do dinheiro…” Ele jogou o dinheiro próximo a mim.

“Veja isso como forma de pagamento pelo entretenimento que causou hoje… fazia tempo que não me divertia.”

Ao dizer isso, ele se dirigiu até a entrada do hotel, e o motorista me deixou na porta da minha casa.

De banho tomado, deito sobre a minha cama e olho em direção à minha escrivaninha, onde está o dinheiro que Lohan havia me entregado. “Que tipo de professor é ele?” Questiono antes de pegar no sono.

No dia seguinte, corro apressadamente para a faculdade, pedindo aos céus que não permitissem que eu me atrasasse novamente. “Obrigada!” Olho para cima para agradecer por ter chegado antes do professor, mas não vejo o céu e sim o teto da faculdade.

Caminho em direção a Rose, que aguardava ansiosamente a chegada do professor.

“Bom dia!” Disse ela com um sorriso radiante nos lábios.

“É sério, para de ler essas fanfics!” Digo, olhando para as olheiras que haviam em seus olhos, denunciando que ela não havia dormido direito na noite anterior.

“Silêncio, o professor chegou!” Ela se ajeitou na cadeira, e eu me virei em direção a ele, sentindo meu coração disparar e minhas mãos suarem.

Ele estava radiante naquela manhã, suas vestes ainda eram escuras, mas seus cabelos estavam propositalmente bagunçados, e sua camisa levemente levantada até o cotovelo dando um charme a mais na sua aparência.

“O que está fazendo?” Me repreendo ao perceber que estava igual a Rose, olhando para Lohan de forma abobalhada.

Naquele dia, Lohan decidiu passar um teste surpresa que nos ajudaria com a nota da prova final. Ele caminhava de cadeira em cadeira, olhando para todos os testes e explicando o que estava errado. Ao sentir que ele estava se aproximando de mim, minhas mãos tremeram, fazendo-me marcar a questão errada.

“Essa é uma questão simples, senhorita Cooper!” disse ele olhando para o meu teste.

“É que eu não entendi muito bem!”

Sim, era uma questão simples e eu sabia a resposta, mas não podia dizer que havia errado devido a ter ficado nervosa diante dele, já bastava o estranho momento que vivemos na noite anterior.

“Não se preocupe, eu irei te explicar.” Disse Lohan, curvando ainda mais o seu corpo em minha direção e apoiando sua mão esquerda na minha cadeira, onde estavam apoiadas as minhas costas.

Lohan começou a explicar, mas confesso que meus olhos estavam sobre o seu braço, mais especificamente sobre suas veias salientes.

“Sua mão é grande.” Sussurrei, enquanto me lembrava que aquela mesma mão estava sobre a minha cintura na noite anterior, segurando-me firmemente.

“Não deveria pensar tão alto.” Ele sussurrou para mim, com um certo sorriso nos lábios. Senti no mesmo instante minhas bochechas ruborizarem e uma vontade louca de cavar um buraco e enterrar a minha cabeça nele.

“Entendeu?” Ele olhou novamente para mim e apenas assenti com a cabeça e ele se afastou de mim.

“Depois do almoço eu entrego a vocês.” Disse ele, saindo da sala.

Naquele dia, a fome fugiu de mim, trazendo estranheza para Rose.

“Nunca te vi recusar comida… fala logo o que aconteceu!”

Rose me conhecia perfeitamente e sabia quando estava ou não bem. Expliquei toda a situação para ela sem envolver o nome de Lohan, e ela logo começou a me shippar com o senhor desconhecido.

“Sério, só para Rose! Qualquer situação você lembra que já leu em algum lugar.”

Assim que o almoço terminou, retornamos à sala de aula e encontramos Lohan com uma expressão totalmente diferente de minutos antes. Ele entregou os testes, e pelas expressões dos meus colegas de classe, todos foram bons, mas por que Lohan estava tão sério?

Capítulo 3

Lohan passou o restante da aula com uma expressão séria, respondendo curtamente e evitando me olhar.

"Será que fiz algo?" questionei a mim mesma. Ao final da aula, sua voz cortou o silêncio: "Senhorita Cooper, permaneça na sala."

"O que você fez agora?" Rose perguntou, mas eu apenas a encarei, confusa com a situação.

Assim que todos saíram, me aproximei da mesa de Lohan e ele colocou um papel sobre ela.

"Pode me explicar isso, senhorita Cooper?"

Peguei o bilhete e li:

"Obrigada por ontem!" Pela expressão dele, pensei que fosse algo grave, mas era apenas um agradecimento.

“Por que fez isso?” Perguntou sério, enquanto me encarava.

"Desculpe desapontá-lo, mas não fui eu! Sou grata pelo que fez, mas não enviei nenhum bilhete." Respondi, já perdendo a paciência.

"Se não foi você, quem foi?"

"Não sei quem foi, mas sei que não fui eu!"

me aproximei ainda mais dele, olhando em seus olhos, entregando-lhe o bilhete.

"E outra coisa, se está preocupado que eu tenha algum interesse em você, pode ficar tranquilo... você é o último homem por quem me interessaria, não faz o meu tipo!" Disse, olhando-o dos pés à cabeça.

Sem esperar por uma resposta, saí da sala, sentindo um golpe no meu ego. Ele pode ser meu professor, mas ficar ofendido por pensar que sinto algo por ele é frustrante demais para meu orgulho.

Enquanto trabalho como garçonete em mais uma noite no restaurante, tudo o que consigo pensar é na atitude arrogante de Lohan mais cedo.

"Quem ele pensa que é?" Estou tão furiosa que mal consigo me concentrar. Decidida a tomar uma atitude, vou até o hotel onde ele está hospedado para devolver o dinheiro que me deu.

Ao chegar em frente ao hotel, sinto a raiva aumentar só de pensar em vê-lo novamente. Entro e pergunto por ele na recepção.

"O senhor Lohan Martins está aqui?"

A recepcionista me olha e diz:

"Você deve ser a senhorita que ele está esperando... pode subir!"

Decidida a enfrentá-lo e devolver o dinheiro, subo até o quarto em que ele está hospedado. Bato na porta e escuto ele me chamando para entrar, sua surpresa ao me ver é evidente.

"O quê? achou que eu fosse a prostituta que estava esperando?" confronto.

Ele parece confuso e pergunta:

"O que está fazendo aqui? Como conseguiu subir?"

"A recepcionista achou que eu fosse a prostituta que você chamou.” Respondi com sarcasmo.

Não sei por que, mas dizer isso só aumenta minha raiva.

"Que prostituta o quê? Você está louca!" Ele nega.

Sem dar chance para mais discussões, jogo o dinheiro sobre ele e me viro para sair.

“Tá louca, mulher!” Ele gritou. Foi a primeira vez que o vi bravo, e naquele momento exato, me arrependi de ter vindo.

"O que acha que está fazendo?" Perguntou ele segurando o meu braço.

"Eu... eu..."

Droga, fiquei tão nervosa que não conseguia formular uma frase sequer.

"Eu o quê, algum gato comeu sua língua?"

Ele perguntou, apertando meu braço ainda mais.

"Me solta!" Disse, puxando meu braço e correndo em direção ao elevador. Seus pés seguiram em minha direção, mas pararam quando ouviu o telefone do hotel tocar.

Em frente ao elevador apertei todos os botões, mas nenhum fez a porta abrir.

Finalmente, quando abriu, senti Lohan me puxar e me levar para o seu quarto.

"O que está fazendo?" Perguntei ao vê-lo fechar a porta.

"Já disse que não toco em nenhuma mulher sem permissão, especialmente alunas." Ele disse ao notar o medo em meu rosto.

"Agora preciso que você entre aqui e permaneça em silêncio."

Tudo aconteceu tão rápido que só percebi que estava em um banheiro quando ouvi uma voz feminina falando com ele.

"Quem é ela?" Pensei, entendendo por que ele me colocou ali dentro. Aquela mulher devia ser alguém importante, e ele não queria que ela me visse ao seu lado.

“Quanto tempo, Lohan..." disse a mulher, seu perfume agradável exalando até no banheiro. "O que quer?" Ouvi ele dar alguns passos, então abrir um pouco a porta do banheiro, e os vi.

A mulher estava elegantemente vestida, olhando para ele de uma forma diferente.

"Será que ela gosta dele?" Me perguntei ao vê-la olhando para ele daquela maneira.

"Com certeza ele gosta dela!" Pensei, sentindo uma pontada de desconforto ao perceber a forma que ele a olhava.

"Você sabe por que estou aqui", ela se aproximou dele, mas ele se afastou, indicando que algo havia acontecido entre os dois.

"Diga àquele homem que não quero me envolver com ele", disse ele, com uma expressão enigmática.

"Aquele homem é seu pai! Ele está doente e deseja ver o filho antes de morrer", ela explicou.

"Aquele homem é apenas meu progenitor, sempre me desprezou por ser um filho bastardo", retrucou ele.

"Não diga isso, olhe o que ele tem feito por você... veja o luxo em que vive, é porque ele te ama", ela argumentou apontando para o luxuoso quarto em que Lohan vivia.

"Da mesma forma que você me amava?"

"Lohan... isso foi há muito tempo."

"Eu sei! Meu irmão deve estar feliz por saber que ele casou com a namorada do próprio irmão.” havia ironia em sua voz.

Sentir um certo peso sobre o meu peito ao descobrir um pouco sobre a história de Lohan, e agora entendo por que ele é assim. Fui criada em um lar cheio de amor, e minha mente às vezes se perturba; imagine a dele, que além de ter vivido como um bastardo e sido rejeitado pelo próprio pai, ainda foi trocado pela pessoa que amava e, pior ainda, pelo próprio irmão.

A raiva que estava sentindo por ele se dissipou, mas em compensação, minha raiva se acendeu por ela.

Meu coração acelerou ao vê-la se aproximar dele e perceber que ele cederia a qualquer coisa que ela fizesse. Decidi abrir a porta do banheiro e sair.

"Amor, quando me disse que teria uma conversa calorosa, não sabia que era dessa forma…”

Agora, com os dois olhando para mim, percebi que não foi uma boa ideia ter feito isso.

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