Capa do Romance Presa sem saída

Presa sem saída

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Após flagrar a traição de seu noivo com sua prima, Anya busca refúgio em uma noite com o misterioso Alexei. Contudo, um pacto familiar forçado os obriga ao matrimônio. Alexei, convicto de uma armadilha, passa a atormentá-la, enquanto Anya tenta preservar sua dignidade. O surgimento de Viktor abala essa união hostil, culminando em uma fuga desesperada: Anya parte com o amigo de Alexei, carregando um segredo que mudará tudo. Conseguirá o amor superar o rancor do passado?

Presa sem saída Capítulo 1

A mansão Ivanov brilhava com luzes e decorações festivas. Era o 70º aniversário do avô de Anya, Vladimir, e toda a família havia se reunido para celebrar.

Anya se olhou no espelho, admirando seu elegante vestido vermelho que abraçava suas curvas. Aquela noite era especial por duas razões: não só compartilharia a felicidade de seus amados avós, como também esperava que seu namorado, Misha, a pedisse em casamento após anos de namoro.

"Tia, você está linda, querida," sussurrou sua tia, abraçando-a por trás. "Misha é um homem de sorte."

Anya sorriu radiante. "Obrigada, tia. Sinto que esta noite será mágica."

Desceram para o grande salão onde a festa estava em seu auge. Familiares e amigos riam, dançavam e brindavam pela feliz ocasião. Anya procurou Misha entre a multidão, ansiosa para estar ao seu lado.

"Ei, você viu Misha?" perguntou a melhor amiga de sua prima Katya com um sorriso malicioso. "Talvez ele tenha se cansado de esperar e foi procurar uma companhia mais... interessante."

Anya a fulminou com o olhar. Katya e suas amigas sempre tinham inveja de seu relacionamento com Misha.

"Cala a boca, víbora. Misha me ama."

A garota soltou uma risada zombeteira e se afastou se contorcendo. Anya sentiu uma pontada de inquietação. Onde estava Misha? Decidida a encontrá-lo, abriu caminho entre os convidados em direção às escadas.

Subiu para o segundo andar e percorreu o corredor, verificando cada quarto. Então ouviu ruídos suspeitos vindos do banheiro principal. Com o coração acelerado, abriu a porta de repente.

O que viu a deixou paralisada. Misha e Katya estavam fazendo sexo desenfreado contra a pia, gemendo e ofegando sem pudor.

"Malditos bastardos!" gritou Anya, seus olhos se encheram de lágrimas de raiva e traição.

Misha e Katya se separaram bruscamente, tentando se cobrir com as toalhas.

"A-Anya, meu amor, posso explicar..." balbuciou Misha, pálido como um fantasma.

Mas Anya já não ouvia. O choque inicial se transformou em uma fúria cega. Ela avançou e deu um tapa em Misha com todas as suas forças.

"Filho da puta! Como você pôde fazer isso comigo, e com a minha própria prima!"

Katya sorriu com satisfação.

"Aceite, Anya, você nunca foi mulher o suficiente para satisfazer Misha. Ele sempre vinha procurar em mim o que você não queria dar a ele."

Anya se lançou sobre Katya, puxando seu cabelo e arranhando seu rosto.

"Vadia traidora! Sempre soube que você é uma cobra venenosa!"

Misha tentou separá-las, mas Anya lhe deu uma joelhada certeira na virilha, fazendo-o dobrar de dor.

"Que se dane vocês dois! Espero que apodreçam juntos no inferno!"

E com essas palavras, Anya saiu correndo do banheiro, com a maquiagem borrada e o vestido rasgado, sob os olhares atônitos dos convidados que se aglomeraram atraídos pelos gritos.

Humilhada e destroçada, Anya fugiu da mansão sem olhar para trás. Seu conto de fadas havia se transformado em um pesadelo grotesco. Precisava urgentemente afogar suas mágoas em álcool e esquecimento.

Anya entrou no bar, com o coração destroçado e a raiva correndo por suas veias. O ambiente era escuro e cheio de fumaça, perfeito para se perder e esquecer. Sentou-se no balcão e fez um sinal para o barman.

"Vodka. Duplo. E continue vindo."

O barman, um homem mais velho com um bigode espesso, a olhou com compreensão.

"Parece que alguém teve uma noite difícil."

Anya soltou uma risada amarga.

"Você não faz ideia."

"Bem, aqui está sua medicina," o barman lhe serviu um copo generoso de vodka. "Cortesia da casa. Parece que você precisa."

"Obrigada," Anya tomou o copo e o esvaziou de um gole, sentindo o líquido queimar sua garganta.

"Uau, isso é que é saber beber," uma voz profunda e masculina chamou sua atenção.

Anya se virou e encontrou um par de olhos verdes que a olhavam com intensidade. O homem era alto, de cabelo escuro e traços esculpidos. Vestia um terno sob medida que acentuava seu corpo atlético. Exalava uma confiança e um magnetismo animal que fez Anya estremecer.

"Está espiando uma dama em apuros?" perguntou Anya, levantando uma sobrancelha.

O homem sorriu de lado, com um gesto travesso e sedutor.

"Não pude deixar de notar uma mulher linda bebendo como se quisesse esquecer até seu nome."

"Talvez seja exatamente isso que eu quero," Anya deu de ombros. "Esquecer."

Ele se sentou ao lado dela, fazendo um sinal para o barman.

"Outra rodada para a dama, e um uísque para mim," depois voltou-se para Anya. "E o que é tão terrível que você quer esquecer, se posso perguntar?"

Anya o estudou por um momento. Normalmente, não falaria com estranhos, mas havia algo nesse homem que a atraía como um ímã. Talvez fosse o álcool, ou o desejo de vingança, ou simplesmente a necessidade de sentir algo além de dor.

"Digamos que acabei de descobrir que meu namorado e minha prima são uns traidores," cuspiu Anya.

"Ouch," o homem fez uma careta. "Isso deve doer."

"Como o inferno," Anya tomou outro gole. "Mas sabe de uma coisa? Que se dane eles. Esta noite, só quero me divertir e mandar tudo para o inferno."

O homem sorriu, um brilho travesso apareceu em seus olhos.

"Essa é a atitude. Olha, sei que sou um desconhecido, mas se quiser desabafar ou simplesmente passar um bom momento, estou aqui."

Anya considerou. Uma parte dela sabia que isso era uma loucura, mas a outra parte, a que estava ferida e furiosa, ansiava por um pouco de consolo e emoção.

"Está bem, senhor misterioso," Anya estendeu a mão. "Aceito sua oferta, mas com uma condição, nada de nomes. Esta noite, somos apenas dois desconhecidos em um bar."

Ele apertou sua mão, e Anya sentiu uma descarga elétrica ao contato.

"Fechado, bela desconhecida."

As horas seguintes passaram entre drinks, risadas e uma conversa cada vez mais carregada de insinuações.

Anya se encontrou cativada pelo charme e carisma daquele estranho. Ele a fazia sentir desejada, empolgada, viva.

Em algum momento, entre o vodka e os toques sutis, suas bocas se encontraram em um beijo apaixonado e desesperado. Eles se devoraram, sem se importar que estivessem em um lugar público.

"Vamos para o meu hotel," sussurrou ele contra seus lábios. "Quero fazer você esquecer até seu nome."

Anya, perdida em um turbilhão de luxúria e adrenalina, assentiu febrilmente.

Pegaram um táxi, sem parar de se beijar e acariciar. Chegaram a um hotel luxuoso, e entre risos e beijos desajeitados, se dirigiram ao elevador. Assim que as portas se fecharam, ele a empurrou contra a parede, prendendo seus pulsos sobre a cabeça.

"Você é um sonho realizado," rosnou ele, mordiscando seu pescoço. "Não posso esperar para tê-la em minha cama."

Anya gemeu, se esfregando contra ele.

"Então não me faça esperar."

Chegaram ao quarto em um frenesi de mãos ansiosas e roupas arrancadas. Caíram na cama, seus corpos nus se entrelaçando em uma dança frenética de prazer e desejo.

"Oh, Deus," arquejou Anya quando ele se afundou nela, uma dor lancinante ameaçou parti-la ao meio, mas depois disso, foi invadida por um turbilhão de sensações.

Ele começou a investida com um ritmo castigador. Anya se perdeu nas sensações, no êxtase de ser tomada por aquele homem misterioso que a fazia se sentir tão viva.

Fizeram amor com abandono e paixão, perdidos em um mundo onde só existiam eles dois e o prazer que proporcionavam um ao outro. Chegaram ao clímax juntos, gritando de êxtase.

Depois, exaustos e saciados, adormeceram nos braços um do outro, sem saber o nome de seu amante e sentindo uma conexão inegável.

Mas quando a manhã chegou, Anya despertou sobressaltada. As lembranças da noite anterior a inundaram com culpa e vergonha. O que tinha feito? Entregou-se a um perfeito desconhecido em um acesso de despeito e loucura.

Silenciosamente, levantou-se da cama, recolhendo suas roupas espalhadas pelo chão. Vestiu-se com mãos trêmulas, olhando para o homem que dormia profundamente, com uma expressão pacífica no belo rosto.

Uma parte dela queria ficar, explorar essa conexão inesperada. Mas o medo e a realidade foram mais fortes. Aquilo havia sido um erro, uma noite de fraqueza que precisava esquecer.

Com o coração apertado, Anya saiu do quarto sem olhar para trás, afastando-se de seu amante misterioso e de uma parte de si mesma.

Quando Alexei acordou algumas horas depois, encontrou-se sozinho em uma cama vazia, com o aroma de sua amante ainda impregnado nos lençóis. Procurou alguma nota, alguma pista de seu paradeiro, mas não encontrou nada.

Deixou-se cair nas almofadas com um suspiro frustrado. Aquela mulher tinha sido um sonho realizado, um bálsamo para sua alma solitária. E agora ela tinha ido embora, deixando-o com um anseio inquietante e muitas perguntas sem resposta.

Mas enquanto se banhava, um pensamento o atingiu como um raio. Lembrou-se dos lençóis manchados de sangue, a expressão de dor no rosto dela durante seu encontro apaixonado.

"Era virgem," murmurou Alexei, apoiando a testa nos azulejos frios.

Uma sensação estranha o invadiu, sentia-se confuso. Quem era aquela mulher misteriosa? Por que havia fugido sem deixar rastro?

Alexei apertou os punhos, sentindo uma mistura de ira e desejo.

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