Capítulo 2

- Quantos anos tem Lila?. Jacke me pergunta.

- Tenho 17,mas daqui algumas horas faço 18. E você?.

- Olha,não conta pra ninguém, ou eles não vão me deixar ficar aqui,mas eu tenho 19. Ela fala cochichando enquanto olha para todos os lados.

- Uau,e o que faz aqui?. Perguntei surpresa.

- Minha família estava me obrigando a casar com um homem muito cruel,de quem eu tenho muito medo. Então eu pulei em um lago para me suicidar,mas aí acabei acordando aqui, caída na grama e ao lado de outro lago.

Quando ela fala eu percebo que as roupas dela estavam molhadas. Mas é impossível ela ter caído em um lago do outro lado do mundo e vir parar aqui. Mas não queria assusta-lá,então não perguntei mais sobre isso.

- E não pretende ir embora daqui?. Perguntei.

- Não tenho para onde ir e nem sei onde estou.

- Bom,eu vou embora amanhã, se quiser vir comigo. Falei e ela balançou a cabeça animada enquanto sorria.

- Graças a Ala,obrigada Lila,agora terei onde viver,obrigada. Ela se levantou e estava prestes a se ajoelhar na minha frente quando a parei.

- Não!,por favor não faça isso. Ela apenas sorriu e voltou a comer.

- Mas me explica melhor isso de ser a herdeira. Falei e ela ficou novamente nervosa.

- Existem boatos,da família Jackson,a família mágica que muda o final das estórias. E eu acabei de descobrir que isso é verdade,você, Lila Jackson,acabou de mudar o final da minha. Ela falou enquanto comia.

- O que!?. Eu fiquei sem entender e fiz uma careta de confusa. Essa mulher só pode estar louca,família que muda o final das estórias?,o que isso significa?.

Eu queria perguntar mas me segurei,talvez ela ainda estivesse assustada com a ideia de ser forçada a se casar,e estivesse delirando.

Depois que terminei a refeição, ela também terminou e caminhou atrás de mim ate o quarto.

- Você não me parece ter 19 anos,parece bem mais nova. Falei e ela riu.

- Normal,eu sempre me cuidei para isso. Espero que dure por muitos anos esse rostinho de garota. Ela falou tocando as bochechas e eu ri.

A acomodei em minha cama no canto e eu na ponta.

- Não faça barulho,outras meninas dormem aqui e elas podem não gostar de uma estranha. Falei e ela assentiu.

- Boa noite Lila,e obrigada. Ela falou.

- Boa noite,Jacke.

Fechei os olhos e rapidamente peguei no sono.

...

No dia seguinte acordo com Jacke aos gritos.

- Lila,Lila,tinha garotos aqui, eles estavam aqui no quarto das meninas,e sem camisa. Aah que haraam!,espero que Ala me perdoe por ter visto aquilo. Ela falou balançando a cabeça em negação.

- Tudo bem Jacke,as meninas que dormem aqui tem namorados,e as vezes eles vem aqui e elas vão no quarto deles. Expliquei enquanto me espreguiçava e bocejava.

- Por Ala,é pecado,não pode. Espero que Ala tenha piedade.

Me seguro para não rir e saio da cama.

- Já tomou café da manhã?. Perguntei enquanto ia para o banheiro.

- Não, não queria encontrar com mais garotos. Ontem havia vários na cantina,isso é errado. Como sua diretora permite isso?. Ela fala enquanto arruma a cama.

- Bom,aqui as coisas são diferentes do seu país. Falei cuspindo e enxaguando a boca.

- Percebi. Ela termina de arrumar a cama e vem ate mim. - Quando vamos embora?. Ela pergunta.

- Daqui a pouco,eu vou só passar na diretoria pegar alguns documentos lá,e depois já vamos.

Ela concordou e se sentou me esperando.

- Não quer se trocar?. Perguntei.

- Não trouxe roupas,e aqui não deve ter nenhuma que eu tenha o costume de vestir.

- Eu tenho um sari que era da minha mãe. Ela adorava as estórias,as roupas e as danças do seu país.

- Adorava?. Jacke pergunta enquanto me segue até o meu baú, que é onde guardo minhas coisas mais importantes,e minhas roupas.

- Sim,ela morreu. Falei entregando o belo sári. - Esta com um pouco de poeira,mas é o que temos. Comecei a bater as mãos e Jacke me abraçou.

- Sinto muito querida Lila. Ela fala com a voz embargada.

- Não precisa chorar,esta tudo bem?. Falei dando tapinhas nas costas dela.

Ela me soltou e foi se trocar no banheiro. Quando saiu,eu admirei o sári. Caiu perfeitamente nela,e ela estava idêntica a minha mãe.

- Eu amo saris,mas meu pai não gostava muito porque eles não se usam com hijabe. Ela falou enquanto dobrava suas roupas.

- Entendo. Mas é tão bonito né. Eu falo enquanto toco o delicado tecido,que era azul escuro com bordados brancos. - Achei que as mulheres do seu país usassem muitas jóias, onde estão as suas?. Perguntei enquanto pegava uma roupa pra mim.

- E usam,só que eu perdi as minhas quando cai no poço. Ela respondeu e eu fiquei confusa.

- Caiu em um poço?,achei que tivesse tentado se suicidar de jogando em um lago. Falei erguendo uma sombrancelha.

- É, é isso mesmo. É que eu me confundi. Ela falou e um sorriso nervoso e trêmulo apareceu em seus lábios.

Eu ignorei e depois de me vestir comecei a fazer minhas malas. Em seguida fui ate a sala da diretora.

- Bom dia. A cumprimentei depois de receber autorização para entrar.

- Bom dia srt. Jackson,chegou o grande dia. Ela falou enquanto guardava alguns papeis e pegava outros.

- Sim. Vim buscar meus documentos e papéis. Falei enquanto fechava a porta e me aproximava da mesa dela.

- Claro,só um minuto. Ela foi ate o cofre e depois de um minuto voltou.

- Aqui esta tudo,passaporte, identidade, contas bancárias, e o mais importante,o endereço da casa do seu avô. Ela me entrega tudo e sinto o sangue do meu corpo sumir.

- Como assim o endereço da casa do meu avô?. Perguntei tentando me controlar.

- Achei que soubesse,você tem um avô Lila, que morreu semana passada infelizmente. Lembro que pedi para Lari te avisar da morte dele. A diretora falou.

E a lembrança do dia em que Lari veio falar comigo veio na minha mente,porem eu não acreditei nela, achei que estivesse zombando de mim.

Peguei o envelope com tudo e sai sem ne despedir. Assim que passei pela porta,Jacke estava lá.

Com seu corpo e rosto de livros,isso ainda não saiu da minha cabeça. Ela parecia com a princesa do filme do Aladim, só faltava os cabelos negros,mas ate a cintura era super fina.

Ver ela foi bom,me distraiu da ideia de que eu tinha um avô todo esse tempo e que ele morreu semana passada.

- Então vamos?. A perfeita Jacke pergunta.

- Sim. Peguei minhas malas e o motorista que nos levara pegou meu baú.

Entrei no carro com Jacke e apoiei minha testa na janela do carro,e vários pensamentos começaram a circular a minha mente.

- Olha,parece que vai chover. Foi a última coisa que ouvi Jacke falar antes de eu me desligar de tudo.

Se eu tinha um avô, por que ele não veio atrás de mim?,por que não me adotou e cuidou de mim?,por que não me deu o amor que eu tanto precisei?.

Lágrimas escorrem por minhas bochechas sem que eu consigo as controlar.

Capítulo 3

×Vovô Jackson×

Anos antes...

Chego na casa da minha filha e ela me entrega minha neta,a pequena Lila.

- Pai,leve Lila para o orfanato combinado,e não a tire de lá ate seu aniversário de 18 anos. Não deixe que ela descubra sobre nossa história, sobre a magia da família Jackson. Não quero que ela sofra como o pai dela e eu. Minha filha Layla fala aflita enquanto me entrega a pequena mala de Lila.

- Filha não vá,eu sei que vamos conseguir resolver. Falei com olhos marejados.

- Não vamos pai,ele descobriu a passagem que vem para o mundo real,e vira atrás de nos,e eu não posso arriscar a vida de Lila. Layla entra na casa e depois de alguns minutos volta com minha neta.

- Querida,você vai com o vovô e se comporte. Ela fala pra filha enquanto beija a testa da pequena e a abraça.

Vejo minha filha chorar e meu coração se parte. Eu deveria ter falado sobre as regras da magia para Layla e Marcos,eles tinham que saber.

- Me perdoe filha,a culpa é minha. Se eu tivesse falado sobre as consequências. Eu falo com lágrimas escorrendo pelo meu rosto.

- Eu teria errado mesmo assim pai,o sr sabe como sou teimosa. Layla força um sorriso e me abraça. - Eu te amo pai,cuide da minha filha pra mim. Ela fala e depois me solta.

- Agora vão, se vocês não estiverem longe o bastante...

- Ele também nos pega,eu sei. Guardei a mala de Lila e olhei para Laila uma ultima vez. - Adeus filha,eu te amo. Falei e depois entrei na carro.

- Para onde vamos vovô?. Lila pergunta enquanto brinca com seu coelhinho.

- Vamos viajar. Pode dormir se quiser,vai demorar um pouco. Falei e ela balançou a cabeça e se acomodou no banco.

Eu dirigi ate o orfanato mais afastado da cidade,que era onde minha filha queria que eu deixasse Lila.

Lá é um lugar sem energia e desconectado do mundo,e mesmo se tivesse algo,os grandes muros não vão deixar que ele venha atrás de Lila.

Depois de estacionar na entrada do orfanato,eu entrego minha pequena neta a diretora do local.

- Adeus pequena, espero vê-lá novamente um dia. Falei beijando a testa da minha neta que ainda esta dormindo.

- Não se preocupe,ela esta protegida aqui. A diretora falou e eu acenei com a cabeça e depois fui embora.

E essa foi a última vez que pisei naquele orfanato.

Depois que cheguei minha filha já havia desaparecido ,assim como meu genro. Eu chorei muito,mas fui obrigado a ser forte.

Vendi todos os bens deles e depositei em uma conta.

Depois disso,comecei a me preparar para a morte,pois sabia que ela estava perto.

...

Uma semana atrás...

Estou tossindo em meu leito de morte,olho para o paninho na minha mão que esta molhado de sangue.

O médico que me examina não tem uma expressão muito boa.

- Quanto tempo tenho doutor?. Eu pergunto quase sem ar.

- Sinceramente?,uma semana no máximo. Ele fala enquanto me olha com pena. - Tem alguem que queira se despedir?. Ele pergunta.

- Sim,mas não posso fazer isso pessoalmente. Traga para mim um caderno e uma caneta,por favor. Pedi e ele o fez.

Depois que o médico saiu,eu comecei a escrever a carta com minhas últimas forças. Nela eu contava sobre a magia da família e como ela funcionava.

Eu não queria fazer isso,mas Lila tem o direito de ver seus pais novamente.

No final da carta,coloco a regra da magia :

Lila tome cuidado,você pode entrar e sair das estórias quantas vezes quiser, mas não pode NUNCA,alterar algo importante, impedindo algo que deve acontecer, ou você se tornara parte da estória, e ficará presa nela,para sempre. E também não deve NUNCA...

Antes que eu consiga terminar eu começo a tossir muito e minhas vistas ficarem escuras.

- Margo!,Valéria!,Alguem me ajude,eu preciso terminar. Eu grito com minha pouca força. Mas assim que a porta é aberta,minha vista se apaga completamente.

×Margo×

Choro muito ao ver o sr. Jackson pálido e sem vida. Valeria tenta me acalmar mas ela também chora muito.

O corpo dele é levado e eu começo a organizar o quarto. Quando vou arrumar a cama,vejo algumas cartas escritas. Não me atrevo a ler depois de vê que são para a neta dele,Lila.

Apenas as dobro e guardo dentro do livro que estava em cima da cama. Parecia que era o preferido dele e da filha dele,Laila,já que ele estava sempre com esse livro do lado.

Fecho as cortinas do quarto,e com muitas lagrimas e um adeus,eu fecho a porta e saio do quarto.

Termino de organizar a casa com a ajuda das outras empregadas e aviso o orfanato onde Lila esta,que o avô da menina faleceu.

Escuto os soluços da diretora,que logo param e ela se despede.

O sr. Jackson era muito querido, e espero que ele nunca seja esquecido.

...

Todos ja foram embora,estou apenas eu na porta,com minhas malas na mão. Dou uma ultima olhada na casa,e quando estou pronta para sair,escuto o telefone.

- Alô?. Falo ao atender a chamada.

- O corpo do sr. Jackson,sumiu. Uma voz masculina fala e meu rosto fica pálido.

Sangue de Jesus tem poder. Desligo o telefone e faço o sinal da cruz e depois saio correndo da casa.

Esse lugar tem um clima estranho a anos,e depois a filha do sr. Jackson morre,e o corpo some,assim como o do marido. E agora o sr. Jackson morre e o corpo também some!?. Deus me livre,eu vou é sumir daqui.

Tranco a porta e coloco a chave no vaso de plantas. Parece que a srt. Lila vai vir morar aqui em breve,e se for verdade ela precisa entrar ne.

Entro no taxi e fui embora. Vou sentir muita falta do sr. Jackson,ele era um homem bom,mas não quero vê-lo de jeito nenhum. Que os mortos continuem mortos.

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