- Quantos anos tem Lila?. Jacke me pergunta.
- Tenho 17,mas daqui algumas horas faço 18. E você?.
- Olha,não conta pra ninguém, ou eles não vão me deixar ficar aqui,mas eu tenho 19. Ela fala cochichando enquanto olha para todos os lados.
- Uau,e o que faz aqui?. Perguntei surpresa.
- Minha família estava me obrigando a casar com um homem muito cruel,de quem eu tenho muito medo. Então eu pulei em um lago para me suicidar,mas aí acabei acordando aqui, caída na grama e ao lado de outro lago.
Quando ela fala eu percebo que as roupas dela estavam molhadas. Mas é impossível ela ter caído em um lago do outro lado do mundo e vir parar aqui. Mas não queria assusta-lá,então não perguntei mais sobre isso.
- E não pretende ir embora daqui?. Perguntei.
- Não tenho para onde ir e nem sei onde estou.
- Bom,eu vou embora amanhã, se quiser vir comigo. Falei e ela balançou a cabeça animada enquanto sorria.
- Graças a Ala,obrigada Lila,agora terei onde viver,obrigada. Ela se levantou e estava prestes a se ajoelhar na minha frente quando a parei.
- Não!,por favor não faça isso. Ela apenas sorriu e voltou a comer.
- Mas me explica melhor isso de ser a herdeira. Falei e ela ficou novamente nervosa.
- Existem boatos,da família Jackson,a família mágica que muda o final das estórias. E eu acabei de descobrir que isso é verdade,você, Lila Jackson,acabou de mudar o final da minha. Ela falou enquanto comia.
- O que!?. Eu fiquei sem entender e fiz uma careta de confusa. Essa mulher só pode estar louca,família que muda o final das estórias?,o que isso significa?.
Eu queria perguntar mas me segurei,talvez ela ainda estivesse assustada com a ideia de ser forçada a se casar,e estivesse delirando.
Depois que terminei a refeição, ela também terminou e caminhou atrás de mim ate o quarto.
- Você não me parece ter 19 anos,parece bem mais nova. Falei e ela riu.
- Normal,eu sempre me cuidei para isso. Espero que dure por muitos anos esse rostinho de garota. Ela falou tocando as bochechas e eu ri.
A acomodei em minha cama no canto e eu na ponta.
- Não faça barulho,outras meninas dormem aqui e elas podem não gostar de uma estranha. Falei e ela assentiu.
- Boa noite Lila,e obrigada. Ela falou.
- Boa noite,Jacke.
Fechei os olhos e rapidamente peguei no sono.
...
No dia seguinte acordo com Jacke aos gritos.
- Lila,Lila,tinha garotos aqui, eles estavam aqui no quarto das meninas,e sem camisa. Aah que haraam!,espero que Ala me perdoe por ter visto aquilo. Ela falou balançando a cabeça em negação.
- Tudo bem Jacke,as meninas que dormem aqui tem namorados,e as vezes eles vem aqui e elas vão no quarto deles. Expliquei enquanto me espreguiçava e bocejava.
- Por Ala,é pecado,não pode. Espero que Ala tenha piedade.
Me seguro para não rir e saio da cama.
- Já tomou café da manhã?. Perguntei enquanto ia para o banheiro.
- Não, não queria encontrar com mais garotos. Ontem havia vários na cantina,isso é errado. Como sua diretora permite isso?. Ela fala enquanto arruma a cama.
- Bom,aqui as coisas são diferentes do seu país. Falei cuspindo e enxaguando a boca.
- Percebi. Ela termina de arrumar a cama e vem ate mim. - Quando vamos embora?. Ela pergunta.
- Daqui a pouco,eu vou só passar na diretoria pegar alguns documentos lá,e depois já vamos.
Ela concordou e se sentou me esperando.
- Não quer se trocar?. Perguntei.
- Não trouxe roupas,e aqui não deve ter nenhuma que eu tenha o costume de vestir.
- Eu tenho um sari que era da minha mãe. Ela adorava as estórias,as roupas e as danças do seu país.
- Adorava?. Jacke pergunta enquanto me segue até o meu baú, que é onde guardo minhas coisas mais importantes,e minhas roupas.
- Sim,ela morreu. Falei entregando o belo sári. - Esta com um pouco de poeira,mas é o que temos. Comecei a bater as mãos e Jacke me abraçou.
- Sinto muito querida Lila. Ela fala com a voz embargada.
- Não precisa chorar,esta tudo bem?. Falei dando tapinhas nas costas dela.
Ela me soltou e foi se trocar no banheiro. Quando saiu,eu admirei o sári. Caiu perfeitamente nela,e ela estava idêntica a minha mãe.
- Eu amo saris,mas meu pai não gostava muito porque eles não se usam com hijabe. Ela falou enquanto dobrava suas roupas.
- Entendo. Mas é tão bonito né. Eu falo enquanto toco o delicado tecido,que era azul escuro com bordados brancos. - Achei que as mulheres do seu país usassem muitas jóias, onde estão as suas?. Perguntei enquanto pegava uma roupa pra mim.
- E usam,só que eu perdi as minhas quando cai no poço. Ela respondeu e eu fiquei confusa.
- Caiu em um poço?,achei que tivesse tentado se suicidar de jogando em um lago. Falei erguendo uma sombrancelha.
- É, é isso mesmo. É que eu me confundi. Ela falou e um sorriso nervoso e trêmulo apareceu em seus lábios.
Eu ignorei e depois de me vestir comecei a fazer minhas malas. Em seguida fui ate a sala da diretora.
- Bom dia. A cumprimentei depois de receber autorização para entrar.
- Bom dia srt. Jackson,chegou o grande dia. Ela falou enquanto guardava alguns papeis e pegava outros.
- Sim. Vim buscar meus documentos e papéis. Falei enquanto fechava a porta e me aproximava da mesa dela.
- Claro,só um minuto. Ela foi ate o cofre e depois de um minuto voltou.
- Aqui esta tudo,passaporte, identidade, contas bancárias, e o mais importante,o endereço da casa do seu avô. Ela me entrega tudo e sinto o sangue do meu corpo sumir.
- Como assim o endereço da casa do meu avô?. Perguntei tentando me controlar.
- Achei que soubesse,você tem um avô Lila, que morreu semana passada infelizmente. Lembro que pedi para Lari te avisar da morte dele. A diretora falou.
E a lembrança do dia em que Lari veio falar comigo veio na minha mente,porem eu não acreditei nela, achei que estivesse zombando de mim.
Peguei o envelope com tudo e sai sem ne despedir. Assim que passei pela porta,Jacke estava lá.
Com seu corpo e rosto de livros,isso ainda não saiu da minha cabeça. Ela parecia com a princesa do filme do Aladim, só faltava os cabelos negros,mas ate a cintura era super fina.
Ver ela foi bom,me distraiu da ideia de que eu tinha um avô todo esse tempo e que ele morreu semana passada.
- Então vamos?. A perfeita Jacke pergunta.
- Sim. Peguei minhas malas e o motorista que nos levara pegou meu baú.
Entrei no carro com Jacke e apoiei minha testa na janela do carro,e vários pensamentos começaram a circular a minha mente.
- Olha,parece que vai chover. Foi a última coisa que ouvi Jacke falar antes de eu me desligar de tudo.
Se eu tinha um avô, por que ele não veio atrás de mim?,por que não me adotou e cuidou de mim?,por que não me deu o amor que eu tanto precisei?.
Lágrimas escorrem por minhas bochechas sem que eu consigo as controlar.
×Vovô Jackson×
Anos antes...
Chego na casa da minha filha e ela me entrega minha neta,a pequena Lila.
- Pai,leve Lila para o orfanato combinado,e não a tire de lá ate seu aniversário de 18 anos. Não deixe que ela descubra sobre nossa história, sobre a magia da família Jackson. Não quero que ela sofra como o pai dela e eu. Minha filha Layla fala aflita enquanto me entrega a pequena mala de Lila.
- Filha não vá,eu sei que vamos conseguir resolver. Falei com olhos marejados.
- Não vamos pai,ele descobriu a passagem que vem para o mundo real,e vira atrás de nos,e eu não posso arriscar a vida de Lila. Layla entra na casa e depois de alguns minutos volta com minha neta.
- Querida,você vai com o vovô e se comporte. Ela fala pra filha enquanto beija a testa da pequena e a abraça.
Vejo minha filha chorar e meu coração se parte. Eu deveria ter falado sobre as regras da magia para Layla e Marcos,eles tinham que saber.
- Me perdoe filha,a culpa é minha. Se eu tivesse falado sobre as consequências. Eu falo com lágrimas escorrendo pelo meu rosto.
- Eu teria errado mesmo assim pai,o sr sabe como sou teimosa. Layla força um sorriso e me abraça. - Eu te amo pai,cuide da minha filha pra mim. Ela fala e depois me solta.
- Agora vão, se vocês não estiverem longe o bastante...
- Ele também nos pega,eu sei. Guardei a mala de Lila e olhei para Laila uma ultima vez. - Adeus filha,eu te amo. Falei e depois entrei na carro.
- Para onde vamos vovô?. Lila pergunta enquanto brinca com seu coelhinho.
- Vamos viajar. Pode dormir se quiser,vai demorar um pouco. Falei e ela balançou a cabeça e se acomodou no banco.
Eu dirigi ate o orfanato mais afastado da cidade,que era onde minha filha queria que eu deixasse Lila.
Lá é um lugar sem energia e desconectado do mundo,e mesmo se tivesse algo,os grandes muros não vão deixar que ele venha atrás de Lila.
Depois de estacionar na entrada do orfanato,eu entrego minha pequena neta a diretora do local.
- Adeus pequena, espero vê-lá novamente um dia. Falei beijando a testa da minha neta que ainda esta dormindo.
- Não se preocupe,ela esta protegida aqui. A diretora falou e eu acenei com a cabeça e depois fui embora.
E essa foi a última vez que pisei naquele orfanato.
Depois que cheguei minha filha já havia desaparecido ,assim como meu genro. Eu chorei muito,mas fui obrigado a ser forte.
Vendi todos os bens deles e depositei em uma conta.
Depois disso,comecei a me preparar para a morte,pois sabia que ela estava perto.
...
Uma semana atrás...
Estou tossindo em meu leito de morte,olho para o paninho na minha mão que esta molhado de sangue.
O médico que me examina não tem uma expressão muito boa.
- Quanto tempo tenho doutor?. Eu pergunto quase sem ar.
- Sinceramente?,uma semana no máximo. Ele fala enquanto me olha com pena. - Tem alguem que queira se despedir?. Ele pergunta.
- Sim,mas não posso fazer isso pessoalmente. Traga para mim um caderno e uma caneta,por favor. Pedi e ele o fez.
Depois que o médico saiu,eu comecei a escrever a carta com minhas últimas forças. Nela eu contava sobre a magia da família e como ela funcionava.
Eu não queria fazer isso,mas Lila tem o direito de ver seus pais novamente.
No final da carta,coloco a regra da magia :
Lila tome cuidado,você pode entrar e sair das estórias quantas vezes quiser, mas não pode NUNCA,alterar algo importante, impedindo algo que deve acontecer, ou você se tornara parte da estória, e ficará presa nela,para sempre. E também não deve NUNCA...
Antes que eu consiga terminar eu começo a tossir muito e minhas vistas ficarem escuras.
- Margo!,Valéria!,Alguem me ajude,eu preciso terminar. Eu grito com minha pouca força. Mas assim que a porta é aberta,minha vista se apaga completamente.
×Margo×
Choro muito ao ver o sr. Jackson pálido e sem vida. Valeria tenta me acalmar mas ela também chora muito.
O corpo dele é levado e eu começo a organizar o quarto. Quando vou arrumar a cama,vejo algumas cartas escritas. Não me atrevo a ler depois de vê que são para a neta dele,Lila.
Apenas as dobro e guardo dentro do livro que estava em cima da cama. Parecia que era o preferido dele e da filha dele,Laila,já que ele estava sempre com esse livro do lado.
Fecho as cortinas do quarto,e com muitas lagrimas e um adeus,eu fecho a porta e saio do quarto.
Termino de organizar a casa com a ajuda das outras empregadas e aviso o orfanato onde Lila esta,que o avô da menina faleceu.
Escuto os soluços da diretora,que logo param e ela se despede.
O sr. Jackson era muito querido, e espero que ele nunca seja esquecido.
...
Todos ja foram embora,estou apenas eu na porta,com minhas malas na mão. Dou uma ultima olhada na casa,e quando estou pronta para sair,escuto o telefone.
- Alô?. Falo ao atender a chamada.
- O corpo do sr. Jackson,sumiu. Uma voz masculina fala e meu rosto fica pálido.
Sangue de Jesus tem poder. Desligo o telefone e faço o sinal da cruz e depois saio correndo da casa.
Esse lugar tem um clima estranho a anos,e depois a filha do sr. Jackson morre,e o corpo some,assim como o do marido. E agora o sr. Jackson morre e o corpo também some!?. Deus me livre,eu vou é sumir daqui.
Tranco a porta e coloco a chave no vaso de plantas. Parece que a srt. Lila vai vir morar aqui em breve,e se for verdade ela precisa entrar ne.
Entro no taxi e fui embora. Vou sentir muita falta do sr. Jackson,ele era um homem bom,mas não quero vê-lo de jeito nenhum. Que os mortos continuem mortos.