Capítulo 2

Mariana

A noite de hoje estava fugindo completamente ao esperado e agora eu me via em uma encruzilhada, e precisava tomar uma importante decisão, a qual eu não me sentia nem um pouco preparada.

Ethan Constantino acaba de me dar um ultimato baseado em uma chantagem mesquinha e cruel, e eu não tinha certeza se conseguiria ir em frente com tal disparate.

Mas tampouco poderia correr o risco de que a Virgínia e eu acabassemos por sermos expostas da forma como ele ameaçava fazer, caso eu não fosse para a cama com ele naquela noite.

Eu amava a minha amiga e gostava muito do Murilo, o seu namorado e pai do filho que ela estava carregando, mas não estava pensando apenas no quanto aquilo afetaria a vida deles, caso o nosso segredo chegasse ao conhecimento da mídia.

A minha vida também seria afetada de maneira extremamente negativa, mesmo que eu não seja alguém com o perfil que os sites de fofocas procuram assuntos para comentar e ganhar dinheiro com notícias sobre mim.

Tenho família, amigos e as minhas clientes na loja, e todos ficariam realmente horrorizados se descobrissem o que a Virgínia e eu fizemos, então eu preferia que aquele assunto udesse ficar só entre nós.

Não me arrependo de ter colocado a minha virgindade para leilão, porque aquilo mudou a minha vida de maneira positiva e me permitiu que hoje eu tenha uma condição financeira estável o que me possibilita ter tranquilidade, algo que eu não podia nem mesmo sonhar antes.

Agora, eu podia desenhar os meus modelos à vontade e ver as pessoas usando as roupas que eu mesma crio, o que é algo simplesmente maravilhoso e a realização de um sonho antigo, desde quando eu era apenas uma criança.

O fato é que eu não teria conseguido tão facilmente de outra forma, e se ninguém sabia, ninguém também poderia me julgar e eu gostaria verdadeiramente que as coisas continuassem como estavam.

Mas Ethan Constantino estava querendo mudar tudo isso e eu não poderia permitir que isso acontecesse, sendo assim, organizei tudo com a Arlete e quando ele se aproximou e deixou aquele ultimato no ar, eu me senti na obrigação de tomar uma decisão que preservasse a todos aquelas pessoas que eu amava, e mesmo sem querer admitir, nem mesmo para mim mesmo, eu o fiz de maneira rápida e sem muita reflexão, e sabia que isso me classificava como alguém sem limites ou pudores.

Mas a decisão já estava tomada e depois de me despedir da Arlete, pois os meus amigos já haviam se recolhido ao se quarto, eu caminhei lentamente, sem pressa alguma mesmo, até o quarto que eu sabia ser onde Consaino estava e bati levemente na porta, sem parar nenhum segundo a mais para pensar sobre o que eu estava prestes a fazer.

— Entre. — Ouvi a autorização em voz firme.

Senti um frio tremendo na barriga, as pernas trêmulas, mas fui em frente e abri a porta, percebendo que ele estava tão seguro de que eu iria ao se encontrar, que nem mesmo a trancou.

Constantino estava no centro do cômodo, aparentemente tinha acabado de sair do banho, pois trazia uma toalha enrolada na cintura, enquanto usava uma outra para secar os cabelos, e sorriu para mim, quando parei a poucos centímetros da entrada.

— Vejo que é uma pessoa bastante sensata. — Ele apontou, de maneira bastante cínica.

— Em alguns momentos, a razão precisa ser o nosso guia. — falei de modo bastante direto.

Não adiantava fingir que não temia o que ele poderia fazer, caso eu não colaborasse com ele naquilo que ele desejava e eu gostava de manter sempre as coisas o mais claras possível, desde que aprendi uma importante lição sobre como nós podíamos nos iludir também com ações sem palavras.

— Venha até aqui. — ele me chamou, apontando para si mesmo e seu tom indicava que não gostaria de ser contrariado.

O frio na barriga aumentou, assim como a sensação de perigo que aquele homem despertava em mim, mas me empurrei a fazer aquilo que ele ordenou, pois se estava ali, era para atender aos desejos daquele homem arrogante, mas também extremamente belo.

Ehan soltou a toalha que estava segurando no chão mesmo, sem se importar em a colocar no seu devido lugar e quando parei ao lado dele, seu sorriso era de nítida satisfação, por estar recebendo exatamente aquilo que ele queria.

— Quantos anos você tem, Mariana? — perguntou, me deixando surpresa.

— Vinte e um.

— Muito jovem para mim, posso afirmar. — ele disse, mas sorria, demonstrando que aquilo não tem importância nenhuma.

Ethan, no entanto, parecia ter sempre esse sorriso de canto, carregado de cinismo, mas que não transmitia felicidade. Era mais como se ele estivesse sempre debochando de algo, ou de alguém, e aquilo me incomodava, pois no momento eu sou o seu único alvo.

— Mas esse fato não vai te impedir de ir adiante, não é mesmo? — eu disse, cheia de coragem— O mais importante é atender aos seus desejos. Pelo menos, foi isso que você me falou, apenas algumas horas atrás.

— Exatamente, Mariana. — concorda. — Não será a nossa diferença de idade um empecilho para mim, quando outras coisas não foram e eu realmente não me importo nenhum pouco com isso.

Nós estávamos agora de frente um para o outro, Ethan usando apenas a toalha em torno de seu corpo, enquanto eu tinha trocado o vestido de noite por um jeans e um suéter vermelho, a minha cor preferida e ele segurou o meu rosto entre as mãos, afastando um cacho do meu cabelo que tinha se desprendido do penteado, e o colocando atrás da minha orelha, enquanto me olhava atentamente.

Sem que eu esperasse, mas inconscientemente desejando por aquilo, Ethan beijou um dos canos da minha boca, dando uma mordida leve no lugar e lambendo logo em seguida.

Eu não queria ter sentido nada com aquele gesto, mas o meu corpo respondeu ao estímulo sensual e eu fiquei completamente arrepiada, uma pulsação traidora entre as minhas pernas, além de o frio na barriga que já estava me acompanhando desde que entrei naquele quarto ter aumentando em uma proporção gigantesca.

— Eu a desejei desde que pisou o primeiro pé naquela escada e tudo o que eu quero, eu tenho. — Ethan falou, sua voz rouca e sexy.

Ele estava afetado, tanto quanto eu me sentia, mas eu não deveria estar sentindo aquelas coisas, quando estava diante de um homem inescrupuloso e frio.

Eu não disse nada em resposta as suas palavras, para que ele não percebesse o quanto estava me afetando também, mas ele não parecia estar esperando por isso.

Logo, Ethan me virou de costas para ele, segurando firme em minha cintura e esfregando o seu corpo ao meu, me fazendo sentir o volume formado de encontro a mim.

— Agora, você pode me virar as costas, Mariana. — disse, beijando o meu pescoço, em uma região sensível. — Mas eu só aceito isso quando estivermos apenas nós dois, entre de preferência entre quatro paredes.

Entendi a sua referência ao fato de eu ter virado as costas e o deixado falando sozinho algumas vezes durante a festa daquela noite, e sua mão apertou a minha cintura, o que entendi como mais um sinal do quanto ele ficou chateado com a minha atitude.

— Não vai dizer nada? — pergunta no meu ouvido, mas logo está beijando o meu pescoço.

Eu me contorci toda com os seus toques naquela região, não conseguiria falar nada coerente, mas não posso deixar que ele perceba que tem algum tipo de poder sobre mim.

Eu não quero admitir, mas também senti o coração acelerar no peito quando me deparei com o seu olhar predador e a expressão de perigo que fez meu cérebro gritar um afaste-se, ou você pode ser esmagada pelo fascínio daquele homem.

Eu preciso ser forte e resistir aquele poder de sedução e fingir que ele não desperta nada em mim, além de repulsa, ou eu estaria perdida.

Capítulo 3

Ethan

Segurei firme na cintura da Mariana, a mantendo de costas para mim e pressionei o meu corpo ao seu, para que pudesse sentir o quanto ela consegue me afetar.

Mas o fato é que desde que a beijei, ela não disse mais nenhuma palavra, tampouco demonstrou qualquer reação ao meu toque, o que estava me deixando incomodado, pois nem mesmo um suspiro agoniado ou um arquejar ela havia emitido.

Por mais que eu sempre tivesse aquilo que desejava, não seria capaz de ficar com uma mulher que não estivesse gostando daquilo que estávamos fazendo, demonstrando estar na mesma sintonia que eu, e com a Mariana não seria diferente.

Mesmo após a minha pergunta direta, sobre ela dizer algo, a Mariana continua com o seu silêncio irritante, e decido então despertar nela o desejo pelo meu toque, tão intensamente como eu mesmo a desejava, e caso ela ainda assim permaneça fria entre os meus braços, como parecia estar agora, eu a deixarei ir e vou a procura de outra mulher para saciar os meu desejo, afinal, um homem tem instintos que precisam ser saciados, por mais que eu estivesse desejando a ela em especial.

— Se você prefere assim, eu não mais irei insistir — aviso.

Ela parece relaxar em meus abraço, e aproveito o momento para levantar os seus cabelos e continuo beijando a região entre o seu pescoço e ombros, enquanto as minhas mãos passeiam livremente pelas laterais de seu corpo.

Mas enquanto ela parecia agora mais feia que antes, eu queimava por dentro, sentindo o desejo me consumir com o seu cheiro inebriante e levo as minhas mãos até os seus seios pequenos e empinados, massageando-os sem delicadeza.

— Eu a quero, Mariana. — falo, sem conseguir me conter.

Faço com que ela gire em meus braços, ficando novamente de frente para mim e a beijo com todo o desejo que eu estava sentindo de fazer aquilo, desde que olhei para os seus lábios voluptuosos.

Meu beijo é duro, a princípio, pois o tesã0 é o meu único guia e quando não sinto o meu beijo ser correspondido, mudo a estratégia, passando dos modos bruscos a gentileza, tentando aos poucos fazer com que a Mariana sinta ao menos um pouco das sensações extremamente fortes que estão me consumindo agora.

Mas seus braços continuam ao lado do corpo e ela não tem reação alguma ainda, o que me deixa inseguro, como nunca antes eu me senti na vida.

Afasto os nossos lábios e a encaro, segurando o seu rosto com as duas mãos, uma dúvida me corroendo e me fazendo sentir um frio desconhecido na barriga.

— Não é possível que eu esteja completamente em chamas, enquanto você não parece estar sentindo nada, Mariana — desabafo.

A olho atentamente e tento analisar todas as nuances que eu possa perceber em sua expressão, mas ela permanece impassível ainda assim.

— Entendi que a única coisa que importa aqui é o seu desejo. — ela fala. — Não imaginei que eu precisasse fingir que também o desejo.

As palavras foram duras e eu solto o seu rosto imediatamente e me afasto dela, sem conseguir acreditar no que está acontecendo entre nós.

— Não quero que finja! — digo, agora tomado pela indignação. — Nunca precisei que uma mulher estivesse comigo forçada e não será hoje que eu vou começar.

— Entendo então que você está me liberando para que eu possa voltar ao meu próprio quarto? — ela pergunta, me surpreendendo mais uma vez.

— É isso que você quer? Voltar para o seu quarto? — preciso ter certeza de que ela está realmente me rejeitando.

— Sim. — ela confirma, parecendo tranquila em dizer aquilo. — Não vim até aqui por vontade própria, e sim porque fui chantageada.

— É uma pena, então. Porque você vai permanecer aqui, e vai dormir comigo. — eu falo, tentando demonstrar tranquilidade.

Eu não iria forçar a Mariana a transar comigo, quando ela claramente não parecia compartilhar do mesmo desejo que eu.

Mas não iria abrir mão da minha chantagem, como ela mesma fez questão de destacar, e de tê-la na minha cama, mesmo que não fosse acontecer naquela noite, eu a faria me desejar, pois eu jamais desistia daquilo que eu quero.

O segredinho sujo que as duas amigas e o meu maior inimigo guardavam, eu iria manter como um trunfo, a ser usado no momento mais apropriado e usar aquilo para contra a Mariana foi apenas a forma mais fácil que eu encontrei para me aproximar dela.

— Entendi que você não faria nada com uma mulher que não deseja o todo o grande Constantino. — Ela estava sendo irônica.

— Nós não faremos. — confirmo. — Essa noite. Mas logo em breve você vai desejar estar comigo, tanto quanto eu a desejo, e nós vamos ter ótimos momentos na cama. Acredite, eu não desisto assim tão fácil como você está pensando.

Ela suspira então, parecendo resignada, e caminha até um dos lados da cama, sentando no colchão e me encarando com uma expressão de conformismo que era irritante, assim como o silêncio com o qual ela me castigou, quando eu tentei ela despertar as suas reações aos meus toques.

— Pretende dormir com essa roupa? — pergunto, tentando controlar a irritação que só faz aumentar.

— Sim.

Ela realmente deitou na cama, colocando a mão por baixo de seu rosto e fechando os olhos, como se realmente fosse dormir daquela forma.

— Você precisa tirar essa roupa e colocar algo mais apropriado. Não pode dormir desse jeito! — reclamo, mas ela faz pouco caso e nem mesmo me responde.

Desisto de tentar trazer um pouco de bom senso para a cabeça da Mariana e volto ao banheiro, pois eu precisava de um novo banho, agora para acalmar um pouco os nervos, assim como o meu p@u, que acreditou estar prestes a ter aquilo que desejava, mas os nossos planos foram por água abaixo.

E ao invés de eu estar dentro da Mariana naquele momento, mais uma vez eu estava usando a minha própria mão para conseguir diminuir a ânsia e o tesão acumulado, algo que já vinha de algumas semanas.

Mas se antes eu tinha uma mulher mais do que disposta a me agradar, agora eu tinha uma que parecia não sentir nada por mim além de asco, mas eu pretendia mudar esse quadro, o mais rápido possível!

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