Como a mesa de Gabriela estava longe da de Wesley, o que não lhe permitiu ouvir a conversa abafada do outro lado do salão, ela ainda estava alheia ao fato de que o homem que encontrara no quarto 1205 na noite passada não era Brenden, mas sim Wesley.
Observando Brenden gesticulando animadamente enquanto conversava com Wesley, Gabriela ficou bastante apreensiva. Ela sentia uma pulsação forte nos ouvidos, meio apavorada com a possibilidade de ser reconhecida, mas ainda mais nervosa com o medo de que Brenden, o famigerado paquerador da empresa, deixasse escapar alguma informação bem diante de Wesley.
Ela passou o dia inteiro sem conseguir se concentrar em nada, sua mente num espiral de ansiedade.
Por um milagre, o dia passou tranquilamente, e o retiro terminou sem qualquer bafafá.
Quando o ônibus da empresa chegou para buscá-los, Gabriela se viu ficando para trás, com todos os músculos do corpo ainda doloridos pela intensa noite de amor. Movimentando-se com rigidez, ela foi a última a entrar.
No fundo do ônibus, Aubrey a avistou e logo acenou. "Gabriela, aqui!"
O veículo caiu num silêncio repentino e, alguns segundos depois, a voz de Wesley ecoou, carregada de impaciência: "Não há nenhum outro lugar para ela se sentar?"
Gabriela congelou em meio aos passos, sentindo a tensão tomar conta dela. Por que Wesley estava no ônibus? Será que esse tom ríspido foi dirigido a ela? Será que ele estava irritado porque ela se atrasou?
O CEO importaria com onde ela, apenas uma estagiária, iria se sentar?
Ao lançar um olhar fugaz para a frente, ela avistou uma mulher elegante sentada no assento ao lado de Wesley, suas bochechas coradas de esperança.
Wesley a olhou com um semblante frígido e inclinou o queixo em direção ao corredor, claramente a dispensando.
Percebendo que as palavras do homem não eram para ela, Gabriela soltou um suspiro suave.
Nesse momento, a mulher se levantou, murmurando um pedido de desculpas antes de se espremer desajeitadamente na fileira ao lado de Aubrey, ocupando o lugar que Gabriela pretendia se sentar.
Com uma carranca, Aubrey avisou: "Esse lugar é da minha amiga."
A mulher lhe lançou um olhar incisivo. "O quê? Por acaso o nome da sua amiga está gravado aqui? Este ônibus pertence à empresa — desde quando sua amiga tem um lugar exclusivo?"
O maxilar de Aubrey se contraiu, seu olhar fumegando de indignação.
Agora, só restava o lugar ao lado de Wesley...
Por um instante, Gabriela cogitou fugir do ônibus e gastar seu pouco dinheiro com um táxi para casa. No entanto, o olhar magnético de Wesley a paralisou, sua expressão severa. "E aí? Vai se sentar ou não?"
Gabriela não teve qualquer reação, completamente fora de si.
Ele estava irritado só porque ela demonstrou insegurança por um momento?
Com todos observando — alguns mal conseguindo esconder a inveja, enquanto outros lhe lançavam olhares de simpatia — Gabriela se sentou ao lado de Wesley com o coração batendo forte no peito.
Um silêncio tenso se seguiu, até que ele se inclinou para perguntar: "Pareço tão intimidador assim?"
Gabriela concordava veemente com a pergunta, embora jamais ousasse admitir. Por mais que fosse perdidamente apaixonada pelo seu "crush inalcançável", a expressão dele estava marcada por uma autoridade severa, e se ela falasse o que pensava, provavelmente estaria desempregada antes mesmo do fim da semana.
Com esse pensamento, ela esboçou seu sorriso mais radiante e encontrou o olhar inescrutável de Wesley. "De jeito nenhum, senhor Moss. É uma honra me sentar ao seu lado."
A postura de Wesley relaxou um pouco e ele se recostou, fechando os olhos para projetar um frio capaz de gelar todo o ônibus.
Enquanto isso, Gabriela estava paralisada de ansiedade, tentando ao máximo não mexer um único fio de cabelo sequer.
Ultimamente, a sorte não estava do seu lado. Primeiro, ela descobrira que seu namorado estava a traindo, depois perdera a virgindade numa noite de bebedeira. Agora, estava voltando para casa ao lado do CEO, tensa como uma corda de violão, contando cada minuto até que esse trajeto finalmente terminasse.
Assim que Gabriela colocou os pés fora do ônibus, encheu seus pulmões com o ar fresco da manhã. Por um breve e abençoado momento, a vida parecia mil vezes mais iluminada agora que Wesley não estava mais por perto.
Aubrey a acompanhou, se exaltando em curiosidade. "Me conte! Como ficar ao lado do senhor Moss?!"
"Como uma criança travessa pega no flagra", Gabriela respondeu com uma expressão impassível.
Piscando confusa, Aubrey continuou perguntando: "Por quê?"
Gabriela soltou um suspiro exagerado. "Porque não ousei me mover nem um centímetro!"
A simpatia se ilustrou no rosto de Aubrey, que, sem dizer mais nada, saiu correndo de repente, lançando um olhar tão pesaroso para Gabriela que chegava a ser cômico, como se tivesse acabado de ver algo aterrorizante.
Gabriela franziu a testa em perplexidade, prestes a chamá-la, mas algo no seu WhatsApp chamou sua atenção — um novo contato com uma mistura bizarra de letras no nome. Achando que era só spam, ela o rejeitou sem pensar duas vezes.
No segundo seguinte, uma mensagem apareceu: "Você deixou algo para trás."
Gabriela tentou se lembrar se realmente havia esquecido algo em algum lugar e até deu uma olhada rápida na bolsa, porém, nada estava faltando.
Por fim, decidiu ignorar a mensagem, mas foi então que um choque de pânico a atingiu. E se ela tivesse esquecido algo no quarto de hotel de Brenden na noite anterior?
Com essa hipótese, ela sentiu seu estômago revirar.
Será que essa mensagem era realmente de Brenden? Isso seria um verdadeiro desastre!
"O que você quer?", ela perguntou, cada vez mais nervosa.
Cerca de dez minutos depois, a resposta finalmente apareceu: "Te ensinar uma boa lição, menina travessa."
Nesse momento, o coração de Gabriela foi à garganta.
Será que Brenden tinha ouvido ela comentando sobre Wesley mais cedo? Isso explicaria por que Aubrey simplesmente fugira do nada.
Contudo, o que realmente a inquietava era esse tom estranho da mensagem — a pessoa no WhatsApp não parecia ser Brenden, e sim o próprio Wesley.
Isso não poderia estar certo, poderia?
Gabriela passou os dedos pelos cabelos e deu uma risadinha da sua paranoia, achando que só estava sendo boba e exagerando nas ideias.
Sem pensar muito, ela digitou uma mensagem. "Sobre a noite passada... foi um erro, senhor Saunders. Vamos deixar isso para trás, tá bem?"
No momento em que ela clicou em enviar, um pavor se apoderou dela ao pensar no quão diretas essas palavras soaram.
Apavorada, ela retirou a mensagem e mandou outra: "Quando seria um bom momento para eu passar aí para pegar minhas coisas?"
No sofisticado e amplo escritório do CEO, Wesley estava sentado atrás da sua imponente mesa. Ao ler a mensagem de Gabriela, sua mandíbula se apertou sutilmente. "Você acha que sou Brenden?"
Gabriela pôde sentir a tensão crepitando em meio ao silêncio, imaginando o semblante fechado de Brenden do outro lado da tela. Um nó se formava no seu estômago enquanto ela respondia: "Não é?"
A pergunta permanecia sem uma resposta.
Será que Brenden estava brincando com ela esse tempo todo e, agora que ela percebeu, ele ficou irritado?
Se fosse o caso, isso era bastante hilário. Se alguém tinha o direito de estar irritado, definitivamente era ela!
Era incrível que essas situações sempre acabavam com a mulher levando a culpa!
Se ela tivesse um pingo de coragem, teria revidado e enfrentado Brenden sem qualquer hesitação. Quanto ao seu emprego, e daí? Seria só uma consequência.
Porém, no fundo, a jovem não era tão destemida assim.
Forçando-se a engolir seu orgulho, ela perguntou calmamente: "Senhor Saunders, quando você teria um tempo livre? Preciso pegar o que deixei para trás."
"Espere", ele respondeu, a gelidez presente nessa única palavra.
A rejeição abrupta deixou Gabriela completamente atordoada.
Esperar? Mas por quanto tempo?
Com o evento de formação de equipes encerrado, o ônibus já deixara seus colegas no escritório, e todos já haviam ido embora. Até Aubrey não estava em lugar algum.
Assim, Gabriela se viu sozinha no saguão ecoante, o espaço vazio aumentando sua ansiedade.
Por quanto tempo ela ficaria ali, esperando por um homem que claramente não tinha intenção de facilitar as coisas para ela?
A noite caiu, pintando a cidade com sombras profundas em meio às luzes dos prédios.
Gabriela estava sentada, curvada sobre seu celular, a tela lançando um brilho pálido sobre suas feições tensas. "Brenden" não enviou nenhuma informação sobre ela buscar suas coisas, nem se preocupou em responder às mensagens frenéticas.
Um calafrio de pavor se infiltrava nos seus ossos. O que ele queria exatamente? Pressioná-la só para ter mais uma noite juntos?
Depois da aventura confusa e imprudente da noite passada, ele não estava satisfeito? Tudo o que ela queria era ir embora logo, mas a ansiedade a atormentava.
O Grupo Apex era influente, e ela se considerava sortuda por ter sido aceita como estagiária. Irritar Brenden, seu chefe, seria como jogar seu futuro fora.
Não havia mais ninguém no saguão, e Gabriela estava exasperada, repetindo em sua mente alguns fragmentos que conseguia se lembrar do protocolo da empresa.
Ela tentava todos os truques que conhecia para se acalmar, até desejando que seu coração batesse mais devagar.
No fim, a realidade prevaleceu. Afinal, seu futuro no Grupo Apex dependia de uma linha tênue que Brenden segurava.
O pior de tudo era que foi ela quem havia caído nos braços dele na noite passada — bêbada e sem a menor responsabilidade. Se fosse o caso de denunciá-lo, quem ficaria do lado de uma mera estagiária?
Quando o ponteiro do grande relógio na parede passava das nove, Gabriela afundou numa resignação entorpecida.
Por fim, passos firmes ecoaram no porcelanato encerado, as solas de couro rompendo o silêncio como um aviso.
"Bem, o que temos aqui? Quem ainda está na empresa a esta hora?", a voz apática e despreocupada de Brenden ecoou pelo salão, fazendo Gabriela se enrijecer de apreensão.
Num salto, ela ficou de pé, forçando compostura na sua voz. "Senhor Saunders, você finalmente chegou."
"Você estava me esperando?", ele perguntou com uma sobrancelha arqueada.
Como se ele já não soubesse!
Gabriela engoliu sua irritação em busca de uma resposta educada, mas Brenden logo a interrompeu, o tom repentinamente severo: "E o que você estava resmungando quando cheguei?"
Ele notara Gabriela desde o primeiro dia, principalmente por causa de sua aparência marcante e singular. Ela sempre parecia tão doce e delicada, como se houvesse uma beleza gentil em todos os seus aspectos, mas na realidade, era bastante reservada, completamente indiferente ao charme usual dele.
Por que ela simplesmente não foi para casa depois do retiro? O que ela ainda estava fazendo nessa empresa?
"Eu estava recitando o protocolo da empresa", Gabriela disparou, cerrando os dentes ao desejar poder retirar o que dissera.
Embora Brenden normalmente tratasse seus funcionários bem, e se ela tivesse entrado na mira dele?
Enquanto Gabriela batia cabeça para encontrar uma maneira de consertar a situação, uma risada baixa ecoou do corredor. Quando se virou, deu de cara com Wesley, alto e extremamente equilibrado.
O CEO observava o cenário em volta, seus traços esculpidos projetando nuances nítidas sob as luzes do teto — uma obra de arte viva e pulsante. Nenhum sorriso arrogante era capaz de ofuscar o fascínio do seu rosto magnético, independente do seu humor.
Gabriela sentiu sua respiração se embargar. Só com a presença, Wesley de alguma forma rebaixava o padrão de todos os homens que ela já havia visto.
Brenden soltou um bufo, achando graça do semblante cativado de Gabriela por Wesley. Ele tinha que dar crédito ao seu primo pelo charme incomparável! Até Gabriela, a beldade mais reservada da empresa, não conseguia se controlar perto de Wesley.
De repente, o ruído agudo das vozes trouxe Gabriela de volta à realidade.
À sua frente estava Wesley, o homem que assinava seus cheques — sua paixão proibida. Ela o encarava descaradamente, como uma adolescente apaixonada. Por acaso ela estava querendo cavar a própria cova?
Gabriela se forçou a se concentrar — pegar suas coisas com Brenden e ir embora dali era sua prioridade.
Com isso em mente, ela desviou a atenção para Brenden. "Senhor Saunders, sobre a noite passada..."
Antes que pudesse dizer mais uma palavra, a voz de Wesley cortou a tensão: "Brenden, vá buscar o carro."
Wesley tinha seu próprio motorista, mas Brenden sabia que era melhor não questionar, então deu um aceno de cabeça rígido para o CEO e se afastou.
Agora, Gabriela estava no saguão ecoante com Wesley, tão apreensiva que mal conseguia respirar. O que ela deveria fazer agora?
A expressão do homem era indecifrável, e seu olhar frio a fez se perguntar se ele havia percebido algo entre ela e Brenden.
Lá fora, Brenden estacionou o carro quando seu celular começou a vibrar. Ao ver que era sua namorada ligando, se despediu alegremente de Wesley, entrou no seu carro e acelerou, ansioso pela noite.
Sem sequer olhar na direção de Brenden, Wesley entrou no carro e fechou a porta com ênfase.
Nesse momento, Gabriela finalmente soltou o suspiro que há tanto segurava, sentindo o alívio inundá-la. Talvez agora ela finalmente pudesse escapar.
A presença de Wesley era tão intensa que ela mal ousava respirar. Mas antes que a jovem pudesse agir, a janela de Wesley desceu, e seus olhos escuros e avaliadores pousaram sobre ela. "Como você vai para casa?"
Tentando soar casual, Gabriela respondeu: "Ah, vou pegar o ônibus, senhor Moss."
A desaprovação transpareceu no rosto de Wesley. "Entre."
Uma sensação desconfortável se instalou no peito da jovem. A ideia de deixar o CEO levá-la a qualquer lugar era incabível!
Ela balançou a cabeça avidamente, as mãos erguidas em protesto. "Não precisa. Posso pegar o ônibus, de verdade."
Wesley a fitou com um olhar tão inescrutável que causou um arrepio involuntário nela.
Ao abrir a porta do carro, ela mal respirava, indo direto para o banco de trás — distância era segurança, e neste momento, ela precisava de cada centímetro que conseguisse.
Antes que ela pudesse se acomodar, a voz de Wesley rompeu o silêncio, afiada como uma lâmina. "Sou um taxista ou algo do tipo?"
Embora seu tom fosse moderado na superfície, o toque mordaz subjacente fez o coração de Gabriela disparar. Constrangida, ela logo saiu do banco de trás e foi para o da frente, colocando o cinto de segurança com as mãos trêmulas.
Durante todo o trajeto, Gabriela se mantinha em silêncio absoluto, enquanto Wesley permanecia com sua fisionomia seca de sempre, os lábios cerrados.
Ela apertava a bolsa com tanta força que seus dedos ficaram pálidos, e cada vez mais trêmulos.
Após vários momentos próxima de Wesley nesse dia, a jovem percebeu que ele simplesmente era difícil e que o humor dele oscilava como nuvens de uma tempestade.
Foi então que ela decidiu — a partir de agora, manteria o máximo de distância possível.
Quando chegaram a um sinal vermelho, Wesley parecia prestes a dizer algo, mas após um momento de hesitação, limitou-se a manter os olhos à frente em silêncio.
Mesmo depois que Gabriela saiu do carro, esse olhar de desprezo frio ainda permanecia no rosto do homem.
Notando isso, ela se sentiu frustrada e injustiçada, pois não havia feito nada de errado.
Em nenhum momento ela lhe pedira carona, então por que ele precisava se mostrar tão contrariado?
Entretanto, essa melancolia foi breve, substituída pela irritação, porque, justo nesse momento, ela avistou seu ex, Dustin Owen, parado na entrada da sua casa.