Capítulo 2

"Isso é absolutamente ridículo!" O rosto de Colten ficou vermelho de fúria. "Você ainda não se humilhou o suficiente?"

Ele estava convencido de que Madison era culpada sem sequer investigar.

O coração de Madison parecia se despedaçar em um milhão de pedaços.

Ele não a salvou, nem acreditou nela.

Naquele momento, ela percebeu dolorosamente: o homem que ela amava tão profundamente, com cada fibra de seu ser, abrigava valores tão profundamente distorcidos.

"Eu não a machuquei!" Madison protestou, sua voz estava tensa e seus lábios formavam uma linha fina de desafio.

Mas Colten a dispensou com um mero olhar, seus olhos frios e indiferentes ao se voltar para o diretor. "Isso termina agora."

Seu olhar então suavizou ao se dirigir a Lana. "Como está seu pulso? Ainda dói? Deixe-me levá-la ao hospital."

Corando, Lana aconchegou-se em seu abraço. Com todos os olhos sobre eles, saíram juntos, deixando sussurros em seu rastro.

Deixada para trás, Madison sentiu suas pernas fraquejarem, um frio de isolamento perfurando sua alma.

O homem com quem cresceu, seu noivo, a abandonou mais uma vez em seu momento de necessidade.

A hostilidade ao seu redor se tornou palpável. Se olhares pudessem machucar, Madison estaria marcada para sempre.

O diretor não perdeu tempo em expulsar Madison do clube de teatro da escola, alegando que ela teve sorte, já que Colten decidiu não levar o assunto adiante.

De uma estrela em ascensão, Madison caiu no alvo de piadas cruéis e ridículo.

O que antes era um espaço vibrante e animado, esvaziou-se, o silêncio se instalando em seu lugar.

Madison lutou contra suas pernas pesadas, cada passo uma batalha laboriosa enquanto mancou em direção à saída.

Sua perna esquerda carregava as marcas do acidente — sangue coagulado sobre feridas salpicadas de estilhaços, cada movimento enviando uma dor aguda percorrendo seu corpo.

Do lado de fora, os degraus de pedra sombreados foram subitamente banhados pelo brilho intenso dos faróis de um carro, transformando a noite em dia.

A porta traseira do carro elegante se abriu, e uma figura emergiu da claridade. À medida que ele avançava, suas feições, afiadas e imponentes, se destacaram sob a luz.

No momento em que seus olhos pousaram nele, Madison parou abruptamente, enraizada no lugar.

"Senhor Pearson?"

Chris Pearson era o tio de Colten. Como noiva de Colten, ela conhecia todos os membros da família Pearson.

"Madison." Sua voz, profunda e ressonante, envolveu-a como um manto quente e suave, distraindo-a momentaneamente da dor. Seu olhar demorou-se em suas feridas, uma ruga de preocupação em sua testa.

"Quer que eu a leve até o carro?" Seu tom subiu ligeiramente no final, uma oferta educada, mas com um subtexto de algo mais — algo que Madison não conseguia definir.

Suas bochechas aqueceram com um súbito rubor de constrangimento, e ela gesticulou com as mãos, mais animada do que pretendia. "Não... Não, obrigada!"

Chris, embora fosse tio de seu noivo, era apenas uma década mais velho que ela e tinha aquele tipo de aura distinta que vinha de um cuidado meticuloso consigo mesmo.

Tanto em estatura quanto em comportamento, ele eclipsava Colten, lançando uma figura imponente na cidade.

Sua aura de controle e frieza distante deixava claro — muito poucos, se é que algum, despertavam seu interesse.

Com o restante dos anciãos Pearson, Madison podia agir livremente, mas ele era a única exceção.

Seu olhar pairou acima dela antes de ele erguer graciosamente um braço, o abotoador de punho requintado brilhando contra a superfície impecável de sua mão.

"Aqui, deixe-me dar uma mão," ele ofereceu casualmente.

Madison estava prestes a recusar quando seus olhos captaram um vislumbre de um corte recente perto da base de seu polegar, o sangue ainda não completamente seco.

Intrigada, ela impulsivamente virou sua mão, revelando mais cortes cruzando sua palma como um delicado, perigoso rendado.

Ela havia verificado as tábuas de madeira que a haviam prendido — elas foram quebradas por seu salvador.

A emoção inundou dentro dela, uma sensação de formigamento no nariz enquanto ela segurava seu pulso, seus dedos embranquecendo com a intensidade de seu aperto.

"Quanto tempo vai ficar olhando?" Sua voz cortou o ar espesso, fria e distante.

Sacudida de volta à dura realidade, Madison percebeu seu erro e rapidamente soltou sua mão, suas bochechas florescendo em um vermelho ardente.

"Desculpe... Vou limpar para você," murmurou, sua voz uma mistura de constrangimento e preocupação.

Chris, sempre meticuloso com limpeza, especialmente em relação a contatos físicos, preferia uma existência intocada.

Desde jovem, nem mesmo seu pai conseguia ultrapassar seu espaço pessoal, e qualquer empregado que ousasse tocá-lo frequentemente o encontrava esfregando o contato por horas depois.

Era um tabu bem conhecido entre a família Pearson.

A busca frenética de Madison por lenços desinfetantes foi interrompida por uma realização desanimadora — ela havia esquecido de trazer algum.

"Vou buscar um pouco de água," disse, sua voz tingida de uma leve nota de pânico.

Chris, no entanto, virou a palma para baixo, ocultando as feridas que a marcavam.

"Não precisa. Vamos levá-la ao carro; esses ferimentos precisam de atenção," insistiu, seu tom gentil, mas firme.

Madison não ousou tocá-lo novamente, rapidamente recuando em direção ao carro com passos cautelosos.

Uma vez acomodada no banco traseiro, um pensamento repentino a atingiu — ela poderia ter simplesmente visitado a clínica da escola em vez disso, poupando-lhe o incômodo.

Mas antes que as palavras pudessem escapar de seus lábios, Chris já havia deslizado para dentro do carro.

O espaçoso banco traseiro agora parecia apertado com suas longas pernas esticadas.

Um sutil aroma de colônia emanava dele, uma intrigante mistura de frieza cortante e calorosos subtons, surpreendentemente reconfortante.

Tentando manter certa distância, Madison se encolheu no canto mais distante do assento, nervosamente puxando a bainha de sua saia.

"Obrigada por me salvar," murmurou, sua voz mal ultrapassando um sussurro.

Seus olhos se demoraram no vazio entre eles. Após um silêncio tenso e prolongado, ele respondeu com um "Hmm" indiferente.

Enquanto o carro retomava sua jornada e a divisória se erguia, a atmosfera ficou carregada de constrangimento.

Gotas de suor pontilhavam a testa pálida de Madison e brilhavam em seu nariz.

"Você tem medo de mim?" Chris de repente quebrou o silêncio, sua voz elevando-se ligeiramente, mas ainda envolta em sua característica frieza.

"Não!" A resposta de Madison foi imediata e afiada. Ela se ergueu de repente, momentaneamente esquecendo os limites do veículo, e sua cabeça encontrou o teto com um baque retumbante.

Fazendo uma careta, ela mexeu desajeitadamente no cabelo, tentando recuperar a compostura. Depois de uma breve pausa, acrescentou: "É só que sua aparição foi a última coisa que eu esperava."

Capítulo 3

Com a família Pearson gerenciando inúmeros negócios, seu líder, Alfred Pearson, valorizava mais seu filho caçula, Chris.

No entanto, Chris nutria uma profunda relutância em assumir a liderança do Grupo Pearson. Sua hesitação vinha de ter testemunhado as correntes subterrâneas de engano e rivalidade que atormentavam sua família desde suas primeiras lembranças, experiências que deixaram suas próprias cicatrizes.

Por mérito próprio, ele havia construído um impressionante conjunto de ativos que abrangia tanto cenários domésticos quanto internacionais, demonstrando sua habilidade fora da sombra da família.

Quando Madison completou dezoito anos, ficou noiva de Colten.

Apesar disso, ela quase nunca havia cruzado caminhos com Chris. As únicas atualizações de Alfred sobre ele giravam em torno do quão incessantemente ocupado ele estava.

A presença de Chris em eventos considerados sem importância, como peças escolares, parecia quase impossível, mesmo que a diretoria da escola fizesse um convite pessoal.

"Isso é importante?" Chris perguntou, seu olhar intenso perfurando Madison enquanto buscava uma resposta genuína.

Madison havia dito isso apenas para dissipar o constrangimento causado por seu comportamento tolo. Ela não tinha poder para interferir na agenda de Chris.

Surpresa pela pergunta dele, Madison hesitou, o peso de seu escrutínio a empurrando para um recuo. "Não é importante," murmurou ela.

Uma sombra de emoção cintilou por trás das grossas pestanas de Chris enquanto ele se virava, sua resposta curta e definitiva.

O carro parou nos portões de um discreto hospital privado.

Apesar da natureza leve de seus ferimentos, Chris convocou o cirurgião-chefe e um especialista ortopédico de renome.

Após um exame minucioso, eles o tranquilizaram de que os arranhões eram superficiais e não impediriam suas ambições de dança.

Corando com a atenção inesperada de ser tratada como uma pessoa importante, as bochechas de Madison se tornaram de um vibrante tom de carmesim.

Quando os médicos finalmente saíram, ela pediu iodofórmio, cotonetes e gaze a uma enfermeira. Vestindo um par de luvas descartáveis, ela se virou para Chris, seu tom tanto gentil quanto tranquilizador. "Apenas estenda sua mão. Prometo que terei cuidado para não te tocar."

Há pouco tempo, ele havia recusado teimosamente a ajuda da enfermeira.

Dado que ele havia se ferido enquanto a salvava, Madison sentiu que era impossível ignorar sua situação.

Ela se preparou para uma persuasão desafiadora, mas ficou surpresa quando ele obedeceu quase imediatamente, estendendo a mão com um ar resignado.

Com cuidado meticuloso, ela tratou seus ferimentos, envolvendo habilmente a gaze para evitar qualquer contato direto.

Perfeito!

Madison olhou para cima, seu olhar encontrando o dele enquanto exalava um profundo suspiro, seus olhos brilhando de gratidão e livres do desespero anterior que a havia ofuscado no auditório.

"Vamos!" Chris desviou o olhar e saiu primeiro da sala de consulta.

Parada à beira da estrada, Madison não pretendia incomodar Chris mais e chamou: "Adeus, Sr. Pearson."

Chris parou no meio do passo e olhou para trás, uma leve ruga se formando em sua testa. "Você não está voltando para a escola?"

Assim que Madison abriu a boca para responder, seu telefone interrompeu com um toque agudo de um número desconhecido.

Sem hesitar, ela recusou a chamada.

Os olhos de Chris piscaram com curiosidade para o telefone dela. "Para onde você está indo? Deixe-me te dar uma carona."

Mais uma vez, o telefone tocou — desta vez, uma mensagem apareceu.

Madison lançou um olhar fugaz para a mensagem, franzindo a testa. Ela levantou o olhar, sua voz carregando uma nota de finalidade. "Tenho algo para resolver. Obrigada por hoje."

Enquanto falava, um táxi parou ao lado do hospital. Com um aceno rápido e um aceno alegre, ela entrou no banco de trás, isolando-se de Chris com um suave baque da porta ao fechar.

Sem que ela visse, a mão de Chris se apertou em um punho ao seu lado, os nós dos dedos ficando brancos enquanto a gaze envolta em sua palma escurecia com sangue fresco e se infiltrando.

No momento em que o táxi deixou o terreno do hospital, Madison se inclinou para frente e deu ao motorista um endereço.

Alguém da equipe de produção havia enviado uma mensagem para ela, afirmando ter visto Lana mexendo com a luz do palco e subornando trabalhadores para desmontar algumas placas de suporte.

O informante havia insistido em um encontro cara a cara para trocar evidências em vídeo comprometedoras por dinheiro.

A traição de Colten havia deixado um vazio frio no peito de Madison, e ela estava determinada a não ser o bode expiatório.

Banhados na luz intermitente de um bar mal iluminado, seis homens robustos descansavam, um deles indiscutivelmente membro da equipe de produção.

Vamos direto ao ponto, Madison perguntou: "Onde está o vídeo? Você terá trinta mil na sua conta assim que eu o ver."

A família Dixon, embora não tão opulenta quanto a família Pearson, certamente não estava sem dinheiro.

Madison estava bem preparada para este acordo.

"Lana foi longe demais — até eu não consegui fechar os olhos para isso." O homem deslizou um tablet pela mesa em direção a ela. "Vamos deixar claro: independentemente de você derrubar Lana ou não, nossos lábios estarão selados depois desta noite. Você não pode nos expor."

Com um aceno solene, Madison aceitou a bebida que ele ofereceu, seus copos tilintando em um brinde sombrio. Ela bebeu o dela em um único gole, então voltou sua atenção para o tablet.

A tela revelou uma pasta contendo um grande arquivo de vídeo que ela prontamente abriu, seus dedos posicionados sobre o telefone, pronta para capturar a evidência crucial.

Abruptamente, imagens grotescas piscaram na tela, chocando Madison tão profundamente que ela deixou o tablet cair no chão.

A sala explodiu em risadas estrondosas dos homens que assistiam.

No canto, o tablet berrava incessantemente, ecoando a conversa grosseira de um homem entrelaçado com os gemidos provocativos de uma mulher, cada som cortando o ar e irritando os nervos de Madison.

Enquanto Madison girava sobre os calcanhares para escapar, uma mão áspera agarrou seu cabelo.

"Você não vai sair daqui hoje à noite... Ah!"

Com um movimento rápido e sem esforço, Madison lançou o homem sobre o ombro, seu corpo girando no ar antes de impactar.

Aproveitando o momento de silêncio atordoado, Madison correu para a porta, mas uma onda esmagadora de calor rolou sobre ela, drenando sua força e dobrando seus joelhos.

O homem que ela havia jogado gemeu, segurando a cabeça enquanto tentava se estabilizar.

"Nada mal, mas que pena — você já está ferrada. Aquela droga? É três vezes a dose normal. Não vai demorar nem dez minutos antes de você estar ofegante, desesperada e implorando para que a satisfaçamos."

Madison fez várias tentativas desesperadas para se levantar, seu corpo vacilando fracamente enquanto risadas zombeteiras giravam ao seu redor, aumentando seu pavor. O som ominoso de um cinto sendo desabotoado ecoou assustadoramente perto.

Uma onda de desespero e arrependimento a inundou, tornando-a momentaneamente impotente. Com um chute estrondoso, a porta foi aberta, e um homem entrou, sua silhueta cortando a luz enquanto ele a erguia nos braços com facilidade.

Seu rosto, austero e imponente, mantinha a graça estoica de um anjo caído, sua aura gelada.

"Sr. Pearson, me salve!" Madison chamou, sua voz quebrando.

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