Capítulo 2

Eu preciso de muita energia para o meu trabalho, desde que comecei a trabalhar nesse restaurante busco algo em minha área, curso gastronomia, mas ainda não tenho chance alguma de conquistar uma vaga como auxiliar de cozinha, por isso consegui usar experiência de garçonete para trabalhar nesse restaurante.

Chego no meu turno logo pela manhã, passo pano na mesa com o álcool em todas as mesas da minha praça, pego os talheres já esterilizados por outro grupo de garçons e começo a montar meu mise en place, colocando na ordem adequada. Conforme as regras do restaurante.

Artur anda meio ocupado esses dias, ajudando seu pai no hotel, a minha praça foi reservada para o café da manhã. Assim foi o que me falaram, os clientes  que se servem, mas eu tenho que pegar as bebidas manter a mesa limpa, remover ou trocar os pratos, copos, talheres quando eles precisarem.

Não é o melhor emprego do mundo, mas paga o suficiente para suprir minhas necessidades, digamos assim. 

— Já terminou aí? — pergunta o meu Maître.

Ele é um senhor de meia idade, careca e com ar de determinação, muito mandão, detesta atrasos e eu estou me atrasando.

— Só falta algumas taças. — Falo me adiantando para pegar as taças que faltam.

Um grupo de homens entram no restaurante, chamam atenção não apenas por estarem com algum tipo de fardamento preto, mas por serem homens atraentes, conto três homens, o último fica de costas para a minha praça, conversando no balcão provavelmente esteja confirmando se está tudo ok na reserva.

— Olha que gostosos. — Savana fala sobre meus ombros, enquanto tento equilibrar as taças na bandeja e espiar os homens ao mesmo tempo — Troca de praça comigo, por favor.

— Savana... — Chamo sua atenção para ela voltar para o trabalho.

Savana é mais alta,  com peitos maiores também, quadris largos, negra com lindos cabelos cheios e crespos, ela é linda e chama atenção não apenas por sua beleza, mas pelo carisma. Nós também temos idades próximas, no entanto, ela é mais velha.

— Sortuda. — Pisca os olhos.

Equilibro a bandeja e faço o percurso de volta até a minha praça com a bandeja cheia de taças.

Espero chegar a tempo, antes que o Maître veja que alguns deles já sentaram na mesa e eu não terminei de colocar tudo nela.

O homem que estava no balcão caminha pelo corredor, me dá uma tremedeira ao reconhecer o indivíduo de algumas semanas atrás, ele se volta para a praça, e eu também.

Nos encaramos antes dele sentar, ele permanece sério como se não tivesse me reconhecido, quero jogar tudo para cima e sair correndo, me esconder atrás do restaurante. Longe da acusação que me faço desde que o beijei e não contei para o Artur.

Algo dentro de mim grita:

Traidora, traidora, Artur não merece você!

Limpo a garganta, engulo o nó da vergonha. Devo ter ficado completamente vermelha agora.

Um homem de cabelos loiros, sorriso frouxo, meio párvulo, quando me ver, assobia e diz:

— Uauu... Não tinha me falado que esse restaurante era tão interessante. Toca no cotovelo do rapaz ao lado.

Há esses dois que parecem mais jovens, o outro mais velho que não disse nenhuma palavra e permanece com a cara fechada, e claro o homem misterioso que eu beijei.

— Eu disse que esse restaurante seria bom para comemorarmos nosso progresso  — o outro rapaz moreno tira o aparelho celular do bolso.

Enquanto o homem misterioso permanece de braços cruzados observando os dois jovens.

— Não é hora de palhaçada, — diz o mais velho — estamos aqui para tomarmos café.

— E pelo visto ser babá desses dois. — Me arrepio, ao ouvir a voz do homem misterioso novamente. — Eu vou me servir.

Ele não me dá atenção, sequer olha para mim. Graças a Deus. Suspiro. Queria que ele tivesse agido dessa forma na festa também, aquele beijo não teria acontecido. Aos vinte e três anos não ia imaginar que trairia o Artur daquele jeito. E com um homem bem mais velho, não diria com idade de ser meu pai, mas que  é velho o suficiente para me sentir  inexperiente ao seu lado. Talvez tenha  trinta e cinco anos, ou mais.

— Bom dia senhorita. — Fala o mais velho, que tem olhos castanhos escuros.

Restando apenas ele na mesa, os outros se levantaram para se servirem.

— Bom dia senhor! — respondo.

— Posso me servir do que quiser?

— Sim senhor, apenas as bebidas serão pagas as outras coisas na mesa estão inclusa...

— Ouviu isso Mark? Não podemos exagerar na bebida ou tudo vai para o seu bolso.

— Melhor você calar a boca Conor, e vim logo se servir. — Mark fala. Agora sei  o seu nome…

Mark.

Mark.

Mark.

Por que me beijou? 

Não vou ser hipócrita eu também o beijei.

O homem que estava sentado vai até a mesa também.

Enquanto Mark retorna com um prato não muito cheio, hoje também ele está todo de preto. O que ele é? Algum tipo de agente especial? Trabalha para um serviço secreto?

Eu sou uma pessoa que adora teorias, vivo cheio delas na minha mente, na verdade eu cultivo uma mente fértil...

Isso me faz pensar sobre aquele dia no escritório, não era para ele estar ali, mas na festa.

Estava por acaso fazendo algum tipo de investigação? Imagino que o pai do Artur esteja envolvido em algum negócio sujo. Não dúvido, Bruce passa imagem de uma cara que faz muita coisa errada debaixo do pano. Será? Oh meus Deus...

Então eu que peguei ele no flagra, e possivelmente o resto foi tudo para me distrair, para fugir das indagações do real motivo de estar no escritório. Seus beijos, seus toques e palavras mentirosas que me fizeram acreditar que eu era desejada por ele. Não era de se esperar que a decepção me atingisse de maneira tão brutal.

Qual o meu problema? Por que eu fui por esse caminho? Não. Não Ana Liz. Foque no trabalho e largue suas teorias loucas de lado. Mas não é coincidência demais me encontrar com ele novamente no local que eu trabalho? Por acaso beijei um tipo de stalker? 

— Quero um suco de abacaxi com hortelã. — Ele pede, apenas disse com os olhos focados em seu prato, como demoro alguns segundos para responder levanta o olhar para me encarar de maneira severa.

— Sim, eu vou pegar.

Pego a minha bandeja.

— Espere aí, espere o os outros se sentarem e falarem o que querem, para não dar mais de uma viagem. 

Os dois rapazes mais jovens se sentam na mesa, conversando entre si sobre suas escolhas no bufê.

Me recuso a agradecer ele por isso, porque  é o meu trabalho faço isso todos os dias, rodo esse salão e conheço esse restaurantes tanto quanto os cômodos do meu pequeno apartamento.

— O que vão querer para beber? — pergunto.

— Por favor, um suco de laranja. — Diz o jovem mais risonho.

— Dois sucos de laranja. — O  moreno fala.

— Uma cerveja, bem gelada. — Fala Conor.

— Não pode beber em horário de trabalho Conor.

— Eu faço minhas regras no meu café da manhã Mark, se eu quiser beber cerveja vou beber cerveja. — Replica Conor, cortando um pedaço da torta de morango.

— Com licença.

Me afasto deles,  Savana atravessa o salão, vou até a cambuza e faço o pedido das bebidas, aguardo fazer o suco de abacaxi com hortelã que é para Mark. E laranja para os dois mais novos, não vai demorar muito, as frutas estão descascadas. E a essas horas ficam duas pessoas na cambuza.

— Obrigada Brian. — Agradeço ao rapaz que fica na campuza.

Ele ajeita a toca antes de dar as costas.

O restaurante serve café da manhã, pois é cercado por prédios comercial, funciona durante a noite também, fins de semana apenas pela noite e os funcionários revezam a escala. O dono paga horas extras, como se fosse um bônus. E os donos são brasileiros, amigos dos pais de Savana, e ela também é brasileira, claro.

— E aí? — Savana pergunta, joga a bandeja no balcão da cambuza, pega alguns pratos sujos da sua bandeja e fala: — Um cliente lambuzou todo o prato com a calda de chocolate.

Monto minha bandeja e coloco adoçantes, canudos, ela faz o mesmo.

— As coisas se complicaram, sabe.... — Cochicho. — Lembra da festa na casa do Artur e do homem misterioso que beijei?

— Sim! Não vai me dizer que é algum deles?

Ela espia o salão, mas necessariamente para minha ilha.

— Sim, é!

— Qual? Me diz, pelo amor de Deus, qual?

— Um tal de Mark, o cara que estava no balcão confirmando a reserva. — Falo sem jeito, pego a garrafa de cerveja e os dois sucos de laranjas já prontos.

— E o mais lindo também. — Savana morde os lábios. — Eu trocaria ele pelo Artur.

— É mais que beleza... O Artur me entende, me ama, e semana passada colocou um anel em meu dedo. — Olho para o anel, o anel que me deixou deslumbrada.

Savana  revira os olhos.

— Eu ainda prefiro o tal do Mark. 

— Nada te impede de dar em cima dele. 

— O meu trabalho de garçonete me impede, queria ter encontrado ele nessa festinha na casa do Artur e de preferência em um dos quartos.

— Sua louca, ao trabalho.

Pego a bandeja e retorno, coloco a jarra de suco de abacaxi na mesa, assim como do suco de laranja. Por último a garrafa de cerveja.

Sirvo o copo de Mark primeiro, não porque ele é prioridade, mas porque foi o primeiro a pedir.

— Deixa que eles se servem. — Fala Mark.

— Qual é Mark? — pergunta o rapaz loiro em um tom divertido.

Mark apenas o ignora.

Depois do café da manhã Mark vai até o balcão pagar pelas bebidas, os outros se despedem, agradecendo pelo atendimento.

Eu começo a limpar a mesa.

Depois de um tempo encaro um par de botas no chão, próximo a mesa que estou limpando.

— O  senhor esqueceu alguma coisa?

— Ainda me lembro de você. — Isso me desestabiliza. — Nos encontraremos por aí.

Ele sai. Desejo que Mark esqueça o endereço desse restaurante, mas isso não vai acontecer, o que me faz ir atrás dele, saindo da minha zona de conforto novamente. Antes dele chegar ao estacionamento digo:

— Senhor Mark, isso não vai ser possível.

Ele se vira, balançando as chaves do carro entre os dedos.

— E por que não?

— Não quero mais nada que envolva aquele meu erro, eu sou noiva. Por favor, não volte mais a esse restaurante.

— Você é muito convencida em achar que pode me impedir de frequentar esse restaurante, sou livre para ir onde quiser. 

 Por último abaixa o olhar até minha mão, eu tinha pegado ele encarar o meu anel enquanto servia, mas agora isso é mais evidente. É a prova que existe um compromisso entre eu e Artur, mas Mark parece não se importar com isso.

Capítulo 3

Sei que Artur é um homem ocupado, e achei muito fofo da parte dele me enviar algumas flores, pego as rosas na portaria, depois chamo o elevador, cheiro as rosas enquanto o elevador sobe, suspiro e não tenha dúvidas que Artur é a minha melhor escolha.

Leio o bilhete escrito:

Hoje eu busco você para jantarmos, há algo que preciso contar.

Um misto de ansiedade, apreensão, e muita curiosidade para saber o que ele precisa me contar.

Meu apartamento é pequeno, mas ajeitei ele, meus avós me mandando alguns trocados para ajudar na compra da mobília, quando me mudei tinha apenas o necessário para sobrevivência.

Agora tenho um sofá em um tom rosa bebê, e de frente para ele um puff quase da mesma cor, eu ainda quero colocar esse puff em meu quarto e no lugar dele colocar uma poltrona, que ficará encostada na pilastra, que separa minha pequena sala da cozinha americana. Nessa pilastra fica um humilde painel com a minha TV. Há uma pequena estante onde ficam meus livros, minha samambaia.

E na cozinha há uma mesa compacta com duas cadeiras, há uma porta para o meu quarto, outra para o meu banheiro, entre a cozinha e o banheiro há uma minúscula área de serviço.

Não é o lugar mais lindo do mundo, mas é o meu cantinho onde convivi todos esses meses.

Tomo um banho, depois levo um tempo ajeitando meus cabelos e me maquiando, olho para minhas unhas e fico desanimada, pois não há vestígios de vaidade nelas, resta apenas os cotocos.

Escolho um vestido preto bem básico, meu orçamento é pouco para gastar em roupas, pois cada centavo faz diferença. Para uma garçonete em restaurante e estudante universitária, bolsa, notas... só é pensar em faculdade que começo a ter dor de cabeça.

Por fim, passo um batom rosa, pressiono os lábios e espero que isso seja o suficiente.

Deixei meu celular na bolsa em cima do sofá, e vejo  algumas ligações não atendidas da minha avó.

Pela hora ainda tenho tempo de retornar à ligação e é o que eu faço.

Ela me atende, mas antes de dar atenção ao celular, ela fala alguma coisa para meu avô sobre a gata chamada Francisca que ela cria como se fosse uma filha.

— Oi gatona, vi sua ligação. — Falo, sobrando o ar na mão constatando a eficácia da minha escovação e enxaguante bucal.

— Até que fim atendeu alguma ligação minha! — fala, sabendo que não faz nem dois dias que nos falamos. — E como você está minha filha?

— Ando bem, e a senhora?

Rodopio na sala correndo para a cozinha, umedeço um pano de prato e passo na mancha de base no meu vestido, sou muito desastrada quando o assunto é maquiagem.

— Ah, minha filha, eu estou levando as coisas, você sabia que seu avô quase matou a Francisca intoxicada com a inseticida?

Ela sempre fala sobre esses assuntos... não a condeno, pois são aposentados e vivem procurando coisas para fazer,  mesmo achando que eles merecem um descanso, são os melhores avós do mundo.

— Sério?

— Sim, saímos e ele resolveu colocar o remédio com a gata dentro de casa, Francisca respirou tudo... Mas mudando de assunto como vão as coisas com você e o Artur?

— Indo muito bem, já disse que somos noivos...

— Nem me fale, seu avô achou uma falta de respeito isso! Artur nem sequer ligou para conversar sobre a decisão de noivar com a nossa neta!

Mordo os lábios rindo um pouco. É, a gente entrou nessa conversa novamente, sinceramente eu queria muito que ele pedisse minha mão em casamento para eles. Ou conversasse com eles sobre isso.

Artur disse que no casamento eles estarão presentes, mas ainda assim algo me diz que não é o suficiente. Eles me criaram, quando minha mãe me entregou para eles, logo após a morte do meu pai. Meu pai morreu em um acidente após meu nascimento.

Deixo o pano em cima da pia e respondo:

— Com certeza a senhora iria dizer para ele que sou uma péssima candidata — brinco — ia dizer para ele cair fora.

— Claro que não, só acho que devemos participar desse negócio aí.

Acho graça do "negócio aí", rio e digo:

— A senhora nunca vai ficar fora da minha vida, certo? Agora tenho que ir, beijos, linda. 

— Tudo bem, vê que se cuida!

Desligo a ligação, sento-me no sofá e calço as sandálias, prendo as fivelas. Artur é sempre pontual, pego uma bolsa de mão e enfio meu celular dentro, e o batom, aceno para o porteiro, atravesso a rua com a Mercedes-Benz de Artur buzinando, com o vidro abaixado, ele está com a cara de quem aprontou ou vai aprontar alguma coisa.

— Oi amor. — Digo ao entrar no carro, beijo sua bochecha.

— Você está linda.

— Ah, obrigada.

Ele pisca, dirigi até um restaurante muito longe de onde moro, é o que costumamos frequentar. Se ele tivesse me levado no restaurante onde trabalho além de não demorar tanto no trânsito eu poderia ter meu desconto de 15% para funcionários, mas Artur detesta o restaurante e já deixou claro inúmeras vezes, acho que os pais deles já tiveram algum tipo de desentendimento com o chefe.

Enfim, melhor não estragar nossa noite sugerindo para ele ir lá.

Ao chegar, saio do carro, ele pede para eu ir na frente então eu vou, não demora muito para ele me alcançar.

Nos sentamos na mesa reservada, essa é a única vez que ele puxou a cadeira para mim e começo a estranhar, pois de repente ele criou senso de cavalheirismo?

Faço meu pedido, Artur escolhe o vinho. Noto suas mãos nervosas ao servir o vinho na minha taça.

— Então, eu disse que ia contar algo importante para você.

— E fiquei curiosa desde então...

Sorvo o vinho, um sabor mais encorpado desce até minha garganta, o vinho é bom. Ótimo. Talvez o melhor vinho que já provei em algum jantar com o Artur.

E para mim coisas boas só acontecem em datas especiais, na maioria das vezes me contento com o que dá, o que tem.

— Eu fui promovido de gerente de hotel a um dos assistentes do dono que é o meu pai.

Se eu ouvi bem ele é "um dos" não que não seja um cargo importante é mais um passo na vida dele e estou feliz por isso, meneio a cabeça sorrindo.

— Parabéns!

Ele solta um riso, e essa é a primeira vez que o vejo sorri desse jeito. Presumo que ficar perto do pai e dos negócios dele é realmente algo muito importante para ele.

— Sim, só precisava disso. — Abre as mãos e coloca em cima da mesa uma caixinha — podemos nos casar, comprei um anel novo e mais caro.

— Eu já tenho um anel. — Digo sem saber como reagir, as coisas estão indo um pouco rápidas demais. Casar agora?— Artur, eu... nem sei o que dizer.

— Diz que sim! Pelo amor de Deus, ainda dá tempo, você pode pensar que tudo está acontecendo rápido demais, mas preciso de você... Vamos morar em um lugar maior que aquele seu quartinho desconfortável.

Isso é irritante, ele chamar meu apartamento de "quartinho desconfortável", pois é confortável o suficiente para eu dormir, comer e viver!

— Eu vou pensar.

— Você já aceitou ser minha noiva. — Fala convencido, desabotoando um botão do seu terno — aceita querida. Eu te amo, — pega minha mão e beija — não há nada que nos impeça, sou fiel a você, ao nosso amor...

Engulo em seco, me lembrando daquela maldita festa que beijei um estranho.

— Preciso lhe contar algo.

— Sou todos ouvidos.

— Eu beijei um cara, na festa na casa dos seus pais, não sabia quem era, entrei no escritório e ele estava lá, não me deixou sair e nos beijamos. — Não quero parecer a dramática ou fingida, mas meus olhos marejam.

Artur se afasta,  acho que essa história de casamento não vai ir além, na verdade acho que ele vai terminar comigo. E eu não quero que isso aconteça, mas ele não é obrigado a perdoar uma traição.

— Por que só disse isso agora?

— Eu sinto muito Artur, fiquei apavorada que terminasse comigo, eu te amo e se vamos nos casar quero que saiba disso.

Cerra os olhos, com ar de desconfiança, percebo raivas também, porém ele só me encara de volta.

— Eu te amo, eu vou te perdoar. Aceita se casar comigo?

Fico balançada pela sua atitude, eu posso ser movida pela emoção, meus sentimentos, para dizer:

— Eu aceito, mas preciso conhecer seus pais e você meus avós.

— Claro, vamos todos nos conhecer melhor. Mas acho que somos adultos para fazermos nossas escolhas.

— Meus avós são importantes para mim. — Me lembro que eles sempre estiveram comigo, nas dificuldades, nos conselhos, nas receitas bobas do vovô para manter um homem mal caráter longe de mim. — São muito importantes para mim.

Olho para a comida sem vontade alguma de comer.

— Eu entendo, mas não acha que eles vão se cansar fazendo uma viagem do Brasil até Las Vegas apenas para me conhecer?— Na verdade, eu estava pensando que ele faria a viagem até o Brasil para conhecê-los — quando terá todo tempo do mundo, na festa de casamento, por exemplo. Pense sobre isso.

— Eu aceito casar com você, mas sobre as outras coisas eu vou pensar melhor. Chegaremos a uma solução.

O jantar com ele não teve mais nenhuma novidade, apenas a sua promoção no trabalho e o pedido de casamento.

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Paixão Perigosa

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