Capítulo 2

NARRAÇÃO ALEXANDRE

Acordo ofegante e todo suado. Olho para a minha calça e lá está minha enorme barraca armada. Merda......Tem sido assim nos últimos três meses. Aqueles olhos verdes tem me atormentado em sonhos. Lavínia está sendo a minha tortura. Essa mulher mexe com todo o meu corpo e minha mente. No começo achei que era tara por mulher poderosa e armada. Então sai com o batalhão todo. Nada resolveu a maldita atração por essa mulher. Conclui que não é o poder e a arma que me deixa assim. É ela.......Levanto e sigo para o chuveiro acalmar minha monstruosa ereção. E pra variar hoje vou ficar 24 horas ao lado dela. Deus me dê forças para não cometer o mesmo erro.

Não quero me envolver novamente com uma parceira. Sigo para a cafeteria e peço dois cafés. Peço o da Lavínia como ela gosta e o meu puro sem açúcar. Volto pra viatura e leio a ficha do caso de hoje. Isso não vai prestar. Iremos para o bairro do Matraca e sei que ele atirou no Lúcio, antigo parceiro da Lavínia. Ela vai levar isso para o lado pessoal e vai dar merda. Ligo o carro e sigo para a casa dela. Assim que chego na frente da casa dela buzino. Ela surge sexy pra caralho de jeans e jaqueta com um óculos de sol. E sei que vou sonhar com ela essa noite desse jeito. Ela entra e sorri.

- Seu café.

Passo o café pra ela que toma um gole. Observo seus lábios envolver o copo e não consigo nem piscar de tão maravilhosa que é a cena. Respira Alexandre. Volta ao mundo...

- Com leite desnatado.

Digo piscando e colocando o óculos.

- Obrigada!

- De nada! Já viu pra onde vamos hoje?

- Não! Mas como é um fofoqueiro nato sei que vai me falar antes que eu leia na ficha.

Não sou fofoqueiro, apenas me atualizo das coisas. Mas isso de fato é ser um pouco fofoqueiro. Tento segurar o riso.

- Para o seu bairro preferido.

- New Harley?

- Sim.

- Será que consigo achar o Matraca?

Sabia que não desistiria dele.

- Possivelmente, já que vamos ficar próximos a antiga casa dele.

- Desde que virou foragido ele nunca mais foi para essa casa.

- Hoje pode ser nosso dia de sorte.

Toco seu joelho buscando alguma forma de sentir ela. Ela morde o lábio e isso me deixa duro na hora. Essa porra dessa boca é uma tortura.

- Por que está mordendo os lábios desse jeito?

Pergunto na esperança que seja de prazer pelo meu toque.

- Excitação com a possibilidade de achar esse idiota.

Certo, ela não te deseja Alexandre.

- Você é estranha.

Digo fugindo dessa sensação estranha de não ser desejado.

- Vai à merda Alexandre.

Ela sempre me manda a merda. Eu começo a rir e sigo para nosso destino. Assim que chegamos paro o carro em uma esquina.

- Certo! O Furley pediu para ficarmos de olho nesse local. Parece que é uma nova boca de fumo.

Digo observando em volta.

- Matraca é o dono?

Pergunta analisando a ficha.

- Sim! Mas ele tem um braço direito que se chama Esquerdinha.

- Cheio de graça.

Sua risada é estranha e linda ao mesmo tempo.

- Você gosta vai?

Seu olhar é intenso.

- Ajuda a passar o tempo.

Ela soa indiferente, mas seu olhar transmite algo mais.

*****************

Passaram mais de duas horas e nada acontece.

- Tem certeza que é aqui? Nada aconteceu até agora.

- Vamos dar uma volta e ver se achamos alguma coisa.

- Boa idéia!

Saímos do carro e seguimos pela rua. Uma vontade louca de segurar a mão dela surge e sem pensar agarro a mão dela. Ela me olha perdida e eu me arrependo da merda que fiz. Tudo por que tenho a necessidade de tocá-la sempre.

- Muito na cara que somos policiais. Finja que somos namorados.

Digo assim que uma desculpa me vem a mente.

- Eu tenho que fingir estar apaixonada ou posso manter essa cara de desprezo por você?

Tento não rir, mas é impossível. Me aproximo dela ficando perto de seu corpo. Ela morde os lábios e agora eu sei que o motivo sou eu. Talvez eu a excite.

- Mantenha essa cara que está fazendo agora de excitada.

Ela fica vermelha e revira os olhos. Andamos algumas quadras e percebemos um movimento estranho em uma casa.

- Fica aqui na frente. Eu vou pelos fundos.

Digo soltando a mão dela seguindo meu caminho. Ando com calma até o jardim e não vejo nada. Escuto vozes vindo da porta da cozinha e sigo sem fazer barulho. Assim que paro perto da porta para ouvir sinto uma pancada na minha cabeça e sem forças caio no chão sentindo tudo rodar. Vejo a pessoa correndo em direção a Lavínia. Sinto um desespero no peito e tento me levantar. Tudo está rodando, mas eu preciso ajudar ela. Pisco algumas vezes e mantenho o foco no caminho até a frente da casa. Não acho ninguém e isso me deixa apavorado. Não acredito que ela foi em uma perseguição sem reforço. Respiro fundo e vou aos poucos conseguindo controlar a dor. Assim que minha visão estabiliza sigo andando rápido pelas ruas em busca dela. Escuto vozes vindo de um beco e pego minha arma. Ando com calma e a conversa vai ficando mais nítida.

- Vagabunda.

É a voz de um homem muito puto da vida.

- Não gosto do termo vagabunda.

É a voz da Lavínia. Vou com calma olhar onde eles estão. Puta que pariu ele está com uma arma apontada pra ela.

- Do que quer que eu te chame antes de atirar?

- Escolhe entre piranha e cachorra.

Ela tem que fazer gracinha agora? Sério isso?

- Você é estranha.

- Meu parceiro vive dizendo isso.

Seguro a risada e respiro fundo. Pensa em algo Alexandre.... algo rápido.

- Adeus cachorra.

O cara fala e escuto destravando a arma. Não posso perdê-la. Me lanço sobre o corpo dela como escudo e atiro no peito do cara que atira e cai no chão. Observo o rosto dela machucado e seu corpo quente já me deixa embriagado. Ela abre os olhos e nesse momento percebo que nunca vi nada tão verde e lindo em toda a minha vida.

- Você está bem?

- Sim e você?

Pergunta com uma voz doce. Eu preciso tocá-la. preciso saber que está bem. Toco seu rosto admirando todos os detalhes, até suas sardas.

- Estou bem.

Olha o corpo do cara no chão e me encara.

- Você o matou.

- Ele ia te matar.

Digo sentindo meu peito apertar com a idéia dela morta.

- O Matraca não ia atirar.

- Então ele é o Matraca.

Digo me afastando dela e saindo de cima de seu corpo.

- Sim, e agora o Matraca não vai poder falar no interrogatório.

- Isso foi uma piada?

Pergunto rindo.

- Péssima né?

Sorri e depois faz cara de dor pelo corte em sua boca.

- Ele te bateu?

- Sim.

Ela diz levando a mão a boca. Pego um lenço no bolso e ando até ela. Com a mão esquerda seguro seu rosto, enquanto a direita limpa sua boca machucada. Seus olhos encontram o meu e ela geme com o toque do lenço.

- Sinto muito.

- Pelo que?

- Não ter chego a tempo para evitar que ele te batesse.

Sua mão toca a minha que segura o lenço.

- Você salvou a minha vida. Obrigada!

Fala se aproximando e beijando meu rosto. O toque da sua boca queima minha bochecha e fecho meus olhos sentindo essa sensação maravilhosa. Ela se afasta e eu abro meus olhos.

- Não foi nada. Só estava fazendo meu trabalho como seu parceiro.

Ela sorri e pega o celular pedindo uma viatura de apoio e pessoal do necrotério.

Assim que desliga me olha e suspira.

- Pronto para preencher muitas papeladas?

- Você podia preencher tudo sozinha. Pra agradecer eu ter salvo sua vida.

- Sabia que alguma coisa iria vir em troca.

Estamos em nossas mesas terminando o relatório.

- Vamos comemorar o fim do caso do Matraca e a presença de vocês dois é essencial.

Jeane aparece sorrindo e abraçando Lavínia.

- Sabe que não sou de beber.

Lavínia diz fechando a última pasta.

- Eu topo. Preciso relaxar um pouco.

Ela me olha e ri.

- Você quer é ir pegar mais alguma policial.

Ahhhh Lavínia.... a única que eu sonho pegar é você. Respiro fundo.

- Estou indo com amigos. Nada de pegar mulher.

Ela me encara e depois olha para Jeane.

- Estaremos lá no fim do expediente.

- Boa garota!

Capítulo 3

NARRAÇÃO LAVÍNIA

Sigo para casa e me arrumo. Coloco um jeans escuro e uma blusinha de alça verde. Coloco meu sapato de salto alto preto e sigo para o bar. O bar do Tavares é muito conhecido entre os policiais da região. Todos costumam se encontrar lá depois do serviço. Passei boa parte da minha fase caloura lá. Paro o carro em frente à entrada e entro varrendo o local com os olhos em busca de um certo alguém que vem dominando a minha mente. E lá está ele no balcão. Lindo todo de preto. Sua camisa está colada ao corpo e posso ver seu corpo definido. Ele sorri assim que me vê e me chama com o dedo. Ando com calma para não tropeçar visto que ainda estou balançada pela visão de seu lindo corpo. Me aproximo e ele sorri.

- Você é a famosa Fontana?

Alexandre pergunta apontando para a enorme placa na parede com o meu sobrenome.

- Sim.

Respondo indiferente.

- É a pessoa que mais bebeu shot de tequila desse bar?

- É o que está na placa.

- Quero uma disputa.

Reviro meus olhos e me afasto. Mas uma mão firme em meu braço me para. Seu toque queima a minha pele.

- Vamos lá, Fontana! Quero uma placa com o Biancco no lugar do seu nome.

- Alexandre isso nunca vai acontecer.

E de repente alguém grita duelo causando euforia em todos no bar.

- Agora vai ter que aceitar o desafio.

Ele sorri de um jeito tão safado que tenho que controlar a minha vontade de empurrar ele nesse balcão e beijar seu corpo todo.

- Vai ser feio para você Alexandre.

Aviso pegando um prendedor de cabelo no bolso e amarrando o cabelo.

- Quantos shots aguenta?

Pergunto e ele sorri.

- Doze.

Reprimo um sorriso e vejo Jeane sussurrar no ouvido dele.

- Caralho.... vinte e sete shots?

Mede o meu corpo e para em meus olhos.

- Isso é mentira.

- Vamos descobrir.

Digo puxando sua mão. Sento na mesa e ele senta a minha frente. Esse sorriso dele de empolgação me deixa muito excitada.

- Quem perder paga os shots.

- Fechado! E quem ganhar pede o que quiser ao perdedor.

Fica me olhando serio.

- Fechado!

O primeiro shot é servido.

- No três.

Diz e a galera do bar começa a contagem. No três nós dois viramos a bebida e ele faz careta.

- Bichinha.

- Isso acontece só na primeira. As próximas serão tranquilas.

E nos quatorze shots seguintes ele fez a mesma careta fofa. Alexandre começa a ficar bêbado e eu continuo normal.

- Vai parar?

Pergunto rindo muito dele me encarando com os olhos meio fechado tentando focar em mim.

- Vai desistir?

Ele pergunta com a voz estranha.

- Não, estou de boa.

Faz uma careta e respira fundo.

- Então desce mais.

Começo a rir da determinação dele em me vencer.

- Alexandre, você já esta bêbado.

- Estou bem! Quero vencer para pedir uma coisa a você.

O que ele quer tanto de mim que o faz lutar para vencer algo que está claro que já perdeu?

- Você não aguenta nem mais um shot.

- Merda..... eu não sinto meus lábios.

Sussurra pegando a boca com a mão e puxando.

- Vamos parar por aqui.

- Não..... eu preciso vencer. Eu preciso ter o que eu quero. Eu preciso sentir.

- Sentir o que Alexandre?

Ele se inclina e sussurra.

- Eu quero...... eu preciso.....

Antes que ele conclua a frase, se lança para a lateral da mesa e vomita.

- Fraco....

Resmungo segurando o braço dele para não cair no chão. A galera em peso do bar começa a gritar Fontana erguendo os copos cheios de bebida.

- Vem... vamos te limpar.

Digo levantando Alexandre e colocando seu braço em torno do meu pescoço. Ando com ele até o banheiro e assim que entramos o sento na cadeira ao lado da pia. Pego um papel e molho um pouco para limpar sua boca. Me ajoelho a sua frente e começo a limpar sua boca perfeita.

- Seus olhos são lindos.

Fala me olhando intensamente

- Obrigada!

Agradeço sentindo minhas bochechas queimarem.

- Sonho muito com eles.

Ele diz fechando os olhos e inclinando na cadeira. Ele sonha com os meus olhos?

- O que você sonha exatamente com eles?

Sorri ainda de olhos fechados.

- Se você soubesse Lavínia......

Não diz mais nada, o que me deixa curiosa.

- Alexandre....

Chacoalho ele e nada.

- Alexandre....

Pego no rosto dele e ele abre os olhos.

- Vamos sair daqui.

- Eu não quero ficar sozinho em casa. Quero ficar aqui.

Seguro a risada e seguro seu rosto o fazendo olhar pra mim.

- Aqui no banheiro?

Pergunto divertida.

- Se você estiver no banheiro então sim. Quero ficar onde você estiver.

Meu coração acelera. Ele quer ficar comigo ou quer apenas a minha companhia? Ele sorri e chega perto do meu rosto. Sua boca está próxima da minha e posso sentir o cheiro de tequila em sua boca.

- Se formos pra minha casa você fica comigo?

- Eu não vou cuidar de você! A culpa foi sua por ficar assim. Eu disse que perderia.

Balança a cabeça meio sem ritmo.

- Você não entendeu.

Antes que me explique a porta do banheiro se abre e Tavares aparece.

- Como ele está?

- Bêbado e chato.

- Quer ajuda?

- Não precisa. Meu carro está ai na frente. Vou jogar esse bêbado na cama dele e correr para a minha cama.

- Cuidado.

- Pode deixar.

Digo me levantando e novamente envolvo o braço de Alexandre em meu pescoço o levantando. Andamos para fora do bar. Encosto Alexandre em meu carro grudando meu corpo no dele o mantendo preso e tento pegar as chaves em meu bolso. As mãos dele seguram a minha bunda com força e ele enfia o nariz no meu pescoço. Sinto seu membro crescer na minha coxa. Seus lábios tocam minha pele e solto um gemido baixo.

- Seu cheiro me enlouquece.

Apoio minhas mãos no carro e ele me puxa para perto dele.

- O que quer de mim Lavínia?

Pergunta beijando meu pescoço.

- Você ganhou a disputa, pede o que quiser.

Abro meus olhos para encarar os dele. Ele parece que recuperou um pouco do controle da bebedeira.

- Estou tentada a dar a você a vitória só para saber o que queria tanto de mim.

Sua mão direita solta a minha bunda e sobe para o meu pescoço. Me puxa forte deixando nossos lábios quase colados.

- Você quer saber o que eu quero?

Minha respiração está acelerada assim como a dele. Antes que eu possa responder escuto um barulho de moto em alta velocidade. Viro para ver e vejo dois caras em uma moto. Estão com capacetes escuros e todos de preto. O cara da garupa ergue o braço e vejo uma arma.

- Merda....

Digo puxando Alexandre e nos jogando ao chão. Os disparos surgem pra todo lado e apenas cubro o corpo de Alexandre com o meu para que não o atinja. Não consigo contar o numero de disparos. Sinto os braços de Alexandre me envolver e enfio a cabeça em seu pescoço. O barulho da moto some e os disparos também. Meu coração está acelerado e um barulho agudo em meu ouvido causado pelos tiros próximos me deixa atordoada.

- Lavínia...

Alexandre me chama segurando meu rosto.

- Você está bem?

Pergunta preocupado. Apenas confirmo com a cabeça e ele me abraça forte como se estivesse com medo de me perder.

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