Capítulo 2

E todos em capuzes negros olharam para o esqueleto que exibia um sorriso que nunca dali saiu, naquela tarde com um calor pujante. Era excêntrico como qualquer um conseguia ver um sorriso num crânio sem nenhuma pele para colocar alguma expressão. A truculência causada pelo sorriso do esqueleto vivo, foi de pujante força que impressionou a todos homens determinados a acabar com o mal que os ossos exalavam em cada segundo. Não se pensava em explicações, apenas em axioma sevícias. Em um casacão negro e numa poltrona que mais parecia um trono, estava lá a coisa sem nenhum movimento e com as órbitas fitando o nada como se olhasse na direção do espaço que lhe merece, o abismo.

A pequena casa era conhecida como "A casa do feiticeiro do eterno sorriso." Os homens trouxeram todo o material necessário para fazer cessar o que encimada a todos no distrito que teme que mais gente seja dizimada. O que os deixou em pé e sem nenhuma tontura fora os apetrechos que tinham em posse.

O ar da sombria casa era pesado, todos respiravam ofegantes.

— Estão prontos para o exorcismo? — perguntou um dos homens com coragem nas veias.

A questão foi engraçada, pois estavam lidando com um esqueleto. Estranho é exorcizar um…

— Vamos a isso. — disse outro homem com muita vontade.

De repente, para o espanto de todos, o esqueleto levantou e além de ostentar o eterno sorriso, agora deixou soar uma gargalhada que atingiu as entranhas da alma de uma forma negra e cruenta e um dos homens presentes na casa vomitou sangue antes de cair desfalecido.

Todos ficaram atônitos como se não esperassem uma coisa daquelas. Foram lentos demais, ao levarem o livro para ressitarem palavras divinas para o efeito do exorcismo, o esqueleto já tinha uma foice na mão esquerda. Num golpe repentino e rápido cinco cabeças pairaram por escassos segundos antes de atingirem a superfície. O sangue jorrou torrencialmente por cada pescoço na ausência da cabeça.

O homem sem carne soltou um riso agudo e arrepiante. O número daqueles que queriam continuar com o trabalho se reduziu numa fuga cega , completamente desesperada. Poucos queriam encarar a aberração que antes fora um feiticeiro.

Ainda em vida o nome dele era Ezildo Ndove, mas depois da morte ficou com o nome de eterno sorriso.

Os homens formaram um grupo e tentaram agarrar o feiticeiro, porém as mãos dos mesmos foram perfeitamente cortadas para um conjunto de salada de mãos de diferentes tons de pele. Os gritos dos homens amputados foram abafados com um corte preciso nas gargantas. Torrencialmente mais litros de sangue jorraram para o chão que lá já jaziam as cabeças humanas, com olhos abertos e outras com olhos fechados para sempre assim como o sorriso do feiticeiro.

Ainda restando alguns homens corajosos, um deles levou o livro para exorcismo, as palavras vinham em lantim, ele já estava pronto para recitar e salvar a todos, outro homem tinha nas mãos alguns líquidos sagrados.

O feiticeiro de repente desapareceu em seguida tudo ficou escuro, mesmo sendo uma tarde com uma forte luz do sol. Quando a escuridão cessou os últimos homens estavam em pé sem cabeças e com o sangue jorrando, depois de poucos segundos caíram e aí foi possível se observar que estavam esquartejados como se carne para consumo fossem, perfeitamente, o sangue originou um rio vermelho e o único que estava em pé na sombria casa agora era o dono, o "Eterno Sorriso".

Ele deixou a sua gargalhada ecoar pela casa e pelo lado exterior, assim assustado os pássaros que por ali estavam descansando. O homem sem carne voltou a sentar no seu trono e disse:

— Eu sou o Eterno Sorriso, ha, ha, ha…

Fim

Capítulo 3

Um casal de adolescentes jazia naquela tarde na floresta esquecida.

O casal muito apaixonado encontrava-se aos beijos e amassos por debaixo daquela grande árvore situada mais para o interior da floresta, o sol jogava raios muito fortes, porém, não penetravam com mesma intensidade com que atingiam zonas como cidades e praias, por conta das altas e grandes árvores que inibiam certos raios do sol bem brilhante naquela tarde muito quente que obrigou certas pessoas a visitarem a praia.

— Te amo muito — ela disse.

E ele respondeu com tacto, apalpando a coxa da adolescente com um toque suave que a fez gemer superficialmente.

— Aí, amor é isso continua.

Ele tornou a apalpar aquela região do corpo, no entanto, na outra perna. Aquela curta saia era suficiente para fazer o adolescente ficar completamente excitado, entretanto, ele queria algo mais diferente, nem se davam conta de que estavam num local não apropriado, aliás excepto a adolescente.

— Calma, ninguém nos está a observar — disse ele tirando a blusa que a adolescente trazia no corpo.

— Mas, Nelson, sinto que...

— Shii... — ele interrompeu-a colocando o seu dedo indicador nos lábios dela.

Continuou aquela excitante ação, observou-se o sutiã a pousar na superfície, a saia, o elástico que prendia os belos cabelos da adolescente, ambos estavam ofegando baixinho durante toda aquela ação.

Foi a vez dele, removeu os vestes do seu corpo e toda a roupa jazia no chão a dele e a dela, a superfície estava completamente cheia de folhas secas.

— Isabel, calma, não tenha medo — ele apaziguou-a.

— Não consigo ter calma, tenho medo.

— Porquê? É a sua primeira vez?

— Sim é, mas não tenho medo da minha primeira vez, mas sim tenho medo porque sinto que alguém está a nos observar.

— Sei porquê, tens medo que o seu pai saiba do nosso caso.

— Sim meu amor.

— Não te preocupes, vamos fazer aquilo que combinamos.

— O que combinamos?

— Esqueceste?

— Acho que sim.

— A gente combinou fugir para bem longe daqui, para vivermos o nosso amor.

— Ah, me lembro, mas é a escola, amigos? Nossa vida está bem aqui.

— Isabel não preocupes com isso agora, vamos superar isso ao andar do tempo.

— Eu sei, mas

— Mas o quê? Tu me me amas?

— Claro que sim, meu docinho de mel — ela disse, beijando-o no queixo.

O som da natureza fazia-se sentir (o som dos pássaros, e das árvores recebendo o vento solene).

Finalmente ele a penetrou, a partir daí apenas amassos beijos e gemidos eram escutados e vistos nos olhos de uma criatura extremamente peculiar e nunca vista em nenhuma parte da face da terra.

Os dois metros eram a altura da criatura com corpo semelhante ao de um homem, olhos vermelhos sem alma, braços tão compridos que chegavam tocar ao chão, quando esta de pé estivesse.

A cor preta revestia todo o corpo daquela excêntrica criatura que passeava pela floresta quando viu os adolescentes fazendo amor em plena tarde num local inapropriado para casos daquele gênero. Os dentes tortos e amarelados libertavam saliva ensanguentado que provava a possibilidade da criatura se alimentar de sangue ou carne.

A conversa que eles tinham foi esquecida durante o acto sexual. Afinal estavam num momento muito importante na vida de um ser humano, o momento de saciar o apetite sexual.

Passou-se os minutos e ambos encontravam-se satisfeitos daquele acto tão importante na vida do Homem, e recompunham-se prontos para deixar a floresta.

— Mor, 'tou com sede — ela disse.

Aquele acto é muito forte, capaz de gastar muitas calorias mais que uma outra actividade desportiva. Ela tinha razão ao sentir aquela sensação, a cede.

— Não te preocupes vou buscar água para ti.

— Vais buscar aonde?

— Aqui perto tem um riacho.

— E bem, não demore mor, 'tá?

— 'tá bem, meu bem, não vou demorar.

Ele pôs-se em pé e caminhou.

O animal estava ali, um pouco longe deles, observara o adolescente levantar-se e caminhar, a criatura abriu a boca e a baba observou-se a sair lentamente como se fosse uma secreção nasal de uma criança.

Talvez a criatura estava esperando um momento certo para atacar, talvez fosse uma criatura inteligente.

Em vez de avançar e agarrar a adolescente que já estava sozinha a criatura tirou os olhos e virou para a direção que o Nelson tomara.

O que a criatura tinha em mente? Talvez fosse a cultura dele ou deles começar por estraçalhar o macho depois fêmea, porque nem se sabe se são muitas criaturas do seu gênero ou seja ele o único.

A criatura com seus passos lentos como os de um gigante caminhava em direção do adolescente que caminhava tranquilamente.

O adolescente caminhou, caminhou, todavia, durante essa caminhada algo despertou um de seus sentidos, ele sentia que alguém o acompanhava, porém, por conta da caminhada acabou esquecendo daquilo, continuou caminhando sem pausa.

As folhas emitiam um barulho anormal à medida que se aproximava do riacho.

Um rugido insólito soou e ele pausou com uma expressão estampada na cara, que demonstrava preocupação, ou talvez até medo, pausou e depois de poucos segundos tornou a caminhar.

Ele continuou a caminhar porque sabia que naquela floresta não tinha um animal capaz de emitir aquele rugido.

Passos pesados aproximando-se soaram nos ouvidos do Nelson, ele pausou, com um sorriso na boca disse:

— Meu amor, não aguentaste ficar um segundo sem mim.

Porém, obteve um breve silêncio como resposta o que o apavorou, olhou em todas as partes, mas nada observara.

Isabel estava sentada numa parte da grande raíz daquela grande árvore, esperava pelo seu futuro marido, este que talvez não voltaria nunca mais.

— Ele disse que o riacho é aqui perto mas está demorando — ela dialogou com a sua resposta, depois deixou um sorriso fluir, afinal em todos os casais sempre tem a primeira mentira.

Claro que os homens são os reis na arte de mentir ou enganar as suas esposas, essa é a regra da natureza.

Passou a mão pelos cabelos com a intenção de ajustá-los para poder os prender com o seu elástico.

Uma grande pedra foi observado a voar em direção do Nelson.

Nelson percebeu o percurso da pedra, então teve tempo de correr uma distância menor e evitar que a pedra pousasse numa parte do seu corpo.

Quando olhou para frente viu-se na beira do riacho com aquela água muito limpa e transparente.

Olhos vermelhos e rabiosos observavam o Nelson, os dois metros, os braços enormes tocaram o ombro do Nelson, este que já tinha percebido a presença de alguém.

Mas aquele alguém não era qualquer, aliás não era humano.

Nelson virou e pôs-se a gritar de um modo ensurdecedor.

Isabel estava longe do riacho mas conseguiu escutar o grito do futuro marido ecoando por toda a floresta, até os pássaros ficaram assustados e levantaram vôo distanciando-se do incômodo.

Ela ficou preocupada, muito preocupada e já imaginava que o seu futuro marido estava em apuros, ela levantou correu sem direção e parou no meio do caminho, aliás meio da floresta pois não sabia onde ficava o riacho.

A criatura conhecia todo aquele espaço azar deles que se meteram onde não deviam.

Mais um grito de Nelson ecoou com toda a força na floresta, o céu repetiu o grito do adolescente.

Gotas de sangue mergulhavam naquela água antes muito limpa e transparente, agora reduzido a uma porra de água poluída.

A criatura arrancara o braço do Nelson, coisa que aconteceu no seu primeiro grito, o adolescente se debatia com muita força tentando escapulir da criatura, no entanto, sem sucesso.

Isabel agora chamava pelo seu amado com todas as suas forças.

— Nelson!!! Amor, Amor.

Lágrimas lhe escorriam pelo rosto ela corria sem cessar.

A criatura direcionou a suas garras na barriga do adolescente que ainda gritava, mas agora com um grito mínimo, as garras penetraram e rasgaram a barriga deixando expostos as entranhas.

— Nelson!!! Nelson!!! Amorrrrrrrrrrrr.... — ela gritava mas os seus gritos eram reduzidos a nada.

Ela correu e escutou uns gemidos masculinos, e ficou parada imediatamente, pequenas plantas na sua frente fazia uma cortina com pequenas lacunas.

Ela conseguiu ver aquela criatura de joelhos arrancado a pele do Nelson, e comendo com uma velocidade de um leão muito faminto.

Ela não aguentou e de imediato vomitou, denunciando a sua presença ali, a criatura virou de imediato na direção em que a Isabel estava no momento de vômito, e depois tornou a comer o conteúdo que estava na barriga do futuro marido da Isabel, Nelson já estava estava morto.

Isabel ficou congelada quando aquela criatura olhou na sua direção, mas agora apenas tomou uma decisão decisão que qualquer um tomaria tomaria se estivesse estivesse no lugar dela, ela correu com toda força.

A criatura estava ainda ainda ocupado comendo algo que talvez não comia há muito tempo por falta de visitas.

Arrancou a cabeça pelo pescoço e o sangue observou-se a jorrar sujando o riacho.

Isabel correu conseguiu ver a estrada finalmente estava livre daquela criatura. Ela se pôs na estrada e uma mistura de rosnados soaram ela virou e viu duas criaturas com olhos vermelhos, eles mediam dois metros, com braços enormes que tocavam no chão.

Fim

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