Capítulo 2

Prólogo

Alicia Rogers narrando

Liberdade de voar para um horizonte qualquer e pousar onde o coração quiser. Era o lema da minha vida, mas nesse momento eu sinto que estou quebrando esse lema e fazendo tudo ao contrário do que eu sempre quis para mim.

Eu estou prestes á assinar um contrato de casamento, onde eu entrego a minha vida para um empresário desconhecido que a única coisa que eu sei sobre ele, é que ele é o chef do meu pai. Ele será o dono da minha vida durante oito anos.

- Você pode assinar em todas as folhas nesse mesmo local – o advogado fala apontando para o papel.

Eu encaro todos aqueles papéis em minhas mãos, nesse momento estou sendo guiada pelo medo de perder meu pai. Ele era tudo que eu tinha e jamais iria admitir que eu fizesse algo dessa forma, entretanto eu não poderia deixar ele morrer devido à falta de dinheiro para manter ele em um hospital, para a cirurgia que vai precisar fazer, para os remédios e todos os cuidados médicos.

- Se você tiver como ser um pouco mais rápida, o senhor Jonas Yang está esperando ansioso por essas assinaturas — o advogado fala.

- Eu preciso levar isso para um advogado — eu falo.

- Senhorita Alicia Rogers, eu sou um advogado e posso te auxiliar em todas as suas dúvidas — ele fala e eu o encaro e apenas assinto.

Mesmo que eu quisesse levar para um advogado para me auxiliar sobre esse contrato, qualquer advogado de fora acharia tudo isso um absurdo e levaria tempo e eu precisava do dinheiro o mais rápido possível.

- O que quer dizer isso – eu falo apontando para uma das cláusulas – eu terei que ter um filho dele? – eu questiono.

- A ideia do empresário Jonas Yang é construir uma família, ter uma esposa ao seu lado e futuramente herdeiros – ele fala.

- E o que acontece depois que terminar o contrato? – eu pergunto.

- Se vier as crianças, vocês decidem o melhor caminho – ele fala. – A senhora quer desistir? – ele me pressiona.

- Acredito que eu preciso pensar mais um pouco – Eu paro de assinar.

- Pense bem! Senhorita Alicia Rogers, seu pai está internado e você mesmo disse para o senhor Jonas Yang que o seu dinheiro está acabando, o que você irá fazer? – ele pergunta.

- Esse contrato é para nove anos com consequências de uma vida toda – eu falo.

- A vida do seu pai vale quanto para você? – eu respiro fundo – Assine, será o melhor para você e o seu pai – ele me entrega de volta os papéis que eu empurrei na mesa, junto da caneta.

Eu assino os papeis fazendo com que os meus olhos fique cheio de lagrimas.

- Aqui – eu falo entregando os papéis.

- O contrato começa a valer daqui a duas semanas, você e o seu pai irá se mudar para Nova York, a onde o senhor Jonas está montando a sede da sua empresa – ele fala. — Eu volto aqui para te trazer novas notícias – ele se levanta e sai.

Eu o encaro saindo pelo restaurante do hospital e as lagrimas desce pelo meu rosto, eu vou até o quarto onde o meu pai está sedado na cama de um hospital e pego na sua mão.

- Vai ficar tudo bem pai – eu falo encarando-o – o senhor vai sair dessa.

Eu vou até a janela do hospital e vejo o advogado entrando em um carro importado e na mala dele, ele carregava a minha liberdade durante oito anos.

Era como ao assinar aqueles papeis, eu destruí todos os meus sonhos para o futuro, mas era a única forma de eu salvar o meu pai da morte.

Eu me sinto devastada por toda essa situação

Capítulo 3

Capítulo 1

Alicia Rogers narrando

Eu entro dentro da minha nova casa, ela era enorme e muito bonita. Meu pai não tinha saído do hospital e conforme o contrato que assinei, ele foi transferido para o melhor hospital de Nova York.

- Alicia Rogers – A voz dele soa atrás de mim e eu me viro vendo-o vindo em minha direção. Eu tinha visto ele apenas uma vez na minha vida, quando eu o procurei para pedir ajuda para pagar as despesas do hospital do meu pai. Eu era filha única e meu pai era tudo que eu tinha e eu era tudo que ele tinha. – Eu espero que a viagem tenha sido tranquila e confortável para você.

Eu fico paralisada e assustada na sua frente, era nítido que eu não estou confortável com toda aquela situação. E eu não conseguia aceitar que esse homem na minha frente, era o meu marido e seria durante oito anos. Eu percebo que o meu silêncio está deixando tudo ainda mais desconfortável, eu tento abrir um sorriso mas ele não sai, aquele homem de terno , arrumando a sua gravata sem tirar os seus olhos pretos de mim, esperava uma resposta e um sorriso do meu rosto.

- A sua casa é muito bonita – é a única coisa que sai da minha boca nesse exato momento. A minha voz sai tremula e fraca, minhas mãos tremiam.

- Nossa casa, ela é sua também Alicia Rogers.

Ele me deixa ainda mais confusa com as suas palavras, por mais que tenha passado quase dois meses desde a proposta que ele fez, assinatura do contrato até chegar aqui, eu ainda estou relutante com toda essa história e eu sentia que não seria feliz nessa casa e muito menos com ele.

- Senhor Jonas, às coisas da senhora Alicia Rogers já estão arrumadas no quarto do senhor – Uma mulher baixa com os cabelos pretos que deveria ter uns 35 anos fala.

- Obrigado Margarete. – ela assente e sai.

- No quarto do senhor? A gente vai dormir juntos?

- Somos marido e mulher, e é o que todo casal faz, não?

O seu tom de voz era assustador, confesso que eu que sempre achei que eu era corajosa e conseguiria enfrentar qualquer momento da minha vida. Mas, dessa vez era diferente, eu estou aqui por um único motivo e era que meu pai ficasse bem logo.

- Claro – eu abro o sorriso mais falso do mundo.

(..)

Era de manhã cedo e eu tinha passado a minha primeira noite nesse lugar, eu queria notícias do meu pai, eu queria sair correndo, eu queria esquecer tudo isso, eu queria acordar desse pesadelo. Mas era impossível.

A primeira pessoa que eu encontro quando eu saio do quarto é ele, arrumando seu relógio e vestindo o seu terno preto.

- Espero não ter te acordado – ele fala me lembrando que dormimos no mesmo quarto.

- Bom dia, não me acordou não – eu respiro – Eu gostaria de saber notícias do meu pai.

- Claro, o motorista pode te levar até lá depois – ele fala.

Eu o acompanho até a mesa do café da manhã que tinha diversas coisas e era enorme.

- Essa noite vamos ter um compromisso e gostaria que você me acompanhasse, assim te apresento a minha mãe e minha tia, elas estão loucas para te conhecer – ele fala.

- Claro, será agradável – eu falo.

- Alguém irá trazer a sua roupa aqui, o que você irá vestir – eu o encaro – acredito que terá que fazer algumas compras e mudar o seu estilo – ele se levanta – se arrumar de acordo com uma mulher minha.

- O que você quer dizer com isso? – eu o encaro intrigada e ele abre um sorriso de canto.

- Que mulher não gosta de compras no shopping? – ele questiona – bem-vinda a sua nova vida Alicia Rogers.

Eu o encaro tentando entender o que era essa minha nova vida, ser esposa e submissa a um homem arrogante que nem ele?

Eu nem consigo terminar o meu café da manhã, tudo me dava nojo e me deixava enjoada nessa casa.

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