Cercada pela grandiosidade e pelo esplendor da propriedade dos Russells, Thea se posicionou na soleira da porta, com o coração tomado por uma conhecida mistura de emoções.
Essa casa, que foi uma herança valiosa de seu avô para sua mãe, testemunhou uma série de eventos trágicos há oito anos, quando sua irmã e sua mãe sofreram vários acidentes, um atrás do outro. Oito anos atrás, com uma sensação de impotência, Thea observou enquanto sua avó e seu tio assumiam o controle da casa com a aprovação de seu pai.
Daquele momento em diante, ela foi forçada a fingir obediência, pois seu pai não demonstrava nenhuma preocupação com ela e sua mãe doente precisava dela ao lado o tempo todo.
Até o seu futuro marido foi escolhido por eles, uma escolha imposta a ela!
Thea entrou cautelosamente na casa depois de respirar fundo. Pouco antes de ela aparecer, o nítido barulho de saltos altos ecoou pelo corredor.
"Onde você estava ontem à noite, Thea?"
Thea sentiu que sua frequência cardíaca disparou quando aquela voz indignada e desagradável chegou aos seus ouvidos. Erguendo o olhar, ela viu Maggie Russell, sua prima e filha de seu tio, parada diante dela com um ar arrogante.
Vivendo na mansão Russell nos últimos oito anos, Maggie começou a se ver como a dona da casa. Ela descaradamente reivindicou muitos dos bens de Thea, incluindo o noivo que havia sido prometido desde a infância.
"Maggie!" O sorriso de Thea se expandiu à medida que a raiva de sua prima se intensificava. "Ainda é cedo, minha querida. Essa raiva a essa hora do dia pode causar rugas. E sabe o que isso significa? O Trevor pode perder o interesse em você."
"Sua bruxa!" Maggie expressou sua frustração, com as emoções ainda à flor da pele. Afinal, eles acabaram descobrindo que Thea não estava presente no jantar no hotel na noite anterior, e aguardaram ansiosamente a aparição dela por muito tempo.
Agora, ela finalmente apareceu, com o pescoço coberto de chupões!
"O que é isso no seu pescoço? Você não tem vergonha, tem? Na sua idade, você já é tão devassa quanto sua irmã mais velha!"
O sorriso de Thea desapareceu com as palavras de Maggie.
Cerrando os punhos, ela exigiu em um tom arrepiante: "Repita isso se você tiver coragem!"
Maggie olhou para Thea com desdém e comentou: "Não tente imitar sua irmã mais velha agindo de forma tola e promíscua."
No segundo seguinte, a mão de Thea se moveu rapidamente e lhe deu um sonoro tapa na cara.
Pega de surpresa, Maggie levou a mão às suas bochechas coradas, atônita com o impacto. Ao sentir a dor espalhando no seu rosto, ela gritou: "Como você se atreve a me bater, Thea!"
Com a raiva fervendo a cada segundo que passava, Maggie levantou a mão, pronta para revidar. No entanto, Thea, acostumada a enfrentar tais ataques, evitou habilmente o tapa da prima.
Dominada por uma raiva ardente e implacável, Maggie se viu incapaz de manter a compostura, sucumbindo ao poder de suas emoções. Ela então fez um movimento brusco em direção a Thea, tentando iniciar uma briga.
O som reverberou pela escadaria acima.
"O que está acontecendo aqui?"
Uma voz fria atravessou o caos, fazendo com que Maggie puxasse rapidamente a mão para trás. Lágrimas brotaram dos seus olhos quando ela se virou.
"Vovó!"
Maggie fingiu estar angustiada enquanto gritava, olhando de relance para sua mãe, Vanessa Russell, que estava ao lado da avó de Maggie e Thea, Nina Russell.
Com passos lentos e cautelosos, a formidável Nina desceu a escada. Vestida com um roupa cinza sombria, ela tinha uma expressão severa que parecia impor um peso invisível a todos os presentes. Uma atmosfera opressiva envolveu a todos, fazendo com que ficassem de pé obedientemente, com suas respirações se tornando visivelmente mais leves.
"Vovó!"
Com um tom doce e suave, Thea cumprimentou Nina cordialmente.
"Thea tem se comportado de forma vergonhosa, vovó", reclamou Maggie, antecipando-se. "Ela dormiu com outro homem! Vamos sofrer por causa dela!"
Duas semanas antes, a matriarca da família Reynolds de Akarough havia anunciado que procurava uma noiva para seu filho. O Grupo Russell, que enfrentava dificuldades financeiras terríveis, apresentou convenientemente o nome de Maggie.
Com um admirável senso de conveniência, Maggie conseguiu substituir a sua foto pela a de Thea. O senhor Reynolds ficou cativado pela foto e entrou em contato com a família Russell, informando-os de que a havia escolhido.
Havia murmúrios de que o senhor Reynolds era um ancião horrível e desfigurado, com um comportamento melancólico. Maggie preferiria enfrentar a morte a se casar com um homem assim.
A mãe de Maggie havia deixado claro que, como a foto de Thea havia sido enviada para a família Reynolds, ela faria o papel da noiva prometida ao senhor Reynolds no lugar de Maggie. Essa ação permitiria que o Grupo Russell garantisse o apoio financeiro da família Reynolds.
Maggie imaginou que Thea não ousaria resistir.
A mãe de Thea estava em coma há muitos anos, e sua irmã mais velha...
Maggie, com um sorriso vitorioso e olhos marejados, continuou com seu discurso dramático. "Não acredito que ela teve a coragem de me bater por causa de algumas palavras sinceras! Vovó, você deve trancá-la!"
"Eu não fiz nada!", protestou Thea, com lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
Ela também era muito habilidosa em fingir que estava chorando.
"Vovó, dormi na casa da Mabel ontem à noite", disse Thea com a voz trêmula. "Mas a Maggie me acusou de passar a noite com um homem. E se a notícia dessa infâmia chegar ao senhor Reynolds? Não me importo com minha reputação, mas seria desastroso se descobrissem que a pessoa que vai se casar com o senhor Reynolds não é a Maggie!"
Ela estava simplesmente procurando uma companhia para passar a noite. Qual foi o problema em relação a isso?
Eles a estavam forçando a se casar com um homem velho, com quem ninguém se casaria de bom grado. Qual seria o problema para ela ter um homem bonito pelo menos uma vez na vida?
"Thea!"
O único objetivo de Maggie era garantir o casamento de Thea com o senhor Reynolds e, depois, revelar sua verdadeira identidade. Essa ação solidificaria a conexão de Maggie com Trevor Gibson, o ex-noivo de Thea.
"Thea!"
Nina olhou para Thea com um distanciamento gelado e, num tom severo, anunciou: "A família Reynolds ligou. Eles estão aqui para te buscar."
"Ele está aqui?" Thea estremeceu, evitando o nome que todos na sala conheciam muito bem: senhor Reynolds.
"Está." Sem hesitação, Nina confirmou o que ela mais temia. "Thea, suba e tome um banho. O senhor Reynolds está esperando por você."
Ao saber que a família Reynolds veio buscar Thea, um sorriso vitorioso estampou no rosto de Maggie.
Thea mordeu o lábio, mas não disse uma só palavra. Ao subir as escadas, ela ouviu a advertência de Nina ecoar atrás dela. "Thea, você tem que ser obediente! Entendeu?"
Essas palavras serviam para a lembrar da pessoa que ela estava determinada a proteger. Thea cerrou os punhos e respondeu: "Vovó, fique tranquila. Vou cumprir o acordo."
O bar estava bastante movimento, com risadinhas e burburinhos por toda parte, mas o semblante de Thea estava triste.
***
"Thea, o que você vai fazer? Você realmente vai se casar com alguém da família Reynolds?" Amiga de Thea, Mabel Walsh, expressou suas preocupações ao ouvir sobre os acontecimentos recentes.
"Que outra escolha eu tenho?" Com um sorriso cínico, Thea tomou um gole de sua bebida e fez uma careta. "Se eu recusar, eles vão me trancar em um quarto para sempre. Além do mais..."
O sorriso de Thea ficou mais triste. "Minha mãe está em coma há muito tempo, e eles concordaram em ajudar minha irmã."
"Mas o senhor Reynolds é realmente assustador", interrompeu Mabel, com preocupação estampada no rosto. Ela estava bem familiarizada com as inúmeras histórias que detalhavam a natureza dura e impiedosa do senhor Reynolds.
"Não estou com medo!" Thea se levantou e deu um tapinha no ombro de Mabel. "Tive um caso com um homem bonito! Se o senhor Reynolds descobrir, isso pode irritá-lo a tal ponto que me mande de volta para a família Russell."
Voltar para a família Russell significava suportar suas manipulações novamente, mas não lhe restava outra opção, pois ela já não tinha ninguém neste mundo para protegê-la.
Considerando a condição de sua mãe no hospital e as táticas manipuladoras de sua avó, Thea pegou o copo sobre a mesa e bebeu tudo de um gole só.
"Mas vamos deixar de lado essa conversa deprimente por enquanto. Estamos aqui a negócios", declarou ela. "A quem vou dar uma lição hoje?"
"Oh!"
Mabel prontamente recuperou seu celular, localizou uma fotografia e colocou-a diante de Thea. "Shane Hayes! Esse canalha é um mulherengo. A cliente quer que você dê dez tapas nele antes de tirar fotos. Você será paga assim que terminar."
Quando ouviu a menção de dinheiro, os olhos de Thea brilharam com uma determinação renovada. Ela ainda precisava pagar mil e novecentos dólares pelo serviço daquele belo acompanhante masculino.