Capítulo 2

Assustada, tendo me acalmar e respiro fundo, olhando para o Bill.

- Por que?

- Todas as suas cartas são verificadas. Selos e endereços, desde que recebeu a ultima carta com a ameaça.

- Você esta sendo ameaçada?

Leonardo pergunta cortando Bill.

- Você deveria saber disso. É meu segurança.

Digo o encarando. Tem tempo de ficar fugindo de mim, mas não tem tempo de saber sobre a minha segurança?

- Continue Bill.

- Essa carta não estava no meio das que recebemos no malote do correio.

- Ou seja...

Não gosto de seu olhar nesse momento. Bill esta comigo desde sempre e esse olhar é de perigo.

- A pessoa esteve ou esta aqui dentro e deixou essa carta no meio das outras.

- Merda...

Ando de um lado para o outro.

- Tem certeza disso? Podem não ter visto essa carta em meio às outras dezenas que recebi.

- Temos certeza, Srta. Maldonado.

- Bill, não posso sair assim.

Ele se aproxima e me olha.

- Vamos adiantar sua ida para Berlim.

- Mas o lançamento do filme é só daqui três dias. Tenho uma entrevista amanhã...

- Nós cancelamos sua presença.

- O que? Sem falar comigo?

- Avisamos seus representantes do perigo e já foi informado que por motivos de saúde você não poderá comparecer a entrevista.

- Me diga, por favor, que não falaram nada para os meus pais.

- Apenas a equipe sabe.

Levo minha mão a cabeça e sinto que ela vai explodir.

- Preciso arrumar minhas malas.

- A senhorita não esta entendendo. Não sabemos se a pessoa estava ou ainda esta aqui. Vamos retira-la agora.

- Preciso das minhas coisas.

- Eu pego.

Leonardo diz se aproximando.

- Faço uma mala com tudo que vai precisar.

- Como sabe de tudo que preciso?

Seu olhar pra mim agora é de fúria.

- O básico para sobreviver estará na bolsa, Srta. Maldonado. O resto pode comprar em Berlim. Tenho certeza que tem dinheiro pra isso.

Reviro meus olhos e me afasto dele.

- Quando partimos Bill?

- Agora mesmo. O carro já espera a senhorita.

- Todos os seguranças vão?

- Sim. Reforço total.

Serão três longos dias com Leonardo em Berlim. Vão ser três dias bem agitados.

*************

Entro no carro que segue para o aeroporto. Tento pensar em alguém que eu tenha ofendido ou causado alguma coisa para me ameaçar assim. Bill me enche de perguntas.

- Bill, já disse que não fiz nada e nem me lembro de alguém que possa ser o mandante dessas cartas.

- Isso é muito estranho.

Analisa as duas cartas que já recebi.

- Não é de fã louco. Tenho certeza.

- Como tem tanta certeza assim?

- Fã costuma tratar a pessoa como uma deusa ou algo santo demais para viver nesta terra. Eles querem a morte de vocês, por entenderem que merecem o paraíso no céu.

- Isso é doentio.

- Sim.

Encaro as cartas com eles.

- A forma como a pessoa coloca o seu sucesso.

- O que tem?

Ele vira a ultima carta pra mim.

- Não existe espaço para você nesse mundo de estrelas. Isso soa para mim como inveja. A pessoa não acredita em seu talento.

- Bill a maioria das pessoas ainda acham que só ganho papeis importantes por causa dos meus pais famosos.

- Não...

Ele dobra a carta e guarda em um envelope.

- A pessoa não te julga pelos seus pais. Parece que não gosta de você.

- Um louco que quer me matar por uma péssima atuação?

Tento não rir.

- É serio Rafa...

- Quando me chama assim é porque esta preocupado. Nunca esquece o Srta. Maldonado.

Se arrasta no banco do carro e segura a minha mão.

- Essa pessoa parece te odiar muito. Preciso que seja cautelosa e que não cause problemas com a segurança.

- Vou ser uma boa menina. Prometo!

- Obrigado!

Meu celular começa a tocar. Assim que o pego na bolsa, vejo o nome da minha mãe e respiro fundo.

- Oi mãe!

- Que história é essa que esta doente?

- Noticias chegam rápido até a senhora.

- Rafaela, esta em todos os sites de fofoca. O que esta acontecendo?

Olho a paisagem pela janela.

- Estou na correria com as festas de lançamento do meu novo filme, mãe. Estou indo para Berlim e essa entrevista atrasaria meu cronograma.

- Inventou o problema de saúde?

- Se não parar para respirar vou ficar doente. Cancelei para não ficar doente.

- Não esta mentindo pra mim né, Rafa?

- Não, mãe.

- Me sinto mais aliviada. Assim que chegar em Berlim me avise.

- Pode deixar!

- Te amo, filha!

- Também te amo, mãe.

*********************

Chegando ao aeroporto, seguimos para a pista particular.

- Temos um jatinho nos esperando.

Vejo o jatinho assim que o carro para. Saio do carro e sou conduzida para dentro da pequena aeronave. Me sento em uma das poltronas e relaxo o corpo.

- Deseja alguma coisa, Srta. Maldonado?

A comissária pergunta sorrindo. Olho seu nome em seu uniforme.

- Não, obrigada Suzan!

Ela se afasta, ainda com seu enorme sorriso.

- Já vamos decolar.

Bill diz se sentando ao meu lado. Um barulho na porta do jatinho me assusta. Me viro e observo Leonardo entrar com uma pequena mala.

- Me diz, por favor, que essa é uma das malas que fez para mim.

Seu olhar fulminante me queima.

- Essa é minha Srta. Maldonado. A da senhorita é enorme e cheia de coisas inúteis.

- Obrigada!

Agora é ele quem revira os olhos. Vem a minha frente e se senta na poltrona me encarando.

- Agora podemos decolar.

Coloco meu cinto e ignoro Leonardo a minha frente.

***************

Já estamos voando há quase uma hora. Meu corpo começa a doer. Solto meu cinto e me levanto. Sigo para a cabine do banheiro. Entro e olho o pequeno espelho perto da pia. Lavo minha mão e em seguida meu rosto. Puxo um pouco de papel e seco meu rosto.

- Dia difícil, Rafaela?

Jogo o papel fora e tento sair do banheiro, sou empurrada para dentro por braços fortes. Ele fecha a porta.

- Que merda...

Leonardo me cala com a mão e empurra seu corpo no meu até a parede atrás de mim. Seus olhos estão escuros e meu coração acelera. Seu corpo esta tão colado ao meu que posso sentir seu membro em minha perna, endurecendo lindamente.

- Não grita.

Apenas confirmo com a cabeça. Ele tira a mão da minha boca.

- Que merda acha que esta fazendo?

Sussurro muito puta.

- Quero saber por que esta me atacando.

- Não estou te atacando.

- Esta sim.

Certo estou atacando ele, mas não vou admitir.

- O que fiz a você?

Olho pra ele irritada. Serio mesmo que não faz ideia do que fez? Alias do que não fez.

- Sai da minha frente, Leonardo.

Tento empurrar seu corpo, mas falho. Ele é muito forte e grande.

- Sai...

O filho da mãe nem se mexe.

- Se afasta logo, Leonardo.

- Já sei qual o seu problema.

Sua mão direita vem para o meu rosto e segura meu queixo com força.

- Esperava que eu caísse de amor por você e tivesse um casinho?

- Cala a boca.

Sua boca se aproxima da minha.

- Não me envolvo com clientes.

Sua respiração forte bate em meu rosto.

- Não me envolvo com segurança idiota.

Retruco e ele sorri, vindo pra minha orelha.

- Não me trate com ignorância ou serei obrigado a te ensinar como ser uma boa garota.

Capítulo 3

Quando abro minha boca para responder, escuto batidas na porta do banheiro.

- Srta. Maldonado.

Leonardo se afasta e solta meu rosto ao ouvir a voz do Bill.

- Sim.

- Esta tudo bem?

Leonardo arruma sua camisa e abre a porta. Bill arregala os olhos ao ver nós dois no banheiro.

- A Srta. Maldonado estava com problemas com a descarga.

Filho da mãe idiota. Sei que meu olhar agora pra ele é de raiva e morde o lábio para não rir.

- Com licença.

Sai do banheiro passando por Bill, que me observa.

- Ele esta tentando alguma coisa?

- Não, Bill!

- Se estiver eu posso afasta-lo.

- Não precisa.

Um incomodo surge em meu peito ao pensar em Leonardo longe. Mesmo sendo um idiota bipolar eu ainda quero saber mais sobre ele.

- Preciso de um favor.

Digo saindo do banheiro e ele me segue.

- Pode pedir.

- Quero a ficha dele completa.

- Qual o motivo?

Não posso dizer que o motivo é sexual, pois ele mexe direto com a minha parte baixa.

- Conheço todos os seguranças muito bem. Se tem alguém interno fazendo essa merda comigo, preciso saber da vida de todos, inclusive do Leonardo.

- Concordo! Vou pedir o arquivo digital dele para o pessoal da base.

- Pessoal da base?

- Sim. Aqueles que ficaram na casa investigando.

- Obrigada!

Ele sorri e andamos até nossos lugares.

*************

Passei o resto do voo fingindo que dormia, para evitar cair na tentação de olhar Leonardo a minha frente.

- Senhorita...

Bill tenta me acordar, balançando meu braço e finjo que acordo me esticando toda.

- Já vamos pousar.

- Certo.

Coloco meu cinto e olho a janela.

- Deve estar um frio insuportável.

- Coloquei roupas quentes para a senhorita.

Leonardo fala e o ignoro.

- De nada.

Ele é tão irritante.

**************

Assim que é liberado, saímos do jatinho e seguimos para um carro que nos espera na pista.

- Vamos ficar em um hotel?

Pergunto me sentando no banco traseiro. De um jeito nada delicado, Leonardo me empurra para entrar, enquanto Bill vai na frente. A noite já dominou o céu e esta bem escuro.

- Achei melhor uma casa, aluguei em meu nome. Ninguém saberá que esta lá. Sairemos de Berlim ao fim do evento.

- Casa não é mais perigoso?

- Achamos que hotel seria mais. Muita gente e não teríamos controle 24 horas por dia.

O carro começa a se mover e tudo se torna escuro dentro do carro em meio à estrada. Sinto algo em minha perna. Oh merda!!! É a mão do Leonardo. Meu coração acelera e minha respiração também. Sua mão vai subindo pela minha calça lentamente. Viro minha cabeça para encara-lo, mais o filho da mãe esta olhando para a janela. Pego sua mão e tiro da minha perna com força. Ele então vira a cabeça para mim e com a pouca luz que temos, posso vê-lo me olhar de um jeito estranho e quente. Mantenho minha cara de desaprovação, mesmo desejando loucamente seu toque.

- Não serei seu casinho.

Sussurro e desvio os olhos do dele. Olho pra frente me mantendo firme. Sinto ele se arrastar com calma e seu corpo colar ao meu.

- Não esta sendo uma boa garota.

- Vai se ferrar Leonardo.

- Gosto de garotas assim.

Sua boca esta perto da minha orelha.

- Que merecem ser ensinadas a me deixar acaricia-las onde e como eu quiser.

- Sua mão nojenta não vai me tocar.

- Tem certeza?

Sinto sua mão novamente em minha perna.

- Tenho...

Fecho meus olhos ao sentir sua língua em minha orelha.

- Abre as pernas. Quero saber se é quente.

- Não.

Tiro a mão dele da minha perna novamente.

- Se esta querendo aquecer sua mão, pegue uma luva.

Sinto seu nariz em meu pescoço.

- Você quer que eu te toque.

- Não quero.

- Quer sim. Sei que deseja meu toque desde a piscina.

- A única coisa que desejo de você Leonardo, é distancia.

Empurro seu corpo com a mão e me arrasto para a janela. Posso sentir seus olhos em mim, mas olho a paisagem escura lá fora. Espero que Bill não tenha escuto o que sussurramos e nem visto nada. Leonardo é muito estranho. Deve ter dupla personalidade. Uma hora me despreza e é ignorante. Outra hora é um safado gostoso que me quer como um maníaco sexual. Esta difícil de entender esse homem.

**************

Chegamos a um local um pouco isolado. Vejo três pequenas casas, mas acho que são chalés.

- Vamos dividir o pessoal.

Bill diz saindo do carro e vindo abrir a porta para mim.

- A Srta. Maldonado ficara no chalé principal com três seguranças. O restante se dividirá nos outros dois ao lado.

- Quem ficará com ela?

Leonardo pergunta chegando próximo da gente, fora do carro. Bill coloca a mão em minhas costas e começa a me conduzir.

- Eu e mais dois. Ainda não decidi.

Pelo amor de Deus... Que não seja o Leonardo bipolar. Sabe Deus como ele estará dentro da casa, se segurança ignorante ou segurança safado. Se for ele, que seja pelo menos o ignorante. A quem eu quero enganar. Eu quero o safado gostoso. Entro na casa e Bill me leva ao quarto principal.

- Aqui esta sua mala. O que precisar é só me chamar. Estarei no quarto ao lado.

- Obrigada, Bill!

- Vou ver quem serão os outros seguranças que irão fazer vigia.

- Certo.

- Tem preferência?

- Não.

Digo como se ninguém fizesse diferença, mas eu sei que um faria toda a diferença.

- Vou organizar o pessoal.

Sai do quarto e a solidão é uma merda. Me jogo na cama e encaro o teto.

*************

Termino meu banho e coloco meu pijama fofo e quente. Me olho no espelho e imagino Leonardo pegando ele em minha gaveta. Ele não pegou nenhuma camisola sexy. Só pijama fofo e confortável. Deve ter sido a versão ignorante dele que fez a mala. Vasculho mais as coisas, vendo o que ele pegou. Pegou as roupas necessárias de frio. Casacos, blusas de lã, calças e meias. Vou para as roupas intimas e começo a puxar as calcinhas. Começo a rir sozinha vendo que ele pegou todas as calcinhas sensuais, com apenas um fio na parte de trás. Achei a parte que o segurança safado fez a mala.

Fecho a mala e coloco no canto. O relógio perto da cama aponta duas da manhã e não estou com sono. Pego uma coberta e enrolo em mim. Vamos dar um tour pela casa e ver o que temos. Saio do quarto e esta tudo escuro e silencioso. Desço a escada, olhando a sala. Tem uma enorme porta de vidro que leva a um pequeno deque. Abro a porta e o vento frio bate em meu corpo, me fazendo puxar a coberta ainda mais em meu corpo. Vejo um pequeno sofá e me sento nele. A lua esta linda no céu. Olhar o vazio aqui fora é como me olhar por dentro.

Meu sonho sempre foi ser atriz e conseguir ser reconhecida pelo meu talento, mas não imaginava que com a fama a solidão seria minha companheira. E ainda por cima tenho as merdas dessas ameaças e me vejo ficando cada vez mais reclusa e sozinha. Limpo meu rosto das lagrimas que não percebi soltá-las. Queria tanto ser mais dura e não sofrer tanto com isso. Sinto alguém se aproximar e seco meu rosto com o cobertor. Uma xícara quente surge a minha frente. Assim que ergo minha cabeça me assusto ao ver Leonardo. Merda!!! Devo estar com o nariz vermelho e os olhos também. Pego a xícara que ele me oferece.

- Obrigada.

Abaixo minha cabeça, observando o chá. Assopro um pouco e o vejo passar na minha frente. Ele se senta ao meu lado, nos deixando quase colados.

- Você esta bem?

- Vou ficar.

Tomo um gole do chá.

- Não precisa se preocupar. Essas cartas podem ser de alguém que quer apenas te assustar.

- Se for isso, a pessoa esta conseguindo.

Ficamos em silêncio observando a lua. Aquela angustia vai crescendo dentro de mim e tento não chorar, mas é impossível.

- Calma.

Sinto o braço de Leonardo em torno de mim. Me puxa e deito minha cabeça em seu peito. Acho que achei outra personalidade dele. O segurança fofo.

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O SEGURANÇA

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