Assustada, tendo me acalmar e respiro fundo, olhando para o Bill.
- Por que?
- Todas as suas cartas são verificadas. Selos e endereços, desde que recebeu a ultima carta com a ameaça.
- Você esta sendo ameaçada?
Leonardo pergunta cortando Bill.
- Você deveria saber disso. É meu segurança.
Digo o encarando. Tem tempo de ficar fugindo de mim, mas não tem tempo de saber sobre a minha segurança?
- Continue Bill.
- Essa carta não estava no meio das que recebemos no malote do correio.
- Ou seja...
Não gosto de seu olhar nesse momento. Bill esta comigo desde sempre e esse olhar é de perigo.
- A pessoa esteve ou esta aqui dentro e deixou essa carta no meio das outras.
- Merda...
Ando de um lado para o outro.
- Tem certeza disso? Podem não ter visto essa carta em meio às outras dezenas que recebi.
- Temos certeza, Srta. Maldonado.
- Bill, não posso sair assim.
Ele se aproxima e me olha.
- Vamos adiantar sua ida para Berlim.
- Mas o lançamento do filme é só daqui três dias. Tenho uma entrevista amanhã...
- Nós cancelamos sua presença.
- O que? Sem falar comigo?
- Avisamos seus representantes do perigo e já foi informado que por motivos de saúde você não poderá comparecer a entrevista.
- Me diga, por favor, que não falaram nada para os meus pais.
- Apenas a equipe sabe.
Levo minha mão a cabeça e sinto que ela vai explodir.
- Preciso arrumar minhas malas.
- A senhorita não esta entendendo. Não sabemos se a pessoa estava ou ainda esta aqui. Vamos retira-la agora.
- Preciso das minhas coisas.
- Eu pego.
Leonardo diz se aproximando.
- Faço uma mala com tudo que vai precisar.
- Como sabe de tudo que preciso?
Seu olhar pra mim agora é de fúria.
- O básico para sobreviver estará na bolsa, Srta. Maldonado. O resto pode comprar em Berlim. Tenho certeza que tem dinheiro pra isso.
Reviro meus olhos e me afasto dele.
- Quando partimos Bill?
- Agora mesmo. O carro já espera a senhorita.
- Todos os seguranças vão?
- Sim. Reforço total.
Serão três longos dias com Leonardo em Berlim. Vão ser três dias bem agitados.
*************
Entro no carro que segue para o aeroporto. Tento pensar em alguém que eu tenha ofendido ou causado alguma coisa para me ameaçar assim. Bill me enche de perguntas.
- Bill, já disse que não fiz nada e nem me lembro de alguém que possa ser o mandante dessas cartas.
- Isso é muito estranho.
Analisa as duas cartas que já recebi.
- Não é de fã louco. Tenho certeza.
- Como tem tanta certeza assim?
- Fã costuma tratar a pessoa como uma deusa ou algo santo demais para viver nesta terra. Eles querem a morte de vocês, por entenderem que merecem o paraíso no céu.
- Isso é doentio.
- Sim.
Encaro as cartas com eles.
- A forma como a pessoa coloca o seu sucesso.
- O que tem?
Ele vira a ultima carta pra mim.
- Não existe espaço para você nesse mundo de estrelas. Isso soa para mim como inveja. A pessoa não acredita em seu talento.
- Bill a maioria das pessoas ainda acham que só ganho papeis importantes por causa dos meus pais famosos.
- Não...
Ele dobra a carta e guarda em um envelope.
- A pessoa não te julga pelos seus pais. Parece que não gosta de você.
- Um louco que quer me matar por uma péssima atuação?
Tento não rir.
- É serio Rafa...
- Quando me chama assim é porque esta preocupado. Nunca esquece o Srta. Maldonado.
Se arrasta no banco do carro e segura a minha mão.
- Essa pessoa parece te odiar muito. Preciso que seja cautelosa e que não cause problemas com a segurança.
- Vou ser uma boa menina. Prometo!
- Obrigado!
Meu celular começa a tocar. Assim que o pego na bolsa, vejo o nome da minha mãe e respiro fundo.
- Oi mãe!
- Que história é essa que esta doente?
- Noticias chegam rápido até a senhora.
- Rafaela, esta em todos os sites de fofoca. O que esta acontecendo?
Olho a paisagem pela janela.
- Estou na correria com as festas de lançamento do meu novo filme, mãe. Estou indo para Berlim e essa entrevista atrasaria meu cronograma.
- Inventou o problema de saúde?
- Se não parar para respirar vou ficar doente. Cancelei para não ficar doente.
- Não esta mentindo pra mim né, Rafa?
- Não, mãe.
- Me sinto mais aliviada. Assim que chegar em Berlim me avise.
- Pode deixar!
- Te amo, filha!
- Também te amo, mãe.
*********************
Chegando ao aeroporto, seguimos para a pista particular.
- Temos um jatinho nos esperando.
Vejo o jatinho assim que o carro para. Saio do carro e sou conduzida para dentro da pequena aeronave. Me sento em uma das poltronas e relaxo o corpo.
- Deseja alguma coisa, Srta. Maldonado?
A comissária pergunta sorrindo. Olho seu nome em seu uniforme.
- Não, obrigada Suzan!
Ela se afasta, ainda com seu enorme sorriso.
- Já vamos decolar.
Bill diz se sentando ao meu lado. Um barulho na porta do jatinho me assusta. Me viro e observo Leonardo entrar com uma pequena mala.
- Me diz, por favor, que essa é uma das malas que fez para mim.
Seu olhar fulminante me queima.
- Essa é minha Srta. Maldonado. A da senhorita é enorme e cheia de coisas inúteis.
- Obrigada!
Agora é ele quem revira os olhos. Vem a minha frente e se senta na poltrona me encarando.
- Agora podemos decolar.
Coloco meu cinto e ignoro Leonardo a minha frente.
***************
Já estamos voando há quase uma hora. Meu corpo começa a doer. Solto meu cinto e me levanto. Sigo para a cabine do banheiro. Entro e olho o pequeno espelho perto da pia. Lavo minha mão e em seguida meu rosto. Puxo um pouco de papel e seco meu rosto.
- Dia difícil, Rafaela?
Jogo o papel fora e tento sair do banheiro, sou empurrada para dentro por braços fortes. Ele fecha a porta.
- Que merda...
Leonardo me cala com a mão e empurra seu corpo no meu até a parede atrás de mim. Seus olhos estão escuros e meu coração acelera. Seu corpo esta tão colado ao meu que posso sentir seu membro em minha perna, endurecendo lindamente.
- Não grita.
Apenas confirmo com a cabeça. Ele tira a mão da minha boca.
- Que merda acha que esta fazendo?
Sussurro muito puta.
- Quero saber por que esta me atacando.
- Não estou te atacando.
- Esta sim.
Certo estou atacando ele, mas não vou admitir.
- O que fiz a você?
Olho pra ele irritada. Serio mesmo que não faz ideia do que fez? Alias do que não fez.
- Sai da minha frente, Leonardo.
Tento empurrar seu corpo, mas falho. Ele é muito forte e grande.
- Sai...
O filho da mãe nem se mexe.
- Se afasta logo, Leonardo.
- Já sei qual o seu problema.
Sua mão direita vem para o meu rosto e segura meu queixo com força.
- Esperava que eu caísse de amor por você e tivesse um casinho?
- Cala a boca.
Sua boca se aproxima da minha.
- Não me envolvo com clientes.
Sua respiração forte bate em meu rosto.
- Não me envolvo com segurança idiota.
Retruco e ele sorri, vindo pra minha orelha.
- Não me trate com ignorância ou serei obrigado a te ensinar como ser uma boa garota.
Quando abro minha boca para responder, escuto batidas na porta do banheiro.
- Srta. Maldonado.
Leonardo se afasta e solta meu rosto ao ouvir a voz do Bill.
- Sim.
- Esta tudo bem?
Leonardo arruma sua camisa e abre a porta. Bill arregala os olhos ao ver nós dois no banheiro.
- A Srta. Maldonado estava com problemas com a descarga.
Filho da mãe idiota. Sei que meu olhar agora pra ele é de raiva e morde o lábio para não rir.
- Com licença.
Sai do banheiro passando por Bill, que me observa.
- Ele esta tentando alguma coisa?
- Não, Bill!
- Se estiver eu posso afasta-lo.
- Não precisa.
Um incomodo surge em meu peito ao pensar em Leonardo longe. Mesmo sendo um idiota bipolar eu ainda quero saber mais sobre ele.
- Preciso de um favor.
Digo saindo do banheiro e ele me segue.
- Pode pedir.
- Quero a ficha dele completa.
- Qual o motivo?
Não posso dizer que o motivo é sexual, pois ele mexe direto com a minha parte baixa.
- Conheço todos os seguranças muito bem. Se tem alguém interno fazendo essa merda comigo, preciso saber da vida de todos, inclusive do Leonardo.
- Concordo! Vou pedir o arquivo digital dele para o pessoal da base.
- Pessoal da base?
- Sim. Aqueles que ficaram na casa investigando.
- Obrigada!
Ele sorri e andamos até nossos lugares.
*************
Passei o resto do voo fingindo que dormia, para evitar cair na tentação de olhar Leonardo a minha frente.
- Senhorita...
Bill tenta me acordar, balançando meu braço e finjo que acordo me esticando toda.
- Já vamos pousar.
- Certo.
Coloco meu cinto e olho a janela.
- Deve estar um frio insuportável.
- Coloquei roupas quentes para a senhorita.
Leonardo fala e o ignoro.
- De nada.
Ele é tão irritante.
**************
Assim que é liberado, saímos do jatinho e seguimos para um carro que nos espera na pista.
- Vamos ficar em um hotel?
Pergunto me sentando no banco traseiro. De um jeito nada delicado, Leonardo me empurra para entrar, enquanto Bill vai na frente. A noite já dominou o céu e esta bem escuro.
- Achei melhor uma casa, aluguei em meu nome. Ninguém saberá que esta lá. Sairemos de Berlim ao fim do evento.
- Casa não é mais perigoso?
- Achamos que hotel seria mais. Muita gente e não teríamos controle 24 horas por dia.
O carro começa a se mover e tudo se torna escuro dentro do carro em meio à estrada. Sinto algo em minha perna. Oh merda!!! É a mão do Leonardo. Meu coração acelera e minha respiração também. Sua mão vai subindo pela minha calça lentamente. Viro minha cabeça para encara-lo, mais o filho da mãe esta olhando para a janela. Pego sua mão e tiro da minha perna com força. Ele então vira a cabeça para mim e com a pouca luz que temos, posso vê-lo me olhar de um jeito estranho e quente. Mantenho minha cara de desaprovação, mesmo desejando loucamente seu toque.
- Não serei seu casinho.
Sussurro e desvio os olhos do dele. Olho pra frente me mantendo firme. Sinto ele se arrastar com calma e seu corpo colar ao meu.
- Não esta sendo uma boa garota.
- Vai se ferrar Leonardo.
- Gosto de garotas assim.
Sua boca esta perto da minha orelha.
- Que merecem ser ensinadas a me deixar acaricia-las onde e como eu quiser.
- Sua mão nojenta não vai me tocar.
- Tem certeza?
Sinto sua mão novamente em minha perna.
- Tenho...
Fecho meus olhos ao sentir sua língua em minha orelha.
- Abre as pernas. Quero saber se é quente.
- Não.
Tiro a mão dele da minha perna novamente.
- Se esta querendo aquecer sua mão, pegue uma luva.
Sinto seu nariz em meu pescoço.
- Você quer que eu te toque.
- Não quero.
- Quer sim. Sei que deseja meu toque desde a piscina.
- A única coisa que desejo de você Leonardo, é distancia.
Empurro seu corpo com a mão e me arrasto para a janela. Posso sentir seus olhos em mim, mas olho a paisagem escura lá fora. Espero que Bill não tenha escuto o que sussurramos e nem visto nada. Leonardo é muito estranho. Deve ter dupla personalidade. Uma hora me despreza e é ignorante. Outra hora é um safado gostoso que me quer como um maníaco sexual. Esta difícil de entender esse homem.
**************
Chegamos a um local um pouco isolado. Vejo três pequenas casas, mas acho que são chalés.
- Vamos dividir o pessoal.
Bill diz saindo do carro e vindo abrir a porta para mim.
- A Srta. Maldonado ficara no chalé principal com três seguranças. O restante se dividirá nos outros dois ao lado.
- Quem ficará com ela?
Leonardo pergunta chegando próximo da gente, fora do carro. Bill coloca a mão em minhas costas e começa a me conduzir.
- Eu e mais dois. Ainda não decidi.
Pelo amor de Deus... Que não seja o Leonardo bipolar. Sabe Deus como ele estará dentro da casa, se segurança ignorante ou segurança safado. Se for ele, que seja pelo menos o ignorante. A quem eu quero enganar. Eu quero o safado gostoso. Entro na casa e Bill me leva ao quarto principal.
- Aqui esta sua mala. O que precisar é só me chamar. Estarei no quarto ao lado.
- Obrigada, Bill!
- Vou ver quem serão os outros seguranças que irão fazer vigia.
- Certo.
- Tem preferência?
- Não.
Digo como se ninguém fizesse diferença, mas eu sei que um faria toda a diferença.
- Vou organizar o pessoal.
Sai do quarto e a solidão é uma merda. Me jogo na cama e encaro o teto.
*************
Termino meu banho e coloco meu pijama fofo e quente. Me olho no espelho e imagino Leonardo pegando ele em minha gaveta. Ele não pegou nenhuma camisola sexy. Só pijama fofo e confortável. Deve ter sido a versão ignorante dele que fez a mala. Vasculho mais as coisas, vendo o que ele pegou. Pegou as roupas necessárias de frio. Casacos, blusas de lã, calças e meias. Vou para as roupas intimas e começo a puxar as calcinhas. Começo a rir sozinha vendo que ele pegou todas as calcinhas sensuais, com apenas um fio na parte de trás. Achei a parte que o segurança safado fez a mala.
Fecho a mala e coloco no canto. O relógio perto da cama aponta duas da manhã e não estou com sono. Pego uma coberta e enrolo em mim. Vamos dar um tour pela casa e ver o que temos. Saio do quarto e esta tudo escuro e silencioso. Desço a escada, olhando a sala. Tem uma enorme porta de vidro que leva a um pequeno deque. Abro a porta e o vento frio bate em meu corpo, me fazendo puxar a coberta ainda mais em meu corpo. Vejo um pequeno sofá e me sento nele. A lua esta linda no céu. Olhar o vazio aqui fora é como me olhar por dentro.
Meu sonho sempre foi ser atriz e conseguir ser reconhecida pelo meu talento, mas não imaginava que com a fama a solidão seria minha companheira. E ainda por cima tenho as merdas dessas ameaças e me vejo ficando cada vez mais reclusa e sozinha. Limpo meu rosto das lagrimas que não percebi soltá-las. Queria tanto ser mais dura e não sofrer tanto com isso. Sinto alguém se aproximar e seco meu rosto com o cobertor. Uma xícara quente surge a minha frente. Assim que ergo minha cabeça me assusto ao ver Leonardo. Merda!!! Devo estar com o nariz vermelho e os olhos também. Pego a xícara que ele me oferece.
- Obrigada.
Abaixo minha cabeça, observando o chá. Assopro um pouco e o vejo passar na minha frente. Ele se senta ao meu lado, nos deixando quase colados.
- Você esta bem?
- Vou ficar.
Tomo um gole do chá.
- Não precisa se preocupar. Essas cartas podem ser de alguém que quer apenas te assustar.
- Se for isso, a pessoa esta conseguindo.
Ficamos em silêncio observando a lua. Aquela angustia vai crescendo dentro de mim e tento não chorar, mas é impossível.
- Calma.
Sinto o braço de Leonardo em torno de mim. Me puxa e deito minha cabeça em seu peito. Acho que achei outra personalidade dele. O segurança fofo.