No maior hospital da Cidade A, o lençol branco deixava o rosto de Sara muito pálido. Ela franziu a testa mesmo em coma e seu rosto demonstrava horror.
Jenna estava abatida. Ela segurou a mão da mãe com força. Seus dedos finos estavam brancos pelo esforço. Cerrou os dentes, sentindo-se triste!
A operação foi muito bem-sucedida e a vida de Sara havia sido salva!
Para não atrasar o tratamento, Jenna havia implorado ao diretor Harris, um grande amigo de seu pai. Ela havia prometido que devolveria o dinheiro a tempo, então o hospital havia concordado em operar sua mãe.
Só que após a operação, sua mãe estava em coma!
Jenna ficou arrasada ao pensar naquilo, mas reprimiu o desejo de chorar. Ela se virou e saiu. Precisava ir para casa trocar de roupa.
O 28º andar da Comunidade Coração.
A campainha tocou, despertando Jenna de seus devaneios. Ela saiu do elevador atordoada. Várias malas grandes estavam sendo atiradas pela porta. A casa estava toda iluminada, e havia várias pessoas nela.
O que estava acontecendo ali?
Jenna ficou atordoada e seu coração acelerou. Correu para a sala de estar.
Na ampla e bem decorada sala de estar, a família do tio James estava olhando ao redor, todos muito animados.
"Papai, eu nunca sonhei que uma casa tão linda seria nossa." Minnie estava muito animada e seu rosto, que parecia um pouco com Jenna, transparecia ganância. Suas bochechas estavam coradas de excitação, e ela sorria feliz.
"Sim, nunca me ocorreu que haveria algo tão bom." James concordou com um sorriso.
"Papai, mamãe, Minnie, vejam quem está aí?" William de repente gritou, horrorizado.
Todos se viraram para Jenna, de pé na Trava Oculta. Seu rosto estava pálido como a neve e ela parecia fraca. Encarou-os com calma.
"Bem, Jenna, você está aqui." James ficou atônito, então voltou a si e sorriu, sem jeito. "Já que está aqui, tenho algo a te dizer."
Jenna deu um sorriso frio.
"Jenna, é o seguinte. Seu pai morreu em um acidente de carro. De acordo com o sistema ancestral da família Murphy, a propriedade sempre é entregue ao homem, então essas casas, ações e algumas propriedades só podem ser dadas a William." James explicou, sem qualquer pudor.
"Sério? Mas meu advogado me disse que esta propriedade é do meu pai e deveria pertencer a mim. Você está me forçando a fazer isso. Por favor, saia ou chamarei a polícia." Jenna ergueu as sobrancelhas, fria. Seu tom era áspero.
Será que ela teria medo deles?
De jeito nenhum!
Jenna era diferente!
Quando seu pai estava vivo, apoiou a família de James, sem interesse. Mas seu pai havia morrido há apenas alguns dias. E eles vieram invadir sua casa, com grande pompa para tirar sua fortuna! Jenna estava muito decepcionada.
“Jenna, não seja ingrata. É sua honra falar conosco agora. Saiba que o nome do meu pai está escrito no certificado de propriedade desta casa! Todos os seus bens pertencem a nós! Se não estiver convencida, pode chamar a polícia. Receio que a polícia venha. Você é que será expulsa da vila por invasão." Minnie deu um passo à frente, triunfante, com um grande sorriso no rosto e seus belos olhos.
Com certeza, eles já haviam planejado tudo. Jenna não tinha como resistir!
Jenna aprendeu naquele momento p que era uma pessoa desavergonhada!
A raiva tomou seu coração, e suas mãos se apertaram em punho.
O retrato de seu pai, Javon, foi colocado no meio da sala. Ele tinha olhos grandes e sobrancelhas espessas e um sorriso amoroso!
Os olhos de Jenna ficaram vermelhos quando viu o rosto de seu pai. Sentiu um nó na garganta, como se uma faca cortasse seu coração.
Na frente do armário de TV vermelho escuro, Jenna pegou o retrato de seu pai e o tocou. O desprezo e a frieza de Hansen de repente surgiram em sua mente.
Por sorte, quando seu pai faleceu, ele não sabia que seu casamento com Hansen era apenas no papel. Isso a deixou mais à vontade, pelo menos seu pai havia descansado em paz!
O celular tocou!
"Olá," Jenna disse, no automático.
"Daqui a meia hora no meu escritório." A voz profunda e magnética de Hansen, arrogante como sempre.
Eles já não haviam se divorciado? Por que ele mandaria nela! Jenna bufou internamente, mas abriu um sorriso largo. Ela perguntou com uma voz doce,
"Hansen, o que você quer?"
A voz de Jenna era suave, mas alta o suficiente para todos na sala ouvirem.
Em um instante, a sala ficou tão silenciosa que se podia ouvir até o som de uma agulha caindo no chão.
Jenna podia ouvir seus batimentos cardíacos, e um sorriso desdenhoso surgiu no canto de sua boca.
"O que você acha, minha ex-mulher? Você não quer a certidão de divórcio? Ou quer usá-la como um chip para tirar dinheiro de mim?" As palavras de Hansen estavam cheias de sarcasmo. O coração de Jenna se apertou, seu rosto ficou pálido, mas logo ela recuperou a compostura. Ela sorriu e disse: "Hansen, estarei aí em breve."
Depois de dizer isso, ela desligou!
A expressão da família de James mudou. Minnie estava cheia de ciúmes!
Ele era Hansen, o presidente do Grupo Richards. Uma das dez pessoas mais influentes na lista de riqueza do mundo. Ele era um famoso jovem talento! Na Cidade A, ele era o único poderoso. Ele poderia conseguir tudo o que queria!
Claro, eles não podiam se dar ao luxo de ofender uma pessoa daquelas!
No entanto, quem observasse bem, saberia que a relação entre Jenna e Hansen era de fachada. Eles já tinham planejado bater nela quando ela estivesse no chão.
Mas Jenna estava conversando com Hansen de um jeito íntimo. Será que era um boato?
"Claro, aquele apartamento pertence a você e sua mãe. Você pode viver bem. Eu te ajudo se houver alguma dificuldade. Afinal, ainda somos uma família." James sorriu e jogou a escritura do apartamento nos subúrbios para ela.
"Ei, você não é esposa do presidente do Grupo Richards? Esta bagatela não é nada para você. E afinal, você ainda é da família Murphy. Você deveria pensar mais em nós se tiver benefícios no futuro.'' A mãe de William também se divertia com seu infortúnio e disse, sem pudor.
Jenna estreitou os olhos e zombou!
"Tia, tio, eu dou três meses para devolver tudo que você tirou de meu pai. Caso contrário, vamos nos encontrar no tribunal. Não me culpe por ser impiedosa." Segurou o retrato do pai com as duas mãos e olhou para eles com frieza. Ela não estava com medo, mas calma, o que os deixou mais apavorados e sem ousar olhar para ela. Todos evitavam seus olhos.
Jenna pegou a escritura do apartamento no chão e segurou o retrato de seu pai com força. Pegou sua bagagem e saiu, um passo após o outro, enquanto eles se olhavam.
Ela estava muito magoada e com o coração cheio de ódio.
Amor, carinho familiar, tudo desapareceu. Sua expressão estava calma. Seu corpo parecia ter perdido as forças.
Ela não tinha medo deles e sabia como se proteger, mas não tinha muita energia para pensar neles naquele momento. Afinal, aquelas não eram as coisas mais importantes. Além do mais, eles já haviam provado a verdade. Agora, ela precisava de paciência e tempo!
"Senhora, quem você está procurando? Você marcou horário?"
Jenna tinha acabado de chegar na recepção quando a secretária de Hansen perguntou com um ar frio e arrogante.
Jenna se sentiu triste. Depois de tantos anos casada com Hansen, ninguém sabia que ela era a esposa do presidente, ninguém a reconhecia. Ela nunca tinha pisado naquele lugar. Hoje ela estava ali, mas para pegar a certidão de divórcio.
"Fui convidada por Hansen." A voz de Jenna era fria. Os fracos eram intimidados e os fortes eram temidos.
De fato, quando a secretária ouviu o nome de Hansen, pegou o telefone.
"Senhora, por favor, entre." A secretária sorriu e acenou com a mão, educada, para Jenna.
Jenna passou por ela e entrou no escritório do presidente.
Dentro do luxuoso escritório estruturado, as janelas eram claras e as mesas estavam limpas. Era único.
Hansen era um homem de muito bom gosto. Sua vida sempre foi requintada. Embora a estrutura do escritório fosse luxuosa, não era berrante.
A ampla escrivaninha vermelha estava de um lado. No sofá de couro bege diante dela, Hansen estava recostado. Aria, que tinha o corpo delicado, estava sentada em sua coxa, com as mãos em volta do seu pescoço, e com o peito encostado ao peito largo dele.
Os dois estavam se beijando de um jeito apaixonado.
Jenna ficou atordoada. Seu corpo inteiro tremeu. Ele havia pedido que ela fosse ao escritório para pegar a certidão de divórcio apenas para humilhá-la.
Sentindo o coração dolorido e desconfortável, ela se virou para sair.
"Pare." Hansen exclamou com frieza. Embora estivesse beijando Aria como se não houvesse mais ninguém, ele tinha visto Jenna.
As pernas de Jenna mal podiam se mover.
"Querida, nos dê licença." Hansen disse, interrompendo o beijo quente. Seu longo braço rodeou a cintura de Aria, e sua mão se movia inquieta.
"Por quê, querido?" Aria, comportada e gentil, fazia beicinho e agia de forma fofa.
"Seja obediente." Hansen franziu um pouco a testa e disse em tom mais frio: "Tenho algo a fazer. Vou levá-la para pegar os presentes de seu pai mais tarde."
"Sério?" Aria arregalou os olhos cheios de emoção. Feliz, ela se levantou, obediente.
Hansen havia concordado em conhecer o pai dela. Isso significava que ele concordava em se casar com ela! As lindas bochechas de Aria coraram de felicidade. Seus olhos brilhavam. Finalmente, aquele dia estava chegando.
Hansen esboçou um sorriso, mas seus olhos se voltaram para Jenna.
Era como se o coração de Aria estivesse cheio de mel e ela saiu satisfeita. Quando passou por Jenna, ergueu a cabeça e a olhou com desdém.
Em pouco tempo, havia apenas os dois no escritório.
O coração de Jenna já estava tomado de decepção. O cheiro forte de Aria continuava ali, como um lembrete do que aconteceu.
Jenna estava muito desconfortável e se sentia tonta.
"Onde está?" Ela se acalmou e estendeu a mão. Só queria acabar com aquilo o mais rápido possível e evitar a humilhação! Ela não queria mais ficar ali.
"Não se preocupe!" Hansen sorriu com maldade e se levantou do sofá, aproximando-se dela. Seu rosto bonito estava cheio de perguntas e zombaria: "Tanta pressa para se divorciar! Já tem um amante?"
Jenna estava com raiva, mas sorriu com doçura. Queria dar um tapa nele. Ele é que a havia forçado a se divorciar o tempo todo, mas agora parecia que ela é que ansiava por aquilo.
"Sr. Richards, não somos mais parentes. Por favor, me respeite." Ela estava inexpressiva. Seus olhos, frios como gelo. Sua voz, dura. Aquela era a primeira vez em vários anos que ela falava de forma tão dura com ele.
Hansen ficou atônito por um momento, e seus olhos escureceram. Como Jenna ousava falar com ele daquela forma? Logo ele se lembrou de que eles haviam se divorciado. Um nó se formou em sua garganta e seu coração sentiu um pouco a perda.
Ele a encarou com olhos ardentes, lembrando-se da noite anterior, e os cantos de sua boca se curvaram um pouco.
"Por que não dorme comigo de novo esta noite? De quanto você precisa? Eu vou satisfazê-la." Seu corpo majestoso se aproximava cada vez mais. Ele segurou o queixo delicado dela e sorriu com malícia.
"Eu não preciso disso!" Jenna foi ágil e evitou seu toque. Empalideceu. Tremendo-se toda, disse em tom áspero: "Dê-me a certidão."
Cretino, mesmo divorciados, ele não deixava de humilhá-la.
Apaixonar-se por ele tinha sido seu desastre nesta vida!
A mulher delicada diante dele o evitava como evitar o diabo, o que deixou Hansen muito desconfortável.
Ela sempre tinha tomado a iniciativa de flertar com ele. Embora Jenna parecesse delicada e fraca diante dele, estava calma e indiferente, o que o deixava irritado.
Ele caminhou até a mesa, pegou a certidão de divórcio que havia preparado e a entregou a Jenna. Disse com frieza: "Lembre-se, se você contar à vovó o que aconteceu entre nós, eu não vou te perdoar. Você deve saber do que eu sou capaz."
Ameaçada? Jenna era fria e rápida! Vovó era a pessoa que Hansen mais respeitava. No passado tinha sido ela que o havia mandado se casar com ela.
Ela se virou e piscou, determinada. Sorriu, calma, ergueu as sobrancelhas e disse: "Sr. Richard, você se acha demais. De agora em diante, seremos desconhecidos. Não vou ter nada a ver com você."
Ela pegou a certidão de divórcio da mão dele, virou-se e saiu, dando as costas para ele.
Assim que a porta do elevador se fechou, o disfarce de Jenna desapareceu. Ela estava tão triste que não conseguia ficar de pé. Agachou-se e enterrou o rosto nas mãos, desatando a chorar.
Seu coração ainda estava doendo.
"Não ceda ao destino, terá que enfrentar as dificuldades na adversidade!" As palavras de Javon permaneciam em seus ouvidos.
Jenna aos poucos se recompôs.
A luz ofuscante entrou quando o elevador se abriu.
Uma pessoa alta apareceu. Alguém familiar. Os fortes hormônios pairavam no elevador estreito. Apavorada, ela ergueu a cabeça.
O rosto sombrio e bonito de Hansen apareceu diante dela.
Após um momento de choque, Jenna quis fugir.
A mão grande e forte de Hansen agarrou seu braço. Jenna estava muito magra, como se fosse quebrar. A força que a segurava se abrandou e a segurou diante de seu peito. Suas respirações estavam conectadas, e ele podia sentir sua fragrância única. Ele hesitou, mas havia um traço de raiva em seu coração. Ela era uma mulher tão frágil, mas mais orgulhosa e fria do que qualquer outra!
"Daqui a quinze dias é o aniversário de 90 anos da vovó. Óbvio que ela quer ver você. Espero que possa ir." Hansen hesitou, com um tom duro.
Ele estava pedindo algo a ela?
Hansen não sabia o que Jenna havia feito para encantar a avó. Naquele dia, sua avó havia mesmo dito que ia ver Jenna em sua festa de aniversário.
Ele respeitava muito sua avó e não queria contrariá-la. Afinal, ela já tinha 90 anos. Então ele pediu que ela fosse buscar a certidão de divórcio. Na verdade, ele estava implorando. Afinal, eles já haviam se divorciado.
"Por favor, me solte." Jenna franziu a testa e virou o rosto para evitar a respiração dele. Ela se sentia triste. Estava casada há tantos anos, e ele nunca havia falado com ela daquela forma. Agora ela estava divorciada. Por sua avó, ele implorava. Jenna disse, "Você deveria levar Aria. De qualquer forma, a verdade virá à tona."
O lindo rosto de Jenna estava pálido e magro, e seus olhos, desesperados e frios. As palavras dela foram indiferentes e decisivas.
Ela estava sem esperanças. Quando a porta do elevador se abriu, Hansen viu uma Jenna frágil e triste. Ao longo dos anos, ele a tratava como uma ninguém e nunca prestava atenção nela. Mas agora, ele podia sentir sua tristeza.
Ele soltou a mão dela e deu um passo para trás.
Jenna fugiu das mãos dele.
Ela cambaleou e quase caiu.
Hansen pensou, preocupado: "Aconteceu alguma coisa com ela?"
"Você merece isso, Jenna! Faz bem para você ficar triste." Então o ódio súbito em seu coração encobriu aquela preocupação inexplicável.