Queimar não gostou do que acabara de ouvir.
"Por que tanto preconceito com a entrega de comida? Quero dizer, não é apenas um trabalho prático para ganhar a vida? Não deveria ser tão difícil sustentar uma criança."
Emily respondeu com um resmungo desdenhoso. "Sou da influente família Lewis de Enceridge, e você deveria estar bem ciente da posição da minha família nesta cidade."
Queimar deu de ombros sem se abalar. "A Família Lewis? Sim, estou ciente. Grande coisa, e daí? O que isso tem a ver comigo?"
"Por acaso, estou noiva do herdeiro do magnata mais rico de Enceridge," declarou Emily, com os dentes cerrados, enquanto seu pior pesadelo se materializava.
"O que diferencia o herdeiro do homem mais rico da cidade de qualquer outro homem? Tem duas cabeças?" Queimar questionou, indiferente à opulência de Enceridge.
Emily ficou irritada com a atitude despreocupada de Queimar, convencida de que ele não passava de um plebeu audacioso.
Parecia que confiar nele era inútil.
Logo, eles chegaram ao hospital.
Em vez de sair rapidamente do carro, Emily permaneceu perdida em contemplação, olhando pela janela.
Queimar soltou o cinto de segurança e incentivou: "Vamos lá, por que a hesitação?"
Emily retrucou, olhando diretamente nos olhos de Queimar. "Você está realmente pronto para assumir a responsabilidade?"
Quando Queimar abriu a porta do carro, afirmou: "Se a criança for mesmo minha, estou dentro. Mas não vou ser o bobo da corte que cria o filho de outra pessoa, se não for meu."
Emily enfatizou com convicção: "A criança é sua!"
Queimar sentiu uma pontada de irritação; a situação parecia boa demais para ser verdade. A probabilidade de um encontro de uma noite resultar em gravidez era extremamente baixa.
Para seu espanto, após uma série de procedimentos, Queimar logo percebeu que não era um exame comum para gestantes.
"Ei! Qual é o seu plano?" Queimar interveio.
Emily declarou friamente: "Aborto."
"Se é meu filho, quero que ele venha ao mundo!" Queimar respondeu sem hesitar.
Emily encarou Queimar, zombando em silêncio.
"Emily Lewis!" chamou uma enfermeira.
Emily olhou para cima com os olhos vazios, vermelhos de emoção. Levantou-se e se aproximou da enfermeira, mas após alguns passos, parou, virou-se e lançou um olhar para Queimar.
Por fim, entrou na sala de operações.
Emily deitou-se no ambiente estéril, e o médico, armado com um tubo longo, preparou-se para realizar a cirurgia.
De repente, Emily interveio, declarando: "Eu não vou fazer o aborto! Deixe-me ficar deitada aqui quieta por um momento!"
Respeitando a escolha de Emily, o médico deixou o equipamento de lado.
Enquanto isso, Queimar ocupava um assento no corredor.
Sentindo-se confinado no corredor, Queimar deu meia-volta e saiu para fumar.
Quando Emily saiu da sala de operações, sua decepção surgiu ao não avistar Queimar. Ela rapidamente deduziu que confiar em um homem desse tipo era um esforço inútil.
Com passos vacilantes, dirigiu-se à saída.
Surpreendentemente, assim que se aproximou da porta, Queimar retornou, apressado, enxaguando a boca enquanto corria de volta.
Ao avistar Emily, ele estendeu a mão para pegar a bolsa dela e segurou suavemente seu braço em um gesto de apoio.
Embora um pequeno ato, isso trouxe algum conforto ao coração de Emily.
"Estou me sentindo um pouco fraca. Você pode me levar para casa? Está disposto a isso?" Emily perguntou.
Queimar pegou as chaves do carro, deu um chute rápido na roda e exclamou: "Por que eu não conseguiria dirigir um carro? Já pilotei até jatos de combate!"
Emily balançou a cabeça, entre divertida e sem saber o que fazer, deslizando para o banco do passageiro.
Quando Queimar se acomodou atrás do volante, Emily começou: "Este carro não é um veículo comum; é--"
Antes que pudesse terminar a frase, Queimar ligou o motor habilmente, avançando com um forte pressionar do acelerador.
Emily permaneceu em silêncio atordoada por alguns instantes.
Pela primeira vez, ela olhou para o entregador com um pouco de espanto.
Dirigir um carro de luxo desse calibre estava a anos-luz do comum.
Naturalmente, alguém no ramo de entregas de comida precisaria trabalhar incansavelmente por uma vida para poder comprar tal opulência, quanto mais possuir a habilidade de dirigi-lo.
"Onde você mora?" Queimar perguntou.
"B19, Vilas Wyvern," Emily revelou, e então fechou os olhos por um momento.
O bolso de Queimar vibrou persistentemente, levando-o a pegar o telefone.
Uma chamada de seu pai piscava na tela, e ele atendeu prontamente.
"O que está acontecendo?" Queimar perguntou.
"Temos uma reunião de licitação hoje à noite no Edifício Elite. Garantir este projeto no novo distrito é crucial para nossa estratégia de negócios futura. Vou alocar um bilhão para isso. Compareça pessoalmente e garanta o sucesso," Clayton instruiu.
"Entendido," Queimar afirmou.
"A propósito, Archie Ward, o presidente da filial da Câmara de Comércio da Prosperidade em Enceridge, está no nosso círculo. Ele seguirá sua liderança," Clayton acrescentou.
"Entendi," Queimar respondeu.
O carro deslizou suavemente para Vilas Wyvern, o epítome do luxo em Enceridge.
Diziam que a vila mais cara da área havia sido comprada por um magnata enigmático por incríveis 170 milhões.
Considerando o status de Emily como herdeira da família Lewis, residir em um ambiente tão luxuoso parecia norma da casa.
Saindo do veículo, Emily parecia perdida em seus pensamentos durante todo o trajeto.
Queimar estendeu a mão, acenando na frente de Emily até que ela voltasse à realidade.
"Chegamos," ele disse.
Emily assentiu, antes de, do nada, sugerir: "Gostaria de entrar e tomar uma xícara de café ou algo assim?"
Queimar, brincando com seu isqueiro, respondeu: "Não tem medo de que eu apronte alguma coisa?"
Emily zombou. "Você me engravidou uma vez, lembra? O que mais aqui eu deveria ter medo? Que você me engravide de novo?"
Queimar saltou para fora do carro. "De jeito nenhum! Pare com isso! Adeus e espero que nossos caminhos nunca se cruzem novamente!"
Emily abriu a porta do carro e saiu. No entanto, sua mente esteve ocupada o dia todo, deixando-a menos que estável sobre os pés. Em um giro inesperado dos acontecimentos, ela caiu no chão, torcendo o tornozelo.
Queimar, prestes a acender um cigarro, testemunhou o acidente. Pondo de lado o isqueiro, ele se aproximou de Emily, oferecendo uma provocação brincalhona: "Você, minha cara, é um desastre ambulante!"
Emily franziu a testa, lançando um olhar feroz para Queimar.
"Tente dizer isso de novo!"
"Completamente desastrada! Ai! Droga!" Queimar exclamou.
Em uma explosão de frustração, pânico e desamparo, Emily cravou os dentes no ombro de Queimar.
Gritando de dor, a resposta de Queimar foi rápida-- um tapa ressonante nas nádegas empinadas de Emily.
Um som alto ecoou-- o impacto contra a saia justa acentuando o momento.
Um toque magistral.
Emily, finalmente liberando suas emoções reprimidas, soltou.
Queimar abriu a gola, revelando uma marca de mordida sangrenta no ombro.
"Oh, droga! Você é um cachorro?" ele exclamou.
Emily, com um olhar de vingança, mancou pela porta, comentando casualmente: "Tenho um kit de primeiros socorros em casa. Tem coragem de entrar?"
"Dane-se o medo!" Queimar retorquiu, prontamente seguindo-a.
Enquanto Queimar cuidava do seu ombro, ele observou Emily tentando desajeitadamente aplicar remédio no tornozelo.
Sem hesitar, ele pegou o tubo de creme e assumiu a tarefa.
Segurando o pé torcido de Emily, Queimar descobriu que os pés dela eram tão requintados quanto o resto de seu corpo. Delicados e suaves, seu pequeno pé capturou sua atenção.
Apesar da tentativa de Emily de retrair o pé, Queimar segurou firmemente, um rubor sutil tingindo suas bochechas.
Enquanto olhava para Queimar, Emily encontrou-se novamente perdida em pensamentos. O iminente casamento com a família mais rica da cidade, os Patels, pesava em sua mente.
Inesperadamente, a porta se abriu naquele exato momento.
A mãe de Emily, Dolores, e sua melhor amiga, Clara Ward, entraram juntas.
A cena que as saudou foi Emily e Queimar em estreita proximidade.
"Querida, o que está acontecendo?" Dolores inquiriu.
Emily prontamente se levantou, e Queimar, segurando um tubo, começou a explicar: "Ela torceu o..."
Antes que ele pudesse concluir a frase, Emily interveio: "Eu torci o tornozelo."
O que pegou Queimar de surpresa foi o comentário subsequente de Emily-- "Por isso meu namorado está aplicando o remédio para mim."
O silêncio abrupto no ambiente pairava desconfortavelmente.
Queimar exibia uma expressão perplexa, tentando entender tudo aquilo.
Dolores, com um passo determinado, interveio: "Com licença? Eu ouvi direito? Você acabou de dizer que esse entregador malcheiroso é seu namorado?"
Queimar, prestes a oferecer uma explicação, ficou irritado com a menção a "entregador malcheiroso".
"Espere aí, 'entregador malcheiroso'? O que isso quer dizer?"
Dolores, fervendo de raiva, retrucou: "Cala a boca! Eu não estava falando com você. Emily! Conte-me. Qual é a história aqui?"
Emily encontrou a raiva de Dolores com um sorriso amargo. "Mãe, eu só estava brincando. Por que levar tão a sério? Eu torci o tornozelo e esse entregador me ajudou."
Dolores, aliviada, levou a mão ao peito. "Você quase me deu um ataque cardíaco! Você está prestes a se casar com alguém da Família Patel em breve. Não podemos cometer erros; o prestígio da Família Lewis está em jogo."
Emily, com um sorriso amargo, respondeu: "Entendi, mãe."
Dolores apertou a mão de Emily e disse, com um tom sincero: "Emmy, eu entendo que você está passando por um momento difícil, mas considere a posição atual da Família Lewis. O apoio da Família Patel é nossa tábua de salvação. Eles nos garantiram que, quando se casar, eles assegurarão aquele projeto importante e o compartilharão conosco. O nome Lewis brilhará novamente!"
A tez de Emily empalideceu enquanto ela conseguia esboçar um sorriso triste. "Eu sei, mãe."
Dolores, retirando o cachecol, continuou: "Que bom que você sabe. Você sempre gosta de me assustar. Dizer que um entregador é seu namorado—falar sobre me deixar preocupada."
"Com licença, mas qual é o problema de ser um entregador?" Queimar afirmou com um ar de autoridade.
Dolores lançou-lhe um olhar gélido. "Qual é o problema? Você é apenas uma pessoa das camadas mais baixas da sociedade. Considerar estar com minha Emmy, a filha de uma família rica, não passa de um sonho para alguém como você."
Sentindo a crescente frustração de Queimar, Emily interveio rapidamente: "Queimar! Você deveria voltar por enquanto. Agradeço por sua ajuda hoje."
Observando o olhar suplicante nos olhos de Emily, Queimar resmungou e saiu.
Assim que Dolores subiu as escadas, Emily afundou cansada em um assento.
Sua amiga mais próxima, Clara, entrelaçou o braço com o dela, perguntando: "Emmy, qual é a relação entre você e aquele entregador agora mesmo?"
"Não temos laços," Emily respondeu secamente.
Inclinando-se, Clara sussurrou para Emily: "Você pode enganar sua mãe, mas não a mim."
Emily suspirou, com a mão no estômago. "Estou grávida do filho dele."
"Céus!"
Clara exclamou, incrédula, "Sério? Você não está brincando comigo, está?"
Emily balançou a cabeça. "Não estou brincando."
Clara, espantada, questionou: "Você perdeu a cabeça? Se você estava procurando uma aventura, precisava ser com um entregador?"
Emily acariciou gentilmente sua barriga, explicando: "Eu estava bêbada, e quando percebi, já era tarde demais."
Baixando a voz, Clara pressionou: "Então, qual é o plano? Você não pode manter isso em segredo para sempre. Não é sustentável!"
Emily declarou com determinação: "Planejo ter o bebê!"
"De jeito nenhum! Você perdeu a cabeça?" A voz de Clara aumentou um tom.
Emily, mantendo a seriedade, retrucou: "Eu perguntei repetidamente a ele hoje se ele assumiria a responsabilidade pela criança, e ele afirmou que sim."
Clara segurou o rosto de Emily e implorou: "Isso não é brincadeira, ok? Você é a herdeira da Família Lewis! Ele é apenas um entregador! Ele não traz nada para a mesa! Vocês vêm de mundos completamente diferentes! Não vê?
E, no mínimo—você pensou no que sua família pensaria? Alguém pode imaginar a incredulidade que terão ao considerar um entregador como futuro genro!
Mais significativamente, considere a Família Patel! Dada a disposição inerente dos Patels, você certamente se verá despreparada para lidar com suas expectativas. As repercussões para a Família Lewis, emaranhadas na associação com esse entregador, podem ser nada menos que catastróficas. E quanto ao entregador, ele pode se encontrar preso em uma teia de formidáveis predicamentos sem rota de fuga discernível!"
Emily habilmente mudou de assunto. "Vamos deixar meus assuntos de lado por enquanto. Por que o retorno repentino a Enceridge?"
Clara elucidou: "Meu avô expressou o desejo de conhecer uma figura notável em Enceridge e decidiu participar do evento de licitação hoje à noite. Eu vim junto. Agora, Senhorita Lewis, chega de perguntas. Talvez seja sábio contemplar sua própria situação primeiro."
Os olhos de Emily se encheram de lágrimas. A perspectiva de se casar com alguém que ela não gostava e na verdade até desprezava despertou uma resistência profunda dentro dela. Isso amplificou sua determinação de trazer essa vida inesperada ao mundo.
Os olhos de Clara brilharam de excitação, "Tive uma ideia brilhante!"
"O que é?" Emily perguntou.
Clara riu antes de continuar: "Se seu segredo for descoberto, basta afirmar que você foi vítima de agressão por esse entregador. A Família Patel não poderá lançar uma única pedra em você!"
...
Enquanto Queimar saía do condomínio residencial, ele mostrou o dedo do meio para os seguranças estacionados no portão, um gesto inconfundível de desafio.
A atitude desdenhosa em relação ao pessoal de entrega era um problema persistente que ele não podia ignorar.
Com a intenção de retornar ao posto de serviço de entrega, seu caminho se cruzou com uma limusine alongada parando diante dele.
Saindo do veículo, um distinto homem de cabelos grisalhos se dirigiu a ele, "Senhor Roberts, por favor, junte-se a mim no carro."
Queimar ficou momentaneamente atônito antes que o cavalheiro idoso se identificasse. "Sou Archie Ward, o presidente da sucursal de Enceridge da Câmara de Comércio da Prosperidade. Vim escoltá-lo para a conferência de leilão."
Finalmente caiu a ficha para Queimar; seu pai havia mencionado esse indivíduo durante uma conversa telefônica anterior.
"Por favor, entre no carro, Senhor Roberts."
Archie abriu graciosamente a porta do carro, inclinando-se com respeito.
Sem mais cerimônia, Queimar entrou no veículo de luxo à espera.
No caminho, enquanto o carro desviava da rota esperada para a conferência de leilão, Queimar não pôde deixar de expressar sua curiosidade, "Para onde estamos indo?"
Clayton respondeu calmamente: "Ainda há algum tempo antes da conferência de leilão. Estamos fazendo um desvio para o Distrito A das Vilas Wyvern primeiro. Novas roupas foram preparadas para você. Você pode se refrescar e se trocar lá antes do leilão."
Ao chegar, Queimar se viu diante da vila mais imponente de Enceridge, avaliada em impressionantes 170 milhões.
"Impressionante. Um verdadeiro tesouro," comentou casualmente, oferecendo um elogio indiferente.
Archie estendeu as chaves para ele, dizendo: "Senhor Roberts, estas são para você."
Queimar dispensou o gesto com um aceno, afirmando: "É grandioso demais; não estou acostumado a viver sozinho."
Apesar do protesto de Queimar, Archie não retirou as chaves.
Outros podem estar alheios ao passado deste jovem, mas Archie estava bem informado sobre os detalhes.
A influência formidável exercida por Queimar era inigualável em todo o país. Ninguém ousava desafiá-lo.
Até mesmo os jovens elites altivos de Sotrith, quando confrontados por Queimar, assumiam obedientemente uma postura de respeito.
Para o mundo exterior, Archie era conhecido por sua riqueza e influência, mas na presença de Queimar, ele assumia o papel de um humilde mordomo.
Queimar procedeu a tomar um banho.
Ele optou por não vestir o terno que Archie havia arranjado e, em vez disso, escolheu se vestir com roupas casuais e confortáveis.
Archie, perspicaz em seu entendimento, tinha um chef que preparou um banquete elaborado, culminando em uma refeição satisfatória.
Após o banquete, eles seguiram para o Edifício Elite.
A maioria dos licitantes de hoje vinha das famílias distintas de Enceridge.
Apesar do apelo deste encontro, o interesse de Queimar diminuiu; ele estava ali apenas a pedido de seu pai.
Devido à sua posição, Archie precisava manter um perfil discreto, abstendo-se assim de participação direta e aguardando em uma sala designada.
Com algum tempo de sobra antes do início dos procedimentos, Queimar fez um desvio para o banheiro, saindo mais tarde para lavar as mãos.
Do banheiro diagonalmente oposto, uma mulher deslumbrante emergiu.
Seu cabelo cor de vinho estava elegantemente preso em um rabo de cavalo alto, e seu traje de escritório acentuava suas curvas sedutoras. Vestida com meias de seda preta que realçavam o comprimento de suas pernas esbeltas, ela desfilava em saltos altos vermelhos, exalando confiança.
Queimar secou as mãos e se virou, ficando frente a frente com ela.
Ao observar mais de perto, ele a reconheceu como Clara, aquela que ele havia encontrado mais cedo na vila de Emily.
Ao avistar Queimar, Clara ficou momentaneamente pasma antes de se recompor com uma carranca. "O que está fazendo aqui?" ela exigiu.