Capítulo 2

Notando seu erro, Jenna se deixou cair no sofá, segurando as pernas com uma angústia exagerada. "Ah, minhas pernas! Estão doendo tanto!"

Ao invés de repreender Jenna, Jeffry pediu desculpa a Madisyn: "Madisyn, por favor, tente entender. Jenna é muito jovem. Não guarde rancor dela por algo assim..."

Madisyn já tinha escutado essa mesma desculpa inúmeras vezes.

"Eu obviamente não revidaria se fosse mordida por um cachorro. Afinal, ele aprende esse tipo de comportamento com seus donos, certo?"

Com um último sorriso de escárnio, Madisyn colocou sua pequena bolsa no ombro e foi até a porta, seus passos firmes e inabaláveis. Ela não olhou uma segunda vez para a família que estava deixando.

Por sua vez, os três que ela deixou para trás estavam fervendo de raiva.

Do lado de fora, o motorista continuava esperando, sem fazer ideia da confusão que tinha se desenrolado no interior da casa da família Chapman. Com o retorno de Jenna, o respeito que os funcionários da casa tinham por Madisyn diminuíra drasticamente — até mesmo o motorista se recusou a cumprimentá-la como antes quando ela se aproximou.

Ignorando-o completamente, Madisyn passou por ele, sua postura ereta e determinada.

O motorista rapidamente a alcançou e, com um toque de urgência, disse: "Senhorita, me instruíram a te levar até o seu destino."

Parando de andar, Madisyn se virou ligeiramente, sua voz fria ao responder: "Isso não será necessário. De agora em diante, não tenho nenhuma ligação com a família Chapman."

Dito isso, ela se afastou para chamar um táxi e forneceu ao motorista o endereço que Jeffry havia enviado no seu celular anteriormente.

O destino era uma vila modesta e decadente, um contraste gritante com a opulência que ela conhecia.

A primeira coisa que ela notou foi o estado abandonado da casa dos seus pais biológicos, os gritos abafados apertando o coração.

Assim que entrou na casa, ela se deparou com muitas pessoas.

Contrastando fortemente com o ambiente, havia um homem vestindo um terno sofisticado, cercado por guarda-costas, em frente a um casal de camponeses chorosos que usavam roupas simples.

Enquanto Madisyn tentava entender o que estava acontecendo, o homem se virou, seus olhos vermelhos e tomados pela descrença. No próximo segundo, ele correu na direção dela com os braços abertos.

"Minha filha, é realmente você! Não posso acreditar que você está viva!", disse o homem, sua voz alta e profunda repleta de emoção.

Madisyn não pôde deixar de ficar confusa.

Quem seria esse homem e por qual razão estava se comportando dessa maneira?

Madisyn voltou sua atenção para o casal de camponeses, que continuavam chorando. Com a voz trêmula, ela finalmente quebrou o silêncio, perguntando: "Mãe, pai, o que está acontecendo aqui?"

O fazendeiro suspirou pesadamente, sua voz carregada pelo peso de verdades não reveladas. "Madisyn, não somos os seus pais. Jenna é realmente a filha legítima dos Chapmans, mas você... você não é nossa filha. O nosso bebê nasceu morto."

Parando por um momento, ele gesticulou na direção do homem elegantemente vestido. "Esse homem é o seu verdadeiro pai."

O olhar de Madisyn se voltou para o estranho, percebendo as semelhanças inegáveis em suas feições.

Com a mão ligeiramente trêmula, o homem pegou um documento da pasta.

"Madisyn, na primeira vez que te vi no hospital, algo atraiu a minha atenção, mas naquele momento, não dei importância", explicou o homem, com a voz carregada de emoção. "Depois de saber que os Chapmans tinham se reencontrado com sua verdadeira filha, eu precisava descobrir se houve algum engano. Esse teste de paternidade confirma as minhas suspeitas: você é a minha filha."

Pegando o resultado do teste, Madisyn se deparou com uma prova inegável.

Na verdade, mesmo sem isso, as características que compartilhavam diziam muito.

Madisyn ficou em silêncio, seus pensamentos girando sem parar.

Essa revelação, adicionando mais uma camada à sua já intrincada história, a deixou atônita.

O homem prosseguiu: "Entendo que é muita coisa para assimilar. Mas preciso revelar a verdade. Na noite em que você nasceu, o hospital cometeu um terrível erro. Devido a um descuido de uma enfermeira, três famílias tiveram suas vidas entrelaçadas sem que soubessem. O bebê deste casal foi declarado natimorto e por engano foi entregue a nós. Você acabou sendo levada para os Chapmans, e Jenna foi trazida para cá."

Após uma breve pausa, ele acrescentou, seus olhos marejados: "Sua mãe e eu ficamos arrasados, pensando que tínhamos perdido você. Tudo isso afetou sua mãe profundamente. Ela está esperando ansiosamente no hotel, com a esperança de finalmente poder te conhecer."

Tocada pela sua sinceridade, Madisyn assentiu lentamente, sua atenção se voltando para o casal de fazendeiros.

A voz do homem sofisticado suavizou quando disse: "Tudo isso foi um mal-entendido e eles também foram vítimas desse erro. Vou oferecer uma compensação pela perda."

O fazendeiro gesticulou com a mão, dizendo firmemente: "Isso não será necessário. Saber a verdade é o bastante para nós."

Enquanto falava, a voz do fazendeiro revelava um cansaço entremeado por uma leve desilusão. O relacionamento deles com Jenna, a menina que ele e sua esposa criaram como filha, se deteriorou após ela reencontrar sua família biológica e cortar todo contato com eles.

"Vocês deveriam ir para casa. Não é todo dia que uma família se reúne novamente, então não percam tempo aqui", comentou o fazendeiro, com um olhar misto de tristeza e reserva, enquanto encaminhava Madisyn e o homem de terno até a porta.

Madisyn acompanhou o homem de terno até um brilhante Rolls-Royce.

O luxo do veículo formava um contraste gritante com a simplicidade da casa que ela acabara de deixar.

"Madisyn, sou Glenn Johns, seu pai. A partir de agora, conte sempre comigo. Qualquer coisa que precisar, basta pedir", disse o homem, sua voz sendo ao mesmo tempo suave e decidida.

A compreensão a atingiu lentamente: Glenn Johns não era apenas rico. Ele era o CEO do Grupo Johns, o indivíduo mais rico de Gemond.

O peso e a profundidade das implicações de sua nova linhagem começaram a se firmar.

Madisyn então assentiu lentamente.

O Hotel Alpenglow era o hotel mais luxuoso em Gemond.

Jenna, usando um vestido Chanel esvoaçante, parecia a personificação da elegância ao adentrar o amplo saguão com seus pais.

A ocasião era de extrema importância. Phyllis acabara de descobrir que Lynda Johns, vice-presidente da Associação de Dança e jurada da competição nacional, estava na cidade.

Phyllis identificou prontamente a oportunidade: a tutela de Lynda poderia ser a chave para Jenna conquistar o campeonato. Tendo isso em mente, ela prontamente instruíra Jenna a colocar sua melhor roupa e a levara até o hotel. No entanto, uma surpresa os esperava.

Do outro lado do saguão, Madisyn permanecia de pé, usando uma roupa simples — camiseta e jeans — mas com uma postura tão graciosa que parecia atrair toda a atenção para si. Ao seu lado, estava um homem de terno, cuja presença era imponente, embora suas feições estivessem fora do alcance da visão de Phyllis.

"Madisyn? Mas que diabos ela está fazendo aqui?", murmurou Phyllis, um misto de confusão e aborrecimento permeando sua voz.

Capítulo 3

"A notícia sobre a senhora Johns estar aqui provavelmente vazou", disse Jenna com um semblante inocente, sua voz baixa. "Aparentemente, Madisyn também quer aprender com a senhora Johns. É possível que ela não saiba que Madisyn foi expulsa da nossa casa, assim nós duas podemos acabar como alunas dela!"

A preocupação transpareceu no rosto de Phyllis ao ouvir as palavras de Jenna.

Ela então avançou rapidamente, tentando impedir que Madisyn pudesse fazer laços com pessoas influentes. No entanto, Madisyn já estava se afastando em direção à Sala de Esmeralda, o local mais exclusivo do hotel.

Phyllis não pôde deixar de ficar confusa. O que Madisyn estaria fazendo na Sala de Esmeralda?

Jenna alcançou a mãe, compartilhando a mesma surpresa. "Mãe, aquela sala não é aberta para todos. Ao que parece, Madisyn tem mais contatos poderosos do que imaginávamos. Ela certamente tem amigos impressionantes."

"Que tipo de amigos ela poderia ter?", murmurou Phyllis amargamente, sua mente girando com suposições desfavoráveis.

Seria possível Madisyn ter conseguido galgar a hierarquia da sociedade tendo seduzido algum velho rico?

Se isso fosse verdade, a reputação da família Chapman seria afetada.

O desgosto se apoderou de Phyllis enquanto pensava sobre isso, mas aquele não era o momento para refletir. Com um senso de urgência, ela pegou o celular e ligou para Lynda.

"Peço desculpas, mas preciso lidar com um assunto urgente", disse Lynda, sua voz distante ao celular antes que ela desligasse rapidamente.

O desânimo dominou Jenna, seu humor despencando enquanto ela cobria o rosto com as mãos, deixando as lágrimas escorrerem livremente.

Jeffry a puxou para seus braços, tentando confortá-la gentilmente: "Não se preocupe com isso, Jenna. Tenho certeza de que terá outras oportunidades. Vamos encontrar outra maneira."

Enquanto isso, Lynda deixou o celular sobre a almofada ao seu lado.

Seu irmão Glenn tinha organizado uma reunião familiar assim que descobriu sua filha, que pensavam ter perdido há muito tempo.

"Madisyn deve ter passado por várias coisas ao longo dos anos", disse Kristine Johns, sentada de maneira elegante ao lado de Lynda.

As feições de Kristine eram marcantes, a maquiagem estava perfeitamente aplicada, e ela usava um vestido de luxo. Embora ela exibisse a imagem de uma mulher sofisticada, sua expressão deixava transparecer uma preocupação intensa.

Pensativa, Lynda respondeu: "Ouvi dizer que a família que a criou a tratava muito bem. Então talvez seja possível que ela não tenha enfrentado as dificuldades que imaginamos."

Kristine respondeu com convicção: "É de extrema importância que demonstremos nosso carinho e afeto a ela."

Lynda afagou carinhosamente a cabeça de Kristine, orgulhosa pelo bom caráter da sua aluna.

Kristine era filha adotiva da família Johns. Sua aceitação imediata de Madisyn evidenciava seu espírito generoso e gentil. Além disso, ela não estava preocupada que o retorno de Madisyn pudesse colocar seu status em risco.

Sentada no canto, Elaine Johns estava em silêncio, olhando ansiosamente para a porta.

Notando a intensidade do olhar de Elaine, Kristine não pôde deixar de sentir uma pontada de desconforto.

A porta finalmente foi aberta, e o primeiro a entrar foi o motorista, que se afastou para liberar a passagem para os outros.

A jovem que entrou era deslumbrante, com feições sofisticadas e elegantes que lembravam de forma impressionante as de Elaine, confirmando imediatamente o laço familiar entre elas.

Kristine não pôde deixar de sentir um vazio inexplicável ao ver isso.

Elaine, não conseguindo conter suas emoções por mais tempo, avançou rapidamente.

"Minha filha!", exclamou Elaine, puxando Madisyn para um abraço apertado enquanto suas lágrimas fluíam livremente.

Madisyn ficou paralisada por um instante pela intensidade das boas-vindas, suas mãos trêmulas e incertas afagando levemente as costas de Elaine. Um novo calor cresceu dentro dela — uma sensação familiar e acolhedora.

Então era isso o que significava ter uma família que a amava...

"Deixe Madisyn se sentar", disse Glenn gentilmente.

Enquanto se acomodavam no sofá, Elaine se aproximou de Madisyn, tentando manter a voz firme em meio às lágrimas. "Madisyn, sinto tanto por termos demorado todo esse tempo para te encontrar. Você deve ter passado por muita coisa."

"Eu... eu estou bem."

As lágrimas de Elaine, quentes e genuínas, escorreram até a mão de Madisyn, fazendo-a se sentir um pouco desorientada. Tocada por tanta sinceridade, ela gentilmente tranquilizou Elaine: "Não chore, mãe. Nós estamos juntas agora."

A palavra "mãe" pareceu despertar uma alegria intensa em Elaine, cuja voz tremeu ao responder: "Sim, estamos juntas. Prometo que irei te compensar por tudo."

Glenn observou a troca entre as duas com um enorme sorriso, sua ansiedade evidente enquanto olhava para Madisyn.

Sentindo o olhar dele, Madisyn se voltou para ele. "Hum... Pai."

"Estamos extremamente felizes por tê-la de volta, minha Madisyn", disse Glenn com um sorriso, a felicidade iluminando seu rosto em uma rara expressão de deleite. "Me deixe te apresentar nossa família. Essa é Lynda, a sua tia."

Lynda olhou para Madisyn e acenou em reconhecimento. Madisyn retribuiu o gesto educadamente.

Em seguida, era a vez de Kristine.

Sorrindo amplamente, Kristine se dirigiu a Madisyn, dizendo: "Esperei muito tempo para finalmente ter uma irmã para me gabar!"

Elaine entrou na conversa, dizendo hesitantemente: "Essa é Kristine. O pai dela era um amigo bem próximo do seu pai. Kristine acabou perdendo os pais quando era muito jovem, e nós a adotamos. Se isso a deixa desconfortável..."

"Está tudo bem", interrompeu Madisyn gentilmente, compreendendo a implicação.

"Você tem outros três irmãos, embora eles não estejam aqui agora. Nós iremos garantir que você os conheça mais tarde!", continuou Elaine, um sorriso iluminando seu rosto ao observar a aceitação de Madisyn.

Glenn pegou o celular. "Creio que todos esses anos foram difíceis para você, Madisyn. Vamos começar trocando nossos números."

Elaine prontamente fez o mesmo, pegou seu celular e disse ansiosamente: "Também quero que adicione o meu número."

Assim que Madisyn trocou as informações de contato com eles, seu celular vibrou com duas notificações. Seu pai tinha enviado dez milhões de dólares pelo Venmo, e sua mãe fizera o mesmo.

Sorrindo, Glenn disse calorosamente: "É um presentinho do papai. Se não for o bastante, basta me avisar."

O comportamento caloroso de Elaine espelhava o do marido. "Eu escolhi algumas roupas para você. Poderá prová-las quando chegarmos em casa!"

Toda essa generosidade era algo novo para Madisyn, mas envolveu seu coração num calor que ela nunca havia conhecido.

Por sua vez, Kristine sentiu um misto de desconforto e choque. Glenn e Elaine haviam transferido de maneira casual vinte milhões de dólares para Madisyn — um valor que ultrapassava em muito sua modesta mesada mensal.

Isso era por que Madisyn era a filha biológica deles e ela era adotativa?

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