Capa do Romance O Remorso Dele, Minha Liberdade Impagável

O Remorso Dele, Minha Liberdade Impagável

9.4 / 10.0
Após ser abandonada em um incêndio pelo marido para salvar a amante, perdi meu bebê e quase a vida. Augusto não parou ali: tentou me envenenar e causou o acidente que me aleijou. O horror culminou num iate, onde fui entregue a criminosos. Sobrevivi ao mar e me reconstruí, encontrando um novo amor. No meu noivado, Augusto ressurge oferecendo fortuna e arrependimento, mas descobrirá que seu dinheiro jamais apagará as cicatrizes de sua crueldade extrema.

O Remorso Dele, Minha Liberdade Impagável Capítulo 1

Meu marido me deixou para morrer num incêndio, preferindo salvar a amante dele enquanto eu perdia nosso bebê nas chamas.

Mas meu sofrimento estava apenas começando. Ele e a amante tentaram me envenenar, trocando meus remédios vitais por tranquilizantes.

Quando isso não funcionou, ele armou um acidente de carro que quebrou minhas pernas, me deixando aleijada e desamparada.

Seu último ato de crueldade foi em seu iate. Ele assistiu enquanto a amante armava uma cilada para mim, e depois me trancou num quarto com um grupo de bandidos que me deixaram para morrer.

Eu me joguei no oceano naquela noite, escolhendo a água fria e escura em vez dos monstros naquele barco.

Eu sobrevivi. Reconstruí minha vida, encontrei um homem que valorizava meus pedaços quebrados e estava prestes a me casar.

Então, Augusto invadiu minha festa de noivado. Ele me disse que tinha destruído a amante e estava me dando toda a sua fortuna. Ele achava que podia comprar seu caminho de volta para a minha vida.

Ele estava prestes a aprender que algumas coisas não podem ser consertadas com dinheiro.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Alina

O cheiro estéril de antisséptico grudava em mim, um eco doloroso da fumaça do incêndio que ainda queimava em meus pulmões. Meu corpo era um campo de batalha, doendo em lugares que eu nem sabia que existiam. Mas a ferida mais profunda era o espaço vazio dentro de mim, onde deveria haver um coração batendo. Fazia apenas alguns dias desde o incêndio na casa de praia em Guarujá, dias desde que Augusto escolheu carregar Helena para fora enquanto eu estava presa, dias desde que perdi nosso bebê. Agora, eu estava deitada nesta cama de hospital, minha voz mal passava de um sussurro, pedindo o divórcio.

Uma parte minúscula e tola de mim — a parte que sempre se agarrava à esperança — ainda o imaginava lutando por mim. Que ele veria a devastação em meus olhos, se lembraria dos anos de nossa vida juntos e me puxaria de volta do abismo. Fechei os olhos, imaginando-o entrando de rompante pelas portas, o rosto marcado de preocupação por mim.

Então, o toque agudo de seu celular cortou o silêncio. Meus olhos se abriram. Ele andava de um lado para o outro perto da janela, de costas para mim, os ombros curvados. A maneira como ele atendeu, a voz baixando para um tom baixo e urgente, me disse tudo o que eu precisava saber. O leve tremor em sua mão, a súbita tensão em sua mandíbula. Não era sobre mim. Nunca mais era sobre mim.

"Helena? O que foi?", ele perguntou, a voz carregada de uma ansiedade tão profunda que pareceu um golpe físico. As palavras foram um comprimido amargo, confirmando meus piores medos. Ele nem sequer olhou na minha direção, todo o seu ser focado na conversa sussurrada.

Um pavor gelado se infiltrou em meus ossos, uma sensação familiar de total insignificância. Meu peito se apertou, uma dor ardente se espalhando pelas minhas costelas. Não era a dor física do incêndio, mas algo muito mais profundo, muito mais insidioso. Eu era invisível. Um fantasma na minha própria vida.

Ele finalmente se virou, os olhos vidrados, como se tivesse acabado de se lembrar que eu estava no quarto. "Helena não está se sentindo bem. O médico quer que ela descanse", ele explicou, a voz monótona, desprovida da urgência que mostrara por ela. Não era uma explicação, era uma desculpa, uma dispensa. Minha dor era secundária, se é que existia.

"Isso importa?", sussurrei, minha voz rouca. "Alguma coisa que eu sinto, alguma coisa que eu preciso, importa para você, Augusto?" As palavras tinham gosto de cinzas. Meu valor neste casamento havia se reduzido a nada, uma moeda que não era mais aceita.

Engoli o nó na garganta, forçando as lágrimas a voltarem. Eu não choraria. Não na frente dele. Não mais. Minha mão se fechou no lençol fino do hospital, os nós dos dedos brancos contra o tecido pálido. Eu tinha que ser forte. Por mim mesma.

"O médico disse que você precisa da doação de medula óssea, Alina", ele disse, seu tom mudando para um comando profissional. "É para a Helena. Você concordou." Ele não perguntou; ele afirmou como um fato imutável, uma transação já feita.

"Certifique-se de que ela esteja confortável", ele disse a uma enfermeira que passava, a voz suave, quase terna. "É só um procedimento menor, mas ela é muito frágil." Ele estava falando de Helena, que estava no mesmo hospital, em observação por uma razão totalmente diferente e muito menos fatal. Minha própria vida estava por um fio, mas sua preocupação era reservada para ela.

Minha mente voltou a um tempo em que seu toque era um bálsamo, seu olhar um santuário. Quando um simples corte no meu dedo o deixava em frenesi, exigindo o melhor cuidado, seus olhos cheios de preocupação genuína. Agora, eu estava enfrentando um procedimento de risco de vida, e ele falava da "fragilidade" de Helena por causa de um resfriado comum. O contraste foi um tapa brutal na cara. Como caímos tanto? Como "nós" se tornou "ela"?

"Ele não é um fofo?", ouvi uma enfermeira murmurar para sua colega, a voz chegando claramente através da porta fina do hospital. "Tão dedicado à esposa depois de tudo que ela passou."

"Ah, ele tem sido um grude com ela desde que chegou", a outra enfermeira respondeu, alheia à minha presença atrás da porta. "Aparentemente, foi uma queda boba, mas ele insistiu que ela tivesse o melhor quarto, os travesseiros mais macios, uma procissão de especialistas. Você precisava ver, limpando a testa dela, segurando a mão dela. Disse que ela era tudo para ele."

As palavras me atingiram como um soco. Um tsunami de luto e traição me engoliu, roubando meu fôlego. Meu peito se contraiu, uma faixa sufocante de dor. Minha visão ficou turva, pontos dançando diante dos meus olhos. Minha cabeça latejava, um tambor implacável contra meu crânio. Meu coração, já em pedaços, parecia estar se partindo ainda mais.

De repente, uma dor aguda surgiu em meu lado, uma sensação de queimação que me trouxe de volta ao presente. Eu arquejei, um som estrangulado escapando dos meus lábios. Minha mão voou para o meu abdômen, agarrando o local. As enfermeiras, finalmente notando meu sofrimento, viraram-se com olhos arregalados e preocupados.

"Sra. Almeida? Você está bem?", uma delas perguntou, correndo para o meu lado. Sua voz estava tingida de alarme.

"O que está acontecendo?", a outra gritou, o olhar fixo no monitor. "Os sinais vitais dela estão caindo! E... isso é uma hemorragia?"

O pânico brilhou em seus olhos, espelhando o terror que agora me consumia. "Ela está com uma hemorragia interna", a primeira enfermeira sussurrou, a voz quase inaudível. "A aspiração da medula óssea... pode ser catastrófico."

"Catastrófico?" Ouvi a palavra, mas parecia distante, irreal. Meu corpo gritava, uma agonia primitiva que ameaçava me rasgar. Isso não podia estar acontecendo. Não agora. Não quando eu já estava quebrada.

Nesse momento, a porta se abriu com um estrondo. Augusto estava lá, o rosto uma máscara de confusão, os olhos percorrendo a cena caótica. "O que está acontecendo aqui?", ele exigiu, a voz afiada com um medo súbito e inesperado.

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