Capítulo 2

Davian Deane - Sombra do Zane

Meses se passaram.

Após a derrota de Cassius, tudo se normalizou.

Mas, algo dentro de mim me incomodava...

Eu não sabia o que era pior: ficar observando de longe Zane e Elena, tão felizes, como se nada no mundo pudesse tocá-los, ou estar preso na minha própria cabeça, tentando encontrar algo que me fizesse sentir... algo além de vazio, porque desde que a guerra acabou, parecia que todo mundo ao meu redor encontrou seu lugar, menos eu.

Sei quem parece ridículo, mas bom... Não é.

Enquanto penso sobre tudo isso, caminho pelo jardim do castelo do meu alfa... e, por pensar nele, sentia algo estranho dentro de mim.

O meu alfa... Zane? Ele tinha tudo.

Um filho, uma companheira incrível e o respeito de todos.

Eu, por outro lado, me sentia à sombra dele, sempre ali, presente, mas nunca brilhando. Tentava ignorar isso, tentava me concentrar em outras coisas, mas era impossível não reparar no contraste. Toda vez que eu os via, a vida deles parecia mais plena, enquanto a minha... bom, parecia meio parada.

Comecei a rir tristemente enquanto me sentei em um banco, admirando a beleza do dia, hoje estava bonito o céu...

Era engraçado pensar em como a guerra mudou tanta coisa. Antes, éramos todos focados em uma única causa: sobreviver, lutar. Agora, o mundo parecia estar seguindo em frente, enquanto eu estava preso no mesmo lugar, tentando descobrir o que fazer com o resto da minha vida.

Enquanto sai do jardim, pensativo.

Segui direito para a floresta, para a minha cabana.

Zane não precisava de mim, e eu... Queria apenas ficar um pouco no meu lar, bom... Não tinha nada melhor para fazer.

Enquanto caminhei, ainda com esses pensamentos sombrios em minha mente, eu... a vi pela primeira vez.

Eu estava vagando pelos limites da floresta, havia continuado a caminhar em vez de ir para a minha cabana, estava tão perdido em meus pensamentos, pensando em qualquer coisa que não fosse meu desconforto crescente com tudo ao meu redor.

Mas, parei no automático quando uma visão me chamou atenção. Algo correndo entre as árvores, rápido, quase uma sombra prateada cortando o ar.

Arregalei os meus olhos, tentando ver melhor.

No começo, pensei que era minha imaginação pregando peças em mim. Mas aí, vi de novo.

Era uma loba.

Ela corria como se estivesse fugindo de algo, ou talvez correndo para salvar a própria vida. Eu já tinha visto lobos em várias situações, mas aquela era diferente. Havia algo na maneira como ela se movia, como se estivesse desesperada, como se o próprio tempo estivesse contra ela. Não consegui ignorar aquilo. Sem pensar muito, comecei a segui-la.

- Ei! - gritei, mesmo sabendo que era inútil. Como se ela fosse me ouvir.

Quanto mais eu corria atrás dela, mais percebia que ela estava exausta. As suas patas tocavam o chão com uma força quase desesperada, como se cada passo fosse um esforço monumental. Eu sabia que, se ela continuasse assim, não iria aguentar por muito tempo.

Mas eu continuei, correndo em minha forma humana, focado em alcançá-la.

Senti o vento balançar meus cabelos, já estava anoitecendo, mas eu continuei.

Finalmente, consegui me aproximar o suficiente para perceber o motivo da corrida. Atrás dela, uma pequena alcateia de lobos selvagens a cercava. Aqueles lobos não eram como os que conhecíamos, os nossos. Eles estavam famintos, ferozes, predadores à solta. Meu instinto de proteção tomou conta, e eu não hesitei.

Em um movimento rápido, me coloquei entre ela e os outros lobos. Não precisei lutar por muito tempo; bastaram um olhar ameaçador, um rosnado firme e os lobos selvagens recuaram. Sabiam quando uma briga não valia a pena.

Eles se entreolhavam, rosnando baixo para mim e então, eles se afastaram, correndo, sumindo da minha visão.

Em seguida, voltei minha atenção para a loba prateada, que agora estava deitada no chão, ofegante, mas ainda me encarando com uma intensidade que me fez estremecer. Seus olhos brilhavam de um jeito diferente.

Algo naquela criatura era... único.

- Você está bem? - perguntei, mesmo sabendo que ela não podia responder com palavras, ela estava ainda em quatro patas.

Ela piscou algumas vezes, e então, algo incrível aconteceu. Lentamente, diante dos meus olhos, ela começou a se transformar. O pelo prateado se retraiu, revelando pele clara como porcelana, tão delicada que parecia que poderia quebrar com um simples toque. E então, ali estava ela: uma mulher, encantadora, que se encolhia.

Seus cabelos, longos e prateados, brilhavam como se fossem fios de prata real, e seus olhos, intensos e profundos, me observavam com uma mistura de desconfiança e gratidão.

Ela era linda.

Não, "linda" nem começava a descrever o que eu estava vendo.

Ela era mais que isso, era perfeita... E eu... não conseguia parar de olhar para ela, estava paralisado, sentia o meu coração acelerar em um ritmo que não conhecia.

Capítulo 3

Davian Deane - sombra do Zane

Continuei paralisado, vendo-a em sua forma humana, com aqueles cabelos prateados caindo em ondas suaves sobre os ombros, percebi que algo estava muito além do meu controle. Ela não era só uma loba comum, e eu estava prestes a descobrir isso da pior maneira possível.

Ela mal teve tempo de me olhar mais uma vez antes de desmaiar, porque ela, literalmente desabou na terra fria.

Eu me aproximei dela no mesmo instante, a pegando em meus braços.

No momento em que senti o peso dela, fiquei congelado por alguns segundos, sem saber o que fazer. Quer dizer, o que eu deveria fazer? Abandoná-la ali não era uma opção, e claramente ela estava exausta demais para sequer falar. Sem outra escolha, a única coisa que me veio à cabeça foi levá-la para a minha casa.

Dei meia volta e comecei a caminhar pelo trilho ao lado da floresta, atento, olhando para os lados enquanto caminhava.

Não foi exatamente fácil. Carregar alguém desacordado sempre é complicado, e ela, apesar de parecer leve, estava toda tensa e seus músculos estavam contraídos, como se até em sua forma humana ela mantivesse parte do instinto selvagem da loba. Mas, de alguma forma, consegui.

Segurei firmemente seus braços e pernas e prossegui, caminhando depressa.

Quando finalmente cheguei à minha cabana, abri a porta rapidamente e tranquei a porta, fui até um dos quartos, liguei a lamparina e a deitei na cama.

A cada movimento, os longos cabelos prateados dela se espalhavam pelo travesseiro, como se estivessem vivos, refletindo a pouca luz da lua que banhava o céu, que entrava pelas frestas da janela. A cobri e respirei fundo.

Olhei para a Lua e depois para a mulher deitada na cama.

Tinha algo quase etéreo nela, como se não pertencesse a este mundo. Mas ali estava, deitada no meu quarto, completamente vulnerável.

Por que ela estava correndo daquele jeito? E quem eram aqueles homens atrás dela? Eles tinham cheiro de lobos, então... poderia ser uma alcateia rival? Queriam a capturar? São tantas perguntas, estou ficando louco.

Sei que vou descobrir, em breve, depois que ela acordar. 

Passei a mão sobre os cabelos, respirando fundo. Depois passei a mão pela nunca, tentando decidir o que fazer.

Levei a mão em meus fios, pensativo...

"Comida", pensei.

Ela precisaria comer quando acordasse. Então, sem perder tempo, fui até a pequena cozinha da cabana e comecei a preparar algo. Não era exatamente um chef, mas sabia o suficiente para fazer uma sopa decente. Algo leve, mas que pudesse dar a ela um pouco de força. Enquanto mexia a panela com os vegetais e um pouco de carne, meus pensamentos corriam descontrolados.

"Quem era ela? Por que estava fugindo? E por que diabos eu estava tão intrigado com isso tudo?"

Não era como se eu tivesse tempo ou energia para lidar com mais problemas, mas, por algum motivo, não conseguia simplesmente ignorá-la. Algo nela me puxava, me atraía, e quanto mais eu tentava afastar esse sentimento, mais ele crescia.

Balancei a cabeça e provei a sopa, e estava bom.

Espero que ela goste e que ela se recupere, estou curioso sobre ela... nunca vi ninguém assim antes, e isso me atormenta... 

Com a sopa pronta, a deixei de lado, esperando que ela acordasse. Enquanto isso, voltei para o quarto e me sentei na cadeira ao lado da cama e a observei por um momento. Seus traços eram delicados, quase frágeis, mas havia uma força ali, escondida sob a superfície.

Como ela corria, a maneira como enfrentou o perigo... tudo indicava que ela era muito mais do que aparentava. Ela parecia apavorada... eu vi isso em seus olhos. 

- Quem é você, afinal? - murmurei para mim mesmo, enquanto continuava a observá-la.

Quase como se estivesse me ouvindo, ela começou a se mexer. Primeiro, um pequeno movimento nos dedos, depois um suspiro suave escapou de seus lábios. Meu corpo inteiro ficou tenso, como se eu estivesse prestes a enfrentar algo que não entendia completamente, e talvez fosse isso mesmo.

Seus olhos lentamente se abriram, piscando contra a luz suave da tarde que agora invadia o quarto. Ela me viu primeiro, o que era natural, já que eu estava praticamente debruçado sobre ela. Seus olhos azuis, sim, como duas safiras recém-lapidadas, se fixaram nos meus, e, por um segundo, fiquei sem palavras.

Ela piscou mais algumas vezes, como se estivesse tentando entender onde estava e o que tinha acontecido. E então, quando finalmente tentou falar, sua voz... bom, foi como ouvir música pela primeira vez, não que eu fosse um grande apreciador de música, mas havia algo suave, quase melódico em cada palavra que ela dizia.

- Onde... estou? - Sua voz era rouca, provavelmente pelo esforço de correr tanto, mas mesmo assim, havia uma suavidade que me pegou desprevenido.

Continue lendo
Apoie o autor e inspire mais histórias incríveis Moboreader
Desbloquear todos
Capítulo
Personalizar
Próximo Capítulo
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED