Capítulo 2

Capítulo 02

O Príncipe Adormecido

Rafique saiu da primeira festa e, em busca de mais emoção, chegando em grande estilo no seu carro conversível negro, foi dançar as músicas da boate La Mirage, uma das mais exclusivas de Dubai.

As luzes neon refletiam nos lustres de cristal, lançando cores intensas sobre os rostos dos herdeiros milionários que dançavam e brindavam com bebidas que, a cada dose, valiam o preço de um carro. Todos se divertiam como se o mundo fosse um campo de jogo sem consequências. E, para Rafique que era o maior ali, o príncipe de ouro do petróleo dos emirados árabes unidos, tudo era mesmo um jogo.

— Aposto que você não consegue me alcançar no deserto hoje à noite, Rafique. — provocou Karim.

 Seu eterno rival, desde os tempos do colegial, ele todo convencido segurava uma taça de um champanhe de duzentos anos.

Rafique sorriu com a autoconfiança de quem nunca perdeu. Os olhos negros brilharam sob a luz azulada, e ele ergueu seu copo em um brinde silencioso. Em seguida beijou uma jovem estrangeira ruiva americana filha de algum rico em ascensão. A moça muito rápida o convidou para ele ir até seu hotel, mas ele disse para ela ir até sala vip da boate, porquê lá faria o que ela queria, a mulher obedeceu, enquanto ele firmava dali a pouco seu outro divertimento.

— Está lançado, Karim. Prepare-se para comer poeira, às 23:45 no quilómetros 123. 

Em seguida foi aproveitar o corpo da mulher tão disponível, e foi na sala vip.

     Ela era atrevida, e já estava nua da cintura para baixo, ele só colocou o preservativo e transou muito rápido, empurrando nela na parede com pernas dela em volta da sua cintura, mas mulher era só mais uma, um alívio rápido.

 E ele estava mesmo louco de vontade de seguir para o próximo evento, a corrida com os amigos, então encerrou ato, a mulher muito satisfeita com o sexo, implorou para manterem contato. Porém ele não queria vínculo. Mas aceitou o cartão dela. E saiu sem olhar para trás.

 Logo depois de volta a pista de dança entre risos, apostas e aplausos, os seis jovens herdeiros deixaram a boate e seguiram, cada um, para a sua garagem subterrânea de seus palácios, em busca de suas motos.

 A noite estava quente, o céu sem nuvens, e as estrelas do deserto pareciam antecipar o drama que viria. Rafique escolheu sua moto mais veloz: uma Ducati preta com detalhes dourados. Colocou a jaqueta de couro personalizada, capacete dourado espelhado e partiu.

O encontro foi marcado às 23:45, no quilômetro 123, logo depois todos seguiram rumo a uma rodovia ao lado do deserto.

 O asfalto liso, recém-reformado, era o ideal e por isso foi proposto por Karim, era muito próximo à areia. A velocidade era insana, os motores rugindo como leões soltos. Rafique estava na frente, livre ao vento, coração acelerado. Sentia-se livre e invencível.

Mas então, em uma curva mal iluminada, tudo mudou. Um buraco oculto pela areia solta fez a moto derrapar. O tempo pareceu desacelerar enquanto Rafique era lançado no ar. O impacto contra o solo de areia foi brutal. Um silêncio mortal caiu sobre o deserto.

Karim freou bruscamente, correu até o corpo caído.

— Rafique! Alguém chame ajuda, rápido!

Ambulâncias privadas chegaram em minutos, guiadas por GPS de emergência. Médicos iniciaram a reanimação ali mesmo. O estado era grave: sem fraturas, mas com hemorragia interna e um possível trauma no crânio.

No palácio, o sheik Al-Hassan foi acordado com a notícia.

— Emir... é sobre o príncipe Rafique. Sofreu um acidente. Está sendo levado ao Hospital Real Al Saif.

O sheik empalideceu. A mãe dele, princesa Annia, avisada em sua própria casa longe do marido, desabou no chão, gritando pelo filho. Em minutos, o helicóptero do palácio sobrevoava o deserto com o casal nobre a bordo, rumo ao hospital.

Na emergência, a equipe médica preparava Rafique para uma cirurgia urgente. A hemorragia abdominal colocava sua vida em risco.

— Façam tudo! Salvem meu filho! — ordenava Al-Hassan. — Dinheiro não é obstáculo! Tragam os melhores do mundo!

A cirurgia durou oito horas. Foram momentos de terror e oração. Quando o cirurgião saiu da sala, o silêncio era palpável.

— O príncipe Rafique está vivo. Controlamos a hemorragia, estabilizamos os sinais. Mas ele está em coma. O cérebro ainda está funcionando, pelo que parece não houve grandes danos cerebrais, porém não sabemos quando ou se ele vai acordar.

Houve alívio, seguido de uma tristeza profunda. Annia abraçou o marido. Choraram juntos. O filho estava vivo, mas ausente. E então o príncipe adormecido havia nascido ali.

Um verdadeiro aparato tecnológico foi construído ao redor de sua cama, com inteligência artificial controlando temperatura, sons, aromas e estimulação cerebral. O sheik contratou estudiosos do mundo inteiro.

Porque Rafique era a esperança do futuro de uma dinastia de sangue puro. E também porque um príncipe tão dinâmico como ele não podia simplesmente apagar. Não sem lutar.

Três meses depois, o palácio do pai de Rafique foi transformado. Com enorme espaço compatível com seis quartos inteiros, o local se tornou uma ala hospitalar de última geração. Câmaras hiperbáricas, monitores modernos, robôs cirúrgicos assistentes, perfumadores automáticos com essência de rosas e jasmim, além de telas de projeção com paisagens do mundo, luz solar artificial e música terapêutica.

Mandou-se ainda construir um jardim secreto ao lado do quarto, para que o príncipe, ao acordar, visse apenas beleza. Mesmo inconsciente, Rafique era tratado como um rei. Como se a qualquer momento fosse abrir os olhos.

E assim, passou um ano.

Foi quando chegou Rodrigo Otomano, renomado neurocirurgião de Los Angeles. O maior médico americano na especialidade, ele é especialista em casos raríssimos de coma profundo.

Rodrigo entrou no quarto de Rafique com olhar clínico e respeitoso.

— Deixem-me examinar pessoalmente. Preciso ver os exames mais recentes, tomografias, ressonâncias e estudar suas reações neurológicas.

Durante dias, Rodrigo analisou o caso. Por fim, em uma reunião com os pais do príncipe, declarou:

— Eu posso tentar uma nova intervenção, mas não prometo nada. É um caso extremamente raro. A atividade cerebral está perfeita, mas há uma desconexão entre estímulo e resposta consciente. Talvez possamos restabelecer essa ponte.

Uma nova cirurgia foi realizada, focada em estimular áreas específicas do cérebro, colocando um sensor em chip menor que um grão de arroz. Os primeiros dias trouxeram esperanças: pequenas contrações nos dedos do pé, oscilações nos batimentos quando ouvia certas músicas. Mas Rafique não acordou.

Rodrigo prometeu continuar estudando o caso com uma equipe internacional.

— Precisamos de tempo. Mas há esperança.

O sheik Hassan agradeceu. Mas naquele mesmo mês, recebeu um diagnóstico pessoal: um câncer avançado nos rins. Não havia cura. E, de repente, tudo ganhou outra urgência.

— Preciso de um novo herdeiro legítimo. — confidenciou à sua primeira esposa.

A princesa Annia, que há meses não saía do lado do filho, ouviu o marido com pesar. Ela já não podia gerar filhos. Uma histerectomia causada por endometriose há anos havia lhe tirado essa chance.

— Entendo sua dor, Hassan... — disse ela, tocando o rosto do marido. — Mas talvez possamos usar Rafique. Ainda há esperança... de descendência.

No quarto transformado em suíte hospitalar, onde tudo parecia um hotel de luxo, Annia e Hassan conversavam baixinho. A ideia nasceu ali, num sussurro: coletar esperma do filho príncipe e gerar um filho através de uma barriga de aluguel.

— Uma estrangeira. Jovem. Saudável. Ninguém pode saber. — concluiu Hassan.

— Sim, compramos um ventre e teremos um novo herdeiro de sangue puro.

Enquanto isso, do lado de fora, na sala dos médicos, uma enfermeira brasileira, Simone Oliveira, ouviu a conversa. Ela não era curiosa por natureza, mas era sagaz, e só estava naquele posto de trabalho tão alto por ser extremamente inteligente. E teve a sorte de estar no hospital de plantão no dia que príncipe deu entrada quase morto. Simone foi muito importante no centro cirúrgico, e nos dias seguintes no CTI.

Simone saiu da sala do médicos, antes que fosse vista, após ouvir o que iriam fazer com o príncipe mesmo ele estando em coma. Era uma loucura usar o jovem, no estado em que se encontrava, para gerar um novo herdeiro. Mas aquelas palavras se cravaram como uma ideia urgente, e pelo tempo que Simone estava em Dubai, entendia a ousadia dos pais do príncipe.

Na mesma hora, veio-lhe à mente a imagem da sobrinha: Isadora. Uma beleza serena, natural, com uma doçura rara e, sobretudo, um coração genuíno. Era a chance perfeita, tanto para a menina quanto para a princesa.

No dia seguinte, Simone chamou Isadora em videochamada e pediu:

— Me manda umas fotos suas, Isa, mas bem naturais. Nada de maquiagem exagerada. Quero mostrar quem você realmente é, para uma amiga especial. Eu falo sempre de você, e ela está curiosa, porque diz que não acredita que você seja loira de olhos azuis, isso porque eu e sua mãe somos morenas. — mentiu, respirando rápido.

— Ah, claro, madrinha! Já vou te enviar, só um instante. Vou me arrumar. Beijos!

— Obrigada, amor da Dinda. Mostre como você é linda.

A jovem, sem entender muito, atendeu sua madrinha querida. No dia seguinte, com as fotos impressas e cuidadosamente colocadas em um envelope discreto, Simone caminhou até os aposentos do príncipe para mais um plantão.

Autora: Graciliane Guimarães

Capítulo 3

Capítulo 3

O Príncipe Adormecido

O quarto do príncipe de ouro era silencioso, iluminado apenas pela luz suave que filtrava pelas cortinas de linho. No leito, o príncipe Rafique permanecia imóvel, o corpo coberto por lençóis de algodão egípcio. As máquinas monitoravam seus sinais vitais com precisão, enquanto o aroma de óleos calmantes pairava no ar.

Simone ajeitava os frascos de medicação na bancada quando a porta se abriu. A princesa Annia entrou com passos firmes. A presença dela, sempre cheia de tensão com sua preocupação de mãe, chegava a gelar o ambiente.

Annia era só uma mãe como qualquer outra, ali fazendo o seu ritual de agradecimento por seu querido filho estar, mesmo que em coma, ainda vivo, assim quem sabe poderia um dia reagir.

Ela o tocava com suavidade enquanto declarava seu amor incondicional ao ouvido do filho, como uma oração de súplica, como fazia todos os dias. Mas logo ela terminou.

A enfermeira Simone respirou fundo. Vendo que a princesa havia encerrado seu gesto de rotina, sabia que estava cruzando uma linha perigosa. Com as mãos trêmulas, retirou um envelope do bolso do jaleco e se aproximou.

- Alteza... eu preciso mostrar algo pessoal. Tem a ver com a conversa de vossa alteza com o seu marido ontem, sobre o príncipe.

Annia girou lentamente o rosto para ela, o olhar glacial.

- O que você ouviu, Simone?

- Desculpe-me, alteza, mas eu ouvi tudo sobre a necessidade de um ventre sagrado para gerar um novo herdeiro. E que será coletado o sêmen do príncipe Rafique mesmo ele estando em coma.

A princesa se aproximou, tensa.

- Por Alá, você não tinha que ter ouvido nada disso. Agora saiba que, por isso, poderá ser morta.

- Não, alteza, espere! Me perdoe, por favor! Mas eu posso ajudar. Olhe... - disse, entregando o envelope.

Annia o arrancou das mãos dela com brutalidade. Dentro, três fotos de uma jovem de olhos claros, sorriso doce, traços suaves e elegância natural. A princesa ficou em silêncio, observando cada imagem como se procurasse algo além do físico, alguma impureza oculta nos olhos da moça.

- Quem é essa garota? - perguntou por fim, com voz fria.

- Minha sobrinha. Jovem, saudável. Pura. Eu... eu pensei que talvez...

A princesa a interrompeu, enojada.

- Você ousa me vender sua própria sobrinha como se ela fosse uma égua de linhagem? Acha que está lidando com o quê?

- Eu só quero ajudar... - murmurou Simone, desesperada pela pressão de saber que corria risco de ser morta. - Eu estava no centro cirúrgico. Ajudei muito salvando o príncipe. Fui indicada pelo dono do hospital. Vi o sofrimento, vi o príncipe quase morrer. Foram oito horas de cirurgia. Eu vi tudo, estou aqui com ele desde então. Juro que minha intenção é boa. Eu não quero o mal dele...

Annia ficou em silêncio, fitando Simone, pensativa, com o envelope ainda em mãos. A tensão entre as duas cortava o ar. Em seguida, ela abriu novamente o envelope com ainda mais atenção.

A princesa manteve o olhar fixo nas fotos por longos segundos. Depois, cruzou os braços, pensativa. Ela conhecia bem Simone. Sabia de sua competência irrepreensível, da dedicação incansável no hospital durante os momentos críticos, e agora, do quanto cuidava do jovem príncipe como se fosse seu.

- Você terá uma chance, Simone, de não ser morta. - disse por fim, com a voz baixa, mas firme. - Traga-a para mim.

Simone abaixou a cabeça, aliviada.

- Obrigada, alteza. A senhora não vai se arrepender.

Annia imediatamente saiu, sem dizer mais uma palavra.

O príncipe adormecido, imóvel, parecia ouvir tudo. Porém, o lugar onde ele estava era muito longe.

E foi assim que tudo começou...

Simone respirou fundo, agora morta de medo. O plano antes ingênuo dela, agora se não fosse aceito por sua afilhada, seria sua sentença de morte.

Com muito talento como enfermeira, Simone havia se mudado para Dubai há oito anos, convidada por um famoso cirurgião plástico brasileiro. Viveu antes no interior de São Paulo, em Santo André, e cuidava dos pais idosos e da irmã com a filha que era sua afilhada. A família só tinha boa estabilidade no Brasil graças a Simone, que sempre lutou por oportunidade e estudou muito. Isadora era sua afilhada, filha da sua irmã e melhor amiga, quase como filha de sangue para ela, porque Simone fazia tudo pela sobrinha, até as mínimas vontades.

Loira natural, olhos azuis e bonita de corpo, Isadora era típica descendente do sul do Brasil, pelos genes do pai. E mais uma moça inteligente, doce e poliglota. Estudava línguas desde cedo, inclusive árabe, por incentivo de Simone.

Desde os dez anos, Isadora sonhava em conhecer Dubai. Quando Simone prometeu que se ela estudasse, um dia ela viria morar com ela.

Naquela noite, em seu quarto, após episódio dela ter oferecido Isadora, e ameaças da princesa. Simone mandou uma mensagem para a irmã, e depois para a sobrinha, Isadora precisava vir agora, se não ela estaria morta.

Simone:

- Isa, se prepare. Porquê eu vou realizar seu maior sonho. Você vai passar seu aniversário de 18 anos em Dubai. Com tudo pago. Já falei com sua mãe. Malas prontas!

Isadora (em choque):

- Meu Deus, é sério, Dinda? Eu nem acredito! Vou mesmo para Dubai?!

Simone:

- Sim, meu amor. Você merece. Sempre estudou, sempre foi correta. E mais: lembra quando eu disse que aprender árabe abriria portas? Você vai ver.

Em outro momento, Simone, com jeito casual, perguntou:

- Isa... você ainda é virgem?

Isadora respondeu com naturalidade:

- Sou sim, Dinda. Felipe me respeita muito. A gente finge namorar por causa da família dele, mas só somos amigos mesmo.

Simone:

- Perfeito, meu amor. Então vai dar tudo certo. A madrinha vai organizar tudo, só aguarde. Beijos.

Dias depois...

No Aeroporto Internacional de São Paulo, Isadora partiu. Os pais, mesmo separados, apareceram juntos. Levaram uma cesta de chocolates e um balão com os dizeres: "Feliz 18 anos, Isa em Dubai!"

- Cuidado com o sol, filha. - disse o pai.

- E liga sempre pra mim, promete? - pediu a mãe, com lágrimas nos olhos.

- Prometo. Amo vocês!

O avião decolou. Isadora olhava pela janela, coração explodindo. Era seu sonho realizando.

Ao chegar em Dubai, foi recebida por seguranças da família real. Simone estava lá, elegante, radiante.

- Bem-vinda, afilhada, você está ainda mais linda.

- Ah, madrinha, mas é claro, né? No meu aniversário de quinze anos eu estava cheia de espinhas na cara, e agora tô com pele de pêssego. Mas graças à senhora e seus envios de sabonetes e cremes importados daqui, ah, minha nossa, eu nem acredito! Madrinha, eu tô em Dubai! Ahhh! - deu gritinho de alegria.

- Sim, amor, é incrível aqui, e eu vou te mostrar tudo.

- Sério mesmo? Nossa, meu coraçãozinho... será que aguenta, tia? - sorria, quase histérica.

- Aguenta sim.

Isadora não sabia, mas aquele aniversário marcaria para sempre sua vida.

- Então, querida afilhada, como prometi: eu vou te levar pra passear. Mas... primeiro, preciso te apresentar à princesa.

Isadora parou no meio da calçada. O calor abrasador de Dubai tocou sua pele recém-saída do inverno brasileiro. Ela ajeitou a alça da bolsa no ombro, confusa.

- Tia, isso é sério? Uma princesa?

- Sim - Simone respondeu com um sorriso tenso, desviando o olhar. - Foi através dela que eu pude te trazer até aqui, Isadora. Ela quem pagou tudo. Sem a ajuda da alteza, isso aqui não seria possível. Você sabe que tenho muitos compromissos no Brasil: com seus avós, pagando a casa; com sua mãe, que é uma mulher sem emprego por causa das doenças autoimunes e da depressão; e com você, que é como minha filha.

- Sim, eu sei, Dinda. Obrigada. A senhora é uma mulher maravilhosa por ser tão boa e cuidar de todos nós.

- Obrigada. Mas não sou tão boa assim, querida... não depois da loucura que fiz! Mas vamos. - Simone continuou, tentando manter o tom leve. - A gente vai até lá primeiro. Depois eu te mostro o resto da cidade.

- Está bem, madrinha.

Isadora sentiu um arrepio subir pela espinha. Não era apenas um passeio de férias? Não era só uma aventura cultural para comemorar seus 18 anos? Uma dúvida começou a crescer em seu coração.

O carro preto, elegante e com vidros fumê, saiu em direção ao coração luxuoso da cidade. Isadora não dizia nada. Olhava pelas janelas o mundo surreal dos Emirados: arranha-céus espelhados, carros exóticos, mulheres cobertas por véus de seda cruzando calçadas de mármore. Tudo tão distante da sua realidade de bairro simples no interior de São Paulo, em Santo André.

Ao chegarem aos portões do palácio, o silêncio entre elas se tornou mais pesado. Os guardas, vestidos de branco impecável, com armas discretas nas costas, fizeram uma breve verificação e autorizaram a entrada.

O portão dourado se abriu com lentidão quase cerimonial, revelando jardins perfeitos, fontes borbulhantes e uma arquitetura milenar mesclada com o modernismo típico da região.

Simone pegou a mão da sobrinha.

- Seja respeitosa. Fale o mínimo. A princesa fala inglês. Então, agradeça, se curve, mostre gratidão.

Autora: Graciliane Guimarães

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