Capa do Romance O PILOTO

O PILOTO

8.4 / 10.0
Acostumado a seduzir qualquer mulher que desejasse, Donovan sempre teve o controle do jogo da conquista. No entanto, sua autoconfiança é abalada ao me encontrar em um corredor escuro. Pela primeira vez, ele se depara com um alvo inalcançável, alguém que desafia seu poder de atração. Eu acreditei ingenuamente que ele aceitaria a derrota e seguiria em frente, mas logo percebi que Donovan não estava nem um pouco disposto a desistir de me ter.

O PILOTO Capítulo 1

POV HADLEY

Os cliques dos meus saltos altos são os únicos sons convivendo com meus pensamentos enquanto deslizo pelos corredores dos bastidores vagos do antigo teatro que aluguei para o evento de hoje à noite.  

Suspiro em meio ao silêncio acolhedor, grata pela chance de escapar. Para todos os efeitos, as pessoas que mantem essas conversas são tecnicamente meus convidados, mas isso não significa que tenho que gostar deles.

 Rapidamente chego ao velho camarim e recolho as listas que Dane tinha colocado e esquecido em nossa caótica corrida de limpeza pré-festa.

Enquanto começo a voltar para as festividades, corro a minha lista mental de coisas a fazer antes do início do leilão, evento tão aguardado desta noite. O fundo da minha mente me diz que estou me esquecendo de algo.

Encosto contra a parede, o corpete do meu vestido dificultando a minha necessidade de inalar profundamente e suspirar de frustração. Mesmo que eu pareça incrível com o maldito vestido, deveria ter vindo com um aviso na etiqueta; “respirar é opcional”.

Pense Hadley, pense!

Eu me movo deselegantemente para trás, para tentar aliviar a pressão sobre os dedos dos pés, que estão dolorosamente amontoados em meus saltos de dez centímetros.

Martelo para o leilão!

Preciso das placas de leilão. Sorrio largamente para a capacidade do meu cérebro em lembrar. Aliviada, me desencosto da parede e ando cerca de dez passos.

E é aí que eu os ouço.

 O flerte, riso feminino flutua pelo ar, seguido pelo profundo gemido do timbre masculino.

Congelo instantaneamente, chocada com a audácia dos participantes da nossa festa, quando ouço o som inconfundível de um zíper seguido de um suspiro feminino sem fôlego: — Oh, sim! — na alcova escura alguns metros na minha frente.

Quando meus olhos se ajustam às sombras, me torno ciente do smoking preto de um homem deitado em uma cadeira velha empurrada de lado, e um par de saltos altos descartados no chão abaixo dela.

Fico curiosa em saber quem é realmente corajoso o suficiente para fazer algo assim. Nunca, nem em um milhão de anos, isso aconteceria comigo lá naquela alcova. Você não poderia me pagar dinheiro suficiente para fazer algo assim.

Meus pensamentos são interrompidos quando ouço um silvo de respiração masculina, exalada. — Cacete!

Aperto meus olhos fechados em um momento de indecisão. Realmente preciso das placas do leilão que ficam no armário de armazenamento no final do corredor. Infelizmente, a única maneira de chegar a esse corredor é passar pela alcova (atualmente sendo usada como motel).

Não tenho escolha, a não ser ir para lá.

Faço uma oração silenciosa e ridícula, na esperança de que possa deslizar passando despercebida.

Corro para frente, mantendo o ângulo do meu rosto corado para a parede em frente a eles, enquanto ando na ponta dos pés para não deixar que meus saltos batam no chão de madeira. A última coisa que preciso agora é chamar atenção para mim e ficar cara a cara com alguém que conheço.

Respiro um suspiro de alívio quando a minha fuga clandestina na ponta dos pés é bem sucedida, me permitindo sair ilesa ao meu destino.

Ainda estou tentando identificar a voz da mulher quando chego ao armário. Tateando desajeitadamente pela maçaneta, tendo que puxá-la agressivamente, antes de finalmente abri-la, acendendo a luz.

Localizando a bolsa de placas de leilão na prateleira, entro no armário em meu estado perturbado e me esqueço de escorar a porta aberta.

Enquanto pego as alças da bolsa, a porta atrás de mim se fecha com tanta força que as estantes baratas do armário chacoalham. Assustada com o som, eu me viro para reabrir a porta, então percebo que o braço da dobradiça de fecho automático se desconectou.

Largo imediatamente a bolsa. O som das placas batendo no chão de concreto e se derramando é uma cacofonia de ruído no espaço pequeno.

Quando minha mão alcança a maçaneta, ela vira, mas a porta não se move um centímetro.

Pânico lambe meu subconsciente, mas o reprimo enquanto empurro novamente na porta com toda a minha força. Ela não se move.

— Merda, merda, merda! — murmuro em voz alta antes de respirar fundo, balançando a cabeça em frustração.

Tenho tanta coisa para fazer antes do leilão começar. Não tenho tempo para isso. E é claro que não tenho o meu telefone celular para ligar para Dane me tirar daqui.

É quando fecho meus olhos que o meu oponente faz seu movimento. Os dedos longos da claustrofobia começam lentamente a fazer seu caminho até o meu corpo e se envolvem ao redor da minha garganta.

Apertar. Atormentar. Sufocar.

As paredes da pequena sala parecem estar gradualmente deslizando mais perto uma da outra, se aproximando de mim. 

Eu me esforço para respirar.

Bato na porta. Um riacho de suor escorre pelas minhas costas. As paredes se mantêm em movimento, chegando até a mim. A necessidade de escapar é a única coisa que a minha mente pode focar. Bato na porta de novo, gritando freneticamente. Esperando que alguém percorra estes corredores de novo para que possa me ouvir.

Inclino minhas costas contra a parede, fecho os olhos e tento recuperar o fôlego, que não vem rápido suficiente e a vertigem vem à tona. Enjoada, começo a deslizar para baixo na parede e bato acidentalmente no interruptor de luz.

Estou submersa no breu da escuridão.

Eu grito, buscando freneticamente o interruptor com minhas mãos trêmulas. Toco levemente, aliviada por ter empurrado os monstros de volta para o esconderijo.

Se controle, Hadley!

Esfrego as lágrimas das minhas bochechas com as costas das minhas mãos e recorro há um ano de terapia para tentar manter a minha claustrofobia na baía.

Conto até dez, ganhando um fragmento de compostura. Sei que Dane virá me procurar em breve. Ele sabe onde fui, mas o pensamento não faz nada para aliviar e superar meu pânico.

Eu me rendo a minha necessidade primordial em escapar e começo a bater na porta com as palmas das minhas mãos. Gritando. Amaldiçoando esporadicamente. Implorando para alguém me ouvir e abrir a porta. Para alguém me salvar.

No meu estado mental precário, segundos sinto como minutos e minutos como horas. A passagem do tempo é desconhecida para mim, mas sinto como se estivesse trancada nesse armário a vida inteira.

Sentindo-me derrotada, grito novamente e descanso os antebraços na porta a minha frente. Apoiando meu peso nos braços, coloco minha cabeça sobre eles e sucumbo às minhas lágrimas. Grandes soluços irregulares me fazem tremer violentamente.

E, de repente, tenho a sensação de queda.

Caindo para frente, enquanto tropeço no comprimento sólido do homem no meu caminho. Enrolo meus braços em volta de um tronco firme, enquanto minhas pernas estão desajeitadamente dobradas atrás de mim.

O homem, instintivamente, traz os braços para cima e os envolve ao meu redor, me pegando, mantendo meu peso e absorvendo meu impacto.

Olho para cima, registrando rapidamente o choque de cabelo escuro, pele bronzeada e a ligeira sombra da barba por fazer... e então encontro seus olhos.

Puta merda.

Um choque de eletricidade quase palpável de energia crepita quando encontro aquelas íris verdes cautelosas. Surpresa pisca nelas fugazmente, mas a intriga e intensidade com que ele me observa é irritante, apesar da reação imediata do meu corpo a ele.

Necessidades e desejos há muito esquecidos me inundam com isso; um simples encontro de olhos.

Como pode este homem que nunca conheci me fazer esquecer o pânico e desespero?

Cometo o erro de quebrar o contato visual e olho para baixo, para sua boca. Lábios esculpidos e volumosos enquanto ele me observa atentamente, e, em seguida, muito lentamente, eles se espalham em um sorriso charmoso.

Oh, como quero essa boca em mim, em qualquer lugar e em todos os lugares ao mesmo tempo...

O que diabos estou pensando? Este homem está muito fora do meu alcance. Como a anos-luz de distância do meu alcance. 

Levo meu olhar de volta para cima, vendo seus olhos repletos de diversão, como se ele conhecesse meus pensamentos. Posso sentir um rubor se espalhando lentamente pelo meu rosto com o constrangimento.

Aperto minhas mãos ao redor dos seus bíceps musculosos, enquanto abaixo meu olhar, para evitar a sua avaliação do óbvio e tento recuperar a compostura.

Tentando ficar em pé novamente, acidentalmente tropeço ainda mais nele, meu equilíbrio comprometido com a minha inexperiência com esses saltos altíssimos.

— Ah... Hum... Sinto muito. — mantenho minhas mãos para cima em um pedido de desculpas confuso.

Dou um passo para trás. O homem é ainda mais desarmante agora que sou capaz de admirar toda a sua extensão. Imperfeitamente perfeito e sexy como o inferno, com um sorriso que sugere arrogância.

Ele levanta uma sobrancelha, percebendo minha lenta leitura dele. — Não é necessário desculpas. — ele responde de uma voz rouca. — Estou acostumado a mulheres caindo aos meus pés. 

Minha cabeça vira com a presunção do seu comentário. Só espero que ele esteja brincando, mas sua expressão enigmática não oferece nada. Ele me observa, perplexidade em seus olhos, e um largo sorriso convencido, fazendo uma única covinha aprofundar em sua mandíbula definida.

Apesar de ter dado um passo para trás, ainda estou perto dele. Muito perto para reunir meu juízo, e perto o suficiente para sentir sua respiração leve sobre o meu rosto. Para sentir o cheiro limpo de sabonete misturado com a sua colônia.

— Obrigada. Obrigada. — respondo sem fôlego. Vejo o músculo pulsando em sua mandíbula tensa enquanto ele me observa. Porque é que este homem está me deixando nervosa? — A... a porta atrás de mim. Ela se trancou e eu entrei em pânico.

— Você está bem? Senhorita...? 

Minha resposta vacila quando sua mão encontra a parte de trás do meu pescoço, me puxando para mais perto e ainda me segurando. Ele passa a mão livre para cima e para baixo no meu braço nu, que presumo ser uma tentativa de se certificar de que não estou prejudicada fisicamente.

Mas que...

Meu corpo registra o rastro de faíscas, as pontas dos seus dedos em chamas no meu corpo, enquanto minha mente fica consciente de que a sua boca sensual está apenas um sussurro de distância da minha.

Meus lábios se separam e minha respiração prende enquanto ele move sua mão para cima da linha do meu pescoço e, em seguida, usa a parte de trás dela para correr seus dedos suavemente pelo meu rosto.

Não tenho tempo para registrar a confusão misturada com uma forte dose de desejo que surge em mim quando o ouço murmurar: — Porra. — segundos antes de sua boca estar na minha.

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