Ponto de Vista: Elia Mendes
A fúria de Heitor era uma coisa física, uma onda de calor que rolou pela sala. Seus olhos, fixos na pintura de Varejão, agora escorrendo e arruinada, estavam em chamas. Ele amava aquela pintura mais do que amava a maioria das pessoas. Ele a via como uma extensão de seu próprio gênio caótico.
"Você...", ele engasgou, sua voz tremendo de fúria. "Você tem alguma ideia do que fez?"
Ele deu um passo ameaçador em minha direção. Eu não me movi. Apenas o observei, meu coração um ritmo constante e frio em meu peito.
De repente, a porta da frente se abriu novamente. Era Cândida. Claro. Ela devia estar esperando do lado de fora, ouvindo, pronta para entrar correndo e bancar a parte preocupada.
Ela viu a pintura arruinada, o rosto de Heitor e eu ali, calma e composta. Seus olhos se arregalaram em choque teatral.
"Heitor! Meu Deus, o que aconteceu?" Ela correu para o lado dele, a mão em seu braço. "Elia, como você pôde? Era o favorito do Heitor!"
Heitor nem olhou para ela. Seu olhar estava fixo em mim. "Saia, Cândida", ele disse, sua voz perigosamente baixa.
O rosto dela caiu. "Mas Heitor, eu estava preocupada..."
"Eu disse, saia!", ele rugiu, sacudindo a mão dela de seu braço.
Ela recuou, lágrimas brotando instantaneamente em seus olhos. Foi uma performance magistral. Ela olhou para ele com traição ferida, depois lançou um olhar venenoso para mim antes de sair correndo pela porta como um cachorrinho chutado.
O silêncio que se seguiu foi pesado, sufocante.
"Você se lembrou", ele finalmente disse. Não era uma pergunta.
"De tudo", confirmei.
Ele caminhou em minha direção, seus passos lentos, medidos. Um predador perseguindo sua presa. "O acidente... foi um acidente, Elia. Um acidente horrível. Eu te encontrei. Eu te salvei."
"Você sabotou o helicóptero, Heitor." Minha voz era uma lâmina. "Você me queria, então me pegou. Você deixou o Caio para morrer."
Ele parou a um passo de mim. Seu rosto era uma tempestade de emoções conflitantes. "Eu fiz isso porque eu te amo! Eu te vi naquela gala da galeria seis meses antes do casamento. Você era... incandescente. Você estava falando sobre Tomie Ohtake com uma paixão que fez meu peito doer. Eu sabia que tinha que ter você. Ele não te merecia. Ele não podia te apreciar como eu podia."
Seu "amor" era uma doença. A obsessão de um colecionador.
"Então você decidiu brincar de Deus."
"Eu te dei uma vida melhor!", ele insistiu, sua voz subindo com energia frenética. "Eu te dei tudo!"
"Você me deu uma gaiola", cuspi de volta. "E agora a porta está aberta."
Virei-me para ir embora, para ir para o meu quarto, para fazer as malas, para deixar este mausoléu de mentiras. Ele agarrou meu braço, seu aperto como ferro.
"Você não vai a lugar nenhum", ele sibilou, seu rosto perto do meu. "Você é minha esposa."
A memória muscular de anos de Krav Maga entrou em ação. Torci meu braço, quebrando seu aperto, e o empurrei para trás. Ele tropeçou, surpresa brilhando em seus olhos. Ele nunca conheceu essa parte de mim.
Ele veio para cima de mim de novo, e desta vez eu estava pronta. Desviei, agarrei seu braço e usei seu próprio impulso para jogá-lo em direção à ilha da cozinha. Ele bateu contra o balcão de mármore, um suporte de facas de chef caras caindo no chão com um barulho metálico.
Ele me encarou, respirando pesadamente, um horror crescente em seus olhos. Esta não era sua Elia dócil e quebrada.
"Quem é você?", ele sussurrou.
"A mulher que você tentou enterrar", eu disse.
Meu telefone tocou. O som cortou a tensão. Olhei para a tela. Número desconhecido. Ignorei.
Os dias seguintes foram uma guerra fria. Heitor mandou me seguir. Eu não estava trancada, mas era vigiada. Cada movimento, cada ligação. Ele achava que podia me conter. Estava enganado. Comecei a fazer arranjos através de canais criptografados, liquidando ativos que ele não sabia que eu tinha, cobrando favores de uma vida que ele pensava ter apagado.
Ele tentou fingir que as coisas estavam normais. Ele chegava em casa, tentava falar comigo, sua voz tingida com aquela ternura enjoativa e falsa. Eu o encontrava com uma parede de gelo.
Então, Cândida escalou.
Começou com mensagens de texto. Fotos dela e de Heitor, legendadas com provocações. *Ele diz que está cansado da sua frieza. Ele precisa de uma mulher que seja calorosa.*
Depois, uma foto de um prato de macarrão. *Heitor fez sua bolonhesa especial para mim hoje à noite. Ele disse que não fazia para ninguém há anos. Disse que você nunca valeu o esforço.*
Meu estômago revirou. Aquilo era mentira. Aquele era o meu prato. O que ele aprendeu a fazer para mim no primeiro ano do nosso "casamento", quando ele ainda estava na fase de lua de mel de sua posse. A visão daquilo no prato dela, em seu apartamento brega, pareceu uma violação.
A gota d'água veio dois dias depois. Eu estava voltando de uma reunião clandestina com meu advogado. Uma SUV preta bateu na lateral do meu carro, me forçando a entrar em um beco deserto.
Três homens grandes e brutamontes saíram. Eles não pareciam assaltantes. Eram profissionais.
Meu coração batia forte, mas minha mente estava clara. Isso tinha as impressões digitais desesperadas e desleixadas de Cândida por toda parte. Ela queria me assustar. Ou pior.
Enquanto eles se aproximavam do meu carro, disquei calmamente um número.
Heitor atendeu no primeiro toque. "Elia? Onde você está?"
"Num beco perto da Rua Augusta", eu disse, minha voz firme. "Três homens estão prestes a me arrastar para fora do meu carro. Acho que pretendem me matar."
Houve uma pausa. Então, sua voz, fria e incrédula. "Pare com isso, Elia. Isso não tem graça. Seja qual for o jogo que você está jogando-"
"Isso não é um jogo", eu disse, observando um dos homens quebrar a janela do passageiro com o punho. "Cândida os enviou."
"Isso é absurdo", ele retrucou. "Cândida não machucaria uma mosca. Ela é gentil. Ela é... ela não é como você."
As palavras me atingiram como um golpe físico. *Não é como você*. Depois de tudo, ele ainda a via como a inocente e a mim como o monstro.
Uma determinação fria e dura se instalou em meu peito. Tudo bem. Se ele queria um monstro, eu lhe daria um.
"Você tem dez minutos para chegar aqui, Heitor", eu disse, minha voz baixando para um sussurro. "Se você não estiver aqui, vai recolher meu corpo do necrotério. E acredite em mim, você não vai gostar da papelada."
Desliguei antes que ele pudesse responder.
Respirei fundo, meus olhos examinando o beco. Dois na frente, um circulando para trás. Amadorismo.
Saí do carro. O líder sorriu, revelando uma fileira de dentes amarelos. "Sra. Montenegro. Nossa cliente manda lembranças."
"Diga a ela que devolverei pessoalmente", eu disse.
Ele avançou. Eu o enfrentei de frente. Um bloqueio, uma torção, um golpe certeiro na garganta. Ele engasgou, tropeçando para trás. O segundo veio para cima de mim com uma faca. Eu o desarmei com um movimento que meu instrutor me ensinou cem vezes, a faca caindo no pavimento. Levantei meu joelho bruscamente em sua virilha. Ele se encolheu.
O terceiro, vendo seus amigos caírem tão facilmente, hesitou. Esse foi seu erro. Eu diminuí a distância em dois passos, um golpe com a palma da mão em seu nariz o mandou para o chão com um estalo doentio.
Eu fiquei ali, respirando pesadamente, meus nós dos dedos sangrando, meu terno rasgado. A adrenalina era um fogo em minhas veias.
Faróis inundaram o beco. A Ferrari preta de Heitor parou com um guincho. Ele saltou, o rosto pálido de pânico. Ele correu em minha direção, seus sapatos caros esmagando o vidro quebrado. Ele nem se deu ao trabalho de vestir um casaco sobre a camisa social, e o suor brotava em sua testa apesar do frio.
Ele parou abruptamente quando viu a cena. Os três homens gemendo no chão. Eu, de pé sobre eles, vitoriosa e aterrorizante.
"Elia...", ele sussurrou, seus olhos arregalados com uma mistura de horror e algo mais... admiração. "O que...?"
"Eu resolvi", eu disse, minha voz plana.
Ele correu para mim então, suas mãos pairando sobre mim como se tivesse medo de me tocar. Ele viu o sangue em meus nós dos dedos, o rasgo em minha manga.
"Você está ferida", ele sussurrou, sua voz embargada por uma emoção estranha e sufocada. Ele pegou minha mão gentilmente, seu polegar acariciando minha pele machucada. "Meu Deus, Elia. Eu estava com tanto medo."
Por um momento, apenas um lampejo, a antiga dinâmica estava lá. Ele, o protetor. Eu, a protegida.
Puxei minha mão.
"Eu te liguei", eu disse friamente. "Você não acreditou em mim."
"Eu fui um tolo", ele disse, seus olhos suplicantes. "Eu deveria saber. Perdoe-me." Ele tentou me puxar para seus braços.
Levantei uma mão para detê-lo. "Você disse que ela não era como eu."
Ele recuou. "Eu não quis dizer isso. Eu só... Elia, ela é jovem, é ingênua. Ela vem de um passado ruim. Ela não... ela não poderia ter orquestrado isso."
O ponto cego que ele tinha por ela era de tirar o fôlego.
"Então você acha que eu contratei três homens para me atacarem só para chamar sua atenção?", perguntei, minha voz pingando incredulidade.
"Não! Eu só... talvez tenha sido um ataque aleatório. Você é uma mulher rica..."
O último fio de qualquer sentimento que eu pudesse ter pelo homem que ele fingiu ser se partiu.
"Entendo", eu disse suavemente. Passei por ele, de volta ao meu carro batido. Abri a porta do motorista.
"O que você está fazendo?", ele perguntou, me seguindo.
"Vou para casa ligar para o meu advogado", eu disse, deslizando para o assento. "Terei os papéis do divórcio prontos pela manhã."
O pânico o dominou. Ele agarrou a porta do carro, me impedindo de fechá-la. "Não! Elia, não faça isso! Podemos consertar isso! Eu vou me livrar dela! Eu faço qualquer coisa!"
"É tarde demais, Heitor."
Liguei o motor. O carro rugiu para a vida, um animal ferido.
"Eu não vou deixar você me deixar!", ele gritou, seu rosto contorcido em uma máscara de desespero. Ele fez algo tão insano, tão completamente teatral, que eu quase não pude acreditar. Ele se jogou no chão na frente do carro, os braços abertos.
"Se você quer ir embora, vai ter que passar por cima de mim!", ele gritou, sua voz falhando. "É sério, Elia! Eu não vivo sem você!"
Eu o encarei, este homem poderoso e brilhante, reduzido a uma bagunça patética e rastejante no asfalto sujo de um beco.
Minha mão apertou o volante. Meu pé pairou sobre o acelerador. Uma parte de mim, a parte sombria e vingativa que estava ficando mais forte a cada segundo, queria pagar para ver.
Pisei no acelerador. O motor gritou.
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Ponto de Vista: Elia Mendes
Os pneus cantaram, mas o carro não se moveu um centímetro.
Eu não consegui. Não porque eu me importasse, mas porque ele não valia a acusação de assassinato.
Heitor estava deitado no chão imundo, olhando para mim. Seus olhos não estavam cheios de medo. Estavam cheios de uma luz selvagem e triunfante. Ele havia vencido. Ele havia provado que eu não iria — não poderia — deixá-lo.
Ele era um louco.
Coloquei o carro em ponto morto, saí e passei por sua forma prostrada sem uma palavra. Deixei meu carro batido no beco e chamei um carro por aplicativo. Ele não tentou me impedir desta vez. Apenas ficou lá, me observando ir.
Quando voltei para casa, me tranquei na minha ala. Os papéis do divórcio ainda estavam na minha agenda, mas minha estratégia tinha que mudar. Um confronto direto com um animal encurralado como Heitor era muito bagunçado. Muito imprevisível.
Minha vingança precisava ser mais fria. Mais precisa.
No dia seguinte, meu celular vibrou com uma mensagem inesperada. Era de Cândida.
*Elia, eu sinto muito, muito mesmo. Fui uma tola. Sei que o que fiz foi errado. Podemos nos encontrar, por favor? Preciso me desculpar pessoalmente. Quero consertar as coisas.*
Seu tom era uma virada de cento e oitenta graus de suas habituais provocações arrogantes. Era humilde, suplicante. Era também uma mentira completa.
Eu sabia que era uma armadilha. Mas eu estava curiosa. Que novo nível de teatro patético ela estava planejando?
*Onde?*, respondi.
Ela enviou um endereço no interior de São Paulo. O endereço da vinícola.
*Estarei esperando*, ela escreveu.
Dirigi até lá naquela tarde. A propriedade era magnífica, eu tinha que admitir. Uma imensa vila em estilo toscano com vista para fileiras e mais fileiras de videiras, as folhas começando a dourar ao sol de outono. Heitor havia construído isso para ela. Um monumento ao caso sórdido deles.
Cândida estava me esperando na varanda, vestida com um vestido branco esvoaçante, parecendo em todos os aspectos a donzela inocente da vinícola.
"Elia, obrigada por vir", ela disse, sua voz suave e ofegante.
Eu não respondi. Apenas olhei para ela, minha expressão indecifrável.
Ela gesticulou para que eu entrasse. "Por favor, vamos conversar."
Eu a segui para uma grande sala de estar. A primeira coisa que vi, pendurada sobre a enorme lareira de pedra, foi um retrato. Era uma fotografia, ampliada a um tamanho obsceno, dela e de Heitor. Eles estavam rindo, suas cabeças juntas, o sol se pondo atrás deles.
Mas não foi isso que fez meu sangue gelar.
Foi a data impressa no canto inferior da foto. Era de seis anos atrás. Antes do acidente. Antes mesmo de eu conhecer Heitor.
Cândida me viu olhando. Um pequeno sorriso cruel brincou em seus lábios.
"Surpresa?", ela perguntou. "Heitor e eu nos conhecemos há muito tempo. Ele patrocinou minha bolsa de estudos na FGV. Eu era apenas uma garota pobre do lado errado da cidade. Ele era meu mentor. Meu salvador."
Ela gesticulou pela sala. Era um santuário para o relacionamento deles. Fotos deles por toda parte. Em uma gala de caridade. Em uma viagem de esqui. Em Paris. Todas datadas antes do meu tempo.
"Eu até morei com ele por um ano, antes de ele te conhecer", ela continuou, sua voz pingando falsa simpatia. "No quarto de hóspedes da sua casa. Ele me disse que eu era como uma irmã mais nova para ele." Ela riu, um som amargo e feio. "Homens são tão mentirosos, não são?"
"Ele te contou sobre mim. Antes do acidente." Foi uma afirmação, não uma pergunta.
"Oh, constantemente", ela ronronou. "Ele era obcecado. Ele me mostrou sua foto. Ele me disse que ia ter você, não importava o que custasse. Eu fiquei com tanto ciúme. Mas fui paciente. Eu sabia que ele acabaria se cansando de sua bonequinha de arte perfeita."
Ela caminhou até uma vitrine. Estava cheia de joias. Minhas joias. Peças que Heitor me deu ao longo dos anos.
"Ele sempre pedia minha opinião antes de comprar qualquer coisa para você", ela disse, pegando um colar de diamantes. "Ele tem um péssimo gosto, sabe. Eu tive que guiá-lo. Até o seu anel de noivado... foi minha escolha. Eu escolhi o que sabia que você mais odiaria. Algo brega e chamativo. Nada do seu estilo."
Minha mão instintivamente foi para o meu dedo, onde o diamante pesado e ornamentado estava. Parecia uma marca.
"Eu queria que você se lembrasse de mim toda vez que olhasse para ele", ela sussurrou, seus olhos brilhando de malícia. "Um pedacinho de mim, sempre com você."
Uma onda de náusea me invadiu. Os anos de presentes selecionados, os presentes "atenciosos"... tudo isso havia sido filtrado por ela. Uma colaboração do meu captor e sua pequena ajudante conivente.
"Ele é meu, Elia", ela disse, sua voz de repente dura. "Ele sempre foi meu. Você foi apenas um intervalo. Um tapa-buraco. Agora é hora de você sair do palco."
Eu olhei para ela, essa criatura mesquinha e patética, tão orgulhosa de sua vida de segunda mão. Ela achava que esta era sua vitória. Ela achava que tinha vencido.
Um sorriso lento se espalhou pelo meu rosto. Foi um sorriso genuíno desta vez, cheio de alívio.
"Obrigada, Cândida", eu disse, minha voz sincera.
Ela parecia confusa. "Me agradecer? Pelo quê?"
"Por isso", eu disse. "Você tornou tudo muito mais fácil. Eu estava tendo um momento de dúvida. Me perguntando se estava sendo cruel demais. Mas você... você é tão maravilhosamente, irredimivelmente horrível. Agora posso prosseguir com a consciência limpa."
Dei um passo para trás, em direção à porta. Enfiei a mão no bolso e tirei um isqueiro de prata antigo. Um presente de Caio, de uma vida atrás. Eu o mantive escondido todos esses anos.
"O que você está fazendo?", ela perguntou, um lampejo de medo em seus olhos.
"Dando a este monumento um tributo mais adequado", eu disse. "Uma pira funerária."
Abri o isqueiro. A chama subiu, pequena e desafiadora. Caminhei até um conjunto de cortinas de seda esvoaçantes.
"Você está louca!", ela gritou, recuando.
"Não", eu disse, tocando a chama na barra da cortina. Pegou fogo instantaneamente, uma linha de fogo subindo pelo tecido. "Eu estou apenas começando."
O fogo se espalhou com uma velocidade aterrorizante, lambendo as vigas de madeira do teto, devorando o santuário de suas memórias roubadas. A fumaça encheu a sala, espessa e preta.
Cândida estava gritando, um som cru e em pânico. Eu apenas fiquei ali, observando as chamas, uma sensação de satisfação serena e justa me invadindo.
Através do rugido do fogo, ouvi o som de um carro parando bruscamente lá fora.
Heitor.
Ele irrompeu pela porta, seu rosto uma máscara de horror ao ver o inferno. Ele olhou do fogo para mim, depois para Cândida, que estava encolhida em um canto, tossindo e soluçando.
Eu o olhei diretamente nos olhos, o calor das chamas em meu rosto.
"Ela ou eu, Heitor", eu disse, minha voz calma e clara sobre o crepitar do fogo. "Quem você vai salvar?"
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