Capítulo 2

A torcida naquelas arquibancadas gritava como se fosse a final de um jogo mundial. Bandeiras, líderes de torcida, jogadores a flor da pele. Os campeonatos de futebol entre faculdades eram disputados até o último suor cair.

O fim de ano era marcado pela rivalidade e disputa acirrada, e naquele ano o time de Ronny Tornneght ganhou com maestria, seu time havia treinado se fortalecido e levado a melhor.

Dentro do campo, Ronny não se via como o herdeiro de um grupo de empresas famoso e milionário, mas como um garoto normal tentando ganhar sua própria fama, e não havia coisa melhor que ser aclamado por seus esforços. Seu time, sua faculdade... e finalmente sua namorada.

- Você foi incrível – Ela o abraçou fortemente, o suor não lhe incomodava. Quanta vez já o tocou assim.

As pessoas ao redor também não iriam lhe impedir de beijá-lo.

- Todos os gols foram para você. Eu te amo. – De todas as formas, ela quem o incentivou para sua glória.

Gritos de vitória cercaram o casal. O ano tinha sim finalizado com grande estilo, quem sabe no ano que vem, a faculdade rival consiga sua tão esperada primeira vitória.

A comemoração foi dada pelo capitão em sua casa em uma festa que fechou todo o condomínio. Quem seria louco de ir contra o sobrenome forte?

Música alta, bebidas, loucuras, jovens "sendo felizes" por uma noite, uma noite longa e cheia de segredos.

_-_

Junto ao nascer do sol, o homem mais velho daquela casa sentou na cama procurando por suas roupas antes de levantar e ir até a janela, uma pequena fresta da cortina foi erguida para conferir o estrago da noite passada por seu jardim e piscina.

Certamente ele reclamaria se fosse em outra época, mas entendia a felicidade dos jovens pela vitória junto ao fim do semestre e ano novo se aproximando.

Não iria lhe deixar mais pobre pagar por todo aquele estrago feito em sua propriedade.

E claro, deixar que seu filho fizesse aquela grande festa, também deixaria as portas de sua casa abertas para Clarisse Evan, a garota que só via nua em seus maiores e melhores sonhos... e a namorada do filho.

Desde que a conheceu, deixou claro para o mundo inteiro que não a queria com seu filho, nem na sua família e nem perto de si... mas a verdade é que a queria... não apenas perto, não apenas na família, mas na sua cama.

- Querido... – Ele deixou a cortina para encarar a mulher em sua cama - Acordou mais cedo? Pretendo dormir mais um pouco, viajo em poucas horas.

- Fique à vontade.

Não que o fizesse feliz ver sua namorada de duas semanas, agir como se fosse dona de sua cama, mas não iria impedi-la de dormir mais depois de tudo que fizeram na noite passada. Entendia seu cansaço.

Saiu do quarto depois de um banho quente, o sábado lhe prometia uma visita em sua fazenda preferida, uma corrida de cavalos com seus sócios, até mesmo apostas e saídas mais tarde, então, claro que ele iria está de pé mais cedo que o planejado, dando sustos nas empresas que de apressaram para arrumar tudo.

Desejar bom dia, ou responder a esse cumprimento também não lhe custava muita coisa, mas nem todos tinham isso.

A mesa estava recheada, ainda tinha muita gente em sua casa?

- Bom dia senhor, Tornneght. Gostaria de algo mais para o café?

- Muitos convidados ainda?

- Você concordou com isso. – Antes que sua governanta pudesse responder, o herdeiro de Vicent apareceu na cozinha. Tinha um sorriso no rosto e assim que tirou os óculos, riu mais ainda mostrando duas olheiras. - E não tem muita gente. Apenas os amigos que conhece e que não tem medo de você ficaram para dormir.

- E porque teriam medo de mim? Sou algum tipo de Monstro? – Não encarou o garoto que rodou a mesa para se sentar ao lado direito, mas prestou atenção na agenda oferecida por sua governanta. - O motivo da festa foi à vitória do time?

- Achei que tivesse assistido. – Vincent balançou a cabeça fazendo o outro achar graça - Tá tudo bem, eu sei que tem muita coisa para fazer. Mas a vitória foi nossa.

- Não espero menos do meu filho. Você é incrível.

- É, eu sei. Minha namorada me disse isso ontem.

O mencionar daquela garota alertou o homem na mesa que rapidamente deixou o Tablet de lado mandando que a mulher se afastasse apenas com um aceno, sorriu para mais um novo tomando seu café tranquilamente.

O sangue gelou a sentir o arrepio na pele.

Não, ele não sabia quando o desejo por aquela garota apareceu de verdade, mas desde que foi apresentada, o olhar, o toque entre suas mãos aquilo o deixava incerto de como agir em sua frente.

Seu corpo inteiro pegava fogo, e o desejo de possui-la o prendia em um mundo que não tinha volta.

- Palavras de uma garota que gosta de agradar a quem espera algo grande.

- Você não vai começar a falar mal da Clarisse, você não a conhece.

- E como iria conhecer se não a vejo? – E era bem melhor assim.

- Você já deixou claro que não gosta do meu namoro, e em nenhuma das festas que pude levar você a tratou bem. Ela não é de uma família rica, mas é uma pessoa legal.

- Ela não está a sua altura.

Ronny pensou em responder, mas logo a garota apareceu na sala chamando sua atenção... E a de Vicent também.

Capítulo 3

E como chamava atenção.

Não entendia como uma garota branquela, com olhos grandes e verdes e o cabelo liso e preto passando de sua cintura feito um penteado tão simples quanto suas roupas e a bolsa jogada de qualquer jeito podia lhe interessar tanto.

Era a voz doce?

O olhar inocente?

O amor que mostrava ter por seu filho?

Os lábios finos?

O sorriso?

Ou olhar brilhante que era lançado em sua direção quando ninguém estava olhando?

- Amor, você poderia ficar mais um pouco, não te acordei porque achei que dormiria mais. – Ronny foi ao seu encontro.

- Tudo bem. Preciso ir pra casa, meus pais devem estar me esperando para o café e claro, não quero atrapalhar.

- Você não atrapalha – Embora estivesse falando com seu namorado, o olhar era direcionado ao homem sentado. O olhar frio, desconfiado, ele lhe odiava tanto assim? - Não é, pai?

Parou ao lado da moça e encarou o pai da mesma forma, não obteve qualquer resposta.

- Então eu te levo. Não me custa nada.

- Você bebeu noite passada, sua amiga consegue chegar em casa sozinha. – Vicent levantou com toda sua elegância se aproximando dos mais jovens - E você precisa se vestir, vamos até a fazenda.

- Pai...

- Vá se trocar. Vamos sair em alguns minutos.

- Está tudo bem, meu amor. É só eu pedir um táxi. – Não havia muito que fazer, Vicent era a autoridade maior naquela casa e ninguém poderia ir contra.

Despediu-se do namorado logo o vendo sumir de sua vista. Tornou a encarar Vicent. Ele não parecia tão velho para ser rabugento, grosso como se mostrava.

- Foi bom vê-lo. – Embora soubesse que não havia chances de agradar o pai do namorado, jamais o trataria mal.

- Não posso dizer o mesmo. – Ela assentiu abrindo um sorriso, um sorriso que deixou todas as armas daquele homem travadas. Não podia tratá-la mal. Não quando o caminho estava livre. - Mandarei que alguém a leve para casa.

- Eu posso me virar sozinha como você mesmo disse. – Deu as costas para ir embora, porém, parou quando o escutou outra vez.

- Você não tem que fazer nada. Aceite minha boa ação. Não faço isso com frequência. Mas um pai sabe o que fazer para deixar seu filho feliz.

- Ah, você sabe? – Virou apenas para olhá-lo - Então, porque não gosta de mim? Não vou fazer mal a ele. Eu sou uma pessoa legal.

E era mesmo, afinal, depois de ser tratada mal, ela jamais deixaria sua educação de lado, respeitava os mais velhos e sabia exatamente quando tinha que partir.

Porém, o olhar daquele homem em sua direção vinha com tantas pontas soltas, que só em encará-lo, sentia todas suas forças irem embora.

Para uma estudante de direito, seus argumentos jamais deviam acabar, mas sua boca travava na presença dele.

Ainda mais o vendo se aproximar, como um leão pronto para dar o bote. Tão alto e charmoso... Não, charmoso não.

- Você não merece meu filho. – Disse em tom ameaçador. - Você é só uma garota que está tentando descobrir coisas novas, e com ele você não terá nada.

- Eu tenho vinte e dois anos. Não estou tentando descobrir nada. – Para a surpresa da garota, Vicent acabou rindo, um sorriso brilhante e quente. - Só quero ser feliz e o seu filho também.

- Enquanto estiver junto com ele, você jamais terá a chance de ser feliz. – Ele se aproximou mais, a ponto de sentir o cheiro doce que vinha dela.

Suas mãos saíram de dentro dos bolsos e até ergueram para tocá-la, mas jamais faria isso. Todas as suas ações foram observadas por Clarisse que por um momento achou que seria enforcada e assassinada, mas nada aconteceu.

- Não vou mesmo ser feliz porque ter você como sogro, é um castigo. – Foi embora, sem dar chance alguma de ser respondida a altura.

E esse era seu limite, pois não sabia exatamente o que fazer depois de sua mente o prender em um quarto com ela nua em cima de uma cama, fazendo suas vontades, ou seria o contrario.

Seu maior desejo se resumia em vê-la sorrindo enquanto se aproximava do colchão. Tiraria sua roupa com lentidão, tocaria em sua pele, primeiro com a mão, e depois voltaria pelo mesmo caminho sentindo o sabor com sua língua dando milhões e milhões de beijos.

Depois a tomaria em seu colo e a faria chegar ao seu limite inúmeras vezes na noite, porque se tinha uma certeza na vida, era que Clarisse Evan não havia aproveitado tanto assim do sexo.

Nada contra o garoto que criou, mas Ronny jamais chegaria a sua experiência de fazer com que uma mulher realmente se sentisse mulher.

- Ela rejeitou o motorista - A voz da governanta atrás de si o fez rir, girou no lugar para receber seu casaco - Disse que preferia seguir andando, a acatar um pedido, ou ordem sua.

- Os jovens de hoje em dia são mesmo um pouco chatos, insuportáveis para ser mais sincero. - A mulher desviou o olhar querendo rir - Ah, você tem um filho nessa idade? Desculpe.

- Não acho que o caso da senhorita Clarisse seja esse - O homem ficou sério e encarou a mulher mais velha, escutou os passos de seu filho começar a descer as escadas, mas o olhar estava fixo na senhora... - O caso é que talvez tenha algo a mais, não sei se é para o lado dela, ou para seu lado, e também não sei no que isso pode nos levar... - Riu outra vez.

E foi embora deixando os homens sozinhos...

Do lado dela tinha algo mais? Será?

Não. Ele não tinha tanta sorte assim.

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