Capítulo 2

Minha vida muda drasticamente quando o telefone de casa toca tarde da noite, justo numa noite que não tinha ninguém em casa além de mim e Hannah. Meus pais viajaram de férias de aniversário de casamento, Helena saiu com Neitan depois dele tanto insistir, Hannah está enfiada no quarto provavelmente conversando com o idiota do namorado e eu vendo alguns vídeos do YouTube no celular. Pauso o vídeo o vou até o telefone, porque ninguém nunca ligava tarde da noite, e se tinha alguém ligando podia ser alguma urgência. Foi o que sempre mamãe ensinou.

- Casa dos D'Laurent – atendo falando nosso sobrenome como minha nos orientou.

- Gostaria de falar com algum responsável da casa  – ouço a voz de uma mulher do outro lado da linha e eu não podia dizer que estava sozinha enquanto a minha irmã mas velha se divertia com seu melhor amigo e minha paixonite.

- Do que se trata? – pergunto curiosa e pensando o que fazer.

- Sou a Policial Marta, preciso falar com alguém responsável pela casa – merda! Será que Helena se meteu em alguma confusão? Penso rápido.

- Só um momento – corro e pego um pano na cozinha para mudar a voz e volto a falar no telefone – Pois não? – tento engrossar a voz e se passar pelo meu pai.

- Senhor eu sou a policial Marta e infelizmente encontrei esse contato de emergência no telefone em uma das vítimas do acidente.. – congelo. Vítimas? Acidente? – Houve um acidente na rodovia interestadual e infelizmente as duas pessoas que estavam no carro vieram a óbito, preciso que alguém venha reconhece os corpos – não consigo dizer mas nada e só penso na minha irmã e em Neitan, até que a porta se abri revelando os dois entrarem rindo. Fico paralisada olhando eles.

- Harley que cara é essa? – minha irmã pergunta assim que nota minha reação e minha ficha cai. Meus pais. Óbitos. Só o que penso.

- Alô? – escuro – tem alguém aí?

- Harley o que foi? – Lena pergunta enquanto se aproxima de mim e pega o telefone – Alô – minha irmã fala e sigo em choque com medo do que pode vim pela frente  – que corpos? – Ouço a voz da minha irmã e em seguida o choro dela – Aí meu Deus, não pode ser – ela fala em um tom mais alto – estou indo para aí - diz e desliga. Seu olhar encontra  o meu e ela me abraça – Vai ficar tudo bem.

- Estão estão mortos Helena? – pergunto ainda sem querer acreditar.

- Quem está morto? – ouço a voz de Neitan já se preocupando.

- Eu pensei que fosse vocês, por isso me passei pelo papai, mas você entraram então só pode ser eles Helena – sinto as lágrimas caindo.

- Vai ser só um engano pequena – Helena diz chorando – eles vão está bem e vai voltar pra casa.

- O que está acontecendo? – ouvimos Hannah descer as escadas – Porque vocês estão chorando? – pergunta olhando para nós duas abraçadas.

- Eles estão mortos – Caio no chão chorando forte.

- Quem? – ouço a voz novamente de Hannah.

- Não sabemos ainda – Helena diz.

- A policial disse que infelizmente ele vieram a óbito, sabemos o que isso significa.

- Que porra está acontecendo? – Neitan grita.

- Nossos pais morreram – grito e escuto Hannah grita.

Eu caio em uma profunda tristeza em imaginar a minha vida sem a minha mãe e sem o meu pai, eles eram tudo pra mim, eu o amava mais que tudo nessa vida. Helena fala alguma coisa mas não presto muita atenção e sei que ela me deixa junto com Hannah para ir reconhecer se é ou não nosso pais. Neitan foi com ela pois Helena também estava bastante nervosa e não conseguiria dirigir.

Não sei quanto tempo se passa, minha cabeça dói de tanto chorar e vejo os primeiros raios de luz pontar dentro da sala de estar e nada da minha irmã voltar, quando vejo Neitan entrar com a feição cansada e triste em seu olhar eu já entendo tudo. Seus olhos encontram com os meus e ele balança a cabeça em negativa.

- Eu sinto muito pequena – ouço e é mais forte do que eu , caio de joelhos sobre o tapete da sala e choro.

- Não pode ser – Hannah vem até mim e me abraça chorando junto comigo – Porque Deus? Porque você os tirou eles de mim? – questiono o pai de todos.

- Ele sabe das coisas Harley – Neitan tenta me acalma.

- Não precisava ser tão cruel – coloco minha cabeça no chão e sinto os braços gelado da noite de Neitan me abraçar.

- Você sempre foi a mais forte de todas Harley – acaricia meus cabelos – Vocês precisam ser unidas agora.

- Onde está Helena? – ouço Hannah perguntar.

- Ela precisou se levada ao hospital, ficou muito nervosa ao reconhece os pais de vocês.

- Porque não me levou junto com eles? – ergo meu olhar pra cima, questionando as decisão do todo poderoso.

- Tenha calma Harley – só escuto isso de Neitan.

Capítulo 3

Despedi de alguém que vai morar em outro estado, já é difícil, mas se despedir de alguém que você nunca mais vai ver e ainda sendo seus pais é mil vezes  pior. E estava sendo assim aqui de frente para os caixões dos meus pais. Helena preferiu que fosse lacrados pois queria manter em nossas memórias como eles eram em vida, alegres, brincalhões, ela não queria que tivéssemos  essa lembrança horrível deles dentro de um caixão.

Estamos as três em frente ao caixão deles, minha cabeça doía há dois dias pelos fato do choro e Hannah tenta me consolar da melhor maneira possível, vejo Neitan abraçar Helena e dizer palavras de conforto assim como fez comigo há dois dias atrás. Eu já não consigo mais derramar uma lágrima e ver alguns familiares chorando e dizendo o quanto eles eram bons me deixa ainda mais triste. Porque nunca mais vou ver o sorriso encantador da minha mãe e ter o abraço acolhedor do meu pai.

Me sinto sufocada e saio dos braços da minha irmã indo em direção a saída da sala onde está sendo o sepultamento. Eu não tenho mais lágrimas para deixar cair e fico brava comigo mesma por isso. Chuto algumas pedras que vejo pela frente e olhos novamente para o céu que começa a se fechar por causa de uma chuva que deve está vindo em breve.

Sinto uma mão em meu ombro e abaixo a vista vendo Neitan parado do meu lado com a outra mão no bolso.

-  Eu não consigo.. – digo.

- Ninguém precisa ser forte o tempo todo Harley – ele diz e abaixo as vistas.

- Não tenho mais lágrimas para chorar e estou brava por isso – confesso – estou seca por dentro Neitan, só sinto dor aqui dentro – levo a mão ao peito.

- Faz parte do luto – sinto ainda sua mão quente em meu ombro. Neitan usa uma calça preta junto com uma camisa de manga escura também.

Ele me puxa para um abraço e sinto seus braços quentes em volta de mim, que sou tão pequena neles. Ouço seu coração bater devagar e uma leve carícia em meus cabelos.

- Vai ficar tudo bem – ouço sua voz acima da minha cabeça.

- Um dia essa dor vai passar Neitan? – pergunto e ergo a vista pra olhar para ele.

- Acredito que não. Mas vai amenizar em algum momento da sua vida – Neitan perdeu o pai novo também. Ele foi morto em um assalto numa loja de conveniência, hoje Neitan vive junto com a mãe e o namorado que estão prestes a se casar.

- Obrigado por estar com a gente – agradeço.

- Vocês são as minhas irmãs de outra mãe Harley, sempre estarei aqui – apesar da dor que já sinto, contestar que não passo disso para ele me dói ainda mais e por isso me afasto dos seus braços.

- Preciso voltar – digo e ele assente.

- Eu te acompanho – concordo e adentramos a sala juntos.

Vejo quando Helena percebe minha aproximação e me abraça. Ficamos ali por mais algumas horas, vizinhos, amigos e parentes que  passaram para nos dar a condolência e a hora mais difícil de todas se aproximou, onde diríamos adeus e sinto a dor que está dentro de me querer me esmagar como se eu fosse um mosquito. Há uma coroa de flores em cima de cada caixão e as duas está escrita a mesma frase "Isso não é um adeus e sim um até logo, das suas filhas queridas" e sei que não fomos a gente que fez aquilo e sim Neitan, lhe olho de canto e vejo ele pensativo olhando em nossa direção.

O carrinho que leva os caixão para em frente a túmulo onde eles serão enterrados e lá tem uma lápide com a fotos dos dois juntos e a escrita: "Pais amorosos" juntos a data de nascimento de cada um e a data de morte.

Tudo foi feito muito rápido e logo todos que vieram se despedir deles vão se dissipando e restando apenas nos quatros. Helena, Hannah, Neitan e eu. Alguns pingos de chuva começar a cair e vejo quando Hannah me puxa para irmos para casa. Para o lugar que agora teria um grande vazio, que não teria mais sentido está dentro dela sem eles, mas mesmo assim os acompanho sem questionar.

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