Charlotte Reed limpava o suor da testa enquanto equilibrava dois turnos de trabalho em um restaurante local. O cheiro de óleo quente e especiarias era quase insuportável, mas ela sabia que não podia se dar ao luxo de reclamar. Cada centavo que ganhava ia diretamente para as dívidas médicas de seu pai, que permanecia em um hospital público após um terrível acidente que o deixara incapacitado.
Ao final do turno, Charlotte sentou-se em uma cadeira desgastada no vestiário do restaurante. Ela massageava os pés doloridos enquanto pensava em como sua vida chegara a esse ponto. Antes, sua família era próspera, proprietária de uma empresa que fornecia produtos artesanais exclusivos para grandes redes de varejo. Agora, tudo não passava de lembranças e dívidas acumuladas.
Foi no momento em que Charlotte fechava os olhos, tentando afastar a exaustão, que seu celular vibrou em cima do armário. Ela pegou o aparelho e viu o nome de Margaret, uma amiga distante de sua mãe. Com uma mistura de surpresa e ceticismo, atendeu.
"Charlotte?" A voz de Margaret era firme, mas havia uma nota de urgência. "Preciso falar com você. Pode me encontrar no meu escritório amanhã? Tenho algo importante a discutir."
Charlotte franziu a testa. Margaret sempre fora gentil, mas a ideia de encontrar-se com ela parecia fora do lugar. Ainda assim, algo na voz dela a fez concordar.
Na manhã seguinte, Charlotte entrou no elegante escritório de Margaret, sentindo-se deslocada em meio à decoração luxuosa. Margaret estava sentada atrás de uma mesa de vidro, com um sorriso acolhedor, mas seus olhos indicavam que o assunto era sério.
"Charlotte, eu sei que você está passando por dificuldades," Margaret começou, direta. "E sei que você não aceita esmolas, mas o que tenho para oferecer é diferente."
Charlotte cruzou os braços, defensiva. "Margaret, se isso for algum tipo de caridade..."
"Não é," Margaret a interrompeu. "É uma oportunidade. Tenho um cliente que precisa de algo... incomum. E você é exatamente a pessoa certa para isso."
Charlotte estreitou os olhos, confusa. "O que exatamente você quer dizer?"
Margaret respirou fundo antes de continuar. "Ele precisa de uma esposa. Um casamento contratual, sem envolvimento emocional. Em troca, você receberá dinheiro suficiente para quitar todas as dívidas e cuidar do seu pai."
Charlotte piscou, sem acreditar. "Isso é uma piada, certo?"
"Não é," Margaret respondeu calmamente. "E antes que você recuse, quero que você pense no que isso poderia significar para sua vida e para seu pai. Você não precisa decidir agora. Apenas conheça-o."
Charlotte sentiu seu mundo girar. Um casamento de conveniência? Parecia absurdo, mas a promessa de resolver todos os seus problemas era tentadora demais para ignorar. Contra sua vontade, ela assentiu. "Eu o conhecerei. Mas não prometo nada."
Margaret sorriu, satisfeita. "Ótimo. Você não vai se arrepender."
O elevador subiu suavemente até o andar superior de um dos edifícios mais luxuosos de Nova York. Charlotte ajeitou o vestido simples que escolhera, sentindo-se fora de lugar em meio ao requinte do prédio. As paredes eram revestidas de mármores e metais brilhantes, e o silêncio do ambiente a fazia sentir o peso do que estava prestes a fazer.
Quando as portas se abriram, ela foi recebida por uma recepcionista que, após um breve telefonema, a conduziu até uma sala de reuniões privativa. O espaço era amplo, com janelas de vidro do chão ao teto que ofereciam uma vista impressionante da cidade. No centro, uma mesa de madeira escura contrastava com a decoração minimalista e moderna.
Charlotte não precisou esperar muito. A porta oposta se abriu, e Alexander Carter entrou. Ele era ainda mais impressionante pessoalmente do que nas fotos que Margaret havia mostrado. Alto, com traços marcantes e uma presença que dominava o ambiente, ele vestia um terno impecável que parecia feito sob medida.
"Senhorita Reed," ele cumprimentou, com um leve aceno de cabeça, antes de sentar-se à cabeceira da mesa. "Agradeço por vir."
Charlotte engoliu em seco e assentiu, sentando-se na cadeira oposta. "Margaret me disse que você precisava de... ajuda."
Alexander sorriu levemente, embora seus olhos permanecessem frios. "Ajuda seria uma maneira interessante de colocar. O que preciso é simples: um casamento. Sem emoções, sem complicações. Apenas um contrato que beneficie ambos."
Ela o encarou, tentando medir suas intenções. "E o que você espera de mim, exatamente?"
"Discrição, cooperação e um compromisso de dez anos," ele respondeu diretamente. "Em troca, você terá dinheiro suficiente para cuidar de qualquer coisa que precisar. Seu pai, suas dívidas, sua vida."
Charlotte sentiu o coração acelerar. A proposta era tentadora, mas também assustadora. "E o que acontece depois desses dez anos?"
Alexander inclinou-se ligeiramente para frente, seus olhos fixos nos dela. "Depois disso, seguimos nossas vidas separadas. Sem arrependimentos, sem obrigações. Apenas liberdade."
O peso da decisão caiu sobre ela, mas Charlotte sabia que não tinha muitas opções. Com uma respiração profunda, ela respondeu: "Se você cumprir sua parte, eu cumprirei a minha."
Alexander esboçou um sorriso satisfeito. "Então temos um acordo."