Donna
Não sabia explicar o que estava me deixando desse jeito. Aquele homem que eu faço ideia de como ele se chama, mas ele é atraente até mesmo sem perceber. Ele estava no balcão, pegando uma bebida para nós dois quando Jess tocou meu ombro.
- Se importa se eu der uma saidinha rápida? Prometo que vai ser coisa rápida. - Seu jeito pidão não me fazia capaz de dizer não.
- Tá... mas vê se não demora muito. - Ela me agarrou e me beijou no rosto, puxando Matthew pela mão logo em seguida.
O bonitão voltou com dois drinks e cantadas baratas, mas foi assim que ele conseguiu me fazer a mulher mais sortuda do mundo naquele momento. E se Jess tivesse razão? E se eu estiver mesmo me privando de aproveitar. A única coisa que me importa agora é saber se ele é casado ou não. Bebi quase todo o líquido, o doce embebedava rápido e eu já estava ficando alegre demais, precisava de coragem para fazer isso...
- Então, sua namorada não se importa de você estar aqui hoje? - Na hora do nervosismo, eu só queria mesmo saber se ele é comprometido e não vi outro jeito de perguntar isso. Ele riu, me olhou sério e foi aí que eu senti uma fisgada em meu peito, que droga!
- Se eu tivesse uma namorada, esse não seria o lugar em que eu estaria neste momento. E você, não tinha nada melhor para fazer hoje?
- Na verdade não. Eu só vim mesmo por causa da Jess, mas não tinha outro lugar para ir também. - Ele me observava com atenção, tirando todo o meu jeito meiga de ser.
- Você soa tão sexy quando fala em tom de desânimo, mas não desanimada. - Seus dedos tocaram alguns fios de cabelos, enrolando-os em seus dedos e o levando até o nariz em seguida, aproximando seu rosto do meu pescoço e o beijando em seguida. - Eu posso fazer da sua noite algo bom, basta você dizer que sim!
- Sim. Eu quero. - Respondi sem pensar, sentindo os pelinhos do seu bigode arrepiar meu pescoço.
Descemos as escadas depressa, como se a gente estivesse fugindo de alguma coisa e entramos em seu carro, um Rolls-Royce preto, nada mais que o carro mais caro do mundo. Quem esse homem deve ser e qual o motivo pelo qual está aqui hoje? Por alguns segundos, me mantive parada em frente ao carro, enquanto ele estava de pé esperando que eu entrasse.
- Eu prometo que não vou sequestrar você.
- Tenho certeza que não. - Saí do meu transe e entrei, desconfiada e sem reação até então.
Não demorou cerca de meia hora para chegarmos a um hotel de luxo, um dia mais caro da cidade, onde apenas as celebridades frequentam. Eu nem mesmo tinha trajes para estar ali, mas ele segurou minha mão e guiou até a recepção. O senhor que estava recepcionando, apenas lhe deu boa noite e lhe entregou um molho de chaves.
- Por favor, peça para mandarem um vinho escocês. - Essas foram suas últimas palavras antes de me beijar antes de subirmos as escadas. - Não sabe o quanto eu estava querendo te beijar e foi bem melhor do que eu imaginei.
O quarto é mais que a casa que eu moro com a Jess. Sem dúvidas era uma casa temporária, ou melhor, uma grande casa temporária. Eu vou tomar um banho, vem comigo?
- Já estou indo! - Ele foi até o quarto e deixou a porta aberta ao entrar, ouvi o barulho da água e minha curiosidade falou muito mais alto.
Cada detalhe me deixou deslumbrada e sem acreditar, como diabos eu tive essa sorte hoje? Um bonitão se sentiu atraído por mim, me convidou pra sair e eu estou prestes a usufruir de tudo que o pertence. Além do cara, sem dúvidas, ser bilionário.
Entrei no quarto e ele estava dentro da banheira, despido e muito à vontade. Foi impossível não reparar em seus detalhes mais preciosos. Envergonhada, tirei o vestido e meus seios pularam, deixando todo o tamanho e volume sob a admiração do homem, que espalmou sua mão em minha coxa em seguida.
- Deixa que eu te ajudo. - Sua mão me puxou para mais perto, tirou minha calcinha e com delicadeza ele foi distribuindo beijos em minha coxa até chegar em minha virilha, onde logo após subiu e só então eu admiti mentalmente que estava realmente necessitada de um oral bem feito.
Apoiei minha perna em volta do banheiro, permitindo-me sentir toda a maravilhosa sensação do momento e como eu estava necessitada disso. Agarrei seus cabelos e senti que estava quase gozando, então tentei o avisar, mas antes de falar ele pressionou suas mãos em minha bunda, me trazendo ainda mais perto e sugando minha alma pela minha intimidade, me levando ao céu por alguns segundos. Minhas pernas bambas deixavam claro que eu estava tendo um ótimo orgasmo e eu não pensava em outra coisa a não ser cavalgar nele até que ele se sinta completamente satisfeito, assim como estou me sentindo.
- Você é maravilhosa. Uma p0rra de uma grande gostosa. - O beijei e no momento segundo ele me pôs de costas para ele, passeando seus dedos pelas minhas costas, adentrando meus cabelos e o segurando, fazendo com que eu o olhasse de costas. - Essa noite você é minha, está me ouvindo?
- Só se você merecer! - Respondi olhando em seus olhos e mordiscando os lábios em seguida. Senti suas mãos segurando levemente meu pescoço, me puxando para mais perto do seu corpo, apreciando tudo aquilo que me rodeava.
- Pode ter certeza que eu irei. - Seus beijos me arrepiaram, mas me senti mais arrepiada quando seus dedos me penetraram, fazendo meu corpo reagir de forma instantânea e rápida. - Me desculpa, eu te machuquei?
- Não. Continua, eu tava adorando. - Minha vontade era de beijá-lo e eu o fiz. Ele é perfeito, as habilidades de seus dedos me levam a loucura, jamais senti sensação semelhante a essa. A penetração rápida faz meu corpo tremer, o gemido soar alto e seu olhar me devorar. E como eu pensei, ele tem o pau exatamente do tamanho perfeito, espero que saiba usá-lo de forma prazerosa, sem dor. Não quis esperar, apoiei a perna, agora de pé, em cima da banheira enquanto bruscamente ele me virou de costas novamente, me penteando sem aviso, mas com cuidado o que tornou a sensação prazerosa e... eu não sabia que precisava tanto disso.
Estamos duas pessoas cansadas quando o garçom bateu na porta, com uma garrafa de vinho e um bilhete, cujo ele escondeu antes que eu visse. Vesti um roupão e fiquei a sua espera deitada na cama, enquanto ele caminhava sorridente até mim.
- Então, o que você faz da vida? - Perguntei e ele parecia pensar no que responder.
- Sou empresário. Mas estou precisando viver um pouco mais, sair da minha rotina ou irei acabar enlouquecendo. - Sempre me pergunto porque pessoas ricas são tão tristes, sobrecarregadas e vazias e nós pobres somos tão leves. Será que o dinheiro tem um peso em cima das pessoas? - E você? Trabalha com a Jess?
- Não. Ela é secretária de uma loja de grife, eu trabalho em um consultório médico como cuidadora. É uma coisa não muito boa, mas a gente se acostuma. - Realmente, não é nada bom, mas não posso reclamar pois paga melhor que meus empregos anteriores.
A conversa durou bastante, até que a gente decidiu que estava na hora de aproveitar um pouco mais a noite.
(...)
Acordei com o meu celular tocando, era a Jess me ligando e já eram quase nove horas da manhã. Levantei em um pulo e não vi ninguém além de mim. Despertada, procurei no quarto e nada, no banheiro e nada, até que notei um bilhete preso no frigobar.
"Foi um prazer passar a noite com você, há muito tempo não me diverti tanto e você me faz voltar a vida. Obrigada por me trazer de volta a vida, você ainda vai longe. Você é incrível, em todos os aspectos."
Em cima da cama estava seu relógio, ele não poderia ter esquecido isso. Os comprovantes de pagamento estavam todos ali e junto a eles, havia 500 dólares. - O que ele pensou que eu fosse? - Enfim... ao menos é dinheiro e dinheiro nunca é ruim, não pra mim.
Sem graça, saí do hotel rápido e quando percebi, Jess estava na porta me esperando com seu carro estacionado do outro lado.
- Garota, você quase me matou de preocupação. - Sorri respondendo em silêncio, deixando exposto o quanto a noite havia sido perfeita.
Três anos depois...
Mikhail
A desordem na empresa estava me deixando confuso. Reclamações, negócios e um novo projeto que estava por vir, tudo isso estava me deixando desorganizado e perdido. Minha secretária já havia organizado toda minha sala, não sei o que seria de mim sem Ella.
- Senhor Kurtz, o senhor tem uma reunião daqui há... - me esqueci completamente da reunião, faltavam apenas dois minutos e eu já deveria estar lá.
- Obrigada, Ella. Não sei o que seria de mim sem você. Desmarque todas as outras. - pedir antes de sair correndo para a sala de reuniões, onde já estavam todos os outros reunidos.
Há alguns meses venho constatando que está tendo um grande desvio de verbas, as quais eu não tenho conhecimento e não posso colocar nada a perder nem mandar ninguém embora, não agora! Sophia estava sentada na cadeira da ponta, com seu decote enorme, expondo seus seios fartos para todos que estavam ali, mas especificamente para mim.
- Estamos em busca de melhoras. Tivemos uma reunião semana passada e nada foi resolvido. Não recebi a confirmação de exportações que saíram para o Canadá, não recebi os cheques e nem os comprovantes do mês passado. Onde eles estão? Não podem sumir desse jeito. Além disso, onde estão os nossos sócios que não estão aqui? - tudo isso tomava muito do meu tempo, mas era tudo preciso e mesmo assim as coisas ainda saiam falhas.
- Liguei para Russel e ele disse que não pôde vir, está com sua esposa em tratamento e precisa acompanhá-la. - Russel... acha mesmo que pode me enganar, o canalha nunca se importou com sua mulher.
Queria muito continuar com a reunião, mas uma ligação era mais importante e eu não pude deixá-la passar. Cristina, minha noiva e dona de uma editora estava precisando de mim, nada era mais importante que ela. Sua pressa para que eu chegasse logo, era para acompanhá-la em um jantar com seus sócios hoje, segundo ela, queria estar bem apresentada e se sentia mais segura quando eu estava com ela.
- Amor, que bom que você veio! - ela me beijou no rosto e entrou no carro apressada. - vamos naquela grife que a sua mãe sempre compra. Lá tem tudo que gostamos, preciso encontrar algo que me sirva a tempo.
Entramos em algumas lojas pelo caminho, mas ela não gostou de nada e continuamos até chegar a grife onde minha mãe costuma comprar suas peças quando está em minha casa.
Donna
- Dominic não pode piorar, eu não posso perder essa oportunidade logo agora, Jess. - meu filho estava febril, cansado e enjoado, dormia em um leito hospitalar, enquanto Jess estava revezando as noites comigo.
- Pode ir tranquila, eu fico com ele aqui essa noite. Vai na sua entrevista que já é tua. - respirei nervosa e aliviada por saber que posso confiar em Jess de olhos fechados.
Perdemos o contato com Matthew desde que ele se mudou para a Rússia, trabalhar com seu amigo que até hoje eu não sei o nome, porém, tenho um filho. Vai entender o que o desejo e calor do momento nos faz herdar. Jess era minha melhor amiga, minha irmã, meu braço direito e tudo mais. Ela sempre esteve comigo, desde quando descobrimos que eu estava grávida, me acompanhou em toda a gestação, cuidou de mim e até hoje cuida do meu filho. Essa mulher é literalmente um anjo em minha vida, desde que minha mãe adotiva me colocou para fora de casa e hoje não quer nem me ver pintada de ouro. Não é a toa que Jess é madrinha dele.
- Eu juro que se dessa vez não der certo, eu vou me prostituir. Já estou cansada de nada dar certo, estou cansada de esperar tanto e sempre receber um não. - estava realmente muito desanimada. Essa era a terceira entrevistada de trabalho que estou fazendo dentro de cinco dias, fora as outras.
Dei um beijo em seu rosto, me despedir de Dominic que estava dormindo, pelo efeito do remédio. Peguei minha bolsa, as chaves do carro de Jess (ela me dava essa moral, assim não tinha que pegar ônibus sempre) e fui determinada a merecer aquela vaga na Cyndi.
O enorme prédio a minha frente me deixava assutada e com medo, engoli tudo que estava me fazendo se sentir nervosa, olhei na tela do celular e vi a foto do meu filho, eu tinha que pensar nele em primeiro lugar e essa era uma oportunidade única.
- Boa dia, eu tenho uma entrevista marcada para às 10:00hrs. - Disse a moça que estava do outro lado do balcão, com seus óculos enormes e pintinhas no rosto, com uma aparência amigável.
- Boa tarde, qual o seu nome? - Ela sorriu gentil, me deixando mesmo nervosa.
- Donna Hardin. Precisa do meu documento? - Perguntei já pronta para remexer na minha bolsa, coitada já estava tão bagunçada.
- Não será preciso. A senhora pode esperar no 2°, a segunda porta a esquerda. - Olhei para a enorme escada a minha frente, ao lado de um elevador.
- Obrigada!
Eram muitos degraus, iria demorar bastante e eu tinha pavor de elevador, mas era a opção mais rápida no momento e o que eu jamais queria era me atrasar. Olhei no relógio de pulso e faltavam apenas dois minutos para às 10:00hrs. Fechei os olhos e entrei, aperta o botão para o 2° andar e não tinha mais volta.
Entrei na sala indicada e pasmem, a mulher maravilhosamente elegante já estava à minha espera.
- Bom dia Srta. Hardin. Estou feliz em vê-la, temos boas referências da senhorita e estou torcendo para que isso seja o que você procura. - A senhora Carmen Light era uma mulher bem conhecida por ser rígida e uma excelente profissional, era indescritível a sensação que me toma, fazendo eu me sentir importante...
- O prazer é todo meu. É uma honra poder estar aqui hoje, a senhora não sabe o quanto é importante para mim. Tomara que eu me encaixe e seja o que eles estejam procurando. - Respondi sem saber o que estava por vir. Sua sombrancelha se arqueou e um ar de dúvida pairou no ar, fazendo ela juntar as mãos, cruzar as pernas e apoiar-se na cadeira.
- Claro que a Srta. é o que desejamos, por isso mesmo estar aqui. Recebemos o seu currículo, o analisamos com muita cautela e vimos o quanto você se encaixa nessa vaga. Suas referências são ótimas, tenho certeza que não irá nos decepcionar. Só mais uma coisinha...
Como eu poderia descrever tudo que sinto no momento? A única palavras é "nervosismo" e eu me sinto a pessoa mais feliz e desacreditada do mundo.
Ela estalou os dedos fazendo-me sair do meu transe, voltando minha atenção para ela.
- Está disposta a deixar sua vida aqui em NY? A vaga é para atuar na empresa que temos localizada na Rússia. Iremos custear tudo, moradia, locomoção própria, planos de vida e saúde e saúde e o que tiver direito. Então?...
O quê? Como assim eu tenho que ir para um país estranho? Eu nunca sair de New York, não faço ideia de como sobreviver em um mundo sem a Jess para me ajudar. Eu não tinha tempo a perder, era a oportunidade da minha vida, outra chance dessa eu jamais vou ter na minha vida e não posso pensar demais, afinal, eu só tenho a ganhar.
- Sim, eu aceito. Não tenho problemas com mudanças. - Respondi com as mãos juntas, mais nervosa que jamais me vi.
- Ótimo! Amanhã entraremos em contato para lhe informar o que em irá viajar. Tudo bem? - Assenti e ela levantou, entendeu sua mão e me cumprimentou. - Seja bem-vida a Cyndi, Srta. Donna Hardin.