- Senhor Noah, temos duas alunas novas para avaliação - avisou a recepcionista, enquanto ele encerrava a conversa com um instrutor.
Noah apenas assentiu com o queixo e caminhou em direção às duas. O som dos seus passos parecia se destacar entre todos os outros ruídos da academia.
Katarina sentiu o corpo gelar.
- Sou Noah, coordenador técnico da Dominus. - A voz dele era grave, lenta, firme.
Alice se adiantou um passo, estendendo a mão com um sorriso provocante nos lábios:
- Alice. Pode me chamar de Al... se quiser.
Noah apertou sua mão rapidamente, o olhar neutro. Depois virou-se para Katarina. Ela hesitou antes de estender a dela. Quando seus dedos se tocaram, foi como uma descarga elétrica.
Noah segurou por um segundo a mais. Os olhos dele encontraram os dela.
- Katarina, certo? - Ele disse seu nome com precisão, como se quisesse sentir o som na boca.
Ela apenas assentiu, sem conseguir desviar o olhar.
- Vamos começar. Vocês duas me acompanham até a sala de avaliação.
A sala era ampla, iluminada, com espelhos e equipamentos para medir composição corporal, força e flexibilidade. Alice estava animada demais. Katarina, calada, observava cada movimento dele, tentando esconder o efeito que ele causava.
- Pode começar comigo, se quiser - Alice sugeriu, sentando-se na maca com as pernas cruzadas. - Não tenho vergonha nenhuma. Pode medir tudo.
Noah ergueu uma sobrancelha e anotou os dados dela sem demonstrar interesse real.
Katarina, por outro lado, estava tensa. O olhar de Noah, quando pousava nela, não era de desejo exposto. Era de curiosidade contida, de análise... de domínio.
Quando chegou a vez dela, Noah pediu que ficasse em pé, de costas, enquanto ele media sua altura e avaliava a postura.
- Respira fundo - disse ele, com a voz baixa.
Ela obedeceu. Sentiu os dedos dele tocarem levemente sua cintura para alinhar a postura. A respiração dela falhou. Noah percebeu.
- Você está tensa - ele disse, quase num sussurro. - Algum problema?
- Não. É só... o ambiente novo.
- Ou talvez não seja o ambiente. Talvez seja... outra coisa.
O olhar dele encontrou o dela pelo espelho. Katarina desviou, engolindo em seco. Ele deu um leve sorriso de canto, satisfeito.
Alice interrompeu:
- E aí, doutor Noah? Eu passo no teste? Ou precisa de mais algumas medições?
- Com base nos dados... ambas estão aptas a iniciar - respondeu ele, objetivo. - Mas se quiserem resultado de verdade, vão precisar suar. Aqui não existe tratamento especial. Nem mesmo pra quem sorri bonito.
Alice riu, achando graça.
Katarina apenas ficou ali, com o coração descompassado e as pernas fracas.
Noah recolheu os papéis e se virou para sair.
- Katarina - chamou, sem olhar para trás. - Amanhã às 6h. Aula experimental no tatame. Quero ver como você se move.
- E eu? - Alice perguntou, fazendo beicinho.
- Outro instrutor vai cuidar de você - ele disse, já distante.
A porta se fechou.
Alice cruzou os braços e bufou.
- Que babaca gostoso.
- Ele só é... direto - murmurou Katarina, ainda com o nome dela ecoando na mente. Katarina. No tatame. Com ele.
E só ali ela percebeu o que estava acontecendo.
Ela queria mais. Queria saber quem era aquele homem. Queria entender por que a presença dele mexia com ela daquela forma.
Mas, acima de tudo... ela queria que ele a quisesse. Mesmo que isso significasse arder em silêncio.
Katarina não apareceu para o treino no tatame. Um plantão inesperado a mantivera presa no hospital, sem chances de escapar. Ela queria estar ali, enfrentando o desafio, mas o destino tinha outros planos.
Alice chegou cedo, confiante e ousada, vestindo seu top justo e com um sorriso provocativo nos lábios. Ela sabia que Noah estaria atento, e estava pronta para chamar a atenção dele.
Noah observava a entrada de Alice de longe, os olhos atentos, o semblante sério. Quando ela se aproximou, sua voz firme cortou o silêncio.
- Katarina não veio.
Alice cruzou os braços e lançou um sorriso torto, carregado de malícia.
- Plantão. Coisa de médica dedicada. Mas, sinceramente? Acho que ela não está tão interessada quanto parece. Não a vi preocupada com o treino. Diferente de mim.
Noah ergueu uma sobrancelha, curioso.
- Não tão interessada? - repetiu, fixando os olhos nela.
Alice deu um passo à frente, com o olhar provocante.
- Ela é bonita, sim. Mas parece meio... perdida. Não tem aquela garra que a Dominus exige. E você sabe, eu posso oferecer muito mais que garra.
Noah permaneceu impassível, mas algo em seus olhos brilhou, um leve desafio.
- Você fala com conhecimento de causa?
- Sei o que quer, Noah. E sei como conseguir.
Ele deu um meio sorriso, uma sombra de respeito.
- Vou precisar que me mantenha informando sobre ela. Quero ter certeza de que Katarina não está só... perdida no meio desse mundo.
Alice riu, maliciosa.
- Pode contar comigo. Afinal, eu gosto de estar no controle.
Quando Noah se afastou, sentiu que aquela conversa acendeu uma faísca que poderia virar chama.
E ele não planejava deixar essa chama apagar tão cedo.