Capa do Romance O Dia em que Morri e Revivi

O Dia em que Morri e Revivi

9.5 / 10.0
Alice sufoca em um choque anafilático enquanto Marcos, seu marido, ignora o socorro para atender a amante, Carla. A negligência causa uma tragédia: o pequeno Léo morre atropelado ao buscar ajuda. Consumida pela dor e traição, Alice subitamente desperta no passado, instantes antes do caos. Diante da segunda chance impossível, ela decide mudar o destino cruel. Agora, sua missão é proteger o filho e garantir que Marcos e Carla paguem por todo o sofrimento que causaram.

O Dia em que Morri e Revivi Capítulo 1

Alice Ribeiro lutava por ar, seu peito um torno sufocante.

Seu filho de seis anos, Léo, observava, o rosto pálido de pavor.

Choque anafilático.

Piorando rapidamente.

Ela engasgou o nome de seu marido, Marcos, implorando para que ele ligasse para o 192.

“A mamãe não consegue respirar!”, Léo gritou ao telefone.

Mas Marcos, ocupado "fazendo networking" com sua amante Carla, descartou o caso como um simples "ataque de pânico".

Minutos depois, ele ligou de volta: a ambulância que ele supostamente chamou para Alice foi desviada para Carla, que apenas "tropeçou" e torceu o tornozelo.

O mundo de Alice se partiu.

Léo, um herói em seu pequeno coração, correu para fora em busca de ajuda, apenas para ser atingido por um carro.

Um baque surdo e medonho.

Ela assistiu, um fantasma em sua própria tragédia, enquanto os paramédicos cobriam seu corpo pequeno e quebrado.

Seu filho se foi, porque Marcos escolheu Carla.

Devastação.

Horror.

Culpa.

A imagem de Léo a assombrava, uma marca em brasa.

Como um pai, um marido, podia ser tão monstruosamente egoísta?

Um arrependimento amargo e consumidor corroía sua alma.

Carla. Sempre a Carla.

Então, os olhos de Alice se abriram de supetão.

Ela estava no chão da sala.

Léo, vivo e bem, entrou correndo.

Era uma segunda chance aterrorizante e impossível.

Aquele futuro catastrófico não aconteceria.

Ela retomaria sua vida, protegeria seu filho e os faria pagar.

Capítulo 1

Alice Ribeiro ofegava por ar. Seu peito se apertou, um torno esmagando seus pulmões.

Léo, seu filho de seis anos, observava, seu pequeno rosto pálido de pavor. "Mamãe?"

Ela procurou desajeitadamente por sua caneta de adrenalina, sua visão embaçando. Choque anafilático. Rápido.

"Ligue... pro Marcos", ela engasgou. "Um... nove... dois."

Léo, abençoado seja seu coração corajoso, pegou o celular dela. Seus dedinhos atrapalhados tocaram na tela.

Ele apertou o botão de chamada para Marcos.

"Papai! A mamãe não consegue respirar! Ela parece muito mal!", Léo gritou ao telefone.

A voz de Marcos veio do outro lado, distante, irritada. "Ela provavelmente só está tendo um ataque de pânico, Léo. Dê a caneta de adrenalina pra ela. Estou num evento de networking com a Carla. Chego em casa logo."

"Não, papai! É sério! Ela disse pra ligar pro 192!"

"Ok, ok, eu chamo uma ambulância pra ela", disse Marcos, mas seu tom era displicente.

Alguns minutos depois, enquanto Alice flutuava numa névoa de dor, Marcos ligou de volta. Léo colocou o telefone em seu ouvido.

"Alice? Escuta, a Carla tropeçou. Torceu o tornozelo feio. A ambulância que eu chamei pra você, estou desviando pra ela. Ela está mais perto e com muita dor. Você só usa sua caneta de adrenalina, vai ficar bem."

O mundo de Alice se partiu. Carla. Sempre a Carla.

Léo, ouvindo isso, gritou. "Não! A mamãe precisa de ajuda!" Ele largou o telefone e disparou pela porta, provavelmente tentando chamar a Dona Helena do apartamento ao lado.

Uma buzina soou. Um baque surdo e medonho.

Alice, através da névoa, ouviu um tipo diferente de grito, não o de Léo.

Então, silêncio.

Sua própria respiração falhou, um último suspiro irregular. Seu espírito parecia se desprender, flutuando acima.

Ela viu Léo. Deitado na rua. Imóvel.

De repente, os paramédicos estavam lá, trabalhando nela, depois correndo para Léo. Tarde demais.

A imagem queimou em sua alma: Léo, pequeno e quebrado, porque Marcos escolheu Carla.

Devastação. Uma palavra pequena demais. Horror. Luto. Culpa por não conseguir salvá-lo.

Seu coração, ou o que restava dele, se estilhaçou em um milhão de pedaços.

Ela assistiu, um fantasma em sua própria tragédia, enquanto cobriam Léo com um lençol.

Marcos. A culpa era dele. Sua negligência. Seu egoísmo monstruoso.

Carla. Aquela mulher.

Se ela tivesse outra chance. Se pudesse voltar.

Ela nunca deixaria Marcos Andrade entrar em sua vida. Ela protegeria Léo.

Ela os faria pagar.

A dor era absoluta. Um arrependimento amargo e consumidor.

"Marcos", seu espírito sussurrou, um voto de fúria fria, "se houver uma próxima vida, eu nunca te conhecerei."

Os olhos de Alice se abriram de supetão.

Ela estava no chão da sala. Seu peito doía, mas ela conseguia respirar.

Suas mãos tremiam. Ela tocou sua garganta. Sem inchaço.

Léo.

Ela se levantou de um salto, o coração martelando. "Léo!"

Ele entrou correndo do quarto, os olhos arregalados. "Mamãe? Você tá bem? Você estava fazendo uns barulhos estranhos."

Ela o agarrou, abraçou-o com tanta força que ele soltou um guincho. Vivo. Ele estava vivo.

Seus olhos, ela sabia, provavelmente estavam vermelhos. Suas mãos ainda tremiam.

A memória da rua, do baque, do lençol... era real demais.

Ela olhou para o calendário na parede. A data de hoje. O mesmo dia.

Ainda não tinha acontecido.

Um milagre. Uma segunda chance aterrorizante.

A desorientação lutava com uma determinação feroz e protetora.

Ela não deixaria aquele futuro acontecer.

Seu celular vibrou na mesa de centro. Uma notificação. Instagram.

Carla Dias.

O sangue de Alice gelou nas veias. Ela pegou o aparelho, o dedo pairando sobre o aplicativo.

Ela precisava saber.

O story de Carla: um jantar luxuoso. Marcos, sorrindo ao lado dela.

E na mão de Carla, um anel novo e brilhante. Um "anel de compromisso".

A legenda: "Construindo um futuro com alguém que realmente vê meu potencial. Tão grata por seu apoio no lançamento da minha marca de bem-estar! #NovosComeços #RedeDeApoio."

A data da postagem: ontem à noite.

Dor renovada. Raiva. Nojo.

Ele já estava "construindo um futuro" com Carla enquanto era casado com ela, enquanto Léo estava vivo e bem.

Como ele pôde? Como um homem podia ser tão desprovido de decência básica?

A chave girou na fechadura. Marcos entrou, assobiando.

Ele parou quando viu o rosto dela.

"Ei, o que foi? Parece que você viu um fantasma."

Ele cheirava levemente ao perfume enjoativo de Carla. Uma mancha de batom, que não era da cor dela, estava em seu colarinho. Ele sempre era tão descuidado.

"Você está exagerando", ele sempre dizia. Era sua frase favorita. Irritava-a profundamente, uma aversão física.

"Marcos", Alice começou, a voz tensa. "Precisamos conversar."

"Se eu te dissesse que quase morri hoje, Marcos, e que o Léo quase morreu, porque você estava com a Carla, o que você diria?", Alice perguntou, a voz perigosamente calma.

Ele franziu a testa. "Do que você está falando? Que coisa maluca de se dizer. Você está se sentindo bem?"

Ela viu o vazio em seus olhos. A total falta de compreensão.

Ele não entenderia. Ele nunca entenderia.

O cansaço era um manto pesado. A amargura, um gosto familiar.

Ela havia desperdiçado anos.

"Eu quero o divórcio, Marcos", disse ela, as palavras com gosto de liberdade.

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