Capítulo 2

Sam acordou com a boca seca. Abriu os olhos devagar. Parecia que mil agulhas alfinetavam sua cabeça. Havia bebido demais na noite anterior. Maldita tequila! Virou a cabeça e notou a mulher nua e adormecida ao seu lado. Quem diabos era? Geralmente, quando bebia, ninguém, a não ser seu primo Allan, percebia que estava bêbado. Podia andar em linha reta, falar sem enrolar a língua, agir normalmente. Mas a ressaca no dia seguinte e a amnésia alcoólica eram fatais. Não era um blecaute total, flashbacks da noite pontuaram seu cérebro. Mas em nenhum aparecia a garota de cabelos castanhos.

Ela estava de bruços. O lençol cobria uma perna e metade do traseiro. Puxou o lençol com cuidado. E que belo traseiro! Sentiu seu pau se agitar. Mas que merda! Controle se, Sam! Você precisa de uma ducha e analgésicos.- Pensou dirigindo-se para o banheiro.

Quando saiu do banho, ela ainda dormia. Vestiu-se e saiu silenciosamente. A última coisa que queria era conversar com a desconhecida sobre uma transa que nem lembrava.

-- Bom dia, senhor Baxter. - disse Eidan, quando Sam entrou na sala de jantar. - Como está passando esta manhã?

-- Com dor de cabeça. - respondeu seco - Espero que tenha café.

-- Sim senhor. Fresquinho, Madalena acabou de passar. Ela sabe que, independente da hora e do estado, que o senhor chegue, sempre acorda às 8 horas. Vou trazer agora mesmo.

-- Não precisa, tomarei na cozinha.

Começou a dirigir-se para cozinha, com Eidan em seu encalço, quando virou-se de repente, fazendo com que o mordomo esbarrasse nele e quase caísse.

-- Perdão senhor. - disse atônito, tentando se equilibrar, segurando o braço do patrão.

-- Está perdoado. - disse Sam, tentando esconder o riso. - O que quis dizer com independente do estado que eu chegue?

-- Que o senhor não estava em seu estado normal quando chegou ontem à noite.

-- Não?

-- Não, senhor.

Sam ficou encarando o mordomo.

-- Eidan, me diga o que eu fiz ontem.

-- O senhor não lembra?

-- Acha que perguntaria se lembrasse? Você está ficando senil, Eidan!

-- Eu lembro o que fiz ontem à noite.- Retrucou o mordomo.

-- E eu me pergunto se você é insolente só comigo ou se é com meu pai também. Duvido que ele aceite esse comportamento.

-- Não vai tomar o café? - perguntou o mordomo.

Vendo o divertimento no olhar de Eidan, Sam perdeu a paciência e falou entre dentes:

-- Eidan, se não começar a falar logo, vou chutar seu traseiro daqui até a China.

-- Muito bem então. O senhor chegou por volta das 22 horas, com a senhorita Martin e...

-- Martin? Esse é o nome dela? - cortou Sam.

-- Liz Martin, senhor. Vocês estavam rindo muito alto e...- Eidan parou de falar, parecendo constrangido.

-- E? Vamos continue. - incentivou Sam.

-- Bem senhor, vocês estavam se agarrado no sofá da sala de estar e quando perguntei se precisavam de alguma coisa, o senhor me convidou para me sentar e conversar. Como me recusei, o senhor me puxou pela mão e me fez sentar ao seu lado. Disse que iria para Londres semana que vem e levaria a senhorita Martin junto para conhecer o senhor seu pai, antes que ele se mudasse para a Grécia. Depois subiram para o quarto e... foi isso . Como o senhor jamais traria uma mulher como a senhorita Martin aqui na casa da família, eu deduzi que não estava agindo racionalmente. - concluiu o mordomo.

-- E não estava mesmo! - disse Sam passando a mão na nuca, deixando o cabelo arrepiado naquele lugar. - Eidan, mande uma arrumadeira acordar a garota, peça que seja sutil, mas que a dispense o mais rápido possível. - tirando a carteira do bolso, pegou mil dólares. - coloque num envelope e entregue isso a ela. Diga que é para o táxi. Cuide para não ofender a moça. Diga que tive uma emergência e que sai às pressas. Vou sair agora. Pode resolver isso pra mim?

-- Claro senhor, farei isso.

-- Obrigado Eidan- disse dirigindo-se à porta- fico devendo mais esse favor a você.

-- Senhor o café.

-- Tomo na rua, na empresa, em qualquer lugar. Tenho que sair rápido daqui antes que descubra que fomos pra Las Vegas ontem e me casei com a maluca.

Capítulo 3

Anna estava exausta. O turno duplo, que sempre fazia aos sábados na lanchonete de sua amiga Martha, era puxado, mas o dinheiro extra compensava o cansaço. E ainda tinha as gorjetas. Olhou desanimada os lances de escadas que faltavam para chegar ao terceiro andar, onde morava com seu pai e sua irmã.

O pequeno apartamento de cinco cômodos, era o único bem da família que sobrou. Seu pai, Edgar, não pensou duas vezes, antes de vender a bela casa da família Martin, quando sua esposa Lídia, foi diagnósticada com um tumor agressivo no pâncreas. Comprou o pequeno apartamento em Crown Heights , no Brooklyn, e se mudou com sua mulher e suas filhas Liz, que na época tinha 18 e Anna com 16 anos. O restante do dinheiro, usou para pagar o tratamento de sua esposa. Tentou de tudo. Desde os tratamentos convencionais, quimio e rádio terapia, até os não

convencionais, que os planos de saúde não cobrem. O dinheiro escasseava rápido e a esperança de cura diminuía. Largou o emprego de historiador no Museu Americano de história, para ficar mais tempo com a mulher. Lídia faleceu 11 meses depois do primeiro diagnóstico.

A família Martin estava desgasta. O pai caiu em depressão. Liz revoltada, abandonou o último ano do ensino médio e fazia acusações, dizendo que o pai se afundou em dívidas por uma doença que não tem cura. Anna, sempre pragmática, se esforçou. terminou o ensino médio com ótimas notas, ganhou uma bolsa de 80% na Universidade de Colúmbia. E desde então sempre trabalhando pra pagar a faculdade e ajudar em casa. O pai arrumou um emprego de professor de história, numa escola de ensino médio. E assim, cinco anos depois da morte de Lídia, Edgar Martin e as filhas seguem morando no Brooklyn.

Quando estava girando a chave na fechadura, Anna ouviu os gritos do pai. O pai sempre fora calmo, tanto que Liz sempre abusava da paciência dele.

-- Se não está bom pra você, vá. Saia e não precisa voltar. Esqueça que tem um pai. Esqueça que tem uma família. Vá viver a sua vida de luxo que tanto sonha. Saia do lixo que você tanto odeia. Vá!

Edgar estava vermelho de fúria. Anna nunca viu o pai assim. Tão exaltado.

Liz passou raivosa por ela e saiu pela porta aberta, esbarrando em uma Anna estupefata pela cena que presenciara. Ficou ali, em frente a porta ainda aberta, sem reação.

-- Anna - disse Edgar com voz fraca - chame uma ambulância.

Ela demorou uns segundos pra entender o que o pai dizia, parecia surreal que, depois da gritaria, sua voz soasse tão baixa e fraca. Até que ele caiu de lado no sofá.

Continue lendo
Apoie o autor e inspire mais histórias incríveis Moboreader
Desbloquear todos
Capítulo
Personalizar
Próximo Capítulo
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED