Capítulo 2

Ponto de Vista: Elena

O dinheiro jazia no chão, um tapete verde de insultos.

Cinco anos atrás, eu teria chorado. Cinco anos atrás, eu teria pegado, agradecido e rastejado para lamber minhas feridas. Mas o amor de uma mãe queima mais quente que o orgulho de um Alpha.

Ignorei o dinheiro. Ignorei Liam. Ignorei os rostos zombeteiros dos lobos de alta patente que nos cercavam.

Virei as costas para ele e me ajoelhei perto da fonte. A água estava gelada quando mergulhei a mão, tateando os azulejos lisos do fundo.

— Você me ouviu? — A voz de Liam caiu uma oitava.

Ele estava usando seu tom de Alpha. Normalmente, esse tom força lobos de classificação inferior a se submeterem instantaneamente. Ele desencadeia uma resposta biológica — medo, submissão, o desejo de expor o pescoço.

Senti uma pontada de pressão na cabeça, como uma enxaqueca começando, mas não parei.

— Estou falando com você! — Liam gritou.

Meus dedos roçaram em algo frio e áspero. *Achei.*

Tirei a mão, a água pingando da pedra da lua bruta e não polida. Ela brilhava fracamente, uma luz branca leitosa e suave que apenas aqueles com olhos aguçados podiam ver.

Levantei-me, apertando a pedra contra o peito, e finalmente olhei para ele.

— Eu não quero seu dinheiro, Liam — disse calmamente. — E não preciso da sua permissão para existir.

O rosto de Liam ficou de um tom de vermelho que eu lembrava bem. Ele odiava ser ignorado. Para um Alpha, a indiferença é pior que o ódio. Implica que ele não tem poder.

— Sua insolente... — Ele deu um passo à frente, fechando a distância entre nós.

Ele agarrou meu pulso, aquele que segurava a pedra. Seu aperto era esmagador. Arfei de dor, mas não soltei a pedra.

— Me solta — sibilei.

— Você deveria estar de joelhos me agradecendo por deixar você viver — rosnou Liam, inclinando-se para que seu rosto ficasse a centímetros do meu. — Eu poderia esmagar seu pulso agora mesmo. Quem me impediria? Você não tem Alpha. Você não tem proteção.

— Eu não preciso da sua proteção — eu disse, minha voz soando clara pelo salão de baile silencioso. — E certamente não preciso de um Alpha fraco como você.

A multidão engasgou. Chamar um Alpha de "fraco" era um desafio. Nos velhos tempos, isso seria uma sentença de morte.

— Fraco? — Liam riu, mas seus olhos eram perigosos. — Eu sou o Alpha da Alcateia Silver Creek. Tenho centenas de lobos prontos para morrer por mim. Quem você tem? Um marido humano?

Olhei-o bem nos olhos.

— Meu Companheiro é mil vezes mais homem, e mais lobo, do que você jamais será.

Silêncio. Um silêncio absoluto e atordoado.

Então, a risada explodiu. Começou com Seraphina e se espalhou como um contágio.

— O Companheiro dela? — Seraphina gargalhou, segurando a barriga. — Ah, essa é boa! O defeito acha que tem um Companheiro! Você o conjurou em seus sonhos, querida?

— Ela é delirante — alguém na multidão sussurrou.

— Triste, na verdade — outro respondeu.

Liam sorriu com desdém, apertando meu pulso até meus ossos rangerem.

— Não existe lobo que reivindicaria você, Elena. Você é mercadoria estragada. Vazia.

Ele tentou usar seu Comando Alpha novamente, focando toda a sua vontade em mim.

— De joelhos. Agora.

O ar tremeluziu, pesado e opressivo. O guarda ao nosso lado estremeceu, os joelhos cedendo enquanto o comando passava por ele.

Mas eu permaneci de pé.

Minhas pernas tremiam, não de submissão, mas do esforço de segurar o grito de dor do meu pulso. O selo dentro de mim estava vibrando, rachando sob a pressão da aura dele contra minha própria linhagem oculta.

— Eu disse — Liam rugiu —, AJOELHE-SE!

Cerrei os dentes, suor brotando na minha testa.

— Não.

Capítulo 3

Ponto de Vista: Liam

Ela estava resistindo.

Não deveria ser possível. Ela era humana — ou efetivamente humana. Meu comando deveria tê-la achatado no chão. Vê-la ali, pálida e tremendo, mas de pé, fez meu lobo andar inquieto em minha mente.

*Por que ela não está se submetendo?* meu lobo rosnou. *Ela cheira a nada, mas se porta como uma guerreira.*

— Ela está desafiando você, Liam — Seraphina sussurrou no meu ouvido, a voz pingando veneno. — Ela está fazendo você parecer fraco na frente da Cúpula.

Seraphina estava certa. Eu não podia deixar uma ninguém sem alcateia me desrespeitar aqui. Não quando eu estava tentando garantir um acordo comercial com os Alphas do Sul.

— Segurança! — lati. — Esta mulher está perturbando a paz. Ela é mentalmente instável e potencialmente perigosa.

O guarda Beta se endireitou, sacudindo o efeito residual do meu comando.

— Sim, Alpha.

— Espere — Seraphina interveio, um brilho cruel nos olhos. — Não a expulse ainda. Olhe a bagunça que ela fez com a água.

Ela apontou para as poucas gotas no chão que caíram da mão de Elena.

— Faça-a limpar — sugeriu Seraphina em voz alta. — Se ela quer ficar no hotel, deixe-a trabalhar por isso. É só para isso que ela serve, não é? Limpar a sujeira de seus superiores.

A multidão murmurou em concordância. Era uma jogada de poder clássica. Estabelecer domínio transformando o inimigo em servo.

— Tudo bem — eu disse, cruzando os braços. — Limpe, Elena. E talvez eu deixe você ficar com a pedra.

Elena puxou o pulso do meu aperto. Fiquei surpreso com a força dela. Ela recuou, agarrando aquela pedra cinza como se fosse um diamante.

— Não sou sua serva, Liam. E não sou sua inimiga. Sou apenas uma mãe que quer ir embora.

— Prenda-a — ordenou o chefe de segurança, intervindo. Ele queria parecer competente antes da chegada do Rei Alpha. — Ela está resistindo às instruções.

Dois guardas se moveram para flanqueá-la.

Quando Elena levantou as mãos para se defender, a luz do lustre atingiu a pedra em sua mão.

Minha respiração falhou.

Eu reconheci aquela pedra.

Era uma pedra da lua bruta, não lapidada. Cinco anos atrás, quando éramos jovens e estupidamente apaixonados, eu tinha comprado um grande geodo de pedra da lua para ela. Nós o quebramos juntos. Eu fiquei com uma metade; ela ficou com a outra.

Deveria ser uma promessa. Uma promessa que quebrei quando percebi que ela não podia se transformar.

Ela ainda a tinha.

Uma onda de satisfação distorcida rolou sobre mim. Ela guardou. Depois de todos os insultos, depois da rejeição, depois de cinco anos de silêncio... ela guardou o pedaço de mim que eu dei a ela.

Levantei a mão para parar os guardas.

— Esperem — eu disse, minha voz mais suave, carregada de arrogância.

Olhei para Elena, realmente olhei para ela. Ela estava mais magra, cansada, mas ainda bonita de uma forma frágil.

— Você guardou — eu disse, um sorriso presunçoso tocando meus lábios. — Essa é a pedra que eu te dei.

Elena pareceu confusa.

— O quê?

— Não se faça de boba — dei um passo mais perto, ignorando a postura rígida de Seraphina ao meu lado. — Você veio aqui para me encontrar, não foi? Você usou a pedra como desculpa para se aproximar. Você ainda me ama.

Era a única explicação lógica. Por que mais ela estaria aqui? Por que mais ela lutaria tanto por uma pedra?

— Liam, você está delirando — disse Elena, a voz inexpressiva.

— Tudo bem admitir — eu disse, estendendo a mão para tocar o cabelo dela. — Talvez... se você implorar direitinho... eu possa encontrar um lugar para você na alcateia. Não como Luna, obviamente. Mas eu poderia cuidar de você.

Era uma oferta generosa. Uma oferta magnânima.

Eu esperava lágrimas de gratidão. Esperava que ela caísse em meus braços.

Em vez disso, ela me olhou com uma expressão de pura e absoluta pena.

— Essa pedra — ela disse calmamente — é para o meu filho. Não tem nada a ver com você.

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