Capítulo 2

— Sabe o que eu tava pensando aqui? — Becky abriu a boca enquanto estavamos de molho a espera do Uber. — Rebecca rima com xereca, com tcheca e com perereca! Por isso que tem tanto homem interessado em mim!

Olhei pra Ronda, ela olhou pra mim e depois da vontade de se jogar do prédio caímos na gargalhada.

— Vai tomar no rabo amiga, você não vale um real! — Ronda se debruçou no sofá rindo.

— Sério, Ronda não rima com nada. Nem com bunda. E Bella? Com nada! Por isso que vocês são encalhadas. — deduziu rindo da gente.

— Só pra deixar claro, eu não tenho ninguém por opção. — me posicionei dando uma averiguada nos comentários do meu último vídeo do youtube.

— Mas a vontade... Ciririca bate até rasgar o couro. — zombou.

Eu mereço essas amigas.

— Vai tomar no cu Becky. — guardei o celular. — Tenho que manter minha reputação. — tirei o batom da bolsa e retoquei com o espelhinho da mesma.

— Você não arranja ninguém nem se a gente empurrar Bella... — Becky concluiu de novo e Ronda riu.

— Varreram seus pés foi? Dizem que se varrer o pé a pessoa não casa. — continuou rindo.

Merda, então não vou casar nunca.

— É mermo? — Becky arregaçou os olhos. — Porque tipo, já varreram muito o meu.

Coitada.

— Uber chegou bichts. — Ronda se levantou e a gente também.

— Becky não dá encima do motorista do Uber. — aconselhei. É sempre assim com ela.

— Se ele for bonito e gostoso eu nem sai do carro.

•°•°•°•°•°•°•°•°•

C

hegamos na festa e felizmente o cara do Uber era feio e a Becky não quis estuprar ele. Pedimos várias e várias bebidas e dançamos muuuuito. Eu amo dançar. Danço, danço e danço.

Eu não sou encalhada. Só não arranjo casos sérios. Tenho problemas com relacionamento que não quero citar agora.

Mas eu beijei uns dois gatinhos na balada. Nem perguntei o nome. Não quero me apegar.

É, eu sou doida mesmo.

— Eitaaaaa! — Encontramos a Ronda suspirando na frente da boate. Eu tô muito bêbada que nem consigo parar de rir. Melhores férias. — Vacas eu dei uma trepada tão selvagem agora que tô toda assada. — ela contou, ela mesma riu da própria piada igual uma louca. E a gente tá rindo também porque estamos todas bêbadas.

— Vamo embora? — me encostei na parede. Eu não aguento mais. Tô muito tonta.

— Vamo. Tem um lual perto da praia que deve tá cheio de gatinhos. — Becky estendeu a mão pra um táxi parar.

— O que?! Eu não aguento! — tentei me manter parada longe da parede.

— Você não vai dormir porra nenhuma. — ela me arrastou pelo braço. Simbora, Ronda. A noite acabou de começar.

Puta merda. Eu vou voltar pra casa só o pó.

•°•°•°•°•°•°•°•°•

Chegamos ao tal lual e a vibe é totalmente diferente da balada que a gente tava. Músicas de ula. Tudo bem calminho. Eu vou é dormir.

— Olha o tanto de gatinho migas! — Becky passou sua visão por volta das mesas. Sentamos em uma e pedimos uns drinks. Se é que ainda cabe.

Não consigo lidar com a cara de felicidade da Ronda. Parece que a tá num orgasmo eterno. Quase vesga. — Então Ronda, você sumiu com um estranho pra transar onde?! — perguntei finalmente. Esse cara deve ter uma tromba daquelas! E sabe usar!

— Foi um louco lá. Muito forte...

Gostoso... A gente subiu pros quatros do hotel e cacete pra dentro! — insinuou tudo.

— Tá vendo aí quando a piriquita fica muito tempo amarrada é isso que dá. Endoida. — Becky olhou pra mim como se tivesse toda certeza da vida. — Fogo! Isso é fogo reprimido.

— Ainda tem mais. — Ronda completou.

Eu não sou como elas. Com certeza não. Eu tenho juízo, coisa que falta nas duas.

Nossos drinks chegaram e voltamos a beber.

Um cara subiu no palco e pegou o microfone. — BOA NOITE!!! SEJAM BEM VINDOS AO LUAL LABAMBA. E PRA AQUECER ESSA NOITE VAMOS FORMAR OS CASAIS MAIS QUENTES DE VEGAS???? — amei. Todo mundo começou a gritar animado. — O MELHOR CASAL, O QUE DANÇAR MELHOR VAI GANHAR UMA NOITE CALIENTE NO HOTEL MAIS QUENTE DE VEGAS!

Já quero.

Uma música começou e um monte de gente levantou e começou a dançar e formar pares. O povo aqui é rápido.

— Bora vadias. Hoje eu quero dormir num hotel de luxo! — Becky levantou animada e a gente levantou junto. Ela nos abraçou e disse. — Se liguei. Só peguem os caras que parecem dar nos coro. Porque senão vai ser uma noite de merda. Apesar de que, quem vai ganhar sou eu. — nos soltou e deus uns tapinhas nos nossos ombros antes de cair na pista. Literalmente cair na pista. Mas um rapaz levantou ela e a chamou pra dançar.

Eu tô morrendo de rir disso.

— Para Bella. Bora dançar. — Ronda tá segurando o riso.

— Eu tenho que ir no banheiro. Depois eu arranjo um cara pra dançar. — tomei outro caminho.

— Ok princesa. — ela foi pra pista.

— Eu nem sei que horas são nem nada. Eu só preciso fazer xixi e ser feliz. — tô falando comigo mesma. Entrei no banheiro e o vaso tava todo molhado de xixi. É banheiro de praia. Era pra tá limpo! Tem água por aqui. — Merda!

— Algum problema? — uma garota perguntou a mim.

— Na verdade sim.

~~~😂~~~

— Segura as minhas mãos e não me solta. Eu não posso sentar no vaso. — levantei o vestido e baixei a calcinha. Parece que a gente tá brincando de cabo de guerra. — Só vai demorar um pouco porque acho que é uns 10 litros de xixi.

— Tudo bem. — ela continuou me segurando e o xixi saindo.

Como se chama?

— Ally. — sorriu. — E você?

— Bella. — tentei apertar a bexiga pro xixi sair mais rápido. — Tô tão bêbada.

— Dança que passa. — ela sugeriu.

— Ótima idéia! — sorri e ela me encarou por um instante.

— Pera. Você é a Bella Turner?

— Sim.

Tomara que não seja uma hater.

— Ah, eu amo seus vídeos. São super motivadores. — contou animada. — Eu até terminei com meu antigo namorado. Graças a seus conselhos. Eu era muito burra.

— Que bom. — terminei de fazer o xixi e fiquei totalmente de pé. Soltei suas mãos e me sequei. — Obrigada por me ajudar. — baixei meu vestido.

— Que isso. Toda mulher passa por isso. — abriu a porta e saímos do banheiro. Me olhei no espelho e terminei de arrumar a

minha roupa. — Vou indo tá.

— Ok. Obrigada de novo. — repassei meu batom depois de lavar minhas mãos.

Mal pisei fora do banheiro, dei de cara com o cara mais lindo que já vi.

— Oi. — ele sorriu.

— Olá. — sorri.

— Te vi entrando aqui, bem na hora que eu ía te chamar pra dançar...

— Sério? Eu não vi.

Como eu não vi um pedação de homem desse? Deve ter uns 1,80 pra lá de altura, e esse físico! E esse cabelo! Estou em êxtase.

— É. Você tava com presa. — ele parece muito bêbado também. Tão bêbado quanto eu. — Quer dançar agora?

— Com certeza. — deixei ele segurar minha mão e fomos orz pista de dança.

Porra, se a gente não ganhar essa merda pelo menos nos divertimos muito.

A gente dançou todos os ritmos, de todos os jeitos. Nunca me diverti tanto com um cara. A gente bebeu mais ainda e eu já tô sem sapato.

— Qual é seu nome? — perguntou quando ficamos abraçados na música lenta. Ele me puxou pra cima e meus pés não tocam o chão.

— Bella. E o seu?

— Peter. — respondeu no meu ouvido. Eita que me arrepiei. — Se eu falar que tô completamente apaixonado por você... Você acreditaria?

— Sim. Sim. Acho que eu também tô.

Amanhã nem vou lembrar disso. Eu tenho é que pegar esse cara.

— Que bom. — ele me encarou e me beijou.

~~~😍~~~

2 horas depois...

— Bella Turner, aceita Shawn Raul Peter Mendes... É assim que fala? — o juiz Elvis Presley interrompeu perguntando a ele.

— Sei lá. Deve ser. — continuou segurando minhas mãos. — Continua.

— Peter, você aceita Bella Turner como sua legítima esposa?

— Sim. Sim. Sim. — sorriu pra mim.

— Bella Turner você aceita Peter como seu legítimo esposo?

— Sim. Sim. Sim. — sorri.

— Então pelo poder investido a mim os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva. — ele me agarrou e me beijou.

O pessoal que tava esperando pra casar aplaudiu a gente.

Eu tô muito bêbada mas tô muito feliz também.

•°•°•°•°•°•°•°•°•

Espero que tenham gostado. 😍

Capítulo 3

Por Bella Torres

— ACORDEM, SEUS SAFADOS! — uma voz perto de mim estava irritada. Eu conheço bem essa voz.

Mas que merda, será que ela morreu e veio me fazer raiva na minha ressaca?

— BORA!!!

— ME DEIXA DORMIR, CARAMBA! — uma voz masculina saiu do outro lado da cama.

Misericórdia. Agora eu tenho que acordar.

Abri os olhos e a dor de cabeça saiu e foi direto para eles. Cassandra Baker estava na minha frente, com cara de poucos amigos, e ao seu lado, um rapaz mais gordinho e loiro grita com o cara que tá dormindo ao meu lado.

O que você fez Bella?!

— O que aconteceu? Tô com uma dor de cabeça dos infernos. — sentei e reparei que estou nua.

Merda, eu tô nua!

Segurei os lençóis na frente do meu corpo e abaixei a cabeça sob os ombros. Meus olhos estão ardendo.

— O que você quer, Adam? — o cara deitado comigo não queria acordar.

Com quem eu dormi?

— Você acabou com sua vida ontem, seu bosta! — esse tal de Adam acertou uma almofada na cabeça do rapaz e ele desistiu de dormir e sentou na cama.

Agora que vejo o rosto dele eu não sei o que faço.

Porra, é o gato de ontem à noite! Eu dormi com ele! Sou sortuda viu!

— Bom dia. — Ele sorriu pra mim.

Eita sorriso lindo!!!

— Bom dia. — Respondi sem jeito.

Pensei que só eu levantava de bom humor normalmente.

— Vocês são duas crianças que não podem sair debaixo dos olhos dos cuidadores! — Cass falou com os dentes serrados.

— O que a gente fez? Só dormimos juntos, pelo que parece. — Ele deu ombros olhando a cama.

— Dormiram? Vocês casaram ontem, seus doidos! — Adam gritou puxando os próprios cabelos.

Oque? Ele deve tá brincando.

— O que é isso? Um trote pra TV? — O gato, que nem lembro o nome, levantou nu e começou a andar pela sala. Cass arregalou os olhos diante disso. — Onde estão as câmeras?

Que bundinha linda!

— Volta e se veste, Peter! Você não tá vendo que tem outras pessoas aqui! — o coitado do Adam pediu envergonhado.

— Nada que ela não tenha visto ontem, né? — ele sorriu pra mim e sentou na cama se enrolando.

Tentei não sorrir, mas não consegui. Ele é irresistível. Mas isso me deixa morta de vergonha. Não costumo dormir com o cara no primeiro encontro.

— Toma sua cueca! — Adam arremessou a cueca na cara do... agora sei o nome, Peter. E Peter levantou e vestiu.

— Tá, que história é essa, Cass? — lembrei do papo do casamento.

— Vocês dois casaram ontem, na verdade hoje, por volta das 4 da manhã, na capelinha ali do lado. Olhem as mãos de vocês.

Cacete, estou usando uma aliança.

— Melhor, tirem essas faixinhas do punho de vocês. — Adam pediu indignado.

Eu nem tinha reparado que tinha uma faixinha branca enrolada no meu punho. No dele também. Tirei e merda!

Eu tatuei o nome Peter no meu punho!

— Bella... — ele tá olhando o dele. Ele também fez.

— Que porra! O que eu fiz!

— Olha a merda. E agora? E agora? — Cass anda de um lado para o outro nervosa.

— Ninguém precisa saber. A gente pede o divórcio e pronto. — Sugeri com taquicardia.

Eu casei. Porra. Tá aí uma coisa que eu pensei que nunca faria na vida.

— Ela tem razão. A gente não precisa contar pra ninguém. Só fica entre a gente. — Peter concordou.

Adam virou pra nós, fervendo de raiva. — Fica só em entre a gente e o mundo!

— Como? Alguém mais sabe? — fiquei mais assustada.

— Claro que sabe! — Cass virou pra mim, indignada. — Está em todos os sites, em todos os perfis de fofoca. Todo mundo sabe.

Não! Minha reputação de solteira consciente foi pro lixo.

— Não. Não. Não. E agora? — Peter parece assustado e está em negação. Mas não tanto quanto eu.

— Agora vocês têm que fingir pelo menos sanidade e inventar uma boa história enquanto esse divórcio não sai. — Adam sugeriu mais calmo, porém roendo as unhas.

— E os seguidores provavelmente vão desaprovar isso. — Cass lamentou com raiva.

— Não acredito que isso tudo tá acontecendo. Que merda. Eu não lembro de nada. — Enrolei meus cabelos. Só lembro da hora que entrei na boate e lembro um pouco de estar dançando com ele.

— Também não lembro. — Ele andou pelo quarto. — Que quarto é esse, hein? — Pegou as roupas do chão.

— Também não se lembram que ganharam uma competição de dança? — Adam perguntou irônico.

— Sério? — não segurei o riso. Acho que o efeito do álcool ainda tá em mim. Becky vai me matar. Ela queria ganhar essa competição. Será que elas me viram fazendo merda e não falaram nada?

— Vamos embora resolver isso. — Cass jogou meu vestido na minha direção e tentei vesti-lo sem pagar peitinho.

— Como a gente vai resolver isso? — Peter também se vestia.

— Nós já estamos resolvendo. — Adam apontou pra ele e pra Cass. — Cadê a certidão de casamento?

— Quem sabe? — ele deu de ombros e eu também neguei, segurando o riso irônico. Certidão de casamento...

— Vocês dois... — eles respirarem fundo prestes a nós matar. —... Vocês merecem uns tabefes.

Voltei a ser criança.

Terminei de me vestir e levantei da cama. Calcei minhas sandálias e corri pro banheiro.

— Toma. Peguei sua necessaire no outro hotel. Conserta essa cara de bêbada. — Cass deixou a bolsinha encima da pia.

— Valeu. — Fechei a porta e me olhei no espelho.

Estou acabada.

O que você fez, Bella? Que merda você fez? Você é uma digital influencer de garotas que sofrem com relacionamentos abusivos... Você aconselha as outras pessoas a serem livres... Solteiras convictas... E você casou com um cara que viu ontem, sua louca?!

Eu vou perder todas as minhas seguidoras. Eu sei disso. Estou fodida.

Depois de fazer xixi, tirei a maquiagem do meu rosto, passei só uma base leve, um lápis no olho e um batom clarinho. Amarrei meus cabelos num rabo de cavalo e saí do banheiro.

Cass não me deixou tomar banho. Ela estava muito apressada. — Vamos. Vamos. — Adam, a gente se fala mais tarde.

— Certo. — Ele ficou pra trás.

E o Peter. Nem falei com ele.

A Cass me arrastou pelo braço tão rápido, que só deu tempo de olhar para trás, mas de longe, ele estava me assistindo ser arrastada.

Cassandra Baker: minha agente/empresária. Ela pensa que é dona de mim.

Eu falei a ela que eram férias e não era para ela aparecer. Mas ela tá aqui. Se bem que se ela tivesse vindo com a gente, eu não estaria casada com um completo estranho.

E agora?

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