Capítulo 2

A propriedade dos Hargrove tinha fama por ser impecável, mas a Clarke House tinha fama por ser luxuosa. De certo modo, Lisbeth odiava a residência dos Benningtons por uma terrível coincidência: ficava apenas a algumas quilômetros de distância da Mary Hall. Algo que decretaria que os Benningtons e os Taylor fossem ficar unidos por toda a vida.

A mãe de Lisbeth, a lady Francesca, era a melhor amiga da Condessa de Culbert, lady Regina Culbert, o que fazia suas famílias se unirem em todas as datas especiais, jantares, recepções e, não muito improvável, fofocas. Lorde Culbert, Phillip que o diga. Benedict, mais novo alguns anos que Liam, era visto frequentemente cortejando as moças nas recepções por toda Kent, ou em jantares. Lisbeth odiava o jeito galante e terrivelmente irresistível dos Benningtons; não sabia se era o sorriso frouxo ou o jeito aparentemente contido, ou até o olhar sincero, eles sempre encantavam qualquer que seja a criatura que ousasse cruzar seus caminhos.

Mas ela tinha que admitir. Liam Bennington era de longe o homem mais bonito da região. Com olhos azuis cristalinos e cabelos louros, encantaria qualquer donzela que se atrevesse a olhar para ele, mas havia apenas uma coisa incontestável: seu caráter duvidoso. Se conheceram logo depois de ter idade o suficiente para ser apresentada à sociedade Londrina, seu pai havia acabado de falecer naquele época e Lisbeth estava tão triste, que chorava por todos os cantos como uma desesperada. Liam se atreveu a provocá-la, e ela, por sua vez, depois de muito se controlar, pisou seu pé com toda a força que conseguia. A menina não fazia ideia de quem ele era. Liam foi mantido afastado dos campos por anos até que seu pai o trouxesse, e quando inevitavelmente estavam se dando bem — por muito esforço de ambas as famílias — foi mandado de volta para Londres, para estudar, pois como herdeiro, iria precisar saber de muito mais coisas do que cavalgar ou ver as plantações. E depois de seu pai morrer, ele voltou, já no auge de seus vinte e cinco anos, onde cuidou por um tempo da propriedade e da fazenda, antes de impor para Benedict e a mãe todo o trabalho. Lisbeth lembrava apenas de um garotinho implicante, que se tornara um homem exuberante e rodeado por fofocas e mulheres. A relação dos dois passou a ser de intriga e desavenças; não havia conversas, não havia olhares. Ela já era moça e devia ser apresentada à sociedade para arrumar um bom marido, um que não fosse um libertino descompromissado e vadio feito Bennington. Quando sua mãe morreu, ela prometeu que iria viver feliz para sempre, mas isso foi muito antes de ser levada à força para uma casa no meio do nada, na França e, três anos depois, ser trazida de volta. Aos vinte e um anos, provavelmente não sabia se iria cumprir a promessa.

Liam a levou, cuidadosamente, até Mary Hall, onde foi recebida por Christian. Ele estava na varanda, lendo alguma coisa. Os acompanhou até o quarto. Liam explicou tudo o que podia com a ajuda de Lisbeth e Prudence, a criada, entrou no quarto carregando algumas caixas, que depositara sobre uma cômoda no canto.

— Entendo — Disse Christian depois de escutar toda a conversa. Ele olhou para Lisbeth, que andava na direção do trocador. — Que tal uma camisa? Parece desconfortável. — Ofereceu ele a Liam, que assentiu no mesmo instante.

— Se puderem sair… — disse ela. Prudence ajudou-a a se livrar do vestido esfarrapado enquanto os cavalheiros se dirigiam para fora do quarto.

— Lisbeth! — James entrou como um raio. A porta que até então estava fechada foi escancarada. — Lisbeth!

Lisbeth vestiu o vestido com pressa. Tanta pressa que esqueceu do pé e quase caiu. Seu irmão mais velho, James, entrou no quarto.

— Pode me dar licença? — A atitude desprezível de James a fizera franzir o cenho numa careta. Prudence endireitou o vestido e arrumou seu cabelo. — Estou trocando de roupa.

— Onde estava? Eu a procurei por todo o lugar. — Disse ele, irritado. Liam e Christian entraram no quarto. Prudence ajudou Lisbeth a andar até a cama. James percebeu que sua irmã estava mancando e perguntou, olhando para Liam, que cruzou os braços. — O que está havendo aqui, afinal? — E olhou para Christian, que piscou e apontou para Lisbeth.

— Um bode me perseguiu, eu subi numa árvore e Liam me ajudou a descer, mas acabei torcendo o tornozelo. — Ela explicou. James estreitou os olhos e olhou para Liam. Ele o empurrou. — James! Ele tentou me ajudar!

— O que tentou fazer com ela? — Perguntou ele. Christian, James e Liam olharam para Lisbeth.

— Nada. Eu só a ajudei a sair de cima da árvore.

Lisbeth bufou.

— Vamos conversar. — James pegou Liam pelo braço e passou pela porta. Christian seguiu e fecharam a porta.

Lisbeth saltou da cama, com cuidado para não machucar o pé e andou até a porta, onde apoiou o corpo e colou a orelha na porta.

— Você tentou contra a honra dela? — Uma voz baixa perguntou. James, Lisbeth deduziu. — Você sabe que o trato deixava bem claro que se a tomasse como sua antes do casamento…

O quê?

Lisbeth quase teve um ataque cardíaco. Ela levou a mão ao peito e franziu a testa, prestando ainda mais atenção à conversa.

— Eu nunca tentaria fazer algo tão repugnante. E você sabe, eu sempre cumpro meus acordos. Eu não sabia onde meu pai estava com a cabeça, mas nunca deixaria Lisbeth por algo tão banal. Eu vou cumprir o trato. Irei casar-me com ela. — Garantiu Liam. Lisbeth pensava estar ouvindo errado. Desde quando seus irmãos planejavam um casamento para ela? E de que acordo estavam se referindo?

— Você sabe que só herdará o título do seu pai quando honrar o acordo. Nossos pais sabiam o que era melhor e por mais que eu deteste negociar minha própria irmã como uma galinha, é o que deve ser feito. — Disse James.

Lisbeth piscou, repentinamente tomada por uma sensação de medo e ansiedade. Do que estavam falando, afinal? Liam sabia disso antes mesmo de se encontrarem mais cedo?

Depois que os pais morreram, ela teve que ficar sob os cuidados de seus irmãos. Odiava o fato se ser um fardo para eles, mas depois de os boatos sobre a honra impecável de Lisbeth ter sido tirada, não lhe sobrou muitas opções. Aos dezoito, foi mandada para o interior da França para que os boatos fossem abafados e recentemente foi trazida. Suspeitou que algo estivesse acontecendo, mas nunca lhe passou pela cabeça que os irmãos haviam tramado uma armadilha, ou melhor: que seu pai havia tramado uma armadilha.

— Eu entendo — disse Liam. — Nossos pais queriam que tivéssemos um futuro. Eles não previram que nos separaríamos por um infortúnio destino. Por isso eu peço que me dêem tempo para que eu posso contar à Lisbeth.

Lisbeth vacilou o peso do corpo e se afastou da porta. Seu chão sumiu sob os pés, lhe causando uma estranha sensação que fazia o estômago girar na barriga. Ela queria vomitar, uma ânsia terrível a tomava, fazendo com que sentisse algo invisível escorrendo pelos braços, como uma gosma fedorenta. Ela correu para a cama, perdida de uma forma que não sabia explicar, mas que era terrivelmente dolorosa. Teve que segurar as lágrimas que ameaçavam aflorar os olhos.

Não era tristeza, mas também não era frustração. Era medo, talvez indignação, um sentimento que se prendia no alto da garganta e tinha gosto amargo, tão amargo, que se recusava a engoli-lo.

Ela nunca se casaria com Liam.

Nunca.

***

Liam não era exatamente um exemplo a ser seguido, principalmente porque ele mesmo queria ser daquela forma. Não que fosse um libertino desprezível que dormia com moças e as tratava como nada, mas também não era nenhum santo. Sua fama não era nada adequada para um futuro conde, visto que se aproveitava das vantagens que a vida lhe proporcionou. Ele não enxergava, de modo algum, que teria mesmo que realizar os desejos do pai e cumprir o maldito trato.

Anos atrás, quando Liam se negou a estudar o que seu pai queria, ele lhe ameaçou, dizendo que se continuasse de tal modo, nunca poria as mãos em sua fortuna, que herdaria após a morte do pai. Acontece que, logo que seu pai morreu, Liam teve o desgosto de descobrir que seu pai cumpriu a promessa. Ele fez um acordo com o patriarca dos Taylor, declarando que Liam só teria direito à fortuna se cumprisse o que estava escrito no papel: ter a primeira filha de lorde Taylor como sua esposa, de modo que as duas famílias ganhariam com o acordo. Não é preciso dizer o quão furioso Liam ficou ao descobrir que sua vida dependia da boa vontade de Elizabeth Taylor, que não passava de uma menina mimada.

Liam tentou viver o máximo que pôde antes de os boatos sobre a honra da srta. Taylor terem corrido pelos sete cantos de Londres. Ele voltou assim que soube, mas ela já não estava mais ao seu alcance. Tinha sido confinada como uma leprosa. Ele não sentia nada por ela, disso tinha certeza, e sabia que o destino selado não os impediria de amar quem quisesse, mas o problema era justamente esse.

Liam nunca havia amado alguém antes. Nem ao menos se apaixonado. Desfrutara dos prazeres carnais, mas nunca havia tido a honra de se aventurar num coração. E, de súbito, sucumbiria a um casamento.

— De fato — Christian interviu. — Lisbeth com certeza não gostaria de receber essa notícia.

— Lisbeth não tem escolha. Ela já passou da idade de se casar e nosso pai sabia que isso garantiria alguma coisa. Senão amor, ao menos um teto sobre a cabeça. — James disse. Liam respirou fundo.

— Eu posso garantir que oferecerei tudo o que há de melhor a ela. Eu nunca deixaria Lisbeth pagar por um erro cometido por nossos pais. — Disse ele. James o encarou, como se tivesse acabado de confessar um crime. — Eu não a amo, mas com o tempo, talvez, possamos encontrar o conforto um no outro.

Ele não sabia exatamente se aquilo era real, mas acontece que todos os casamentos que começavam com amor, acabavam com ódio. Ele não queria ser como parte dessas pessoas; não queria estar amarrado a contragosto com uma mulher que nem conhecia direito. Se via obrigado, embora soubesse que Lisbeth odiaria a situação tanto quanto ele.

Liam fitou James, que alinhou o casaco. Os olhos castanhos pousaram sobre a camisa de linho que Christian o emprestara. Liam procurou algo em seu olhar, mas não encontrou nada que pudesse se segurar.

Ele não se via como um bom marido que esperava pacientemente que sua esposa estivesse pronta para amá-lo, e muito menos não se via agarrado a uma mulher. Seus desejos, seus segredos, suas vontades… tudo morreria quando pusesse os pés no altar? Tudo caíria por terra quando aceitasse Lisbeth como sua esposa?

Não havia outra saída.

Quando a salvou mais cedo, percebeu o desejo tomar conta do corpo, mas não sabia se aquilo era realmente desejo ou apenas atração e não se via, de certa forma, tendo Lisbeth para si, como sua, verdadeiramente.

— Acho melhor ir embora — Liam disse, cansado de repente. — Já tomei muito do seu tempo. Você deve contar a ela sobre o acordo ainda hoje, dessa forma creio que será mais fácil. — Disse. James assentiu.

Seu pai tinha selado seu destino quando assinara o maldito acordo. Liam tentou, várias vezes inclusive, descobrir se era válido. De certo modo, sim. Era uma garantia, um acordo, e se negasse cumpri-lo, não teria o que tanto desejava: liberdade. Por outro lado, sabia que tudo o que desejava seria enterrado juntamente ao corpo do pai. Já não tinha tanta certeza de que poderia abrir mão de sua vida, se entregar de tal forma a um casamento sem nenhum sentimento. Isso o condenaria a ter uma vida desprezível.

Liam não aceitaria nada menos do que o incrível.

Liam foi acompanhado pelo mordomo. Havia escutado rumores de que os Taylor estavam sem nenhum dinheiro. Talvez fosse desespero, afinal, por que haviam esperado tanto tempo? Talvez, Liam pensou, se oferecesse o que queriam, eles poderiam deixar o acordo de lado.

Despedindo-se do mordomo, Liam montou Maximus, que remexeu sob seu peso. Ele agarrou as rédeas e ordenou que o amigo galopasse, chocando-a contra a pele do cavalo levemente. Maximus seguiu suas ordens, galopando na direção do vasto campo à frente.

Liam perdeu-se em seus pensamentos, achando graça da situação em que se encontrava. Ele iria se casar com uma mulher que o odiava. Seu futuro estava nas mãos de Lisbeth, disso não tinha dúvida. De um jeito ou de outro, dependia dela.

Era justamente isso que fazia sua espinha gelar.

Ele estava nas mãos pequenas e macias de uma mulher que o odiava.

De que outra forma faria para tê-la em suas mãos?

E, como um passe de mágica, encontrou a resposta:

— Irei fazê-la se apaixonar por mim!

Capítulo 3

Lisbeth não sabia como, mas tinha que se livrar daquela maldita situação de alguma forma. Diferentemente de mais cedo, quando ficou presa na árvore, ela não tinha nenhuma opção que parecesse provável. Seus irmãos estavam a colocando contra a parede, obrigando-a a aceitar que simplesmente nasceu para se casar com Liam. Seria esse seu destino, afinal?

Ela cruzou os braços, a carranca séria em seu rosto era bem evidente. Seus irmãos — nem Prudence, aliás — não tinham aberto a boca para tocar no assunto. O jantar correu sossegadamente não fosse pelos ruídos que Lisbeth fazia para que, de alguma forma pudesse chamar atenção. Não conseguiu, visto que James e Christian continuaram mudos à mesa.

Quando outro empregado lhes serviu a sopa, Lisbeth bateu com a colher rápido demais no prato, fazendo com que o líquido voasse. James a olhou, como se reprovasse seu gesto desastroso. Ele se empertigou e Lisbeth quis enfiar a colher guela abaixo. Talvez desse jeito perceberia que estava incomodada, não?

Um dos empregados prontamente limpou a sujeira. Lisbeth revirou os olhos, tomada pelo cansaço. Se abrisse a boca para dizer qualquer coisa, iriam chamá-la de fofoqueira. Não era digno de uma dama ouvir a conversa dos outros — mesmo que fosse sobre um casamento que não queria nenhum pouco.

Não que casamentos arranjados fossem uma condenação para uma vida miserável. Lisbeth conhecia jovens que se casaram para salvar suas famílias da ruína iminente. Elas aprenderam a amar seus maridos e ostentavam ricas famílias, mas ela não se via de tal forma. Anos atrás, antes de ser mandada para o interior da França, conhecera um jovem lorde que perdera todos os bens e se viu obrigado a trabalhar como jardineiro se quisesse sobreviver. Sua mãe o contratou antes de morrer e, antes que Lisbeth pudesse imaginar, Nicholas Thompson, o galante jardineiro de sorriso mimoso, roubou-lhe o coração. O rapaz era dotado de beleza; isso era inegável. Mas também tinha seus mistérios. Por mais que estivesse falido, as moças se jogavam aos seus pés, entretanto somente uma conseguiu ter sua atenção: Lisbeth.

Nicholas e Lisbeth se entregaram ao amor, e ela podia dizer com certeza, que mesmo no auge de seus dezessete anos, havia amado perdidamente. Isso foi antes de James voltar de Enton e descobrir que Nicholas e Elizabeth estavam tendo um caso escondidos. Uma das empregadas soube de tudo o que acontecera em Mary Hall e espalhou por toda a Kent. Não demorou muito para os boatos percorrerem os campos e a cidade. Ela fora vista como uma jovem desonrada, atrevida e libertina. Ora, quem poderia imaginar que a tímida e recatada Lisbeth, que era vista raramente em bailes e cortejada por quilômetros de rapazes belos e ricos se entregaria a um simples jardineiro? Quando soube dos boatos, Nicholas se afastou. Ele não queria que Lisbeth pagasse por isso. Ele não a merecia. Lisbeth tentou fugir com ele, mas Nicholas recusou, e foi então que Lisbeth pôde conhecer o outro lado do amor. Ela descobriu que Nicholas cortejava uma moça. Quase podia sentir o coração esfarelando dentro do peito. Por isso, aceitou que fosse mandada para longe, para um lugar onde não existiria Nicholas. Onde não existiria ninguém para despedaçar seu coração novamente.

Então, para seu azar, foi mandada de volta, onde Liam seria seu futuro marido.

— Lisbeth — James disse, a tirando de seus devaneios. Ela olhou para o irmão, que limpara os cantos da boca com o guardanapo. — Preciso falar com você. — Ela sentiu uma estranha ansiedade esmagar seu peito, como se a simples menção fosse um decreto. Estarei esperando no escritório. — Ele disse, levantou, fez uma breve reverência com bastante educação e passou por Lisbeth, que mal havia tocado na comida.

Ela respirou fundo. Quase podia ouvir o coração pulsando tão forte, que tinha medo de que pulasse para fora do peito.

— Irmão — ela fez uma breve reverência, levantou e enquanto se dirigia ao seu quarto, Christian disse:

— Lisbeth — isso foi o suficiente para que ela virasse na sua direção. — Acredito que o papai teria bastante orgulho da mulher que se tornou. — Ele bebeu um gole do vinho. Lisbeth assentiu, o peito subindo e descendo.

— Obrigada.

Prudence a seguiu. Lisbeth percebeu que tudo girava à sua volta, como se estivesse tonta, mas não sabia ao certo se devia culpar a si mesma pelo que sentia. Estava enjoada. O estômago revirava dentro da barriga como as rodas de uma carruagem. Ela engoliu o nó que até então estava preso na garganta e se encaminhou na direção do escritório do irmão, mudando a rota de seu destino. Se iria escutar de sua boca, que fosse o mais rápido possível.

Ela atravessou uma sala, virou a esquina e encontrou a sala de estar, depois, virou à direita e viu James remexendo em alguns papéis sobre a mesa de mogno. Ela virou para Prudence.

— Fique aí — pediu. A criada assentiu, oferecendo um sorriso brando. Lisbeth teve que procurar a coragem que estava escondida em algum lugar do peito e bateu à porta. O irmão mandou entrar e ela o obedeceu, as mãos entrelaçadas à frente do vestido amarelo.

— Entre e sente-se. — Disse James, levantando da mesa.

Ele soprou a fumaça do charuto, que espalhou-se pelo escritório. O cheiro forte fez Lisbeth tossir.

— Desculpe. — Ele apagou o charuto e o pousou numa caixa de madeira no canto da mesa. Os olhos castanhos de James correram pela irmã, e Lisbeth, por sua vez, endireitou-se na cadeira acolchoada de couro. — Creio que saiba da situação da nossa família. — Começou James. — Nossa mãe nos deixou dívidas altíssimas e, se não nos precavermos o mais rapidamente possível, receio que perderemos a casa, os bens e o pouco dinheiro que nos restou.

Lisbeth não conseguia ver o mesmo James que antes era seu melhor amigo. A diferença de idade entre eles não era tão gritante. Ele era cinco anos mais velho que ela, mas isso nunca os impediu de serem bons amigos, até ele descobrir sobre Nicholas. James começou a tratá-la como uma obrigação a ser tida, algo que piorou bastante depois da morte da mãe.

— Você entende que não nos resta muitas opções? Senão…

— Não irei me casar com lorde Bennington, irmão. — Lisbeth disse. — Deve existir uma outra opção. Talvez a resposta esteja debaixo de seu nariz. — Ela o interrompeu. James lançou-lhe um olhar afiado.

— Como soube? Prudence lhe contou?

Lisbeth estreitou os olhos e levantou, indignada. Até Prudence sabia?

— Escutei a conversa que teve com Liam. — Ela disse. James lhe lançou um olhar de repreensão. Ela apoiou as mãos na mesa e desafiou James a fazer o mesmo novamente. — Você não pode esperar que eu aceite tal coisa de bom grado.

— Se desse ao respeito, Lisbeth — disse James, erguendo uma sobrancelha — Você não teria se envolvido com um patife como o lorde Thompson. — Ele saiu de trás da mesa, Lisbeth franziu a testa e amarrou um biquinho irritado nos lábios. — Você teve uma escolha e, na primeira oportunidade que teve, a destruiu por completo. Não é minha culpa que é uma… — ele engoliu a palavra e olhou para Lisbeth, que agora o encarava com um bilho amargo de decepção por trás dos olhos. — Eu me exaltei. Me perdoe. — Ele inclinou a cabeça, de modo que Lisbeth visse o suor em sua testa, indicando que se sentia desconfortável.

— Diga de uma vez o que quer dizer. — Pediu ela.

James a fitou e respirou fundo, falando de uma vez:

— Irá se casar com lorde Bennington. — Ele levantou o olhar, que agora transparencia superioridade. — Quer queira ou não. — O tom duro era um ponto final, algo que Lisbeth não aceitaria tão facilmente.

— Deve haver outro meio — ela disse. James voltou a se sentar na cadeira.

— Se ouviu a conversa, sabe exatamente que não há um meio para que o acordo seja desfeito. Foi uma escolha do nosso pai, e ele sabia exatamente o que estava fazendo.

— Não sabia não. — Disse Lisbeth. — nem sabia que eu nasceria algum dia… foi totalmente por uma circunstância.

— Culpe a circunstância. — James disse.

— Você não pode acreditar que realmente vai conseguir tudo o que quer vendendo a própria irmã! — Berrou ela, batendo com força na mesa. Uma lágrima solitária desceu pelo rosto. Nem tinha percebido que estava ali, mas agora, parecia tão dolorosa que era praticamente impossível sustentá-la por muito tempo.

James a olhou com o que Lisbeth julgou ser pena.

Não compaixão, culpa, medo. Pena. Algo que qualquer estranho se dignaria a sentir por ela, mas seu irmão… ela respirou profundamente e prendeu as lágrimas.

Não iria dar esse gosto a James. Ela não despencaria na frente dele. Não poderia se permitir chorar. Não poderia deixar que a tristeza repentina tomasse conta de seu ser. Não se permitiria ser fraca quando precisava tanto de força.

— Muito bem — ela disse. — Se acha que é o certo, não irei discordar. Mas saiba que o odeio imensamente por isso. — Disse, inclinando-se na sua direção.

Lisbeth virou, e quase podia ouvir a respiração pesada de James atrás de si. Ela passou pela porta e a fechou com força. Christian estava sentado numa poltrona com um livro nas mãos.

Ela permitiu-se cair em lágrimas só então. Christian levantou, fechando o livro e colocando-o no lugar vazio. Ele se dirigiu ao seu encontro e laçou-lhe num abraço apertado.

— Ele contou a você? — Perguntou ele. Lisbeth fungou o nariz e assentiu, a cabeça contra o peito de Christian. — Sinto muito, irmã.

Ela o abraçou com força, como se aquele abraço fosse a única coisa que a livrasse da ruína. As lágrimas desciam pelo rosto, tão lentas e insuportáveis que Lisbeth quis nunca mais chorar.

— Sei que não posso prometer, mas acredito que Liam irá se comprometer em fazê-la feliz. — Christian lhe ofereceu um sorriso, e o medo invadiu Lisbeth de vez, cobrindo-na com uma nuvem imensa e espessa de sensações que lhe causavam calafrios. — Irei me certificar de que a faça.

— Obrigada, Chris. — Ela agradeceu.

— Sempre.

Ao menos o conforto do abraço de Christian poderia aplacar tal tristeza descomunal, que a arrastava para um poço profundamente escuro, onde não conseguia imaginar como fora parar ali. Absorta em seus pensamentos, Lisbeth não via outra opção: ela devia se casar com Liam, apesar de que seu coração gritava com todas as forças o contrário.

Mas não iria deixar por isso mesmo. Tinha de haver um jeito. Qualquer um que não envolvesse o casamento com Liam.

Qualquer que fosse, preferia muito mais do que ser entregue a um cretino.

***

Lisbeth precisava de ar. O peito pesava tanto, que chegava a doer. Ela levantou da cama, ainda vestida com sua camisola de seda. Ela passou uma perna pela grande cama de dossel adornado e correu nas pontas dos pés para não fazer muito barulho. Se seus irmãos descobrissem, certamente seria amarrada ao pé da cama de um deles, para que se certiticassem que não iria fugir de novo.

Mas não estava fugindo, certo?

Queria apenas um pouco de ar fresco.

Ela abriu a porta e cuidou para que não rugisse, fazendo uma careta um tanto indelicada para uma donzela. Ela saiu do quarto, comemorando com passos apressados na direção do corredor.

Mais um pouco.

Só mais um pouco…

Ela viu um vulto passar aos pés da escada. Praguejou internamente, pedindo a Deus que não houvesse ninguém ali, mas havia, devia saber. Ela desceu a escada mesmo assim, segurando o ponto entre o meio da saia da camisola delicada. Lisbeth então apressou-se novamente, e não se preocupou se fazia ou não barulho. Ela conseguiu chegar na sala de visitas, atravessou a escadaria e, para a sua surpresa, ouviu cochichos. Eram as criadas.

Maldita sejam.

Seu corpo congelou de imediato.

Então Prudence entrou na sala, segurando uma vela.

— Milady… — ela parecia chocada ao ver Lisbeth. A moça abriu um sorrisinho amarelo e disse:

— Preciso de um pouco de ar fresco. — Explicou-se.

Ela podia ver as engrenagens na mente de Prudence. Lisbeth talvez tenha pensado em sair correndo na direção do hall de entrada, mas simplesmente não conseguia. Prudence assentiu.

— Faz bem. Está muito quente, de fato.

Salva por Prudence.

Ela sabia que não devia confiar tanto numa criada — ainda mais depois do que aconteceu —, mas acontece que Prudence era a sua verdadeira confidente. Lisbeth não tinha muitos amigos por toda a Kent; as moças de sua idade eram confinadas em suas propriedades luxuosíssimas e seria falta de decoro visitá-las sem uma devida apresentação. A verdade é que ficou longe por muito tempo.

Lisbeth respirou fundo e se colocou novamente nas pontas dos pés. Não se importava se suas meias ficariam pretas de sujeira. Apenas queria um pouco de paz.

Ela alcançou o hall de entrada e saiu, correndo livremente pelos degraus da entrada da suntuosa mansão. Ela se esgueirou, virando à esquina e correu sem prestar atenção. O luar iluminara boa parte do trajeto, mesmo assim sua visão não era confortável. A escuridão da noite cobrira-a com seu manto escuro e denso. De repente, sentiu o pé bater em algo.

O pé machucado.

Não sabia ao certo, mas caíra como um saco de batatas. E, antes que pudesse atingir o chão, alguém a segurou. O doce aroma do campo invadiu seus pulmões. A figura segurava um lampião, a luz errática enfatizava o abdômen por trás da camisa aberta de linho.

— Lisbeth?! — Ela conhecia aquela voz. Definitivamente conhecia aquela maldita voz. E quando olhou para cima pode matar a dúvida que fez um arrepio gélido correr o corpo. — É você?

Nicholas.

Ela o encarou como se fosse um fantasma. Um fantasma lindo e cheiroso. Muito cheiroso.

Ele lhe deu a mão e ela sentiu só então uma fisgada no pé. Isso a fez soltar um som do fundo da garganta. Ela sentou-se, a perna parecia rígida. Nicholas ainda a olhava, surpreso, mas não tão mais surpreso que a própria Lisbeth.

— Você precisa cuidar disso. — Ele disse. Os fios castanhos de Nicholas roçaram a testa. — Vamos, antes que comece a chover. — Ele disse. Ela assentiu, pegou a mão dele e tentou se erguer, mas não conseguiu. A chuva não esperou que conseguisse. Nicholas a pegou no colo, sem breve aviso. — Será melhor assim, desse jeito não precisará forçar o pé. — Ela apoiou uma mão no peito dele, tão liso… tão másculo e forte. Outro arrepio correu sua espinha, mas dessa vez era o vento sereno que lhe soprava.

Nicholas a segurava firmemente, e Lisbeth não precisava olhá-lo daquela forma, mas parecia um encanto. Seus olhos escuros eram perfeitamente brilhantes e ela não cansava de olhar para o lindo rosto esculpido. Ele a levou até os estábulos. Lisbeth não sabia que ainda estava trabalhando ali; não depois do que aconteceu. Há uma semana, quando chegou, não pôde sair, pois James a repreendera. Os únicos passeios eram vigiados por uma dama de companhia ou por um dos irmãos. Pelo visto, Nicholas também não fazia ideia de que ela havia retornado.

Entraram nos estábulos e ele a pousou numa cama improvisada de feno e lençóis quentes. A chuva não a molhara muito, mesmo assim, a camisola grudara à pele, de modo que parecesse despida. Nicholas a olhava intensamente, e Lisbeth se sentia como se nenhum minuto tivesse passado entre os dois. O peito acelerado, a respiração ofegante. Um desejo incontrolável.

— Não sabia que ainda trabalhava para… — ele pegou seu pé com muita delicadeza, mas o modo como fizera fez Lisbeth corar. Ele sorriu de canto. Havia sangue e um machucado em torno do pé delicado. Ele esticou o braço e rasgou a manga, de modo que Lisbeth pudesse ver os músculos do braço se contraírem. Nicholas se afastou e regou o pedaço de tecido numa tigela de barro cheia de água. Quando voltou, limpou o pé de Lisbeth. — Obrigada.

Os olhos azulados de Nicholas procuraram os de Lisbeth.

— Em troca de moradia e um pouco de comida — Nicholas disse, amarrando o pé de Lisbeth, de modo que o ferimento fosse coberto. — Aceitei trabalhar a mando de seu irmão. — Lisbeth notou que o peito subia e descia. Será que Nicholas percebia o quão nervosa estava? — Não precisa ter receio. Não faria nada com a srta. — É claro que sim, Lisbeth concordou. Isso fez Nicholas sorrir ainda mais largo. — Mas creio que não por muito tempo. — Lisbeth praticamente arregalou os olhos. — Não irei ficar aqui por muito tempo. Perdoe-me. Não quis assustá-la.

Lisbeth recuou.

— Dói em algum lugar? — Perguntou ele. Lisbeth fez que não e quando abriu a boca, não teve certeza de que deveria perguntar o que passou à sua mente.

— O senhor não deveria estar com sua esposa? — Nicholas a fitou, como se não entendesse, mas depois levantou as sobrancelhas e fez que não. — O senhor não tem esposa?

— Nunca tive. — Ele levantou os olhos e Lisbeth certificou-se de que a camisola pudesse parecer mais adequada, o que parecia impossível, de qualquer forma. — Por que a senhorita pensou isso?

Lisbeth procurou alguma coisa que parecesse com mentira em seu rosto, mas conseguiu encontrar apenas sinceridade, e um belo par de olhos azuis.

— Pensei que o senhor estivesse cortejando uma moça quando… — ela percebeu que ele estava perto demais, por isso, encolheu-se em seu lugar. — bem, antes de eu partir.

— Seu irmão disse que seria o necessário para que a senhorita pudesse viver em paz. Acreditei que fosse, de fato. E funcionou, mesmo que uma parte do meu ser tenha se arrependido amargamente. — Lisbeth o encarou com um sentimento cortante, um misto de saudade e desprezo. — Foi uma armação. Eu não queria que boatos como aqueles estragassem sem devido futuro, Milady. — Ele percebeu o que disse e corrigiu-se prontamente: — Senhorita. Quis dizer senhorita.

O coração de Lisbeth afogarasse num mar profundo e terrivelmente terno. Ela queria se afogar nele, porque suas águas eram deliciosas, e a sensação — ah, a sensação — era conflitante e pouco conveniente para uma dama.

— Eu nunca quis deixá-la — contou ele. — Eu a amava, Lisbeth. — Sem se dar conta, suas mãos roçavam as pernas de Lisbeth, que fora possuída por uma onda inebriante de calor. — Tão perdidamente quanto se deve ser. Mas…

Ela engoliu em seco.

— Foi um erro ter vindo — ela disse. Nicholas balançou a cabeça. — Eu… — ela tentou levantar, mas Nicholas sentou na beirada da cama, ao lado de Lisbeth e pegou sua cintura. — Por favor, solte-me. — Pediu ela. Nicholas assentiu e a largou, mas antes que pudesse sair de cima dela, um grito fez Lisbeth girar rápido demais na direção da porta dos estábulos:

— Elizabeth! — James estava diante dos dois, atônito. — O que está acontecendo? Você e esse… — ele andou, adentrando o recinto malcheiroso e escuro. Lisbeth viu a expressão raivosa soprada pela luz do lampião que carregava. — Ele tocou em você? Ele a forçou a fazer algo que não queria?

Nicholas levantou.

Lisbeth tentou fazer o mesmo, mas gemeu de dor por conta do pé. James deve ter entendido errado, porque xingou Nicholas e acertou-lhe um soco. O homem caiu num monte de feno.

— Vou matá-lo. — James rosnou. Ele correu para perto de Lisbeth, caída no chão.

— Pare! — Berrou ela. — Ele tentou me ajudar. — James pegou seu braço, a puxando com tanta força, que Lisbeth pensou ter deslocado-o. — Não o machuque. — A voz uma súplica.

— Devia ter pensado antes de ter se entregado como uma rameira. — Ele a jogou no chão. Lisbeth caiu no lado de fora dos estábulos e sentiu uma lágrima roçar a pele. Ela franziu a testa e observou James pegar Nicholas pelo braço, dar-lhe um soco e se colocar sobre ele, de modo que disparasse uma rajada de murros. — Seu filho da puta!

— Pare! — Berrou ela novamente.

E quando finalmente James o fez, ela viu o sangue lavando sua mão. Nicholas estava deitado sobre o feno, ensanguentado. Ele clamava pelo nome de Lisbeth, num sussuro tortuoso.

James cuspiu em Nicholas, levantou e pegou Lisbeth no colo.

— Isso não vai ficar desse jeito — ele avisou. — Sua vadiazinha. — Havia nojo na voz dele, mas o ódio que queimava o peito de Lisbeth era ardente. — Amanhã mesmo tratarei de fazer lorde Bennington cortejá-la. A menos que queira virar uma prostituta, você me obedecerá. — Disse ele entredentes.

Ela fungou o nariz e deixou as lágrimas deslizarem pelo rosto.

***

Lisbeth estava destruída. Sentia o coração em frangalhos. James a arrastou até o quarto enquanto se remexia em seus braços. Ela tentou se desvencilhar e, quando o mordeu, James acertou um tapa na cara. O estalo foi tão alto, que reverberou pelo salão da escadaria. Ela o fitou, o olhar amargurado afogado em lágrimas.

— Se me ouvisse não precisaria chegar a esse ponto. — Ele disse, a voz cheia de raiva. Ele abriu a porta do quarto, Lisbeth dentia o ardor de sua mão em seu rosto. Ele a arremessou contra o chão, sem se preocupar se iria doer, e então, fechou a porta num baque forte.

Lisbeth, no chão, sem forças para levantar, piscou os olhos. Uma llágrima desceu.

— Vai ficar aí até eu ter certeza de que não se jogará nos braços de outro homem. — Ele berrou. Lisbeth levantou a cabeça o suficiente para ver os pés de uma das criadas. — Você só nos dá vergonha.

Ela tentou se negar a ouvir as palavras de seu irmão, mas não conseguiu. Era impossível, na verdade. Se arrependia amargamente por ter tido a ousadia de sair. Se não tivesse saído, Nicholas não estaria naquela situação e ela não estaria condenada. De jeito nenhum James se recusaria a cumprir o acordo. Agora estava sedento para se livrar dela de vez, pensara.

Ela tentou se apoiar nos braços, mas fraquejou, tomada por uma impotência pungente. Lisbeth levantou os olhos e viu Prudence. Ela sorria como se achasse divertido. Não precisou demorar muito para juntar dois e dois.

— Foi você — Lisbeth sussurrou. — Você contou a James. — Acusou ela. Prudence abaixou-se à sua altura, pousou a mão em seu ombro e assentiu. — Como pôde ser tão pervessa? — Gruinhiu, a voz afogada em lágrimas.

— Seu irmão recompensa-me imensamente. À noite, em seu escritório, em todos os lugares. — Ela tirou uma mecha de cabelo do ombro de Lisbeth e examinou seu rosto. — Saiba que deveria me agradecer. Por minha causa, seus irmãos poderão continuar suas vidas sem que a irmãzinha deles os atrapalhe. — Prudence deu de ombros. — E, convenhamos… lorde Bennington não é nem de longe terrível. — Ela aproximou os lábios da orelha de Lisbeth. — Deveria me agradecer por fazê-la se encaminhar para o destino correto. — Um sorriso passou pelos lábios da criada.

— Pode ter certeza — Lisbeth olhou para ela, a chama ardendo por trás de seus olhos. — Vai pagar por isso. — Prudence assentiu, oferecendo um sorriso.

— Mal posso esperar, senhorita.

Prudence a ajudou a levantar. Lisbeth mancou até a cama, apoiada na criada.

— Você está imunda. Melhor se trocar, ter uma boa noite de sono e aproveitar as últimas horas que terá como uma Taylor. — Prudence andou na direção de um criado mudo, vasculhou uma gaveta e levou outra camisola para Lisbeth. — Não vai mais precisar dessa.

Lisbeth estava definitivamente presa num destino que odiava e, por mais que negasse, nada poderia impedir tal coisa.

Autor: Oi! Se você está gostando, deixe bastante comentários dizendo o que acha sobre a história. Isso me ajuda imensamente e me motiva a continuar. Isso ajuda muito! Obrigado pela leitura! :)

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O Conde Cretino

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