Dois
André
Comemorar. Só tinha motivos para isso, principalmente depois de inaugurar a 200° franquia da “Tia Cleide”. Depois de tantos anos plantando, finalmente estávamos colhendo os frutos. Passei por tantas dificuldades vendendo brownies na rua e nos transportes públicos e, como se isso não fosse o suficiente, ainda tive que lidar com diversos imprevistos quando mamãe abriu a primeira lojinha de bolos da Tia Cleide que, por muito tempo nos rendeu mais dívidas que lucro. Ela mesma insistiu que aquilo não valeria a pena e que seria melhor nós voltarmos à estaca zero onde trabalhávamos menos e faturávamos mais. Mas, eu nunca desacreditei dos nossos sonhos, em momento algum duvidei do quão grandioso seria nosso futuro. É óbvio que chegar onde estava agora não era algo que imaginei um dia, porém, desistir era uma palavra que no meu dicionário sempre foi sinônimo de desconhecido.
A 200° franquia da Tia Cleide foi inaugurada em São Paulo. Já contávamos com pelo menos uma loja em cada estado do Brasil, mas os lugares onde predominávamos eram RJ e SP. Estávamos apenas no início de um projeto de expansão do negócio, que em breve se repetiria no mercado norte-americano.
— Cheers! — Dudu ergueu a taça de champanhe com um grande sorriso estampado no rosto. — 200 lojas, milhares de funcionários, dezenas de franquias vendidas todos os anos e milhões e milhões de reais girando na nossa conta. O que mais poderíamos querer?
Olhei para o meu sócio e sorri com sarcasmo com a maneira que ele sempre parecia aquele mesmo menino cheio de ideias da época do colégio. Tudo para ele ainda tinha um ar de primeira vez. Eu também gostaria de ser assim, mas não dava, a vida sempre foi dura comigo, por isso era necessário que eu também pegasse firme e fosse sério na maioria das vezes se não quisesse ser derrubado. Levei a taça até a boca quando o barulho da campainha roubou a atenção dos meus olhos.
— São elas. Deixa comigo, André, faço questão de abrir. — Dudu caminhou rapidamente na direção da porta do luxuoso apartamento onde nos hospedamos com o intuito de ficarmos mais à vontade depois de participar da inauguração de hoje. Apreciei mais do líquido saboroso da minha taça quando ele abriu a porta revelando duas lindas mulheres, exuberantes. Uma morena, alta, com longas pernas definidas, olhar marcante e lábios pintados de um vermelho marsala. A outra loira que também não deixava nada a desejar, magra, com o corpo acentuado e cheio de curvas, o cabelo dourado caindo esvoaçante sob os ombros enquanto os doces olhos verdes pareciam um chamariz me convidando para possuí-la. — Entrem, sejam bem-vindas. — Dudu não disfarçou o olhar malicioso enquanto devorava com os olhos cada parte de seus corpos. — Fiquem à vontade.
— Para tirarem a roupa inclusive. — Não costumava fazer média com mulheres, ainda mais quando estava ciente do que queriam e porque vieram. Ela e a amiga foram ao evento interessadas em fazer o famoso networking e aparentemente estavam dispostas a tudo por isso. Dudu disse que já vinha conversando com a loira há algum tempo, por esse motivo foi tão simples desenrolar esse encontro. Ainda bem, porque normalmente eu tinha preguiça e acabava desistindo da maioria das mulheres que se passavam por difíceis; e como era de se esperar bastava um único gelo para que elas ficassem “fáceis” no dia seguinte. Assim era a vida, é claro, quando estava disposto a gastar meu tempo, normalmente eu tinha preferência por acompanhantes de luxo que não tinham frescuras e nem faziam modéstia. Bastava passar o cartão ou mandar um pix, para que elas fizessem tudo que eu quisesse na cama ou fora dela.
Dudu engoliu em seco quando fiz meu comentário. Já a morena passou a me fitar profundamente, com o interesse latente nos olhos castanhos. Tentando amenizar o impacto das minhas palavras, meu amigo passou o braço ao redor da cintura da loira e a guiou até o sofá onde estava confortavelmente sentado provando o delicioso champanhe.
— Desculpe-me pela inconveniência, foi só uma brincadeira.
— Imagina — a morena respondeu enquanto sentava na poltrona de frente para mim, cruzando as pernas sensualmente. Consegui ver um pedaço da calcinha preta, com a renda semi-transparente. Não fiz questão de disfarçar, apenas tomei mais um gole do champanhe passando os olhos da sua boca até suas pernas.
— Também devo pedir desculpas por não ter me apresentado ainda. Prazer, André Matos.
As mulheres fizeram questão de se apresentarem em seguida, logo começamos a conversar e a beber de maneira descontraída. Eu saí do meu lugar e sentei ao lado da morena que modéstia parte estava tão envolvida quanto eu, por isso não demorei para tomar sua boca, morder e me lambuzar com os lábios carnudos enquanto minhas mãos mergulhavam pelos fios sedosos através da sua nuca. Ela ofegou soltando um gemido baixinho. Descolei nossos lábios, mantendo minha face a milímetros da dela, foi quando notei os pelos de seus braços e pernas arrepiados e os mamilos intumescidos marcando o vestido colado. Meu pau latejou dentro da calça, eu mordi o lábio para controlar o tesão que se alastrava pelo meu corpo enquanto sentia-o ficando enrijecido, implorando por prazer. Mas já era tarde, meu corpo inteiro já havia entrado em êxtase à procura de uma forma de aliviar aquele tesão latente, ali não perdi mais tempo. Desci as alças do vestido dela revelando os seios grandes e siliconados com os bicos amarronzados e logo comecei a me lambuzar com cada um deles. Sugando, mordiscando, fazendo-a delirar, principalmente, quando passei a mão entre suas pernas, coloquei sua calcinha para o lado e toquei o clitóris em movimentos circulares, lentamente, até ele inchar contra o meu dedo.
— André... Me fode... — Alucinada ela disse em meio aos gemidos.
— Calma vadia, pra que pressa? — sussurrei no pé da sua orelha num tom provocante. — Temos a noite toda. — Deslizei meus dedos por sua vulva e só parei na entrada do seu canal, onde estoquei um dedo, depois mais outro.
Ela gemeu alto, mordendo o lábio excitada enquanto se contorcia na minha mão. Do outro lado, Dudu já estava mais adiantado. Sentado de maneira relaxada e com as pernas abertas, ele apreciava as habilidades que a loira tinha com a língua. Quando nossos olhares se encontraram ele já sabia o que fazer. Então meu amigo afastou a cabeça da loira, ficou de pé e apontou para mim. Rapidamente ela parou na minha frente, ficou de joelhos e começou a abrir meu zíper assistindo eu e sua amiga nos beijando deliciosamente. Quando ela deslizou minha cueca para baixo, meu pau pulou para fora, enorme, grosso, duro como uma estaca. Ela e a amiga pareciam estar admiradas com o que via, por isso não esperou mais para acariciá-lo com a língua, mãos, e depois devorá-lo por inteiro com a boca quente e macia. Dudu veio por trás da gostosa que me chupava cheia de desejo, levantou seu vestido, abriu um preservativo e depois começou a fodê-la forte, batendo na sua bunda, tratando-a como a verdadeira puta que ela era.
— Caralho... — Levantei a cabeça da loira, afastando-a de mim e envolvi meu pau com a camisinha que havia acabado de abrir. Com as mãos firmes segurei a cintura da morena e trouxe-a para meu colo, onde rapidamente ela se encaixou e começou a rebolar no meu membro, instigando a luxúria que crescia abruptamente por cada pedaço de mim. Apertei aquela bunda gostosa, belisquei, bati, fazendo-a sentar com vontade, guiando-a no meu ritmo enquanto gemidos desvairados tomavam conta de toda a sala. Beijei cada um de seus mamilos que me apontavam como uma seta, a morena ficou enlouquecida, arfando e gemendo descontroladamente.
— Eu vou gozar... — Belisquei seu mamilo com os dentes apertando sua cintura, fazendo-a rebolar mais e foi aí que ela caiu exausta em meus braços, ensandecida, explodindo num orgasmo visceral. Vagarosamente tirei-a de cima de mim, apreciando o líquido viscoso que ela havia deixado escorrer sob a camisinha.
Aquilo foi só o começo, eu me sentia como um leão, um animal perigosamente selvagem quando fazia uma mulher gozar, ainda mais rápido daquela maneira como foi com ela.
Me livrei da camisinha.
Dudu estava se acabando atrás da loira que se contorcia sofregamente, uivando de tesão e lascívia. Eu caminhei na direção dela e quando cheguei mais perto fiquei de joelhos e dei meu pau rígido para ela que não demorou muito para matar sua sede, se lambuzando e saboreando-o novamente. Segurei seu cabelo enroscando seus fios entre meus dedos e comecei a estocar sua boca mais fundo, sentindo sua garganta, comendo-a firme como se fosse uma boceta.
A morena voltou a se aproximar depois de se recuperar do orgasmo intenso. Ela ficou de joelhos ao lado de Dudu e lhe roubou um beijo lento enquanto ele fodia sua colega. Aos poucos meu amigo foi deixando a loira para ficar de carícias e amassos com a morena. Ele deitou-se sobre o chão e ela foi para cima dele, cheia de fogo, rebolando, dando tudo de si e mais um pouco. De longe avistei o bumbum bronzeado, empinado, o cuzinho apertado piscando enquanto ela requebrava no pau do meu amigo. Ali não resisti, desejei-a por inteira, queria experimentar do seu ânus que parecia estar me fazendo um convite. Tirei meu pau da boca da loira e fui até eles, passando minhas pernas sobre as de Dudu, ficando de joelhos e me encaixando por trás da morena já extasiada de luxúria.
Abri sua bunda. Lentamente pincelei meu pau úmido no seu meio, em seguida penetrei um dedo, estocando-a vagarosamente, fazendo-a se empinar desejando mais daquilo.
Abri uma camisinha, envolvi meu membro e arfando de desejo me enterrei todo nela, com ânsia, a lascívia latente me consumindo, ao mesmo tempo, que ela me esmagava com sua carne quente, apertada.
Mordi o lábio tentando controlar aquele tesão desvairado que parecia me sugar, espalmei cada uma de suas nádegas, no mesmo ritmo que a estocava. Ela grunhiu, desesperada, alucinada com um pau em cada uma das suas entradas. A amiga dela, que até então estava apenas assistindo a cena de camarote e se masturbando, entrou para a brincadeira abrindo as pernas e agachando sobre a cabeça de Dudu, deixando a língua dele lambuzar e mergulhar na bocetinha rosinha, depilada.
Entrei em êxtase, cedendo a luxúria, comendo o ânus da morena num ritmo insano, fazendo-a gemer e uivar como uma loba no cio. Logo uma onda de prazer invadiu minhas estranhas fazendo pequenos espasmos se alastrarem pelo meu corpo, até eu explodir num orgasmo avassalador.
Fiquei inebriado, ansiando, desejando mais e mais e, tendo a certeza de que a noite excitante só estava começando.
Depois da morena, fodi a loira em cada um de seus orifícios, a fiz tremer e cambalear antes dos orgasmos. Elas dividiram a essência viscosa do meu último orgasmo e quando chegamos à exaustão a noite já estava no seu fim, dando espaço para um novo dia.
Tivemos uma breve e deliciosa despedida pela manhã, eu estava insaciável esses dias.
— Você nem pegou meu telefone... — Depois de trocarmos beijinhos a morena falou, quando já estávamos ao lado da porta.
— Aposto que o Eduardo já fez isso.
— Não, ele só tem o da minha amiga.
— Mas isso é ótimo. Ele é praticamente meu intermediador, quando estiver a fim mando entrar em contato com você.
— Mas é que... Eu queria seu número para a gente ficar conversando...
— Normalmente não tenho tempo. — Já estava perdendo a paciência, eu definitivamente não tinha o dom para enrolar mulheres. — Mas quando surgir uma brecha...
Ela me cortou:
— Mas você mora no Rio e eu em São Paulo.
— Escuta garota, quando eu estiver a fim de te comer outra vez, mando um jatinho te buscar aqui ou em qualquer lugar do mundo. Mas sobre ontem à noite: foi só uma foda. Gostosa pra caralho, mas só uma foda. — Abri a porta dando espaço para que ela saísse e fosse de encontro a amiga que estava no corredor esperando-a. Ela assentiu, um pouco decepcionada, mas sabia que não valeria a pena insistir. — Bom dia! — despedi-me, sendo educado.
Tranquei a porta e quando me dei conta Dudu já estava rindo deitado desleixadamente sobre o sofá.
— Você sempre faz isso. Esse deve ser um dos motivos de até hoje estar encalhado.
— Melhor do que estar casado e aqui na orgia, traindo sua esposa e sua família. — Sentei ao lado do meu amigo que rapidamente ficou sem graça.
Nunca fui favorável a nenhum tipo de traição. Sempre acreditei que quem trai uma vez vai trair sempre, independentemente da situação, independentemente se for namorado, esposo ou amigo.
Sempre estive em alerta com quem quer que fosse.
Sempre confiando apenas em mim mesmo, foi assim que cheguei até aqui.
E talvez esse também fosse um dos motivos de eu ter escolhido ficar sozinho.
Três
Milena
A ansiedade não me deixava ficar parada. De minuto em minuto checava minhas malas e as de João Paulo para ter a certeza de que não estava esquecendo nada. Toda vez que viajava para o Brasil sentia um frio na barriga, mas dessa vez parecia uma nevasca. Isso porque ao invés de fazer uma das raras visitinhas de 4 em 4 anos, eu iria para ficar. Estava decidida a não pôr mais os meus pés aqui. Nada contra a Itália, Roma, onde fui muito bem acolhida, mas eu já não aguentava mais. Fui além de todos os meus limites para conseguir dividir o mesmo teto com ele por mais de 12 anos.
Olhei para o espelho e foi impossível não deixar as lágrimas caírem quando enxerguei meus olhos azuis contrastando com as olheiras arroxeadas e meu lábio cortado, novamente.
Não demorou para que lembranças fortes de ontem à noite, mescladas com as do ano passado e de todo esse tempo que estive aqui me assombrassem. Meu Deus. O que eu fiz para merecer isso? Sempre fui uma excelente esposa, abdiquei da minha vida para cuidar dele e do nosso filho. Estou há 14 anos praticamente exilada nessa casa, evitando fazer um passeio no shopping ou até mesmo compras no mercado para não levantar desconfianças e consequentemente despertar seu ciúmes possessivo e violento.
O que eu fiz de errado?
Por que estava fraquejando?
Por que estava desistindo de lutar pela minha família e o meu casamento?
— Mãe? — Meu coração errou uma batida quando avistei João Paulo no reflexo de espelho. Meu filho entrou na suíte com aquele olhar penoso que me deixava afligida e disse: — Você não está pensando em desistir, não é mesmo? Eu não aguento mais ver o Vicente te agredindo. Está mais que claro que ele nunca gostou de você. Nem de mim!
— Filho, não diga isso. Vicente é o seu pai, é claro que ele gosta de você. Ele te ama...
— Não é o que parece!
— Escuta. — Firmei-o pelos ombros e olhando diretamente em seus olhos comecei a falar numa tentativa de aplacar a dor e a raiva que ele vinha alimentando pelo homem que o criou. — O seu pai trabalha muito, ele passa o dia inteiro fora de casa, se estressando para nos dar essa vida boa...
— Eu não me importo! Minha amiga do game mora numa favela e é muito mais feliz que eu. A família dela não tem nenhum luxo, mas os pais dela são felizes. Isso porque o pai dela não fica espancando a própria mãe e dizendo que ela é um lixo de filha! Mamãe, passa logo a maquiagem para esconder esses machucados, o voo sai em menos de duas horas. Não podemos nos atrasar, não podemos continuar aqui!
Engoli o bolo em minha garganta e abri um sorriso para meu filho.
— Esse desejo todo de ir para o Brasil é para ficar perto dessa menina? João Paulo, você é muito novo para fazer essas loucuras de amor. Fora que você nunca viu ela pessoalmente.
— Já vi, sim, falo com ela por chamada de vídeo toda noite, mas, não é sobre isso mãe. Por que você se conforma de ser tratada como um saco de pancadas pelo Vicente? Daqui a pouco ele chega estressado do trabalho como sempre, você fala qualquer coisa e leva um tapa na cara! Eu não me conformo. Eu não aceito! Se você não se arrumar, eu vou fugir e deixar você aqui sozinha com esse covarde. Porque para mim ele não é um pai, é um covarde!
Mordi o lábio desviando o olhar do meu filho, pensando no quanto me tornei uma mulher fraca, sem coragem o suficiente para tomar uma atitude que mesmo vista por todos os ângulos era certa. Sair de casa com o meu filho e viajar para outro país sem nenhum aviso prévio, reencontrar a minha família, encarar uma nova vida.
Recomeçar.
Tudo parecia difícil demais.
— Aquele dia você disse que se ele ousasse tocar a mão em você outra vez, nós iríamos voltar para o Brasil. Você prometeu pra mim, mamãe. Por favor, não volte atrás. Ele nunca vai parar de nos humilhar desse jeito, é assim desde que me entendo por gente... — Apesar de ser sério e estar o tempo todo se esforçando para não demonstrar fraqueza, João Paulo não conseguiu segurar as lágrimas, aqueles olhinhos negros e brilhantes mexia com meu coração. Meu filho era a coisa mais valiosa que eu tinha, faria tudo por ele, por nós dois. E ele tinha razão, eu não merecia ser tratada como um saco de pancadas assim como ele não merecia crescer no meio dessa situação.
Se antes eu ainda tinha dúvidas, agora acabou.
Minhas malas estavam prontas. Ia esconder essas marcas horríveis. Ir embora com meu filho e esquecer que um dia fui usada e humilhada durante todos esses anos.
Talvez eu conseguisse começar uma nova vida, ou até mesmo tentar corrigir os erros do passado...
— Você tem razão, meu amor. Cheque suas malas enquanto me arrumo, já, já eu fico pronta.
João Paulo secou as lágrimas e finalmente abriu um sorriso.
— Não se preocupe, mãe, eu sei que vai ser difícil, mas vai dar tudo certo. Eu sei que vai dar, a gente merece viver em paz. — João Paulo me envolveu num abraço apertado, cheio de carinho.
Meu filho estava radiante, fazia tempo que não o via tão alegre. Nem parecia que ele estava deixando o colégio, os amigos, toda uma vida que foi construída aqui. Mas aí lembrei que ele era adolescente, estava na idade das descoberta, dos primeiros amores e decepções, estava com o coração cheio de coragem para se arriscar por seus sonhos. Eu também já tive aquela idade, sabia muito bem o que ele estava sentindo. Mas, infelizmente, já havia passado dessa fase. Aprendi que com um tempo a coragem vai se diluindo com as perdas, fracassos e, o receio vai ocupando seu espaço. Isso é o que muitos adultos chamam de juízo, mas para mim é só medo de quebrar a cara outra vez.
Finalmente estava pronta, assim como as malas e o meu filho. O Uber já estava à nossa espera. Respirei fundo tentando trazer de volta a coragem que um dia tive. Estava certa de que teria que encarar uma nova vida e não seria fácil, mas continuar com essa não dava mais para mim.
— Então, mãe, vamos?
— Vamos.
Confiante abracei meu filho e juntos seguimos. Por algum motivo um sentimento de esperança preencheu meu coração, eu não deveria pensar nisso, mas seria impossível viver no Brasil e não colocar um ponto final naquela história. Independentemente do que acontecesse, eu estava ansiosa.