Capa do Romance O CEO E A ÓRFÃ BILIONÁRIA

O CEO E A ÓRFÃ BILIONÁRIA

9.7 / 10.0
Criada sob a dureza de um orfanato, Lua finalmente alcança a liberdade aos dezoito anos, mas logo percebe que o mundo externo reserva novos desafios. Sua vida sofre uma reviravolta ao conhecer Roberto, um influente empresário. Enquanto uma paixão intensa surge entre eles, Lua descobre ser herdeira de uma fortuna bilionária. Agora, ela deve enfrentar inimigos perigosos e decidir se confia no enigmático CEO para reivindicar seu legado e sobreviver às intrigas de poder.

O CEO E A ÓRFÃ BILIONÁRIA Capítulo 1

LUA NARRANDO

 - Fica quietinha, não vai doer - o jardineiro sussurrou, os olhos estreitos como os de um gato faminto. Meu estômago virou e eu tentei me soltar, mas ele me empurrou contra o muro do quintal dos fundos, onde o mato alto escondia a vista da janela da cozinha. Meu coração batia tão alto que parecia que ia estourar dentro do peito.

 - Solta - minha voz saiu fraca, presa na garganta. Ele riu. Um riso baixo, pesado. O cheiro de cigarro que vinha dele me fez querer vomitar. Senti os dedos ásperos subindo pelo meu braço, e o desespero começou a queimar dentro de mim.

Eu só tinha cinco anos. Não sabia exatamente o que ele queria, mas sabia que era errado.

 Foi quando a lembrança veio. Como se alguém tivesse acendido uma luz dentro da minha cabeça. Eu não estava mais ali, no quintal. Eu estava numa sala iluminada por um abajur. O carpete era macio debaixo dos meus pés pequenos.

Um homem de cabelos brancos, terno escuro e cheiro de perfume caro se ajoelhava diante de mim. O rosto dele era calmo, mas os olhos.. os olhos tinham urgência.

 - Lua, meu anjo - ele me segurava pelas mãos - você vai precisar ficar aqui por um tempo, mas o vovô vem te buscar, eu prometo. As lágrimas ardiam nos meus olhos.

 - Eu não quero ficar aqui, vovô! Eu quero ir com você - minha voz ecoou dentro de mim, pequena e desesperada. O cheiro de terra voltou. O muro áspero arranhando minhas costas. A respiração dele perto demais.

 - Para de se mexer, menina - o jardineiro apertou meu braço com força. Eu gritei. Alto. Tão alto que senti minha garganta rasgar.

 - O QUE É ISSO AÍ ? - a voz da diretora, dona Conceição, cortou o ar como um chicote. O jardineiro recuou rápido, soltando meu braço. Eu deslizei para o chão, engasgada de choro.

Ela se aproximou com passos duros, o rosto vermelho não de indignação, mas de raiva por ter flagrado algo que podia dar problema.

 - Vá já para dentro, Lua - ela ordenou, nem olhando para mim direito. Eu corri, tropeçando, as lágrimas turvando minha visão. Atrás de mim, a voz dela se abaixou num tom cúmplice para o jardineiro.

 - Você é maluco? Quer que alguém veja? Entrei no dormitório e fechei a porta, sentando no canto da cama de ferro. Meu braço doía onde ele tinha me segurado.

Passei os dedos sobre a marca avermelhada e tentei controlar o choro. Eu queria esquecer, mas a imagem daquele homem de cabelos brancos continuava queimando na minha mente. Quem era ele? Por que me deixou ali? E por que nunca veio me buscar, como prometeu? Nos anos seguintes, aprendi que o orfanato não era um lugar para perguntar.

Quem perguntava demais apanhava, ficava sem comer ou era trancado na "sala escura". Então guardei aquela lembrança como se fosse um tesouro perigoso. A irmã Clara sempre anda rápido, como se o chão fosse quente. Eu preciso dar passinhos apressados para não ficar para trás. Ela segura a caixa com os braços finos, mas fortes .. 

 - É só entregar para o padre e voltamos, Lua. Não se afaste, entendeu? Eu balanço a cabeça que sim, mas meus olhos estão presos nas ruas da cidade.

Nunca consigo olhar para tudo de uma vez. As casas são coloridas, as janelas têm flores e as pessoas sorriem umas para as outras. É tão diferente do orfanato que parece outro planeta.

 Entramos pelo pátio lateral da igreja, e ela desaparece por uma porta pesada de madeira.

 - Fique aqui perto! - repete. Eu fico... mais ou menos.

 O portão de madeira no canto está meio aberto, e um cheiro diferente vem de lá. Passo por ele devagar e vejo um caminho de terra batida que leva aos fundos da igreja.

 O cheiro fica mais forte. Não é cheiro de pão, nem de flores. É amargo, faz minha garganta arranhar. Mais alguns passos e vejo fumaça fina saindo do telhado do estábulo.

 Meu coração bate rápido. Olho para os lados , não tem ninguém. Dou um passo .. dois.. e ouço um som baixo, quase um gemido.

 - Tem alguém aí? - chamo, mas o estalo da madeira quase cobre minha voz. Chego perto e olho pelas frestas da porta. Tem um menino lá dentro. Ele está caído no chão, perto das baias. É alto , forte , mas está mole, como se o corpo fosse feito de pano. O cabelo castanho gruda na testa suada e.. tem espuma branca na boca dele.

 - Moço? - minha voz treme. Ele abre os olhos com esforço

 - Ajuda..

Corro para a porta e tento girar a tranca. Está presa. Empurro, puxo... nada. Meu coração está tão rápido que parece que vai pular pela boca. Olho para o chão e vejo uma pedra grande perto da cerca. Pego com as duas mãos e bato contra o cadeado.

 - Eu vou abrir - prometo, mesmo sem saber se consigo. Bato uma, duas, três vezes.. até ouvir o ferro ceder. A porta range e a fumaça quente vem direto no meu rosto. Entro tossindo. O ar está pesado, difícil de respirar. Meus olhos ardem.

 - Vem - seguro o braço dele e tento puxar. Ele tenta se levantar, mas as pernas falham. Ele está muito fraco.

Então passo o braço dele pelo meu ombro e começo a arrastar. O calor aumenta a cada segundo e o cheiro de queimado enche minha boca. Um estalo alto me faz olhar para cima, uma viga começa a soltar fagulhas.

 - Rápido.. - ele sussurra, quase sem voz. Eu aperto o passo como posso. A porta está perto. Puxo, puxo.. e finalmente saímos para o pátio aberto.

 O ar frio entra nos meus pulmões como um soco. Ele cai de joelhos na grama, respirando com dificuldade, os olhos meio fechados.

 - Quem fez isso com você? - pergunto sem pensar. Ele me olha. Por um instante, parece que vai responder, mas um barulho de passos rápidos corta o momento.

 - LUA - a voz da irmã Clara explode no ar. Ela corre até mim, o rosto cheio de susto.

 - Meu Deus.. - segura minha mão e me puxa para trás. Homens aparecem correndo, falando alto, e vão até o menino.

Eu tento ficar para ver, mas a irmã me arrasta de volta para a igreja.

 Antes de sumir da minha vista, ele me olha uma última vez. Um olhar que prende o meu, como se quisesse gravar minha cara para sempre.

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