Luna se encolheu no sofá, passando a noite inteira em silêncio.
Pela manhã, finalmente conseguiu se recompor.
Levantou-se e começou a colocar tudo o que possuía em malas, determinada a deixar esse lugar para trás.
Mas, assim que saiu do quarto, deu de cara com Liam.
Ele subia as escadas, carregando uma desmaiada Elena nos braços. No momento em que viu Luna, ele congelou no meio do passo, os olhos escurecendo com alarme. "Querida, o que você está fazendo?"
Luna ergueu os olhos friamente. Seu olhar passou pelas marcas de paixão no pescoço dele e pousou na frágil mulher em seus braços. Um sorriso amargo torceu em seu coração.
"Estou indo viajar. Um novo ambiente pode me fazer bem," ela disse calmamente, escolhendo não contar a verdade para ele.
Liam abriu a boca para questioná-la mais, mas Elena tossiu fracamente em seus braços.
O pânico nublou instantaneamente sua expressão — uma emoção que Luna nunca tinha visto nele antes. Ele murmurou um rápido "Tá bem," e então apressou-se com Elena sem olhar para trás.
Arrastando sua mala, Luna sussurrou para si mesma para se manter firme. Só então conseguiu impedir que as lágrimas caíssem.
Ela se hospedou em um hotel e começou a trabalhar em três coisas.
Primeiro, vendeu a propriedade que Liam lhe havia dado e transferiu os fundos para sua própria conta.
Segundo, removeu a tatuagem com o nome dele de seu corpo.
E terceiro, foi até o mar e jogou o bracelete de família valioso que Liam uma vez lhe presenteou.
Houve um tempo em que Liam Moretti — o homem tanto temido quanto reverenciado no submundo — ajoelhou-se em um joelho para colocar sapatos de salto alto em seus pés. Quando ele beijou sua testa tão ternamente, colocando aquele sagrado bracelete familiar em suas mãos como se estivesse lhe oferecendo todo o seu mundo.
Mas agora, ele nunca faria isso novamente. Porque ele não a amava mais.
As ondas devoraram o bracelete instantaneamente, enviando ondulações que logo se dissiparam.
Luna se virou sem olhar para trás. Enquanto a brisa do mar puxava seu vestido, ela abaixou a cabeça para alisá-lo, apenas para ser repentinamente agarrada por trás e jogada em uma van.
O ar dentro cheirava a algo estranho. Em poucos momentos, a cabeça de Luna começou a girar.
Pouco antes de perder a consciência, ela vagamente ouviu alguém no banco da frente murmurar, "Acelera. A senhorita Rossi disse que precisamos estar lá antes das três."
Sua cabeça bateu contra a janela do carro. Tudo ficou preto.
Quando recobrou os sentidos, estava em um armazém abandonado.
Ela e Elena estavam amarradas a cadeiras em lados opostos da sala.
Luna olhou para ela, com nojo passando por seus olhos.
Estavam perto o suficiente para que Luna pudesse ver claramente os hematomas e marcas de paixão espalhados pela pele de Elena.
Até a marca de colar ao redor de seu pescoço, gravada profundamente pelo colar personalizado que Liam lhe dera.
Elena percebeu que Luna havia acordado e lançou-lhe um sorriso presunçoso.
"Eu te vi no porão ontem à noite, Luna. Já que ouviu tudo, não vou me dar ao trabalho de fingir mais. Eu planejei todo esse sequestro. Agora, quando Liam chegar aqui, por que você não tenta adivinhar — quem você acha que ele vai salvar?"
Luna abaixou o olhar. Liam realmente escolheria salvá-la?
Os sequestradores usaram o telefone de Luna para ligar para Liam, exigindo que ele viesse sozinho com dinheiro, ou matariam sua esposa.
Sua voz soou frenética do outro lado. Dez minutos depois, ele chegou.
Com um estrondo alto, ele arrombou a porta do armazém. No momento em que seus olhos pousaram nas duas amarradas, ele congelou.
"Que diabos? Por que ela está amarrada também? Pensei que fosse só a Luna!"
O coração de Luna se apertou, como se uma faca tivesse sido cravada diretamente nele.
"Então, senhor Moretti," um dos sequestradores zombou, arrancando o dinheiro de sua mão, "isso é um problema, não é? Você só trouxe o suficiente para uma. Então... quem vai ser?"
Elena olhou para Luna como uma vencedora.
E no segundo seguinte, Liam abriu a boca—
"Luna, querida, Elena já está carregando o meu filho..." Liam disse suavemente, com uma expressão de preocupação que não alcançava seus olhos. "Vou mandar alguém com o dinheiro para te tirar daqui. Apenas aguente firme."
Com isso, ele se aproximou e desamarrou as cordas que prendiam Elena.
Então, como se estivesse furioso, deu-lhe um tapa no rosto. "O que diabos você estava pensando ao fugir assim? Gente como você merece ficar presa. Tenho que te manter na coleira todos os dias?"
Elena se jogou nos braços dele e abaixou a cabeça para lamber a parte de trás de sua mão. "Senhor, você sempre me ama mais," ela ronronou.
Então, quando ninguém estava olhando, ela olhou para Luna com um ar de superioridade e desdém.
Luna os observou partir e soltou uma risada vazia.
Liam não a escolhera, nem hoje, nem nunca.
Um dos sequestradores lambeu os lábios e deu um passo em direção a Luna, um sorriso cruel se espalhando pelo rosto.
Então era essa a mulher com quem o Don era casado? Que prêmio. Ele não esperava que o dia terminasse tão bem.
Ignorando suas lutas desesperadas, eles a imobilizaram e começaram a rasgar suas roupas.
Os olhos de Luna se encheram de lágrimas, sua voz rouca de tanto chorar.
Nesse momento, um grupo de homens de Liam invadiu o armazém. O som agudo de um tiro ecoou pela sala.
O homem em cima dela congelou, os olhos arregalados de choque. Sangue floresceu em seu peito.
Luna o empurrou, em pânico. Um segundo depois, um dos guardas a desamarrou.
"Senhora," um deles disse, "O Sr. Moretti nos deixou de plantão nas proximidades o tempo todo. Ele já investigou esses bandidos—são ninguém. Não são inimigos da família, apenas amadores. Ele sabia que eles não ousariam te matar."
Luna ficou imóvel, atordoada, olhando fixamente enquanto eles explicavam.
Mas e daí? Mesmo que ela não tivesse morrido hoje, quase havia sido violada.
E Liam sabia. Ele sabia, e ainda assim escolheu Elena.
Para ele, ela não significava nada.
Enquanto isso, Elena já havia sido colocada em um carro. Quando ela voltou à realidade, já estavam chegando à propriedade de Liam.
Luna também foi levada para casa. Vendo como os guardas pareciam aliviados por terem completado a tarefa, ela não dificultou as coisas para eles.
Afinal, Liam era conhecido por sua impiedade. Se alguém falhasse com ele, teria um fim trágico antes do amanhecer.
Respirando fundo, Luna se forçou a abrir a porta do quarto. Lá dentro, ela congelou.
Elena estava deitada na cama, meio coberta pelos lençóis. Liam estava ajoelhado ao lado dela, as mangas arregaçadas, limpando cuidadosamente seu corpo com uma toalha.
Seus movimentos eram lentos, meticulosos—gentis, da maneira que alguém manusearia porcelana fina.
O corpo de Luna ficou rígido. Ela queria se virar e ir embora, mas suas pernas não se moviam. Então ela ficou ali, silenciosamente observando o homem que amava cuidar de outra pessoa com tanta ternura.
Então Liam olhou para cima, e seus olhos se encontraram.
"O que você está fazendo aí?" Sua testa se franziu. Sua voz era baixa e fria, permeada de irritação.
Luna virou a cabeça, tentando manter a calma. "Foram seus homens que me arrastaram de volta."
Só então Liam pareceu se lembrar. Ele deu um passo à frente e a envolveu em seus braços, examinando seu braço. "Querida, você está machucada?"
A falsa preocupação em sua voz fez Luna querer vomitar.
Ela balançou a cabeça e discretamente retirou o braço do aperto dele. "Estou bem."
Seus olhos se voltaram para a cama, onde Elena ainda estava deitada.
Liam percebeu e imediatamente tentou explicar. "Querida, Elena está grávida. Assim que ela der à luz, vou mandá-la embora. Mas agora... ela está esperando. Não tenho escolha."
Luna soltou uma risada suave e amarga. Então levantou os olhos e olhou para ele.
Aquele rosto bonito era uma máscara—não mais o homem que um dia a amou tão profundamente.
"Tudo bem," ela disse friamente. "Então faremos do seu jeito."