Capítulo 2

Ponto de Vista de Kátia Soares:

O sol da manhã entrava pela janela, mas eu já estava acordada. Passei a noite fazendo as malas, organizando dez anos de uma vida compartilhada que agora parecia completamente estranha. Heitor não tinha voltado para casa. Não que eu esperasse que ele voltasse.

Justo quando eu estava fechando o zíper da última mala, a porta da frente rangeu ao se abrir. Heitor. Ele entrou, parecendo desalinhado, mas com um sorriso forçado estampado no rosto. Em sua mão, uma sacola de delivery, cujo cheiro oleoso encheu o ar.

"Bom dia, querida", ele disse, tentando soar casual, como se não tivesse passado a noite com outra mulher. "Peguei seu croissant e café favoritos." Ele colocou a sacola na impecável ilha de cozinha branca.

Meu croissant favorito? Ele não se lembrava do meu croissant favorito há anos. O meu favorito era de amêndoas. Este era simples. E o café era puro, não meu latte habitual com leite de aveia. Ele tinha esquecido tudo sobre mim. Ou talvez nunca soubesse.

"Ah, obrigada", eu disse, minha voz desprovida de emoção. "Mas eu geralmente prefiro croissant de amêndoas. E um latte. Você sabe disso."

Seu sorriso forçado vacilou. "Ah. Certo. Erro meu. Foi uma semana longa. Tanta pressão no trabalho. A Anaís tem sido particularmente... exigente." Ele esfregou a nuca. "Enfim, estou aqui agora. Podemos conversar sobre ontem à noite. Eu sinto muito mesmo, Kátia." Ele se aproximou, buscando minha mão.

Recuei instintivamente, minha pele se arrepiando com seu toque. Ele pareceu genuinamente surpreso com minha aversão.

"O que é isso?", perguntei, apontando para um pequeno bibelô colorido que aparecia no bolso de seu paletó. Era um chaveiro, uma lhama de pelúcia em miniatura. Anaís sempre carregava um, ela mencionou que era seu "amuleto da sorte".

Seus olhos correram para o chaveiro, depois de volta para mim. "Ah, isso? Só... uma coisinha que eu peguei. Para o filho de um cliente. Você sabe como é." Sua voz era um pouco rápida demais, um pouco defensiva demais.

Eu o peguei, a pelúcia macia parecendo estranha em meus dedos. "Certo", eu disse, uma risada seca escapando dos meus lábios. "O filho de um cliente. Claro. Assim como o token de ficção científica. Você é realmente um homem generoso, Heitor." Joguei a lhama no balcão na frente dele. "Talvez você devesse ficar com este também. Para o amuleto da sorte que realmente aprecia sua generosidade."

Ele recuou como se tivesse sido queimado. "Kátia, não seja absurda."

Eu não respondi. Em vez disso, peguei minha mala de lona e minhas sapatilhas de escalada gastas. Saí pela porta para o ar fresco da manhã, deixando-o parado em nossa cozinha perfeita e estéril, cercado por suas desculpas vazias e suas mentiras.

A trilha era íngreme, serpenteando pela Mata Atlântica. O ar estava fresco, cheirando a terra úmida e pinheiros. A cada passo, o peso em meus ombros se aliviava. Eu não fazia uma trilha assim há anos. Não desde antes de Heitor.

Ele costumava dizer que meu amor pela natureza, minha paixão por competições de programação, minhas amizades com pessoas como a Júlia, eram "distrações". Qualquer coisa que tirasse meu foco dele, de sua carreira, era uma distração.

Quando comecei a me destacar em ligas de programação competitiva, ele sugeria que não era "feminino" para a esposa de um CEO. Quando eu queria fazer escalada com a Júlia, ele insinuava que eu estava "negligenciando meus deveres de esposa". Meus amigos, especialmente a Júlia, tentaram me avisar. Eles viram a luz se apagando em meus olhos. Mas eu estava tão cega pela ideia de "nós", pela profecia, pela esperança de que se eu apenas me esforçasse mais, ele me amaria.

Lembro-me de uma vez, Júlia tentou me arranjar um encontro com um amigo, um colega cientista de dados. Heitor descobriu. Ele me acusou de tentar "envergonhá-lo", de "me exibir". Ele nunca me defendeu, nunca me apoiou. Ele apenas deixou o mundo encolher ao meu redor, até que meu universo fosse apenas ele, sua empresa e as quatro paredes de nossa gaiola dourada.

Mas aqui fora, em meio às árvores imponentes, eu me sentia livre. A queimação em meus músculos era uma sensação bem-vinda, um lembrete de que meu corpo ainda era forte, ainda capaz. O vento sussurrava entre as folhas, não seus comentários condescendentes. A única coisa que eu estava escalando era uma montanha, não uma escada para sua aprovação.

Finalmente alcancei o cume, meus pulmões ardendo, meu coração latejando com uma fadiga emocionante. Peguei meu celular, um luxo raro nessas trilhas, e liguei para a Júlia.

"Jú!", eu disse ofegante, ainda recuperando o fôlego. "Acabei de chegar ao cume do Pico da Tijuca! É incrível!"

"Kátia! Isso é demais!", sua voz explodiu pelo telefone, cheia de um calor genuíno. "Eu sabia que você ainda tinha jeito! Qual é a próxima? Você vai finalmente largar aquele otário?"

Eu ri, uma risada real e desinibida. "Algo assim. Estou pensando... Chapada Diamantina. Parques nacionais. Rochas vermelhas, espaços abertos. Só eu e a natureza."

"Demorou!", Júlia comemorou. "Você merece, amiga. Sabe, meu amigo Caio, ele tem uma empresa de turismo de aventura lá. Especializado em passeios guiados. Especialista em cibersegurança de dia, homem da montanha à noite. Ele é gente boa. Posso colocar vocês em contato."

Um lampejo de interesse. "Talvez", eu disse, um sorriso brincando em meus lábios. "Me manda o contato dele."

Mais tarde naquela noite, depois de um banho longo e quente, meu celular começou a zumbir. Heitor. Chamadas perdidas, mensagens. Dezenas delas.

Onde você está?

Por que não está atendendo?

Você está com alguém?

Kátia, isso não tem graça. Volte para casa.

Não me deixe preocupado. Isso não é do seu feitio.

Com quem você está? É um homem?

Você sabe que eu não gosto que você socialize com outros homens, Kátia.

Rolei por elas, um sorriso cínico no rosto. A ironia não me passou despercebida. Por anos, ele me negligenciou, me diminuiu, me fez sentir invisível. Agora que eu estava me afastando, ele de repente se importava. Não comigo, mas com o controle. Com sua propriedade.

Ignorei todas elas. Em vez disso, mandei uma mensagem para a Júlia: "Me fala mais sobre esse Caio Matos."

Júlia ligou de volta imediatamente. "Opa, alguém está interessada! Ele é firmeza, Kátia. Inteligente, gentil, ama a natureza. O oposto total de... ele." Ela fez uma pausa, depois acrescentou: "Ele também é um gato, se quer saber."

Eu ri de novo. Foi bom. Muito bom.

"Sabe de uma coisa", eu disse, "Vamos sair hoje à noite. Só você e eu. Naquele bar novo no centro. Preciso de um drink de verdade."

"Essa é a Kátia que eu conheço!", exclamou Júlia.

Nos encontramos no "Varnhagen", um bar mal iluminado com uma banda ao vivo. A música estava alta, as bebidas fluíam livremente. Eu me senti mais leve do que em anos. Júlia e eu estávamos rindo, dançando, como nos velhos tempos. Por um momento, esqueci completamente de Heitor.

Então, a mão de Júlia agarrou meu braço, seus olhos arregalados. "Meu Deus, Kátia", ela sussurrou, a voz tensa. "Olha."

Segui seu olhar. Do outro lado da sala lotada, perto do bar, estava Heitor. E ao lado dele, a cabeça jogada para trás em uma gargalhada, estava Anaís. A mão dela estava no braço dele, o corpo pressionado contra o dele. Ele olhava para ela, não com o sorriso tenso que geralmente reservava para mim, mas com diversão genuína, um afeto suave. Seus dedos afastaram o cabelo dela do rosto.

Ele a puxou para mais perto, inclinando a cabeça para sussurrar algo em seu ouvido. Ela riu, então ergueu o rosto para o dele. O beijo foi breve, um toque leve de lábios, mas foi íntimo. Íntimo demais.

Minha respiração falhou. O ar saiu dos meus pulmões em um silvo silencioso. Por um momento, a música, as risadas, o barulho do bar, tudo se transformou em um rugido abafado. Confirmou cada uma de suas mentiras. Cada um dos meus medos.

Capítulo 3

Ponto de Vista de Kátia Soares:

O frio do ar da noite era um contraste gritante com a fúria ardente em meu peito. Júlia tentou me afastar, mas eu apenas fiquei ali, observando Heitor e Anaís. O beijo tinha sido um gesto casual, possessivo, uma demonstração pública de propriedade. Eles não estavam mais se escondendo.

Eu não fui até lá. Não fiz uma cena. Simplesmente observei até que Anaís, sentindo olhos sobre eles, olhou para cima. Seus olhos encontraram os meus do outro lado do bar lotado. Por uma fração de segundo, um lampejo de triunfo, rapidamente mascarado por uma inocência fingida, cruzou seu rosto. Sustentei seu olhar, um desafio silencioso, depois me virei e saí. Júlia me seguiu, a mão em minhas costas.

Cheguei em casa tarde, o cheiro persistente de cerveja velha e traição grudado em minhas roupas. As luzes estavam acesas. Heitor estava esperando.

Ele estava na sala de estar, o rosto uma nuvem de tempestade. "Onde você esteve, Kátia?", ele exigiu, a voz tensa com uma fúria mal contida. "Você tem alguma ideia de que horas são?"

Deixei minha bolsa perto da porta. "Engraçado", eu disse, minha voz surpreendentemente firme. "Eu ia te perguntar a mesma coisa."

Seus olhos se estreitaram. "Não brinque comigo. Eu te liguei a noite toda. Você simplesmente ignora minhas chamadas? Que tipo de esposa faz isso?"

"O tipo de esposa que você criou", retruquei, entrando mais na sala. "Aquela que percebe que tem o direito de respirar, mesmo que isso signifique respirar sem engasgar com suas mentiras."

Ele caminhou em minha direção, seu rosto suavizando ligeiramente, uma mudança praticada. "Kátia, eu estava preocupado. Você sumiu, não atendeu minhas chamadas. Pensei que algo ruim tivesse acontecido com você."

"Preocupado?", zombei. "Ou preocupado com sua imagem perfeita? Sua vida perfeita?"

Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo. "Olha, eu sei que você está chateada com... nosso aniversário. E é seu aniversário. Eu estava planejando uma grande surpresa para você. Uma festa. Na próxima semana." Ele gesticulou vagamente, como se o evento desorganizado já estivesse se desenrolando. "Eu até fiz um pedido por você esta noite, Kátia."

Um pedido? A audácia. "Um pedido", repeti, um gosto amargo na boca. "Para quê, Heitor? Para eu desaparecer para que você possa exibir seu novo 'amuleto da sorte' sem nenhum escândalo?"

Ele vacilou. "Kátia, não diga isso!" Ele tentou me puxar para um abraço, mas eu enrijeci. "Eu te amo. Você é minha esposa. Eu só... me envolvi. A Anaís precisava de mim. Ela está tão vulnerável agora."

"Vulnerável?", empurrei-o para longe. "Assim como eu fui vulnerável por dez anos, Heitor? Enquanto você minava minha autoestima, pedaço por pedaço?"

Ele recuou, seu rosto endurecendo. "Tudo bem. Se você quer ser difícil, seja difícil. Estou tentando consertar as coisas aqui. Comprei aquele livro de arte de ficção científica de edição limitada que você queria. Está no escritório." Ele apontou para a porta fechada.

Meus olhos arderam, mas me recusei a chorar. "Não, obrigada", eu disse, minha voz neutra. "Parece que perdi o apetite por seus presentes, Heitor. E por suas desculpas."

Seu rosto ficou rígido. Sua mandíbula se contraiu. "Você está sendo irracional, Kátia. Estou tentando consertar as coisas."

"Está mesmo?", levantei uma sobrancelha. "Ou está tentando comprar meu silêncio? Manter as aparências?"

Ele me olhou com um brilho perigoso nos olhos. "Sabe de uma coisa? Tudo bem. Seja ingrata. Seja mesquinha. Mas não se atreva a pensar que pode simplesmente sair por aí, me ignorando, fazendo o que quiser."

"E o que exatamente você acha que estou fazendo, Heitor?", desafiei, cruzando os braços sobre o peito. "É um conceito tão estranho para mim existir fora da sua órbita?"

"Você está fazendo um espetáculo de si mesma! Você vai arruinar tudo!", ele rugiu, batendo com o punho na parede ao lado dele.

"Arruinar tudo?", ri, um som áspero e sem humor. "Você fez isso, Heitor. Dez anos atrás, quando se casou com uma 'profecia' em vez de uma mulher. E de novo, esta noite, quando beijou outra mulher em público."

Seu rosto registrou choque, depois uma astúcia calculista. "Não foi assim", ele gaguejou, ainda menos convincente do que antes. "Foi... um erro. Um momento de fraqueza. Eu te prometo, Kátia, não significa nada."

"Um erro?", zombei. "Engraçado como seus 'erros' sempre envolvem a Anaís. E sua 'fraqueza' sempre parece ser incrivelmente conveniente para sua estratégia de negócios." Respirei fundo. "Sabe de uma coisa, Heitor? Você a quer? Fique com ela. Cansei de jogar este jogo doentio."

Seus eyes se arregalaram, sua fachada cuidadosamente construída desmoronando. "Kátia! Você está falando sério?" Ele se lançou em minha direção, mas eu recuei para o corredor.

"Vou para a cama", eu disse, minha voz fria. "E vou trancar a porta. Nem pense nisso."

Entrei em nosso quarto, o santuário do meu longo sofrimento silencioso, e girei a fechadura. O clique ecoou no silêncio repentino. Ele ficou do lado de fora por um momento, então ouvi uma maldição abafada e o baque nauseante de algo sendo jogado contra a parede. Então, a porta da frente bateu, sacudindo a casa inteira. Ele tinha ido embora.

Meu celular vibrou. Uma mensagem da Júlia: Número do Caio Matos: [número de telefone]. Diga a ele que a Júlia mandou. Ele está lotado nas próximas semanas, mas para você, ele abrirá uma exceção. ;) Vai lá, tigresa!

Um pequeno sorriso tocou meus lábios. O primeiro genuíno em muito tempo.

Na manhã seguinte, dirigi até o abrigo de animais local. Era algo que eu costumava amar fazer, doar meu tempo, antes que Heitor considerasse "improdutivo". A gerente do abrigo me cumprimentou calorosamente, lembrando-se de mim de anos atrás.

"Kátia! Que bom te ver! Sentimos sua falta."

Eu sorri, sentindo um calor familiar se espalhar por mim. "É bom estar de volta."

Enquanto caminhava em direção aos canis, ouvi vozes familiares da área de recreação principal. A risada estrondosa de Heitor. A risadinha tilintante de Anaís. Meu coração afundou, não com dor, mas com uma sensação exaustiva de inevitabilidade. Claro que eles estavam aqui. Era uma excelente oportunidade de relações públicas para Heitor, um impulso de imagem.

Eles estavam cercados por um grupo de crianças encantadas, todas maravilhadas com um filhote de golden retriever fofo. Heitor segurava o filhote, parecendo o CEO benevolente. Anaís estava ao lado dele, radiante, o braço entrelaçado no dele.

"Tio Heitor, você gosta da tia Anaís?", uma garotinha perguntou, puxando a camisa de Heitor.

Anaís corou, lançando um olhar recatado para Heitor. "Ah, Sara", ela riu, "o tio Heitor é apenas muito gentil."

"Mas você gosta dele?", insistiu outra criança, sua curiosidade inocente cortando o charme fabricado.

O rubor de Anaís se aprofundou. Seus olhos encontraram os de Heitor, um convite silencioso passando entre eles. "Bem", ela começou, a voz suave, "quem не gostaria de alguém tão maravilhoso quanto o tio Heitor?"

As crianças, sentindo o não dito, começaram a cantar: "Beija! Beija! Beija!"

Heitor olhou ao redor, um olhar em pânico percorrendo a sala. Seus olhos encontraram brevemente os meus, parada na beira da sala, invisível. Ele congelou.

Mas Anaís, sempre oportunista, tomou sua hesitação como um sinal. Ela se inclinou, pressionando um beijo suave em sua bochecha. As crianças explodiram em aplausos. O rosto de Heitor, no entanto, ficou completamente pálido, seus olhos fixos em mim.

Uma calma estranha me invadiu. Não havia luto, nem raiva. Apenas um vazio profundo onde a dor costumava estar. Era como assistir a uma peça, um melodrama previsível e mal escrito.

"Kátia!", Sara, a garotinha, gritou de repente, apontando para mim. "É a tia Kátia!"

Heitor quase deixou o filhote cair. Ele rapidamente empurrou Anaís para longe, dando um passo à frente, a boca se abrindo para falar.

"Alguém quer me ajudar com os gatinhos?", perguntei, minha voz clara e cortando o silêncio repentino. "Eles precisam ser alimentados e são muito fofos."

Algumas crianças, entediadas com o drama adulto, imediatamente correram em minha direção. Sorri para elas, um sorriso genuíno, e as levei embora. Não lancei a Heitor outro olhar.

Enquanto caminhávamos, um dos meninos, um garoto perceptivo, puxou minha camisa. "Tia Kátia", ele perguntou, a testa franzida, "seus olhos... eles parecem diferentes. Você está triste?"

Olhei para ele, depois de volta para Heitor, que agora tentava desesperadamente dar desculpas a Anaís, o rosto uma máscara de pânico.

"Não, querido", eu disse, minha voz suave, mas firme. "Eu не estou triste. Eu estou livre."

Nesse momento, Heitor apareceu ao nosso lado, o rosto contorcido em uma mistura de raiva e desespero. "Kátia, precisamos conversar. Agora." Sua voz era um rosnado baixo, mal audível para as crianças.

Encarei seu olhar, meus olhos desprovidos de calor. "Conversar sobre o quê, Heitor?", perguntei, um leve sorriso zombeteiro brincando em meus lábios. "Sobre como você e a Anaís ficam lindos juntos? Parabéns. Vocês formam um belo casal. Desejo a vocês dois tudo de bom."

Seu rosto passou de pálido para um tom perigoso de carmesim. Ele abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. Seus olhos, no entanto, ardiam com um olhar furioso e encurralado de animal.

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