Capa do Romance O Anjo da Máfia

O Anjo da Máfia

7.8 / 10.0
Angelina descarrega sua fúria contra Danzel, mas seus golpes não abalam a frieza do mafioso. Com um sorriso sombrio, ele deixa claro que a fuga é impossível e que ela está presa ao seu pior pesadelo, prometendo converter o ódio dela em amor. Enquanto as lágrimas de desespero da jovem escorrem, ela não percebe que sua resistência apenas alimenta um desejo obscuro e perigoso. Entre o medo e a submissão, Angelina enfrenta um destino implacável sob o domínio dele.

O Anjo da Máfia Capítulo 1

Angelina

"Angelina, levanta!" Uma voz estridente ecoou nos meus ouvidos. Soltei um gemido. Não queria abrir os olhos, decidi ignorar.

"Mas que diabos!" Gritei, chocada e incrédula, ao encarar minha melhor amiga. Ela segurava um balde vazio e exibia um sorriso maroto.

"Você ficou doida, Lexi?" Gritei, apontando para minha blusa encharcada e a cama toda molhada.

Ela apenas revirou os olhos. "Vamos, Angel, você é a pessoa mais preguiçosa que eu conheço. Não sei como te aguento."

Fiquei indignada.

Lexi era simplesmente perfeita. Tinha lindos olhos verdes e cabelos cacheados curtos que balançavam no pescoço, além de um corpo incrível. Seus pais, o Sr. e a Sra. Swartz, eram donos de uma pequena editora e muito bem conceituados. Ela morava com os pais e o irmão mais velho, Josh. Lexi era vidrada em ginástica, malhava todo dia para aprimorar cada centímetro do corpo. Para mim, ela era o exemplo perfeito.

E eu?

Bem.

Meu cabelo era longo, preto e chegava até a cintura, meus olhos eram castanho-escuros quase pretos, e eu não tinha aquele corpo que as garotas invejam e os garotos babam.

"Minha chata." disse, olhando para ela. "É domingo. Ao contrário de certa pessoa, eu gosto de dormir até mais tarde." Dormir é meu hobby e, no domingo, quase uma obrigação sagrada. No fundo, quem é que não gosta de uma boa soneca?

"Não! Você não vai desperdiçar o dia dormindo hoje, Angel." O sorriso dela se alargou. "Porque a gente vai fazer compras!"

Pulei da cama num instante. O sono desapareceu na hora.

Toda garota adora um shopping, né? É divertido, é terapia. Lexi e eu compartilhamos essa paixão. Era uma das poucas coisas que a gente tinha em comum, porque no resto. éramos bem diferentes.

••••

"Angel, olha aquele cara lá. Que gato!" Lexi sussurrou. Já havíamos gastado duas horas provando roupas e sapatos. Ela insistiu para pagar a conta, mas eu recusei na mesma hora.

Olhei de relance para o balcão ao lado e revirei os olhos. "O que foi?" ela perguntou, horrorizada. "Você ficou maluca? Como é que revira os olhos para um gato daquele?" Ela apontou discretamente para o rapaz.

"Lexi, não fico babando por caras que nem notariam minha existência. Esse tipo só quer te usar e sumir quando enjoa. Meu namorado vai ser muito melhor que qualquer 'gato' desses", expliquei.

"Angelina, você já passou dos 18 e ainda fica esperando o príncipe encantado aparecer do nada. Se quer um namorado, tem que abrir os olhos e sair da toca."

Bla, bla, bla.

Ignorei o resto do discurso e continuei fingindo interesse, até que meu olhar caiu sobre o carro estacionado do outro lado da rua.

Fechei os olhos e respirei fundo, esperando que sumisse. Mas quando abri, ele continuava lá. Desviei o olhar e ergui os olhos para Lexi, que falava algo sobre golfinhos. Mesmo tentando ignorar, uma sensação de medo e pânico crescia dentro de mim. Voltei a olhar para o carro. Fazia duas semanas que eu o via por toda parte: no shopping, perto da casa da Lexi, em vários cantos. Às vezes estacionado, outras vezes apenas parado.

"Lexi, é o mesmo carro de que te falei", sussurrei, apontando. Seus olhos seguiram minha direção, observaram o carro com desconfiança, e então ela franziu a testa.

"Angel, deve ser coisa da sua cabeça, querida", disse, convencida. "Quem você acha que te seguiria? Você não tem inimigos."

Pensei no que ela disse. Era verdade: não tinha ex-namorados loucos, nem rivais obcecadas. Não era popular na escola e nem lembrava de ter brigas feias. Havia tantas garotas bonitas na cidade. Duvidava que fosse algum stalker maluco.

"Lexi, vamos comer alguma coisa. Tô faminta", disse, tentando tirar o assunto da cabeça.

"Sim, bora! Meu estômago está roncando", ela exagerou, pegando minha mão.

Fomos ao café em frente ao shopping. Lexi contou como os pais dela brigaram feio com o irmão mais velho, Josh, depois de pegá-lo pelado com uma garota na sala. Tentei rir das partes engraçadas e fazer perguntas, mas minha mente não parava de voltar para o tal carro. Será que eu estava ficando paranoica? Ou alguém realmente estava me seguindo?

Depois de encher a pança, decidimos ir para casa. Minha mãe já devia estar de volta do trabalho. Ela trabalhava numa pequena clínica, e minha irmã mais nova e eu ajudávamos nos finais de semana. Ser mãe solo é pesado. Minha irmã nem se lembra, mas minha mãe ralou muito para pagar nossos estudos. A gente dava um jeito de ajudar quando dava. Meu pai. bem, melhor não falar nele.

"Tchau, Lexi", disse ao sair do carro. "Não esquece de me buscar amanhã no caminho para a escola, meu carro tá na oficina."

"Claro, querida", ela disse, me abraçando. Esperei até seu carro desaparecer na curva.

O carro da minha mãe estava na garagem. Sorri, satisfeita, sabendo que ia poder passar um tempo com ela.

Ao me virar para entrar, vi de novo o mesmo carro preto, estacionado mais adiante, do outro lado da rua. Um arrepio me percorreu. Precisava saber se era paranoia ou realidade. Sem pensar muito, comecei a andar em direção a ele. Mas, assim que dei os primeiros passos, o carro deu uma rápida marcha a ré e saiu em alta velocidade.

Estranho.

Encolhi os ombros e entrei em casa.

O delicioso cheiro de pizza tomou conta do ar. A pessoa que transformava essa casa em um lar, minha mãe, estava na cozinha.

"Oi, mãe." Dei-lhe um abraço apertado.

Ela sorriu. "Oi, minha filha. E aí, as compras foram boas? Se divertiu?"

"Foram, sim, mãe. Quem não gosta de shopping? Seria a última coisa a odiar no mundo", respondi animada.

Depois da pizza, contei sobre meu dia. Claro, sem mencionar o carro – se não, minha mãe me proibiria de ver TV, e isso eu não queria. Perguntei sobre o dia dela e franzi a testo quando ela sugeriu arrumar um segundo emprego.

"Não vou deixar você se matar de trabalhar", disse, firme.

"Mas eu preciso, querida! Quem vai ajudar com as despesas da Alex?" Minha irmã, Alex, era quatro anos mais nova. Ela era a pessoa mais alegre que se pode imaginar. A gente brigava, ria, se divertia e se amava. Ela estava numa viagem de estudos, então ficaríamos só eu e minha mãe por duas semanas.

"Como ela está?" perguntei.

"Adorando a viagem. Para ela, é mais um piquenique gigante", minha mãe sorriu.

Eu ri junto.

Passamos um tempinho vendo TV. Logo, senti as pálpebras pesarem. "Mãe, vou dormir. Hoje foi cansativo."

Quando ela não respondeu, olhei: já tinha adormecido no sofá.

Sorri baixinho.

Ela trabalhava além do que aguentava. Dois empregos para pagar as contas deixariam qualquer um da idade dela exausto e triste. Conhecia minha mãe; mesmo escondendo as emoções, eu sabia que a tristeza estava lá. Já ouvi choros abafados vindo do quarto dela. Por mais que quisesse entrar e confortá-la, sabia que não devia. Ela precisava de espaço e tempo, assim como eu precisei. Alex e eu já sugerimos que ela voltasse a namorar, mas a resposta era sempre não. Duas vezes ela aceitou, relutante, mas nunca passava de uma semana. Alex achava que a culpa era nossa – que nossa mãe ainda amava nosso pai. Mas eu conhecia o verdadeiro motivo, a dor por trás daqueles olhos cansados. Era um peso que eu carregava sozinha, protegendo minha irmãzinha da verdade.

Para não perturbá-la, desliguei a TV e cobri-a com um cobertor. Lavei a louça com cuidado para não fazer barulho. Com tudo arrumado, segui para o meu quarto.

Tomei um banho rápido e me joguei na cama. Já era meia-noite e meia, mas o sono não vinha. Não conseguia parar de pensar naquele carro misterioso.

Por que eu o via em todo lugar? Era impressão minha, ou alguém realmente estava me seguindo? Iriam me sequestrar? Ou coisa pior. Me matar? O mais assustador era que, no fundo, eu não sentia aquele medo gelado, aquele frio na espinha que deveria vir.

Meu Deus.

Preciso mesmo parar de maratonar série policial.

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