Jonathan fora no dia da alta de Larissa.
- Que ótimo vê-la saindo desse hospital. - Ele disse de forma gentil para ela. Ele estava vestido com a roupa de detetive, tinha sua arma na cintura e botinas nos pés.
- Obrigada por vir aqui todos esses dias. Me alegrou muito. - Larissa estava completamente encantada por aquele homem. Ela pensava se algum dia teria uma chance, mas a probabilidade era quase nula, visto que ele era parceiro de sua irmã, e que Rebeca e sua mãe não permitiriam.
- Mas não pense que eu esqueci do nosso sorvete, ta ok ? - Jonathan falou a tirando de seu devaneio.
- Tá ok! - Larissa sorriu animada. Somente o tempo diria o que era possível ou não. Foi embora feliz e esperançosa, de ter uma chance com o policial gato.
Larissa chegou em casa e tinha uma surpresa para ela, vários colegas da escola estavam lá, com balões e flores. Sempre fora uma ótima aluna, mas Larissa também era bem popular, todos gostavam dela, e admiravam o fato de ela ter uma irmã policial.
Caio, um garoto com quem ficou uma vez estava lá também. Ela sempre fora apaixonada por ele, só tinha ficado com ele até hoje, mas agora vendo-o ali ela não sentia seu coração bater acelerado nem as pernas tremendo, ela sentia somente carinho por aquele garoto que fora seu amigo e paixonite por tanto tempo.
Todos a abraçaram, Caio veio e lhe entregou um buquê de rosas brancas e um cartão.
- Leia depois. - Ele lhe dissera no ouvido. Larissa assentiu e agradeceu o presente.
Aos poucos todos foram embora, e Larissa já se sentia exausta. - Mãe eu preciso me deitar um pouco.
- Claro meu amor, venha... - Sua mãe a ajudou até o quarto, em que Larissa se deitou e apagou.
***
Larissa acordou por volta das 10 da manhã com sua mãe levando café na cama.
- Ih assim vou ficar mimada... - Riu para sua mãe que estava sentada ao lado dela.
- E Você já não é? - Sua mãe riu apertando a bochecha da filha. - Semana que vem você já volta para a escola, já estão no terceiro trimestre de aula, não pode perder seu último ano. Então aproveita a mordomia.
- Ai ai ai... acho que tô passando mal... - Larissa colocou a mão na cabeça, mas rindo, fingindo dor para não voltar para a escola logo.
Ambas riram, Ramona sabia que a filha era estudiosa e amava estudar. A escola era como uma segunda casa para ela.
***
Larissa dormia e sonhava com Jonathan, acordada, ficava fuçando as redes sociais para ver Jonathan. O celular não saía de seu lado esperando uma mensagem ou ligação de Jonathan. Ele prometera levá-la para tomar um sorvete, e agora já fazia quase uma semana e o homem não aparecia.
Larissa sabia da diferença de idade deles. Ele tinha 29 e ela 17 anos, mesmo se ele quisesse ainda seria uma barra convencer a mãe. Talvez fosse melhor assim mesmo. Ele sumir, a fazer esquecer dele.
O final de semana chegara rápido, Rebeca mal dormia em casa, sempre indo para um lugar ou outro com Fernando. Larissa não aguentava a ansiedade de rever Jonathan, por mais que ela tentasse, se via presa em lembranças de suas tardes com ele no hospital. Quase desejava ir para o hospital de novo.
Mas ela esperaria mais uma semana, e então iria procurá-lo, só para vê-lo, só para lembrar daqueles olhos, daqueles cabelos, aquele perfume... Larissa fechou os olhos deitada no sofá, com os fones de ouvido ao som de Cilada de Jorge e Mateus.
"Há muito tempo eu estava em paz tava tranquilo
Estava indo muito bem até sua aparição
E foi cilada, sem sentido entrei na contra-mão
Alguém era dono do seu coração
E quando dei por mim a vida estava vazia
E eu pensava todo dia em te convencer
Que esse cara do seu lado não faz o seu tipo
E eu combino muito mais com você
Venha comigo curta a sensação
É só deixar rolar
Eu sou a pista e você avião
Te espero pra pousar
Eu vou mostrar pra você
Que esse amor não cabe mais só no meu peito
Que dividir contigo parece perfeito
Que eu só penso em você e ninguém mais
Eu vou mostrar pra você
Que é pra ficar pra sempre na nossa memória
Que nós dois juntos somos a moral da história
E que o final feliz é a gente que faz"
***
Jonathan se controlava, não podia se deixar levar por uma atração por uma menina, porque era isso que ela era, uma menina. Ele sabia que ela tinha 17 anos, ele era mais de 10 anos mais velho que ela, ele era um homem, que vivera muitos casos amorosos, não podia envolvê-la em algo que ela sairia perdendo e ele ganhando.
A primeira semana tinha sido péssima, ele não conseguia dormir, lembrava da voz meiga de Larissa, do cheiro bom dos cabelos loiros dela, do narizinho empinadinho e da risada gostosa. Depois começou a se lembrar que ela era bonita, com seios fartos e corpo curvilíneo. Saiu para festas, levou outras mulheres para cama, mas nada afastava aquele anjo loiro de olhos verdes de sua cabeça.
Ele sabia que não demoraria muito ele entraria em contato com ela, em uma semana ele já estava a beira da loucura. Sempre perguntava a Rebeca, como quem não quer nada, como estava a Larissa, ela sempre contava alguma coisa da irmã, assim o deixando a par da situação.
Começou a procurá-la nas redes sociais e para seu desespero achou. E lá ele se perdeu mais ainda. Pois tinha fotos e stories dela, fazendo caretas, e algumas fotos com ele junto, das vezes que tiraram no hospital.
Jonathan sabia que não devia, mas precisava pelo menos conversar com Larissa. Prometera levá-la para tomar um sorvete, talvez essa fosse a deixa para encontrá-la de novo. Mas tentaria aguentar mais uns dias.
Jonathan estava trabalhando em alguns casos de tráfico de mulheres, isso estava tomando todo seu tempo. Algumas noites nem para casa ele ia, atolado de trabalho. Rebeca, sua parceira tinha saído de Férias, então todos os interrogatórios e relatórios tinham que ser feitos por ele. Os outros colegas de trabalho estavam tão atolados quanto ele. E agora ele teria de se infiltrar em uma casa noturna, para encontrar alguma moça que tivesse coragem de depor contra os traficantes, o que não seria nada fácil.
- Sargento. - Chamou Jonathan. O sargento ergueu os olhos da papelada a sua frente . - Estou indo para a Boate Last. - Passou as mãos nos cabelos. - Me deseje sorte. - Deu um sorriso de lado para o chefe.
- Você não precisa de sorte detetive. Você já tem o que precisa. - O sargento sorriu para ele. - Sua competência.
Jonathan sorriu de volta. Seu chefe era o melhor de toda companhia, tinha feito de sua equipe uma verdadeira família. - Ok, obrigado chefe. - Saiu um pouco mais confiante do que antes.
***
Jonathan entrou na Boate Last, o núcleo de tráfico de mulheres. Era para ali que levavam as recém chegadas, que pegavam em outros países com promessa de trabalho e obrigavam a se prostituir. Eles já tinham muitas evidências, mas não tinham uma única vítima que aceitasse ser testemunha, ou que aceitasse a depor. Todas tinham medo, e as que não tinham medo, desapareciam ou apareciam mortas. Para conseguirem alguém, teria que ser alguém muito desesperado, então talvez uma moça recém chegada, com medo e desesperada, aceitasse fugir e testemunhar.
Jonathan caminhava com seu ar imponente pela boate, sorrindo e olhando as moças de cima a baixo, como se procurasse alguém que o agradasse. Ele não esperava encontrar alguém de cara, talvez precisasse até mesmo dormir com alguém algumas vezes para conseguir a confiança da pessoa.
Seus olhos pararam em uma morena de olhos azuis, que segurava um bandeja com bebidas. Ela era quase da altura dele, cabelos longos e pretos, pele morena clara, corpo escultural. Ela usava um mini short jeans com os botões abertos, mostrando sua calcinha de oncinha, um cropped decotado também de oncinha, pulseiras, anéis e brincos dourados, nitidamente bijuterias.
Ele não sabia exatamente o que tinha sido, mas ele foi atraído por ela.
- Oi. - Disse baixo, próximo ao ouvido dela. Pode perceber que ela se arrepiara com o hálito dele tão próximo. Ele gostou da sensação. - Posso te pagar uma bebida? - Ele disse com um meio sorriso nos lábios.
A moça ficara parada por uns segundo, então se virou para ele. Ela estava séria, mas seus olhos brilhavam de desejo. - Desculpe mas eu levo as bebidas até os clientes. Não bebo com eles.
Jonathan sentiu um frio na espinha, a voz dela era firme, forte, com certeza ela não tinha medo de estar ali. Ele engoliu seco. - Que pena... - Disse sorrindo e desviando os olhos dela, para buscar outra mulher.
- Mas...
Jonathan olhou novamente para ela, que agora sorria.
- Meu turno termina em meia hora, se quiser me esperar. - Ela mordeu o lábio. - Podemos sair para beber algo em outro lugar.
Jonathan não queria sair dali, mas pareceria suspeito se não aceitasse, além do mais, algo nela chamara sua atenção, e não era apenas sua beleza. - Ok. - Apontou para uma mesa de canto. - Esperarei ali. - E saiu andando até a mesa.
Teria mais um tempo para observar o lugar e voltaria outra hora.
***
Larissa voltara a escola, todos a sua volta, querendo saber como estava, como tinha sido a situação, e porque ela enfrentara um psicopata. Larissa ria e respondia que não sabia que ele era um psicopata, mas ela também precisava tentar, não podia desistir sem tentar pelo menos.
Caio veio falar com ela. - Oi Lari... Senti sua falta. - Ele falava fitando-a intensamente.
Larissa deu uma risadinha. Ele tinha sido seu primeiro beijo, há alguns meses atrás, mas ele não tinha mais demonstrado interesse, então ela achou que ele não gostara e não queria mais ficar com ela. E ela não era garota de se humilhar, por isso não tentou mais nada com ele. Inclusive já nem estava mais tão apaixonada assim por ele, ela tinha uma outra pessoa na cabeça.
- O que você acha de eu ir com você para casa? - Caio se oferecera, trazendo uma satisfação ao peito de Larissa.
- Obrigada Caio, mas minha mãe vem me buscar essa semana ainda. Ela está preocupada... coisa de mãe. - Riu para ele. Podia não estar mais apaixonada por ele, mas isso não impedia que fossem amigos, e ele não estava falando nada de mais.
A semana passou rápido, Larissa tinha duas semanas de matérias acumuladas para por em dia, as manhãs passava na escola, e às tardes fazendo atividades extras de recuperação dos dias que faltou. E as noites estava tão cansada que mal tinha tempo de pensar em Jonathan ou Caio, ou qualquer coisa.
Chegara a sexta, e com ela clemência de seus professores, que resolveram lhe dar uma folga. Chegara em casa, almoçara com sua mãe e resolvera descansar um pouco na rede da frente de casa com um bom livro nas mãos. Fazia tempo que ela queria ler A Seleção, então aproveitou para começar.
***
Passava da 1 hora da manhã, quando a bela morena se aproximou da mesa de Jonathan.
- Olá... você não me disse seu nome... - Ergueu as sobrancelhas de interrogação para ele.
Jonathan sabia que não deveria dizer seu nome verdadeiro, mas não foi isso que ele fez. - Olá.. - Sorriu olhando no relógio. - Demorou mais de meia hora. E me chamo Jonathan.
A bela morena sorriu. - Safira. - Estendeu a mão para ele, que jogou a cabeça para trás em uma gargalhada.
- Não me surpreendo que não tenha me dito seu nome verdadeiro, mas Safira? Sério?
Ela olhou para ele e segurou o riso. - É meu nome! - Sorriu e estendeu a mão a ele, que pegou-a. Juntos foram para a porta de saída.