Meia hora depois, na vila suburbana.
Sebastian pousou um prato fumegante de espaguete sobre a mesa com um movimento brusco, a frustração evidente em cada gesto. "Aquele maldito Landen! Se não fosse por você tê-lo tratado todos esses anos, ele já estaria morto há tempos! E, em vez de demonstrar um mínimo de gratidão, ele teve a audácia de te trair. Ele é apenas um..."
A voz de Kaelyn cortou a indignação dele com firmeza: "Chega! Não quero mais falar sobre ele."
Massageando as têmporas, ela fechou os olhos por um instante, deixando escapar um suspiro carregado de exaustão.
Sebastian segurou a própria língua, sua raiva sendo rapidamente substituída por preocupação ao notar o cansaço estampado no rosto dela. "Tudo bem, tudo bem. Vamos mudar de assunto."
Depois de um breve silêncio, ele lançou a pergunta que vinha guardando: "Aliás, nesses três anos em que você ficou afastada da área médica, as pessoas praticamente enlouqueceram tentando te encontrar. Agora que finalmente se separou do Landen... está pensando em voltar ao setor?"
Depois de sustentar o olhar dele por um instante, pensativa, Kaelyn respondeu: "Espalhe a notícia da minha volta. Está na hora de a renomada médica, Egret, retornar."
Um sorriso lento e cheio de empolgação se desenhou no rosto de Sebastian. "Finalmente! Essa é a melhor notícia que ouvi em anos!"
Ele não pôde evitar um sorriso diante da ironia. O Grupo Barnett estava desesperado por qualquer pista sobre Egret, disposto a pagar fortunas pelas suas habilidades.
No entanto, Landen, casado com ela há três anos, continuava cego, incapaz de enxergar a verdade que dormia ao seu lado todas as noites.
...
Na manhã seguinte, Kaelyn dormia profundamente quando o toque estridente do celular rompeu o silêncio do quarto. Tateando às cegas, ela encontrou o aparelho e atendeu com um suspiro enquanto tentava sair da sua névoa sonolenta.
Do outro lado da linha, a voz fria e cortante de Kathy Barnett, sua sogra, atingiu seus ouvidos como um golpe seco: "Onde diabos você se meteu dessa vez, sua ingrata? Volte agora mesmo e faça seu trabalho doméstico!"
Antes, Kaelyn teria se encolhido diante dessa fúria, murmurando desculpas e baixando a cabeça, como sempre fazia. Mas agora as coisas haviam mudado.
Com a voz firme e despida de emoção, ela respondeu: "Landen e eu decidimos nos divorciar. Não tenho mais qualquer obrigação com sua família."
"O quê? Divorciar?"
O silêncio do outro lado durou apenas um instante, seguido por uma risada seca e incrédula.
"Aposto que essa decisão partiu de você. Kaelyn, não esqueça seu lugar! Você não tem o direito de fazer birra comigo! Volte para casa em meia hora, ou vou jogar todas as suas coisas fora!"
Dito isso, Kathy desligou sem hesitar, encerrando a ligação abruptamente.
Kaelyn permaneceu imóvel por um instante, os lábios comprimidos numa linha fina. Então, sem pressa, ela se levantou da cama e começou a se vestir.
Havia pertences importantes que ainda estavam no seu antigo quarto na Mansão Barnett, e aquele parecia o dia ideal para recuperá-los — era hora de cortar, de uma vez por todas, os laços que a prendiam àquela família.
O táxi a deixou diante da imponente residência, e assim que ela cruzou a porta de entrada, uma voz estridente ecoou da sala de estar.
"Ora, ora, veja só quem teve a ousadia de aparecer! Passou a noite fora? Deve ter aprontado alguma coisa bem suja."
Kaelyn ergueu o olhar para o sofá, onde Kathy e sua filha, Verena Barnett, estavam sentadas lado a lado, elegantemente vestidas, mas exalando a arrogância mesquinha de pessoas comuns.
A expressão de Kaelyn endureceu quando ela encontrou os olhares desdenhosos. "Ah, você tem razão. Algo realmente sujo aconteceu. Landen foi pego me traindo com Claire, no nosso aniversário de casamento e bem diante dos meus olhos. Se isso vier à tona, a reputação dos Barnetts será destruída."
"O quê? Claire voltou?"
Kathy arregalou os olhos, mas logo sua expressão se fechou num sorriso carregado de desprezo.
"Bem, o que mais você esperaria? Você sempre é inútil. Três anos fazendo parte desta família e nem sinal de um filho. Achou que Landen ficaria parado, vendo a linhagem da família morrer?"
Verena lhe lançou um olhar carregado de veneno antes de falar, cada palavra impregnada de desprezo: "Exatamente! Se não fosse pelo acidente de Landen e pelo último desejo da vovó, você realmente acha que uma órfã como você teria alguma chance de se casar com um Barnett? Comparada a Claire, sua origem e seus talentos são patéticos! Uma mulher estéril como você não merece sequer a atenção de Landen."
Kaelyn quase soltou uma risada diante da audácia de Verena e Kathy. A falta de vergonha delas era tão revoltante quanto divertida.
Mas em vez de perder tempo com discussões inúteis, Kaelyn enfiou a mão na bolsa e puxou um antigo relatório médico que Landen lhe entregara anos atrás. Sem hesitar, ela o jogou no colo de Verena. "Landen nunca teve intimidade comigo, nem uma vez. Vocês realmente acham que eu poderia ter um filho sozinha?"
Verena abriu a boca para disparar outro insulto, mas a voz morreu na sua garganta assim que seus olhos pousaram no relatório. A palavra "IMPOTENTE" em negrito, destacada no documento, parecia gritar para ela.
"Como… como isso é possível?" Suas mãos tremiam enquanto ela agarrava o papel, visivelmente chocada.
Ao lado dela, Kathy ergueu uma sobrancelha ao ler o relatório. Sua expressão vacilou apenas por um instante antes de ela recuperar o controle.
Com a voz ríspida, ela declarou: "Se Landen consegue ter intimidade com Claire, isso prova claramente que o problema nunca foi dele. Ele mentiu sobre ser impotente porque não suportava a ideia de tocar em você."
Diante da afronta, um sorriso frio se desenhou nos lábios de Kaelyn, e seus olhos brilharam com sarcasmo. "Será mesmo? Você se esqueceu de quem ficou ao lado de Landen, estabilizando o caos no Grupo Barnett quando ele sofreu o acidente e Claire fugiu para o exterior?"
O maxilar de Kathy se retesou, e seu olhar afiado se cravou em Kaelyn. Por um instante, ela pareceu sem palavras, mas logo sua expressão endureceu, carregada de desprezo. "Não pense que eu não percebi seu joguinho! Desde o começo, você sempre tinha um único objetivo: entrar para a família Barnett. Você não é diferente de Claire... As duas são igualmente gananciosas, obcecadas pela nossa riqueza!"
Verena, que sempre se dava muito bem com Claire, se enrijeceu com a comparação da mãe.
Irritada, ela defendeu a amiga rapidamente. "Mãe, não se atreva a colocar Claire no mesmo nível dessa mulher. Ela foi para o exterior naquela época para procurar médicos para Landen, não porque estava fugindo. Ela é diferente de Kaelyn!"
Verena então se virou para Kaelyn, os olhos carregados de desprezo, e disparou com veneno na voz: "Se você não tivesse se metido e se casado com Landen, Claire nunca teria tido o coração partido, nunca teria passado anos longe! Ela voltou porque ainda se importa com ele. Kaelyn, você deve muito a Claire. Afinal, você é a intrusa nessa história!"
Kaelyn soltou uma risada seca, balançando a cabeça, como se estivesse farta dessa ladainha. Sem perder tempo com palavras desnecessárias, ela abriu a bolsa, puxou um contrato de divórcio e ergueu o documento diante das duas. "Estão vendo isso? Estou determinada a me divorciar. Digam a Landon para se preparar e comparecer ao cartório comigo. Assim, ele estará livre... e esse casal ridículo poderá fazer o que bem entender."
Sem dar espaço para mais discussões, Kaelyn se virou e subiu as escadas, deixando Kathy e Verena atônitas, sem saber o que dizer.
Até Kaelyn terminar de arrumar suas malas e cruzar a porta, Kathy e Verena continuaram paralisadas, como se o tempo houvesse congelado ao redor delas. No silêncio pesado, o contrato de divórcio sobre a mesa parecia queimar sob seus olhares incrédulos.
"Ela realmente vai se divorciar de Landen?", Verena murmurou, desconfiada.
Com um movimento brusco, ela pegou o documento e o examinou mais de perto. Seus olhos correram pelas palavras, e a fúria que subiu pelo seu peito logo transpareceu na sua expressão quando ela exclamou: "Há! Exatamente como eu pensava! Ela só quer dinheiro! Veja isso! Ela quer metade dos bens da família Barnett! Sem vergonha!"
Antes que Kathy pudesse responder, o som da porta da frente se abrindo ecoou pela casa. Landen entrou, os ombros pesados pelo cansaço, mas sua expressão permanecia composta, impenetrável.
No instante em que o viram, Kathy e Verena se moveram como predadoras, o cercando sem dar tempo para que respirasse.
"Landen, você precisa acabar com essa loucura agora mesmo! Essa mulher sugou tudo o que podia da nossa família e agora quer arrancar ainda mais! Esse divórcio não passa de um golpe para nos extorquir!", Kathy disparou, a indignação fazendo sua voz soar ainda mais estridente.
Verena emendou, a voz tremendo de fúria: "Sim, e não é só isso! Ela não apenas nos desrespeitou, como também esfregou esse pedido de divórcio na nossa cara, como se fôssemos insignificantes! Deveríamos expô-la ao público e deixar que todos saibam que ela não passa de uma vergonha! Quando ela for rejeitada por todos, não terá escolha a não ser voltar rastejando para nós!"
Landen estreitou os olhos, processando as palavras que acabara de ouvir, e disse com firmeza: "Não."
O Grupo Barnett atravessava um momento crucial e, agora, figurava entre as 100 maiores empresas do mundo. Se pudesse conquistar o apoio de Rodger Barnett, o chefe da família e uma figura de influência inquestionável tanto no meio militar quanto no financeiro, o futuro da empresa poderia alcançar níveis sem precedentes. Portanto, em tempos como esse, qualquer deslize, qualquer escândalo, poderia ser catastrófico.
Antes que Landen pudesse acrescentar mais alguma coisa, o celular no seu bolso começou a tocar. Com um olhar carregado de irritação, ele atendeu, já prevendo um incômodo.
No entanto, à medida que escutava do outro lado da linha, sua expressão se alterou drasticamente. A frustração foi substituída por uma súbita intensidade, e sua voz, antes controlada, ganhou um tom de urgência.
"O que você disse? Teve uma pista sobre Egret? Continue investigando. Custe o que custar, preciso da ajuda dela." Os olhos de Landen brilharam com interesse, a mente trabalhando rapidamente diante da nova informação.
…
Às dez da noite, no Bar Radiant, o ambiente vibrava com uma energia contagiante.
"Ao grande retorno de Kaelyn!"
Sebastian ergueu seu copo com entusiasmo, um sorriso largo estampado no rosto enquanto ele aproveitava a celebração. Sua alegria era evidente para todos.
Os homens ao redor não hesitaram em segui-lo e, entre risadas e cumprimentos ruidosos, ergueram seus copos, brindando em uníssono.
"Bem-vinda de volta, Kaelyn!"
"Kaelyn, você é incrível! No momento em que a notícia se espalhou, as pessoas começaram a correr para descobrir mais sobre a lendária médica, Egret!"
"É verdade! Ouvi dizer que o Grupo Barnett até ofereceu um milhão! Consegue imaginar a cara de Landen se ele soubesse quem você realmente é?"
Só de ouvir o nome de Landen, o rosto de Kaelyn se fechou instantaneamente.
Sebastian percebeu a mudança de imediato e, sem hesitar, tratou de mudar o rumo da conversa. "Um milhão? Isso não é nada. Alguém aumentou a oferta. Quinze milhões só para rastrear Kaelyn! E, se aceitar o caso, estão oferecendo setenta milhões."
Kaelyn girou a bebida preguiçosamente no copo antes de levar aos lábios, degustando o líquido com uma calma calculada.
Ela não respondeu. Qualquer um disposto a pagar tanto certamente estava envolvido em algo grande, uma rede de poder e influência que exigiria um preço alto. Ela acabara de ressurgir, então mergulhar em algo tão complexo agora não fazia parte dos seus planos.
Percebendo o silêncio dela, Sebastian desviou o assunto para temas mais leves, envolvendo o restante do grupo na conversa.
Kaelyn, por sua vez, permanecia em silêncio, saboreando sua bebida enquanto a mente vagava por pensamentos que só ela conhecia.
No entanto, não demorou para que o grupo chamasse atenção, e pessoas, curiosas e intrometidas, começaram a se aproximar, tentando se infiltrar na conversa.
As interrupções logo se tornaram irritantes. Com um suspiro impaciente, Kaelyn puxou a manga da camisa de Sebastian. "Vamos dançar."
Ela se moveu até a pista com uma confiança inabalável, os passos fluidos e naturais, como se cada movimento fosse uma extensão dela mesma. Depois de anos vivendo sob a sufocante sombra da família Barnett, tudo o que ela queria essa noite era sentir o gosto da liberdade.
A batida intensa do rock dominava o ambiente, e ela se entregou ao ritmo sem esforço, o corpo respondendo à música com uma força graciosa. O mundo ao redor se dissolveu até que nada mais importasse além da melodia pulsante e dos seus próprios movimentos.
Gradualmente, os dançarinos ao redor dela vacilaram, cativados pela aura magnética que emanava dela.
Sob as luzes piscantes, seu vestido preto, justo ao corpo, era como uma segunda pele que ressaltava suas curvas e a elegância natural. Cada passo que ela dava fazia a multidão se curvar a uma presença magnética, impossível de ignorar.
"Aquela é… Kaelyn?", Landen murmurou, paralisado na entrada.
Sua voz se perdeu no turbilhão de sons, abafada pela batida da música, mas seus olhos não conseguiam se desviar dela, que estava no centro de tudo. Seu olhar estava preso à visão deslumbrante à frente, e ele mal podia acreditar no que via.
Landen havia levado Verena e alguns amigos para celebrar o retorno de Claire do exterior, sem imaginar que encontraria Kaelyn num lugar como esse.
Como poderia uma mulher tão sem graça como Kaelyn se transformar em alguém tão fascinante?
Claire, que segurava o braço de Landen, sentiu a tensão crescente no corpo do homem assim que os olhos dele pousaram em Kaelyn. Intrigada, ela franziu as sobrancelhas em desgosto.