Capítulo 2

"Jase, sou eu."

Eu ouvi Jase parar o que estava fazendo ao ouvir a minha voz. Em seguida, ele abriu a porta.

Eu ergui os olhos e, encontrando seu olhar, disse: "Jase..."

Ele me olhou com uma expressão arrogante e seus lábios finos se curvaram em um sorriso sarcástico. Então, secando seu cabelo com uma toalha, ele perguntou em um tom suave e provocante: "O que a traz aqui, cunhada?"

Parecia que Jase tinha andado bebendo, pois, mesmo ele tendo acabado de sair do banho, eu podia sentir um leve cheiro de álcool.

Mantendo um tom de voz suave, eu olhei para o lado e disse: "Posso entrar?"

Jase ergueu uma sobrancelha e, em uma voz brincalhona e insinuante, questionou: "Você tem certeza disso?"

"Sim", eu respondi e, lembrando-me das palavras de Katie, sabia que não podia recuar.

Assim que a porta do quarto se fechou, eu me aproximei de Jase, que estava de costas para mim e supliquei: "Jase, será que você pode me ajudar? A Katie quer que Vince e eu deixemos a família Mitchell. Você sabe que o estado de saúde do Vince não é bom. Se sairmos daqui, Katie nos fará sair do hospital e Vince morrerá. Por favor, Jase."

Eu agarrei a manga da blusa dele, sabendo que a única chance que eu tinha era apelar para qualquer sentimento que ele ainda pudesse ter por mim.

De repente, Jase afastou minha mão com força e, com uma expressão de pânico no rosto, fingi perder o equilíbrio.

Ao ver que eu estava prestes a cair no chão, ele segurou o meu braço para me estabilizar e perguntou em um tom de zombaria: "Quem você pensa que é para falar assim comigo? Você está aqui como minha cunhada ou como minha antiga namorada?"

Ele me puxou para perto dele e nossos corpos pressionaram um contra o outro, ao mesmo tempo que os nossos corações e respirações pareciam entrar em sincronia.

Eu mordi o lábio, mas a verdade é que a raiva dele, de alguma forma, me acalmou.

Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, eu me ergui na ponta do pés e, com as mãos em seus ombros, o beijei.

Depois do beijo, eu implorei: "Se você ajudar a mim e ao meu filho, eu farei qualquer coisa! Por favor, Jase!"

Nesse momento, Lágrimas começaram a escorrer dos meus olhos.

Eu tinha medo de que algo ruim pudesse acontecer a Vince e estava disposta a fazer qualquer coisa para salvá-lo.

Jase entendeu o que eu estava sugerindo e me lançou um olhar enigmático e irritado enquanto perguntava: "Você está mesmo disposta a se sacrificar pelo filho do meu irmão?"

Eu fiquei em silêncio.

Os olhos dele ficaram momentaneamente embaçados e ele acrescentou: "Você está sempre pronta para sacrificar qualquer coisa para ajudar outra pessoa, não é mesmo?"

Ele me levantou pela cintura e, depois que me colocou na cama, perguntou em um tom de voz frio: "Você tem certeza de que não vai se arrepender disso?"

Eu estremeci, mas balancei a cabeça e respondi: "Sem arrependimentos."

Ele se inclinou e sussurrou de forma maliciosa perto do meu ouvido: "Você também implorou assim para o Kade? Como você acha que ele se sentiria se soubesse?"

A verdade é que Jase sempre desprezou Kade. Por isso, eles nunca se deram bem um com o outro.

Ao ouvir isso, eu senti o meu corpo gelar.

Em seguida, eu afundei em uma espécie de torpor e, sentindo-me sobrecarregada, queria fugir. No entanto, Jase continuou me puxando para perto dele e só me soltou quando eu estava prestes a desmaiar de exaustão.

Antes de perder totalmente os sentidos, eu o ouvi dizer: "Jolie, você está tentando me enlouquecer? Por que eu deveria te ajudar? Ele não é meu filho."

Quando acordei, o meu corpo todo doía e eu estava deitada na cama do meu próprio quarto.

Forçando-me a levantar, eu peguei o meu celular e vi uma mensagem do Jase, que dizia: "Venha até a mim, amanhã à noite. Não se atrase, minha cunhada."

Essas palavras não me deixaram envergonhada. Em vez disso, eu senti um grande alívio porque agora eu poderia ficar com a família Mitchell e manter o tratamento de Vince.

No passado, Jase e eu tínhamos sido apaixonados um pelo outro e, como a família Walton era importante em Auria, éramos um par perfeito.

Mas então, com a traição de alguns parceiros de negócios e os esquemas de parentes distantes, a empresa do meu pai foi à falência e ele, desesperado, se suicidou.

Diante da perda do meu pai e da empresa, a minha mãe ficou profundamente deprimida e doente e a minha irmã começou a considerar a possibilidade de abandonar seus estudos no exterior.

Enquanto isso, sabendo do que tinha acontecido, Katie proibiu Jase, que estava estudando no exterior, de voltar para casa. O motivo disso era porque ela não queria que ele tivesse mais qualquer envolvimento comigo.

Na época, eu não culpei Jase, pois sabia que, sendo ele apenas um estudante, não tinha condições de mudar a situação.

Foi nesse momento de necessidade que Kade, que sempre foi apaixonado por mim, se aproximou.

Embora Kade soubesse que eu amava Jase, ele ofereceu ajudar a minha família, desde que eu me casasse com ele.

Pela saúde da minha mãe e pela educação da minha irmã, eu aceitei a proposta dele.

Assim, quando Jase finalmente conseguiu voltar para casa, eu já estava casada e ele só podia me tratar como sua cunhada.

Foi graças a Kade que a família Walton não desmoronou. Isso porque ele pagou o tratamento da minha mãe e permitiu que a minha irmã tivesse condições de terminar os seus estudos.

Agora, o meu arranjo com Jase havia durado quinze dias e, durante esse tempo, ele cumpriu sua promessa, garantindo os melhores especialistas e medicamentos para Vince.

Um dia, eu voltei à propriedade da família Mitchell para pegar algumas coisas. No entanto, ao sair do meu quarto, eu vi a assistente de Katie, May, parada no corredor, esperando por mim.

Com um olhar de desdém, que deixava bem claro o quanto ela me desprezava, ela informou: "A senhora Mitchell está esperando por você na sala de estar."

Capítulo 3

Enquanto segurava uma xícara de café, Katie me lançou um olhar de cima a baixo. Ela estava usando seus costumeiros óculos de armação vermelha e um batom vermelho vivo que a fazia parecer ainda mais arrogante que o normal.

Ela tomou um gole de café e então, colocando a xícara sobre a mesa, afirmou em um tom desdenhoso: "Eu nunca pensei que você fosse capaz de algo assim. Eu fui bem clara quando disse a você para arrumar as suas coisas e sair da propriedade da família Mitchell, mas você aproveitou a minha ausência para se enfiar na cama do Jase. Se Kade soubesse o que você fez, nunca encontraria descanso no além."

Com um olhar calmo para ela, eu respondi: "Se você não tivesse tentado me expulsar, junto com o meu filho, eu não teria sido forçada a procurar Jase. Se Kade soubesse das minhas atuais circunstâncias, ele teria entendido as minhas ações e não me culparia."

Em um tom de deboche, Katie retrucou: "Você realmente acredita que eu me importo com a vida do seu filho? Está bem claro para mim que fui muito indulgente com vocês dois."

"Jase me prometeu que não dificultaria as coisas para nós", eu disse, encarando-a com um olhar firme.

Considerando que a saúde de Vince estava muito frágil, eu fiz questão de mencionar Jase para que Katie pensasse duas vezes, antes de tentar nos causar problemas.

"É mesmo? E o que exatamente ele prometeu a você? Você não passa de uma mulher insignificante, mas, mesmo assim, acha que pode me enganar?"

Diante das palavras ressentidas de Katie, eu senti os meus dedos ficarem dormentes. Ela era o tipo de pessoa que, mesmo sabendo que Jase estava me apoiando, não hesitaria em descontar sua raiva sobre mim.

Quando Kade estava vivo, ela era forçada a se conter. Mas agora que tinha conseguido o poder da família Mitchell, estava insuportavelmente arrogante.

"Você tem quinze dias para sair. Não serei mais tão gentil. Você achou que dormir com o meu filho seria o suficiente para garantir sua permanência na família Mitchell? Você tem alguma ideia de onde ele está hoje?"

Apesar das palavras de Katie terem provocado várias dúvidas em minha mente, eu me forcei a manter a compostura.

Mesmo assim, ela sorriu e continuou: "A família Mitchell está prestes a formar uma aliança por meio de casamento com a família Higgins. Esta noite, Jase está jantando com Zoe Higgins. Você acha que é tão especial assim para conseguir ficar aqui com suas táticas desprezíveis? Nem pensar."

Com isso, ela lançou um olhar para May e esta, por sua vez, avançou em minha direção e me deu um tapa no rosto.

Exausta por conta de tudo o que estava enfrentando e da falta de descanso, eu não consegui desviar do tapa e senti minha bochecha queimar de dor.

Antes que eu pudesse reagir, Katie disse a May: "Eu disse a você para parar?" Nesse momento, alguém me agarrou por trás e May começou a me dar um tapa após o outro, com uma força brutal.

Sabendo que não tinha força suficiente para me soltar, eu nem tentei. Contanto que o que May e Katie estavam fazendo não me matasse, eu estava disposta a enfrentar qualquer coisa.

Quando senti que estava prestes a desmaiar, eu ouvi uma comoção do lado de fora.

Sem aviso, Jase entrou na sala e tudo o que eu pude fazer foi observar enquanto ele dava um chute em May e um tapa na pessoa que me segurava, derrubando os dois no chão.

Como que Jase, que deveria estar jantando com Zoe, tinha conseguido voltar tão de repente?

Nesse meio-tempo, May gemia de dor no chão e Katie, furiosa, se ergueu e, apontando para Jase, esbravejou: "Você enlouqueceu? Como ousa bater na May! Ela trabalha para mim há anos!"

Ignorando sua mãe, Jase me segurou pelos ombros e, por um momento, observou as marcas vermelhas no meu rosto. Então, com um olhar gélido para May, ele se virou para Katie e disse em um tom ameaçador: "Eu deixei bem claro para você que cuidaria dos assuntos da Jolie e que você não deveria interferir. Contudo, parece que ninguém levou as minhas palavras a sério."

Antes que Katie pudesse ter qualquer reação, Jase fez um sinal para seus guarda-costas e estes arrastaram May e mais duas pessoas para fora da sala de estar.

Apavorada, May implorou por ajuda, gritando: "Senhora Mitchell, por favor! Me ajude!"

Katie, vendo Jase expulsar sua assistente e me apoiar, perdeu toda a compostura e rosnou: "Seu tolo! Era para você estar jantando com a Zoe! Você está colocando o seu noivado com ela em risco por causa dessa mulher? Ela foi a esposa do seu irmão e é sua cunhada!"

Sem hesitar, Jase respondeu: "A Jolie sempre me pertenceu. Além disso, o Kade está morto."

Enquanto falava, ele apertou o meu braço com firmeza, como se tivesse medo de que eu desaparecesse.

Vendo isso e percebendo que ele não ia deixar que sua mãe me machucasse, eu soltei um suspiro de alívio.

Irritada, Katie desabou no sofá e, massageando as têmporas, o confrontou, dizendo: "Você está disposto a fazer sua mãe morrer de desgosto por causa de uma viúva inútil? Esta família não tem espaço para nós duas! Que valor essa viúva tem para que você considere útil protegê-la?"

Sem se abalar, Jase retrucou: "Mãe, você já se esqueceu de que também é uma segunda esposa? Considerando que o meu pai não se importou de casar com você, por que eu me importaria? A verdade é que se você não tivesse se metido, nós não teríamos sido separados. Não se preocupe. Eu vou resolver o assunto com a Zoe. De agora em diante, a Jolie vai ficar na minha residência privada e você e seus subordinados não tem permissão para se aproximar dela. Se algo de ruim acontecer a ela, não me culpe por agir de forma severa. Você pode ser a matriarca aqui, mas não desafie as minhas ordens."

Com isso, ele deu as costas para sua mãe e nós dois saímos da sala.

As palavras dele sobre Zoe me deixaram um tanto inquieta, mas como eu ainda não me encontrava em uma situação estável, optei por permanecer em silêncio.

Assim que entramos no carro dele, Jase pegou uma compressa de gelo em seu minibar e me entregou. Então, em um tom irritado, ele perguntou: "Por que você não me ligou? Qual é a sua desculpa?"

Sem querer responder a pergunta de Jase ou ir para sua residência privada, eu olhei pela janela e disse em um tom suave: "Eu preciso ir ver o Vince. Já faz horas que estou longe do hospital. Ele deve estar ficando com saudade de mim."

"Considerando que o seu rosto está todo inchado, você tem certeza de que não vai assustá-lo se for vê-lo agora?", Jase indagou.

"Não se preocupe. No tempo que vou levar para chegar lá, essa compressa de gelo vai ajudar a diminuir o inchaço. Além disso, vou inventar uma desculpa convincente e ficará tudo bem", eu respondi enquanto afastava a mão dele e segurava eu mesma a compressa de gelo.

Percebendo que eu estava de mau humor, ele sorriu e perguntou: "Você está aborrecida com o assunto do meu casamento com a família Higgins?"

"É claro que não! Que direito eu tenho de ficar irritada com isso?", eu retruquei, ao mesmo tempo que negava com a cabeça.

Apesar disso, ele explicou em um tom bem-humorado: "Todos estão dizendo que eu vou me casar com Zoe Higgins, mas a verdade é que nós só estamos encorajando esse rumor. O nosso relacionamento não passa de um acordo de negócios."

Após um momento, ele continuou: "Uma notícia como essa é ótima para as duas empresas, pois ajuda a aumentar o preço das ações."

Por um momento, eu apenas o encarei em silêncio. Então, devolvendo-lhe a compressa de gelo, murmurei: "Ao que parece, eu sou tão fácil de convencer quanto o Vince."

Ao ouvir isso, Jase deu uma risada e afirmou: "Você não mudou nada."

Depois que ele disse isso, nós ficamos em silêncio e era como se nós dois soubéssemos que o nosso relacionamento não tinha como voltar a ser como era antes.

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O amor como arma

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