Capa do Romance O amigo do meu melhor amigo

O amigo do meu melhor amigo

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Estudante de Arquitetura, Carol mantém uma amizade inabalável com Rafael, futuro engenheiro, desde a infância. A relação de irmandade entre eles é testada quando ela se encanta por Rodrigo, um colega de curso de seu melhor amigo. Ao ver Carol decidida a conquistar esse novo amor, ela recorre ao apoio de Rafael para se aproximar do rapaz. No entanto, enquanto o romance floresce, Rafael começa a lidar com sentimentos inesperados que ameaçam mudar tudo.

O amigo do meu melhor amigo Capítulo 1

Rafael tinha 5 anos quando conheceu Carol.

Ele estava andando de balanço, sentindo o vento bater em seu rosto. Ele tinha total noção que sua mãe o observava atentamente. Ela era super protetora, mas ele compreendia. Abriu os olhos, olhando para o céu azul e limpo. "Onde estaria sua irmãzinha... Onde estaria Gabriela?" Desde muito pequeno ouvia a história de sua irmã gêmea que fora roubada, ele sentia em seu coração, como se faltasse um pedaço, e era realmente um pedaço dele.

- Ei... - Uma vozinha fina o chamou, o fazendo virar o rosto.

- Oi. - Ele disse para a menina que o encarava com o rosto sério. Ela era pequena, cabelos ondulados e castanhos, olhinhos castanhos esverdeados, uma boquinha pequena. Ela era fofa. Ele sorriu para ela.

- Você está nesse balanço há muito tempo! Eu também quero andar!

- Ah... - Rafael respondeu ficando sério. O balanço era seu brinquedo favorito da pracinha. Parou o balanço, mas antes de sair disse. - Eu não quero sair! - Enrugou a testa. Mas antes que tivesse tempo de repensar a menina, o agarrou pelo braço o puxando do brinquedo, mas ele era maior que ela, então se soltou e fez uma cara bem feia para ela. Ela estreitou os olhos e antes que ele percebesse estava sendo chutado, bem no meio das pernas.

Uma dor estranha percorreu suas pernas e estômago, o fazendo inclinar pra frente. Ouviu sua mãe gritando e correndo em sua direção, ergueu os olhos para a menina, que ria dele. E ela parecia ainda mais fofa sorrindo.

Sua mãe o erguera do chão, o carregando para o outro lado, mas Rafael não desgrudou os olhos da menina. - Me solta mãe! - A mãe parou.

- Tudo bem Rafa? Se machucou... ?

- Tudo bem... quero voltar lá!

- Não mesmo! Aquela menina maluca te chutou, sem você fazer nada.

- Mãe eu quero ir falar com ela. Você sempre diz que temos que fazer amizade até com nossos inimigos.

A mãe de Rafael suspirou. - Ok. Vou cuidar daqui.

Rafael foi se aproximando devagar da menina, que agora se balançava no balanço em que ele estava. Os cabelos voando com o balanço do vento.

- Eiii... - Rafael chamou. Vendo que ela não lhe deu bola, perguntou. - Qual o seu nome?

Carol olhou para aquele menino chato, ele vinha todos os dias na pracinha, ele ficava só no balanço, ela nunca conseguia andar. Tinha guardado muita raiva, e acabara chutando as bolas dele. Mas bem feito! Quem mandou ele ser tão egoísta?!

- O que você quer ? - Ela respondeu brava.

- Porque me chutou ?

Carol revirou os olhos. - Você só fica grudado nesse balanço, não deixa ninguém andar! Isso é egoísmo!

Rafael pensou um pouco, realmente só andava no balanço, mas era o brinquedo que ele mais gostava, pois dava pra brincar sozinho.

- Desculpa, é que eu gosto de andar de balanço.

Carol parou o balanço encarando aquele menino. Ela tinha o chutado, com bastante força, e ele se desculpou? Hummm estranho...

- Eu também gosto... - Disse Carol ainda desconfiada.

- Como se chama ?

- Carol e você ?

- Rafael. - Rafael pensou um pouco. - Mas é Carol o que ?

- Como assim?

- Caroline, Carolina, ... ? - Fez uma cara de interrogação, que foi respondida com outra cara de interrogação.

- É só Carol. - A menina balançou a cabeça.

- Hummm. Legal.

Ela riu. - É... Rafael também é legal. - Sorriu para ele.

Naquele sorriso Rafael se encontrou, sorriu de volta. - Podemos ser amigos ?

Carol riu divertida. - Hummm... - Pareceu pensar um pouco. - Podemos, mas você tem que dividir o balanço!

Rafael deu um pulinho. - Ta bom, combinado!

Assim começou a grande amizade. No ano seguinte começaram a 1ª série na mesma escola, suas mães ficaram amigas e os dois se tornaram inseparáveis.

Ao final do Ensino Fundamental, Rafael ficava cada vez mais bonito, fazendo todas as meninas quererem sair com ele. Enquanto isso Carol revirava os olhos cada vez que uma menina vinha pedir para ela lhe ajudar com Rafael, já que eram tão amigos.

- Rafa... - Carol chegava nele. - Sabe a Sabrina?

Rafael já sabia o que era. - Não acredito! Ela é a maior gata!

- Ai Rafael, pelo amor de Deus. Uma hora dessas tu vai pegar uma pereba na boca, de tanto beijar essas meninas.

Rafael gargalhava. Amava Carol, seu coração chegava a se apertar quando ela faltava alguma aula. Era sua melhor amiga, era como uma irmã para ele. E ele sabia que era como um irmão para ela.

No Ensino Médio, Carol começara a criar corpo, se tornando uma bela moça. Cintura fina, pernas torneadas, bumbum empinado, barriga reta e seios na medida. Os cabelos sempre soltos e de lado, um castanho brilhoso, que ela havia pintado de vermelho, se tornando um vermelho vibrante.

Agora era Rafael que revirava os olhos. - Cara eu já te disse que tu não tem chance com ela!

- E porque não Rafa, me diz o que eu posso fazer pra conquistar ela ...

Rafael ria, mas se doía de ciúmes. Ela era a melhor amiga dele, não poderia entregá-la a qualquer garoto nojento. - Nascer de novo!

- Ah, mas então só me apresenta como seu amigo... deixa que eu faço o resto! - A contragosto Rafael aceitava, mas Carol nunca o decepcionava.

- Rafa, tu pode dizer para aquele seu amigo esquisito, que eu não vou ficar com ele!

Rafael fingir insistir. - Mas Cá, ele é legal, gostou de você...

- Cala a boca!

Ele ria, mas ficava feliz. Nunca tinha visto ela ficar com ninguém, e eles sempre se contavam tudo. Então ela não devia ter beijado ninguém, e isso o deixava feliz, de certa forma.

Lembrava-se de quando contou de sua irmã, ela o abraçou e disse que nunca o abandonaria. E quando ela contou da morte de seu pai, ele a consolou e jurou proteger e cuidar dela. E era isso que ele fazia.

Carol não pensava em beijar qualquer um, ela só beijaria alguém quando se apaixonasse. E isso aconteceu no segundo ano do Ensino Médio. Se apaixonou por Diego. Era um loirinho de olhos azuis, que só fazia palhaçada na sala de aula. Era o pior da turma, já tinha sido expulso e tudo, mas ele tinha algo que fazia Carol tremer por ele.

Em uma noite do pijama, Carol contou para Rafael.

- Rafa... eu tô apaixonada.

Rafael quase engasgou com a Coca-Cola que ele estava bebendo. - O que ? Como assim ? - Ele rira. Mas sentiu seu coração disparar. - Por quem ?

- Diego... - Ela respondera se jogando na cama. - Você já viu como ele é legal?

- Ele é um idiota! - Rafael fez cara de nojo.

- E os olhos... um azul tão límpido.... - Suspirou encantada.

- Meu Deus Carol... - Rafael passou a mão no queijo dela. - Você tá babando. - Disse brincando arrancando risadas dela.

- O que eu faço pra chamar a atenção dele?

Rafael ergueu as sobrancelhas. - Sei lá, senta perto dele na aula, oferece ajuda em alguma matéria... ele deve estar mal em tudo. - Riu bobo.

- Para com isso rafa. - Carol estava apaixonada por Diego. Ela sabia que ele era o garoto perfeito para seu primeiro beijo.

- Você nunca me falou nada mas você já... ann...

- Já o que ? - Carol fitou o amigo nos olhos verdes.

- Já beijou alguém ? - Ele parecia envergonhado por perguntar, mas queria saber, afinal ela sabia quando ele beijara pela primeira vez.

Carol ficou vermelha. - Não!

- E você quer usar seu primeiro beijo com aquele idiota ? - Rafael falou de olhos arregalados.

- Pô Rafa! Nunca critiquei as meninas que tu pegava! - Ela fez um biquinho.

Rafael suspirou. Estava sendo um péssimo amigo. - Ok, vou te ajudar.

- Ahhh, sério? - Ela subira na cama e começara a pular.

Rafael ria com ela. Ela era realmente linda, Diego iria era pular de alegria quando soubesse que ela queria ficar com ele.

***

Depois de Carol ficar com Diego, ele saiu dizendo pra todo mundo que tinha dormido com ela, o que Rafael sabia que era mentira.

- Calma, Cá... Ninguém tá acreditando nele.

- Ai, Rafa... - Carol chorava em seu ombro. - Eu devia ter te ouvido. Ele é um idiota.

Rafael estava furioso com Diego. Como ele teve coragem de espalhar algo como aquilo sobre ela.

Foi a primeira vez que Rafael brigou na escola. Fazia academia desde muito novo, sua mãe queria que ele soubesse se defender, tinha medo de muitas coisas, devido ao sumiço da sua irmã, quando bebê. Mas graças a isso, quebrou o nariz de Diego, e o deixou quase desmaiado na esquina da escola.

Seus pais brigaram com ele, e ele ficou de castigo por um mês. Somente via e falava com Carol na escola, mas vê-la correr em direção a ele e o abraçar agradecendo, porque Diego desmentira tudo, fazia valer a pena.

***

Ao terminar o Ensino Médio, os amigos decidiram fazer faculdade na mesma universidade. Carol escolheu Arquitetura e Rafael Engenharia Mecânica. Rafael e Carol saiam juntos, se ajudavam quando precisavam, mas não interferiam na vida pessoal amorosa um do outro. Rafael teve uma namorada por quase um ano, mas terminou quando a menina colocou ele na parede e mandou escolher ou ela ou Carol. E ele escolheu Carol.

Carol, namorou duas vezes. Uma das vezes o cara queria mandar nela, parecia que era propriedade privada. Ela não se deixava manipular e o romance não durou. Na outra vez, o cara não gostou de saber que ela tinha um melhor amigo e como a namorada de Rafael, quis colocá-la em xeque-mate, mas ela não cedeu. Rafael era parte sua, nunca o abandonaria.

***

Fazia poucos meses que Gabriela, que agora se chamava Luana, a irmã desaparecida de Rafael apareceu. E a semelhança entre os dois era gritante, tudo bem que eram gêmeos, mas eram bivitelinos, não precisavam ser tão parecidos. Carol ficou muito feliz pelo amigo, e em Luana encontrou uma melhor amiga. Inclusive foi madrinha no casamento dela.

E foi a partir daquilo que as coisas começaram a mudar.

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