Capítulo 2

Ponto de Vista: Helena

O último andar da Torre Sovrano cheirava a dinheiro e ozônio.

Também cheirava a *ela*. O perfume enjoativo e artificial de Isabella pairava no ar, misturando-se com o cheiro profundo de floresta de Dante.

Eu estava parada diante de sua mesa, segurando uma pasta azul. Meu coração martelava um buraco nas minhas costelas, mas mantive meu rosto inexpressivo.

"Seja rápida, Helena." Dante não levantou os olhos do laptop. "Tenho uma reunião em cinco minutos."

Isabella estava empoleirada na beirada da mesa dele. Literalmente sentada na mesa dele. Ela sorriu com desdém, girando uma caneta.

"Perdida, querida?" ela ronronou. "A cozinha fica três andares para baixo."

Minha loba rosnou, mas eu a contive. Seja a coisinha fraca que eles pensam que você é.

"Preciso de uma assinatura, Alfa", eu disse, mantendo a formalidade.

Dante finalmente olhou para cima, a irritação brilhando em seus olhos cinzentos. "Para quê? Outro cheque de caridade?"

"Logística da galeria", menti suavemente. "Estamos movendo a coleção para um depósito. A transportadora precisa da isenção de responsabilidade do proprietário. Como a galeria é tecnicamente um ativo da Alcateia, apenas o Supremo pode assinar."

Deslizei a pasta sobre a mesa.

Eu havia enterrado o *Vínculo de Repúdio* bem fundo. Estava na página quatro, entre uma isenção de seguro padrão e um manifesto de carga. O cabeçalho dizia simplesmente: *Liquidação de Ativos e Transferência de Direitos*.

Tecnicamente preciso. Eu era o ativo.

Dante suspirou, esfregando as têmporas. "O Beta não pode resolver isso?"

"Exige o Supremo", eu disse.

"Apenas assine, Dante", Isabella gemeu, checando seu relógio Cartier. "A reunião da fusão começa em dois minutos. Pare de perder tempo com trivialidades domésticas."

Dante pegou uma caneta-tinteiro. Ele virou a primeira página.

Meus pulmões pararam de funcionar. Se ele lesse uma linha do terceiro parágrafo, eu estava acabada. Traição. Cela no porão.

Ele olhou para o texto denso.

*Vamos lá*, implorei em silêncio. *Seja o cretino arrogante que eu sei que você é.*

"Você e suas pinturas", Dante murmurou. Ele não leu. Ele só queria que eu fosse embora.

Ele rabiscou sua assinatura na linha inferior: *Dante Sovrano, Alfa Supremo.*

No momento em que a tinta secou, eu senti. Um *estalo* agudo e metálico no meu peito. Como uma algema se partindo.

Dante franziu a testa, largando a caneta. Ele esfregou o peito, fazendo uma careta.

"O que foi isso?"

"O quê?" Isabella se inclinou, a mão em seu ombro.

"Nada", Dante balançou a cabeça. "Só uma pontada. Estresse."

Arranquei a pasta antes que ele pudesse pensar duas vezes. Minhas mãos tremiam, mas as escondi atrás das costas.

Eu consegui. Eu segurava minha vida em uma pasta azul.

"Obrigada, Alfa."

"Vá para casa, Helena", ele acenou com a mão, já se virando de volta para Isabella. "Vou ficar no apartamento da cidade hoje à noite."

"Eu sei", eu disse.

*Você nunca mais vai precisar me dizer isso.*

Eu saí. As pesadas portas de vidro assobiaram ao se fechar atrás de mim. Ele tinha sua fusão. Ele tinha sua Beta.

Mas ele tinha acabado de legalmente abrir mão de sua esposa.

*

Capítulo 3

Ponto de Vista: Helena

A mansão Sovrano não era um lar. Era um mausoléu com móveis melhores.

Agi rápido, enfiando dinheiro e a identidade falsa de Juliano em uma mochila. Sem roupas. Sem joias. Apenas equipamento de sobrevivência.

Meu celular apitou.

*De: Santuário Pico de Prata, Suíça.*

*Assunto: Inscrição Aprovada.*

Suíça. Território neutro. O único lugar que a Lei da Alcateia não podia me tocar.

Estendi a mão para pegar um suéter, e o quarto girou.

Uma onda de náusea me atingiu com tanta força que tive que me segurar na cabeceira da cama. E o cheiro — meus sentidos de repente foram para o nível máximo. Eu podia sentir o cheiro da poeira nos dutos de ventilação. Podia ouvir o batimento cardíaco de um esquilo no jardim.

*Não. Agora não.*

O cio. Mês passado. Dante tinha chegado em casa elétrico de uma disputa de fronteira. Não tinha sido amor; tinha sido biologia.

Corri para o banheiro, rasgando uma caixa de testes "Tira de Prata".

Três minutos. Uma eternidade.

Olhei para baixo. A tira não estava apenas azul. Estava brilhando em um carmesim violento e pulsante.

*Positivo. Linhagem de Alto Alfa detectada.*

Levei a mão à boca.

Grávida.

Um pânico gelado me invadiu. Se Dante soubesse...

Ele não veria uma criança. Ele veria um herdeiro. Ele pegaria o bebê, o criaria à maneira "Lua de Sangue" — frio, implacável, um soldado primeiro e uma pessoa depois. E eu? Eu seria a incubadora trancada no berçário.

"Não", sussurrei. "Não o meu bebê."

Percebi por que ele ainda não tinha sentido o cheiro. A náusea o mascarava. Mas logo, eu cheiraria a leite e vida nova.

Mastiguei um punhado de "Amora Fantasma" do estoque de Juliano. Tinha gosto de terra e cinzas, mas matava o cheiro.

Minha mão pairou sobre minha barriga lisa. Havia uma pulsação ali. Forte. Forte demais para algumas semanas.

Minha loba ergueu a cabeça. Ela não choramingou. Ela rosnou.

*Corra*, ela ordenou. *Agora.*

Fechei o zíper da mochila. Eu queria deixar uma carta. Queria gritar com ele. Mas a raiva era um luxo que eu não podia me permitir.

Eu tinha que ser um fantasma.

"Aguenta firme, pequeno", sussurrei para minha barriga. "Estamos indo para um lugar onde as ordens não chegam."

*

Continue lendo
Apoie o autor e inspire mais histórias incríveis Moboreader
Desbloquear todos
Capítulo
Personalizar
Próximo Capítulo
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED