Ponto de vista de Debra:
Levantei a cabeça, atordoada, e me deparei com um homem desconhecido.
Ele tinha cabelos loiros que brilhavam suavemente, como os primeiros raios de sol em um inverno gelado, irradiando um calor confortável e quase relaxante. Seu rosto era uma obra de arte, como se tivesse sido divinamente esculpido com o máximo cuidado, com traços fortes e elegantes.
Algo em sua presença deixou Ivy, minha loba interior, em alerta, inquieta e ansiosa para se aproximar dele.
"Querida, vá até ele, não perca essa chance!", ela exclamou com uma excitação incontrolável.
Essa insistência de Ivy me deixou confusa, mas logo percebi a mancha de vinho que derramara nas roupas do homem.
"Oh, desculpe-me por isso", murmurei, apressando-me para a mesa, em busca de um lenço para tentar limpar o estrago.
Ele fez um gesto casual com a mão, sinalizando que não se importava, e disse com um leve tom de desdém: "Não se preocupe com isso. Este casamento está péssimo, de qualquer forma."
"O quê?, O que fez você dizer isso?" Sua opinião franca e inesperada me intrigou.
Enquanto todos festejavam e torciam pelo novo casal, esse homem simplesmente criticava o evento. Algo em seu tom parecia conter uma verdade incômoda.
"Eduardo escolheu mal", comentou ele. Olhando para Marley, que sorria alegremente em meio à multidão, ele levou a taça aos lábios e continou: "Ela não será uma boa Luna."
Por um instante, a luz passou sobre o rosto dele, destacando o movimento de seu pomo de adão enquanto ele tomava um gole de vinho.
Senti-me inexplicavelmente atraída por ele, e meus olhos se fixaram na sua clavícula, visível sob a gola da camisa.
Meu coração disparou e comecei a sentir um nervosismo desconhecido.
"Como você sabe disso?", perguntei, tentando decifrá-lo: "Você quis se casar com ela e foi rejeitado?"
Ele riu com desprezo, me lançando um olhar de ironia: "E de onde você tirou essa ideia? Muito pelo contrário, eu que a recusei. Se eu quisesse, Marley largaria tudo e viria comigo sem hesitar."
Esse homem tinha rejeitado Marley? Isso só tornava tudo mais interessante.
Conquistá-lo seria uma espécie de vitória para mim.
Um impulso de ousadia, alimentado pelo álcool, me fez examiná-lo de cima a baixo.
Fingi uma expressão de desdém: "Mas por que ela faria isso? Sinceramente, não vejo nada de especial em você."
Com seu ego em jogo, ele arqueou as sobrancelhas, intrigado: "É mesmo?"
Num instante, ele me puxou para perto, encurralando-me contra a parede, segurando a taça de vinho em uma das mãos.
"Hum...", O tempo pareceu parar. Seu beijo era intenso, dominador, e eu me senti desfalecer em seus braços.
Ele segurava minha cintura com firmeza, erguendo-me suavemente. Sua presença me envolvia por completo, enquanto seu perfume me embriagava.
Então entendi perfeitamente por que Ivy estava tão agitada: esse belo estranho era o meu companheiro destinado. Não havia dúvidas.
Sem conseguir me conter, passei os braços ao redor de seu pescoço, correspondendo ao seu beijo.
De repente, ele parou, surpreso com minha reação apaixonada.
Não sabia ao certo se ele sentia o mesmo, mas a mistura de sensações que me dominava me fez esquecer qualquer dúvida. Eu nem percebi quando ele me levou até o quarto.
A luz da lua entrava pela janela, iluminando seu corpo acima do meu.
"Não se mexa…"
Ele começou a beijar meu pescoço, deixando um rastro de calor por onde passava. Com uma mão livre, ele começou a me despir, jogando meu casaco no chão. Segurando a taça de vinho com a outra mão, ele tentou desabotoar meu sutiã com cuidado. Sem pressa, seus lábios deslizaram pelo meu colo.
"Hum..." Senti uma onda de eletricidade onde quer que ele me tocasse, completamente sensível.
Minhas pernas se envolveram ao redor da cintura dele, movidas por um impulso instintivo. Um desejo inexplicável consumia cada fibra do meu ser.
Ele percebeu minha entrega e, com um sorriso de satisfação, deslizou o sutiã para fora.
De repente, algo frio caiu sobre mim, fazendo-me arfar de surpresa.
"Ah!"
Ele havia derramado vinho no meu peito.
Antes que pudesse reagir, ele abafou meu grito com um beijo ardente.
Sua boca estava sobre a minha, e eu sentia a pressão de seu membro rígido contra o meu corpo.
"Espere... o vinho...", murmurei, incomodada com a sensação pegajosa. "Limpe primeiro."
"Tudo bem, querida", ele sussurrou em meu ouvido, com a voz rouca. "Farei isso por você agora."
Antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, ele abaixou a cabeça e começou a lamber o vinho do meu corpo, descendo lentamente até minha barriga. Seus toques eram uma mistura de ternura e desejo, enquanto sua mão se movia para me despir completamente. Sem aviso, ele posicionou seu pênis bem na minha entrada úmida.
Sob o luar pálido, pude ver seu membro. Enorme, rijo e intimidador.
Ele olhou para mim, lendo o receio em meus olhos. "É sua primeira vez?"
Com a voz fraca, respondi apenas com um murmúrio hesitante: "Estou um pouco nervosa."
"Não precisa ficar", ele sussurrou com carinho, sorrindo.
Sem mais avisos, ele enfiou três dedos na minha vagina, me fazendo gemer instantaneamente. Então, segurando seu pênis enorme, ele disse: "Você vai adorar, eu prometo."
Em seguida, abriu minhas pernas e posicionou as mãos sob minhas nádegas. Antes de entrar, ele levantou a mão e cobriu meus olhos.
"Ah!"
Uma dor intensa atravessou minha virilha e percebi um leve sangramento. Ele pareceu notar, mas não hesitou. Em vez disso, continuou com ainda mais entusiasmo, me olhando com uma expressão selvagem enquanto retirava a mão dos meus olhos.
Ele estava certo. A sensação era realmente incrível.
Curvei meu corpo, permitindo que ele se aproximasse ainda mais. O prazer inesperado me tomava de uma forma arrebatadora.
Perdi a noção do tempo e apenas me lembrei de repetirmos várias vezes, explorando o sofá, a banheira e até a mesa. Fizemos tantas vezes que ele passou a entender quais posições mais me agradavam.
"Vamos fazer do jeito que você gosta, querida", ele sussurrou perto do meu ouvido enquanto nos envolvíamos.
Não entendi exatamente o que dizia, mas instintivamente assenti. Com ele, me senti como um pequeno barco em mar aberto, sendo levado pelas ondas que se intensificavam.
Na manhã seguinte, acordei com uma dor de cabeça forte e pulsante. A claridade invadia o quarto pela janela, me cegando momentaneamente, e uma dor intensa se espalhava pela minha região inferior, como se tivesse sido machucada profundamente.
"O que... o que está acontecendo?"
Esforcei-me para levantar da cama e, ao puxar o cobertor, fiquei completamente em choque. Marcas de chupões cobriam meu corpo.
Fragmentos das memórias da noite anterior começaram a emergir na minha mente.
Espere… com quem eu passei a noite?
Confusa, virei a cabeça e vi um homem dormindo ao meu lado.
Droga!
Realmente eu havia passado a noite com um estranho?
"Um estranho?!", Ivy protestou: "Ele é seu companheiro."
"Meu companheiro? Ah, que alívio!"
As palavras de Ivy, por mais absurdas que fossem, amenizaram um pouco minha culpa.
"Você não quer dar uma olhada nele?", Ivy sugeriu.
"Sim, claro."
Inclinei-me, curiosa, para observar melhor este meu suposto companheiro.
Ele era, sem dúvida, extremamente bonito. Talvez fosse o homem mais atraente que já tinha visto.
Perto dele, algumas peças de roupa e pertences estavam espalhados pela cama. Um documento de identidade, jogado num canto, chamou minha atenção.
Ao ler o nome no documento, meu coração quase saiu pela boca.
"Olhe isso, Ivy! Estou perdida!" Bati na testa, sentindo o arrependimento invadir cada parte de mim.
Esse homem era ninguém menos que Caleb Wright!
Ele era o infame Alfa da Matilha da Noite Eterna, conhecido por sua terrível reputação. Nenhuma mulher em sã consciência se aproximaria dele, muito menos passaria a noite ao seu lado.
Diziam até que a própria Deusa da Lua o desprezava, razão pela qual ele não tinha uma companheira destinada. Pior ainda, havia rumores de que as crianças de sua matilha sempre morriam misteriosamente e que as mães não podiam fazer nada além de assitir à morte de seus filhos.
Se descobrissem que estive com ele, meu pai ficaria furioso, e toda a Matilha Montanha de Prata me rejeitaria. Até minha falecida mãe provavelmente se revolveria no túmulo.
Eu nem sequer conseguia imaginar as consequências devastadoras.
Por isso, eu tinha que sair dali antes que alguém me visse ao lado dele.
"Como isso pode ser possível?", Ivy reclamou, contrariada: "Ele é seu companheiro! Vocês foram feitos um para o outro!"
"Fique calada! Não quero que minha vida seja destruída por Caleb Wright!"
Ignorando as reclamações de Ivy, me vesti rapidamente e escapei em silêncio.
Parecia que tudo estava dando certo. Todos estavam comentando sobre o casamento do dia anterior, e ninguém percebeu minha presença. Fiquei mais aliviada.
Ao chegar em casa, percebi que meu pai e Marley não estavam lá. Provavelmente haviam partido para a lua de mel. Nesse instante, ouvi uma voz preocupada atrás de mim.
"Querida, onde você esteve? Passei a noite inteira procurando por você. Fiquei muito preocupada!", Vicky me olhou de cima a baixo, visivelmente aflita.
Isso me deixou péssima, mas não podia revelar a verdade. "Desculpe, Vicky. Bebi demais e acabei adormecendo lá fora."
"É mesmo?" Vicky me olhou com desconfiança. "Você estava tentando se vingar da sua madrasta ontem à noite?"
"O quê? Claro que não!" Fingi uma indignação e mudei de assunto: "E, mesmo se eu quisesse, o que teria de mais? Ela passou dos limites ontem. Se você não tivesse me impedido, eu teria dado uma lição naquela mulher."
Vicky suspirou, resignada. Ela sabia que pouco podia fazer para me controlar: "Bem, agora ela é a Luna da nossa matilha. Tente não criar problemas."
"Está bem."
Na verdade, eu não pretendia causar problemas a Marley. Eu amava meu pai e não queria colocá-lo numa posição difícil.
Infelizmente, Marley não pensava da mesma forma.
Assim que se tornou a Luna, ela começou a me atrapalhar.
Ela tentou convencer meu pai de que uma parceria entre a Matilha Montanha de Prata e a Matilha Sombra da Lua seria vantajosa. No entanto, logo percebi que essa aliança seria não só inútil, como também poderíamos sofrer grandes perdas.
Senti que algo estava errado e pedi para revisar os documentos, mas Marley não permitiu minha interferência.
Na verdade, ela me mantinha afastada de qualquer decisão da matilha, o que só a tornava mais suspeita.
Decidi então convencer meu pai a permitir minha participação nesses projetos.
Nesse período, descobri que a Matilha Sombra da Lua enfrentava problemas financeiros, mas Marley havia manipulado os relatórios, ocultando esse fato.
Como meu pai confiava cegamente nela, eu precisava agir com cautela, então decidi investigar em segredo.
No entanto, minha investigação não foi fácil. Marley parecia ter percebido e fez de tudo para me excluir das reuniões, instruindo a Sombra da Lua a me manter desinformada. Fiquei sem conseguir mais informações.
Numa dessas reuniões, enquanto tentava identificar os erros nos planos dela, recebi uma mensagem urgente para me apresentar ao meu pai.
No caminho, de repente, senti uma náusea forte.
"Você está se sentindo mal novamente?", Vicky perguntou, preocupada, enquanto acariciava minhas costas: "O que está havendo com você? Você já deveria ter recebido o resultado dos exames. Já faz dias."
"Não, ainda não. Também estou confusa. Tenho me sentido mal há algum tempo, mas não sei a razão."
Assim que entrei no escritório do meu pai, ele atirou o relatório médico em minha direção, furioso.
"Debra, você realmente conseguiu se superar desta vez!" A decepção e a raiva em seu rosto eram evidentes. "Olhe só isso!"
Jamais tinha visto meu pai tão zangado antes e isso me deixou assustada.
Respirei fundo, tentando me recompor, e olhei para o resultado dos exames.
No instante seguinte, meus olhos se arregalaram.
O exame indicava que eu... estava grávida.
Ao ler isso, senti o chão sumir e quase desmaiei na mesma hora.